segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Apenas


Apenas passei para dizer que sou filho do vento,
rasteiro e perspicaz, feroz como a raiva de um cavalo,
melancólico como uma noite de chuva.

(Sim dói, mas não quero pensar nisso.)

Tu és filha da confusão,
calma e precoce, incomodativa como a minha insensatez,
meiga como o doce tocar de uma pétala.

(Doeu mas tudo se perde.)

Somos filhos da raiva e do amor,
apaixonados e impacientes, vingativos como a depressão,
unidos como o mais duro dos metais.

(Aqui estamos, aqui estaremos

domingo, 28 de outubro de 2007

Ich Will


Eu quero ser compreendido,
Conhecer a verdade pura,
Não ter adversários à altura.
Eu quero nunca sair vencido.


Eu quero sentir vossos olhares
De fogo, terra ou gelo.
Eu serei (porque quero sê-lo)
Tudo aquilo que imaginares.


Eu quero controlar vossos corações,
Submetam-me cada batida,
Serei eu que darei ou tirarei vida.
Eu quero que me dediquem vossas orações.


Eu quero morrer aplaudido,
Reconheçam-me a importância e dignidade,
A liderança e inconstante felicidade.
Eu nunca sairei vencido.


Ouçam-me!
Conseguem ouvir-me?
Vejam-me!
Conseguem ver-me?
Sintam-me!
Conseguem sentir-me?
Ich versteh euch nicht!



Intertextualidade com a letra da música: Ich Will. Rammstein.

Eduardo Rilhas

Sinto-me doente



Sinto-me doente.
Sinto-me doente
ao ponto de não conseguir explicar o que sinto.
Tenho algo que me incomoda constantemente:
não é dor, não chega a má disposição, não é nada. Minto.

Tenho de ir ao médico, estou preocupado.
Sinto-me doente, não me sinto bem.
Tenho de saber o que me tem alterado
a boa disposição, o estômago, o fígado, não sei...

Sinto facadas nos pulmões, aperta-se-me o coração.
"Trago a noite no meu peito", racha-se o meu crânio.
Deliro num arrepio. Inverno eterno, não sinto o Verão.
Intoxicando ao ritmo da música, esta mata-me como o pobre Urânio.

Já não sei o que digo, as palavras são flashes de memórias.
Balbuciando que nunca amei, que sou pedra.
Espero não morrer, sou novo e faltam-me histórias,
vive ao máximo e morre jovem não é a minha regra.

O mundo à minha volta torna-se negro,
fecho os olhos e tombo na poluição.
Choro, dentro do meu olhar cego,
e logo acordo. Não morri, não.

Mas sinto-me doente,
Sinto-me doente
ao ponto de não conseguir explicar o que sinto.


Foto: Gonçalo Gameiro

Eduardo Rilhas

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Esboço


São altas as horas, estas em que me encontro.
Sinto-me no ar, mas o sono não me acompanha, e a paciência persiste
Porque o barulho da música veio para ficar
E eu tento descobrir algo que seja diferente em mim,
Algo doce.
Tem cuidado com a alma do teu olhar, porque ela partirá com a solidão
Porque o teu musculo bombeador está fraco,
Tal como estas cordas que tão num timbre tão baixo,
Que mais se parecem com a rouca voz do louco guardião do tempo.
Quero o teu respeito, porque dás-me ouvidos porque sim, e porque não.

Tenho medo de te dizer algo que te faça chorar. Sente-me perto do teu ouvido.
Aproximo-me calmamente para te dizer: amo-te.
Que tens no olho?Uma lágrima?
Sim estive a chorar.

Ficámos então ali.Ela a chorar sem razão, eu a beber o seu olhar. Somos felizes.


Eduardo Coreixo

Pequena mensagem (70), para ti, meu rapaz.

Desperdiças a tua vida com coisa supérfluas. Coisas que são tertúlias cor de rosa. Desperdiças a tua doença em ambientes doentios, fumo e álcool.
Tu tens um talento, não o de desconchavar vidas alheias, mas o da escrita. Trabalha para o fortalecer, fortalece-o para viver, vive para seres completo, completa-te para seres feliz.
Olha lá rapaz, tu não distingues o importante do secundário? Olha lá rapaz, tu já tiveste uma lição, dada por mim, quando feriste alguém, quando me feriste a mim. Mas agora não me feres, feres-te a ti. Olha lá rapaz, quem achas que quer o teu bem?

Vejo-te a não seres bom para ti mesmo. E tenho pena.
Terás a tua felicidade superficial mas nunca serás feliz se não seguires o caminho que uma vez, num Verão, trilhaste: o da auto realização.


Eduardo Rilhas

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Mensagem 69

Hoje sou eu que disserto, amanhã vocês dão-me o sentido e fica o assunto todo resolvido. Ou melhor, não resolvem nada que isto nem tem grande ciência de resolução. A cambada de frases feitas gritam e eu faço-lhes a vontade.
A dor é nossa. O amor só nosso. A vida justa, mesmo que a justiça não seja a nossa. A Filosofia entristece, a Arte também. A Ausência mata, a Saudade dá vida.
Era isto. Sinto a tua falta. E não consigo escrever nada decente. Toda a minha vida desmorona sem talento.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Até já


O sentimentalismo morreu para o mundo. Hoje estou de luto, porque mais uma vida se foi, mais uma parte sensivel se foi. É este o destino de quem sorriu, e morreu sem sofrer.
Agora que te foste, será dura aquela ausência na cadeira ao fundo da sala.

