quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Bilhete de volta

- Eu acho que tu precisas de resolver, primeiro, tudo na tua cabeça.
- Mas lá está, tu conheces-me. Sabes que o fácil sempre foi falar e arrumar o mais difícil.
- Hmm... eu conheço-te e sei que não aguentas tão bem quanto aparentas.
- Mas a volta é sempre de 360, nunca se suporta, e vai dar sempre a mim, ao ponto de partida.
- E ao ponto de retorno. Tens-me sempre no final da volta.
- Mas a vida é isto...
- ..... E muito mais?
-
Sorrisos abertos e cúmplices.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Doce decadência

Bem-vinda. A decadência que já a tomou pelas mãos chegou. Faça favor de entrar enquanto tem tempo de se redimir dos seus pesadelos.

"E és tu capaz de parar de merdas e tratares-me pelo nome, pelo Tu que não reconheço, nem em espelhos, nem cinemas, nem eléctricos abandonados à tradição? Fazes-me o favor de me arrancares desse pseudo-argumento que guardas à mostra de toda a gente? Não sou propriedade pública, sabes? E não participo em nenhuma das tuas loucuras."
-

Como queiras, a porta é a serventia da casa. Mas o tempo não pára e tem-te doce só na decadência. És sempre Bem-vinda.

Esganar-te a Certeza.


É que era isso que eu merecia, que nós merecíamos. Esganar-nos à vez até o prazer nos levar ao suplício. Garanto-te que ter-te como garantia não foi grande mais- valia.
Será que ainda aceitam devoluções?

domingo, 26 de agosto de 2007

Estou Bem

Magoam-me os olhos, magoa-me toda paisagem que não se deixe tocar. Só me toco em mim e magoa-me o não magoar.
E vou falando, sem me ouvir ou sem querer. Falo de amor, talvez não saiba do que falo, falo de amor por não ter que fazer e sentir, deve ser isso.

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Qualquer dia pego num canivete qualquer e desato a violentar toda qualquer paisagem que não se deixar tocar. (Mas estou bem, continuo bem...)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Farta de palavras




Ele gane, eu choro.


A dor será maior em quem, pergunto-me. Qual de nós será mais mudo? Anseio como ele por uma festa e ele anseia como eu por um amor. Escrevemos o livro perfeito, nós os dois.


Agora é que é, juro e gano. É desta que viro cão e deixo de me preocupar com as palavras.


Cláudia

Não abro a condição




Não é que a porta esteja totalmente fechada, sabes. Na verdade, deixei a chave bem à vista e todo um mundo para oferecer; esqueci-me antes do caminho para te trazer de volta.


Pedi-te que não me esquecesses com a força toda das paixões sem rumo definido ou passado que magoe, quando no fundo sempre me gritaste que as mágoas eram tantas, eram demais, que o medo que tinhas era o de cair, porque levantares-te arruinaria tudo pelo que alguma vez lutaste. Pediste-me que escrevesse e nunca mais te pedisse que me lembrasses, porque isso não iria mais acontecer. O que não disseste foi o que fiz. Fechei a porta e deixei a chave perdida, por aí, num qualquer beco onde já nem sombras assombram. Bem à vista, por aí.


Mas quer dizer, a porta não está totalmente fechada. Tu sabes. Só que eu também tenho medo, muito, e tempo, tão pouco e tanto que acabei por também te esquecer, enquanto não te apago.




Uma outra vida, sem dúvida nem certeza alguma.



Cláudia

Pedaços




Não posso passar para o lado de lá, é a linha que me dita as regras, o ínfimo decalce da minha inocência. Não posso, não quero mas quero. Liberta-me para ao pé de ti, para o início e o fim em que eu me assumo, descontinuamente. Se a morte não me fosse tão doce, Porque seria tua e não tua conforme os apetites, mas nunca minha? Porque ainda estaria sentada a olhar para o dia de muitos ontens e varreria o presente, como se se eu não pensasse não doesse? Como se nunca tivesse doído. Nunca tivesse pensado sequer nisso.

Fala-me de amor.
Talvez o desespero se mate, depois de tanta persistência. Talvez eu me arranque da cama e jure nunca lembrar-me do outro que a minha Outra amou. Talvez se me conseguires irritar um pouquinho que seja, eu me grude na tua alma e fique para sempre bem no lado de cá, o meu lugar. O nosso. O nunca de ninguém, o nosso ponto de encontro finalmente encontrado.

E se for possível irrita-me muito, faz-me isso para que não te ame em pedaços, para ser para sempre tua e não tua, conforme os apetites.


E já não te peço mais nada.