Mais uma pétala caiu no chão sanguinário desta casa mortuária.

Adeus senhora das histórias compridas. Por agora resta apenas chorar a desistência do mundo, perante a tua saúde. Em frente primo, meu irmão das horas de dor.

Adeus.

Eduardo Coreixo

São Coisas



E sim, eu sempre abominei todas as açucarices que um casamento requer, no seu estado primordial e tradicional. Sempre rejeitei toda a tradição e todas essas coisas que existem num papel e que por fora dele são ridículas ou ridicularizadas. Coisas, coisas que não pedem senão mais coisas e deveres e mais coisas que te pedem e te ficam sempre a dever. Portanto, uma farsa. Uma autêntica e banalíssima farsa, em que todos os farsantes gostam de se iludir ao ponto de chegarem quase realmente a pensar ser para sempre.

Imaginem o meu ar de espanto quando dei por mim a pensar na pergunta. Será que aceitaria... contigo? É tudo tão distante , não, meu amor? Meu amante- nunca marido, pergunta tola... que no entanto continua sem resposta. Será que aceitarias, será que seríamos actores oficiais ou mudaríamos as regras todas , dos primórdios, dos costumes, e por uma vez que fosse as promessas assinadas fariam sentido, uma porra de uma vez?

São coisas. Também tu pensas em coisas? Vá, mostra-me a tua profissão, és bom no que fazes, devias ter orgulho... Diz-me lá aquilo que eu quero ouvir. Porque... é bom, o que se há-de fazer?


Cláudia

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O que há em mim é sobretudo cansaço


"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."
Álvaro de Campos

P.S.:Dedicado à minha querida amiga Patricia Mousinho, a maior fã de "todos os Pessoas" que conheço

Tomar o leme



A redundância de um homem, fica-se pelos seus gestos
Porque as suas acções são criticadas pelas sombras,
Pelos picos de emoções que correm pelas pessoas que os julgam.
Também há quem os ame, sem palavras redondas,
Mas ficam sobretudo aqueles que arranham o seu sentimentalismo
A sua alma por vezes inquieta.
Naquelas horas, preferem sentir a sua raiva a descer pela vida
Do que estarem estácticos no turbilhão que foi o dia,
Preferem ser as suas próprias vitimas que nunca desistiram
Mas que cedem agora perante a dúvida de ficar ou largar.
Quem os ama, gostaria que eles os acompanhassem mais
Que fossem as suas armas de protecção contra este mundo louco
Porque as mãos já tremem de tanto carregar o peso de toda uma vida.
Eles são aqueles que irão de novo tentar, mas sozinhos.
O homem será então julgado pela sua bravura, pelo seu coração

Eduardo Coreixo

"Painting My Horror"

"Eu nunca estou só. Quando me isolo é que estou mais acompanhado"



Raul Brandão

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Pleonasmos


As cartas já são a amostra do passado. Foram escritas numa altura em que ela se sentia só e sozinha, num solitário mundo. Aquele arco-iris cheio de cores coloridas, fazia-a lembrar-se de um passado que nada mais que isso era: mudara-a para toda uma vida vivida, que estava agora a viver. Aquelas folhas de papel, às quais ela chamava de cartas, eram parte integral da sua imaginação porque jamais havia alguém que lhe escreve-se palavras tão elogiosamente escritas, e aquela experiência fazía-a sonhar com sonhos jamais sonhados.
Mulher que não sabia escrever uma carta, encontrava-se contente por aquela pequena felicidade, porque o seu intelecto sentia-se acompanhado por aquele pedaço de céu. Não transportava em sim qualquer tipo de maldade, porque o seu corpo era saudavelmente puro, pela pureza que a sua mente misteriosa continha. Com essas cartas viveu aquela parte repartida da sua vida. Com aquelas cartas se julgou feliz pela sua felicidade.
Quem lhe escrevia as cartas escritas, era eu, o sonhador que desesperava por sonhar.

Eduardo Coreixo

Porsche

Dois indivíduos entram no humilde estabelecimento do meu pai, após chegarem a conduzir um Porsche 911 Turbo. Um deles pede uma água e o outro diz para o meu pai:

-Boa tarde senhor Zé. Era um Pinochet.

O meu pai sorriu, abriu o frigorífico das garrafas e de lá de dentro, em vez da garrafa de gasosa, tirou o novo sumo que saiu no mercado, afastou os packs de Sumo Salazar, Sumo Hitler e Sumo Franco, que pensava que fossem vender mais, abriu o pack de Sumo Pinochet e retirou de lá uma garrafa de sumo com sabor a ditador...