Cláudia

sábado, 18 de agosto de 2007

Vício Puxa Vício


Não tenho a menor dúvida, vício puxa vício, miséria, miséria puxa e as coisas boas puxam-se a carroça. Estou completamente ressacada de ti.
"Nunca apontes o dedo, menina, nunca digas nunca". Mais ou menos aquela coisa do Banzai- note-se que o escrevo, que não sou louca, viciada mas não estúpida. No entanto, deveria ter apontado mais, visto que os meus dedos nunca se estenderam e mo aconteceu na mesma. Nunca deverias ter existido, desejar-te a existência longe de mim não mata o vício. Nunca devias era ter existido, sequer. Cada vez que abres os olhos é para me cegares do mundo; mesmo que me vá, continuarei cega, já sem ti. Em que ficamos?
E se te matasses? Não chegaria para me causar dor suficiente? É realmente preciso que me assombres as veias de desamor e ressaca de tudo o que já me foste e eu já te fui? Precisas de ser Vício para te sentires ainda tu, diz que não e mato-te e faço com que pareça acidente. Os viciados têm sempre alguma desculpa na manga ou à mão. Ousa.
O que me vale é a morfina de novas sensações. Esqueco-me de ti quase para sempre. É recaída. É só outro vício que me puxa de novo para ti.
Cláudia

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Saudade


O verão há-de passar por ti e por mim. Não sonhei no momento em que senti aquela brisa a escorrer nos nossos rostos, e agora só te quero dizer até já.
Olhei-te ali à pouco no telemóvel para me relembrar do teu rosto, e recordei que sensivelmente eu te toquei naquela foto,quando sorrias timidamente.

Não acordei para te dizer que não,
Apenas para te dizer a saudade que arde aqui, mas já mais faltou,
Porque nem estradas nem caminhos nos afastarão,
Nem a tristeza do meu olhar confiscará a tua necessidade de te libertares.
Olha, seremos o que quisermos, mas por agora
Apenas te beijo a face, a boca, e te agarro contra mim.

Apenas pela saudade que sinto por ti. Até já

Férias

Tal como tudo, também a minha alma vai de férias. Agradeço a quem tem prestado atenção a este modesto blog. O meu sincero obrigado.
No principio de Setembro cá estarei de novo. Claudia, ficas tu de controlo no blogue!

Até já.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Más horas

Mostra-me as vergonhas que sentes, em cada uma das tuas capas. Mostra-te desnudo de capas, é à tua vontade, que não há mesmo paciência para exigências. Dá-me Lume. Ouve-me.


Fazes-me sentir? Só uma vez, uma vez que seja, não te peço mais. Não é pedir muito que me faças sentir. Para relembrar o que é. Me sentir. Viva. Morta de desamor, não importa, não sou esquisita. Não distingo a força ou o sentimento que quero que me faças. Sentir. É tudo o que peço, mesmo sem o pedir.


E fazes. Me sentir. Mesmo tanto que me chego a sentir chegada à hora marcada, quando a hora já se foi e tu desarmaste de tanto esperar.

...

(Já não procuramos os dois. Tudo o que se procura só chega tarde e a más horas. Sabemo-lo. Sentimo-lo.

Agora que não procuramos mais, esperamos numa qualquer divisão sem tecto que o destino nos procure - ele sim, tem tempo- e nos junte, quando se lembrar que também somos gente.

Que de procurar já nos cansámos. Tudo cansa, sim. )

Trigo de Sempre.


O mar não existe, o mundo é campo e trigo e desejo nu.
Só contigo volto a ser quem fui e acredito na salvação.
Não te iludas, o mundo é cru.
Não podemos ficar mais que a vida espera à espreita
e a inspiração deserta,
como sempre, quando a vida desata.
Não hesites, a estrada é incerta.
E quando a minha ausência parecer muito mais do que isso,
Prometo e arranco a verdade e deixo-a a nu.
Nunca duvides... o mundo és tu
.
Cláudia Alves

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Mãe de tudo


A cor que me encadeia os olhos está aqui.
Olho em redor, e vejo a clareza de um dia que jamais chorou para o ser,
Acredito na sinceridade de um verde e azul que se complementam,
Na sua sabedoria eterna, no crescimento infindável do horizonte outonal.
A tristeza de paisagens mortas de cor,
Por estes lados não reside nem ameaça vir para ficar,
Mas o seu espirito afecta esta relva que acabada de crescer, tem medo de continuar.
O sonho de uma vida é que tudo o que me é alheio estaja em harmonia com a alma,
Não é um acto de sacrificio, nem um silêncio infindável,
Mas sim a pureza de um pensamento altruista que deseja com sentimento,
Que vive sem desespero,
Que morrerá sem mágoa ou dor.
Esta carta é para ti, o significado de uma vida,
Mãe Natureza, Mãe de um Mundo Superior sem fim...