Pequenez


É neste mundo que vivemos e suspiramos pela razão de um ser superior.
Neste momento estou feliz porque não o vejo, porque talvez O sinto, mas não quero pensar nisso.
Não te vou mentir, porque não minto, não é do meu agrado.
Como alguém disse : "saberes da morte, aproxima-te da vida". Esse alguem fui eu.
Já te acalmas-te para pensar na tua situação? É que vivemos loucos por um andar angelical que nunca iremos aclamar nem conseguir chegar.Sabes o que te digo? O melhor mesmo é viver na simplicidade da ignorância, e aí sim atingiremos o Nirvana, mas apenas o nosso, não o Dele.
Vamos dormir que a vontade de viver está a esgotar-se. A nossa pequenez não nos permite contrapôr a vontade inerte de um sono há muito prometido.

Até amanhã minha companheira de longa data. Mais uma vez, apenas sei de ti.

Eduardo Coreixo

domingo, 21 de outubro de 2007

Dor de pensamento


A razão de ser, já não a é,
A destreza da alma está presa,
A liberdade está cada vez mais condicionada,
A pureza dos movimentos é cada vez mais viviada,
A tristeza é uma mentira por nós criada,
O amor, uma necessidade pura de aconchego,
E eu não sou poeta, não sou escritor,
E porque sou preso de movimentos
Cego de verdade, apenas puro no sono
E incapaz de sentir a melancolia no coração.
Como um poeta já o foi,
Também eu sou falso poeta,
Criação da minha mente,
Produto da sensaboria da minha nascença.
É este o meu fado.

Eduardo Coreixo

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Livramento


Sonhos, puras ilusões, de quem nao consegue tocar uma realidade cada vez mais triste, E como gostariamos de alterar aquilo que vemos a nossa frente- Como desejariamos amar o próximo de maneira diferente, de maneira mais audaz. Tentamo nos livrar de nos criarmos à nossa imagem, mas não o conseguimos, não nos libertamos da nossa história ancestral, dos sois que por nós passaram, e sem nos prendermos totalmente às raízes que nos sepultam à terra acomodamo-nos à nossa existencia, seja ela boa ou má.
Se o nosso destino é aquilo que nós fazemos dele então porque continuam uns a lutar por um mundo melhor, e não o alcançam? E com Um Ser superior lá nos céus, porque continuamos a lamentar o nosso fado e contudo, continuamos a ter na nossa memória os bons momentos que vivemos? O antagonismo existencial faz parte da nossa vida, e cremo-nos reis e senhores de tudo, E quando o ultimo desses reis cair, aonde e em quem nos agarraremos?
Eu agarrar-me-ei a ti.

Eduardo C.

Amparo ancestral


As árvores. Aquelas que morrem aos poucos num profundo silêncio, sem maltratarem os demais.
São elas que sofrem o que jamais ninguém sofreu, caracterizando-se pelo seu confidencialismo, como aquele em que vemos nos filmes.
Morrem aos poucos, de pé, hirtas de braços elevados aos céus, com vontade de desistir, quando as suas raizes as prendem ainda à terra. As suas folhas caem, mas novos filhos nascem com o renascer da aurora. As suas imagens cravadas pelos docentes que por elas passam, marcam histórias de amor, de desejo, de sofrimento, mas nunca se queixam, porque um dia, sabem elas, essas histórias serão destruidas por uma civilização menos crente na resistência. São elas que dão casa a pequenas aves, são elas que já nos ampararam em dias de sol como este, são elas que são derrubadas por nós, simples aves ligeiras, que não respeitamos os seu ancestrais.
Em dias como este, quero chorar a sua destruição, mas no fim de contas também eu sou culpado.
As árvores morrem de pé, mesmo connosco a olhar. As árvores são a nossa história. As árvores são o exemplo do que devería ser o respeito mútuo.
É hoje que vou bradar aos céus o desejo de ter árvores, de não perder esta história do mundo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Funeral de ânimo leve

Estamos numa sala negra, com caixão.
Todos choram mas nós não.
Nós sorrimos lembrando o que passámos juntos.
E batemos palmas e latas,
e aplaudimos para que ouçam os defuntos.
No cemitério, bebemos café com natas
e batemos com as colheres de prata.

É uma rotina criada, a de fazer uma grande festa,
enquanto a vida que passa ainda resta.
Por isso para nós somos sempre sete,
nunca ninguém falta.
E esta alegre cena sempre se repete,
cada vez que se junta a malta.
Solto uma gargalhada, bem alta.

Temos perfeita consciência de não termos sanidade.
Mas até os insanos devem ter a sua privacidade.
E temos perfeita consciência
que esta vida está por um fio,
por isso tenham paciência,
não digam: "estes são do piorio!".
(Festejamos na mesma,) até porque o caixão está vazio.


Eduardo Rilhas

Amores inimigos


Sinto-me só
Sinto-me distante da imundice em que me encontro
Porque a tristeza não penetra o meu coração,
Sinto o doce sentimento do frio a invadir-me.
A minha inspiração não é a melhor,
E ao ler as velhas cartas que pensem que me fariam sentir melhor,
Mandaram o meu ego para as bandas do sol poente.
Se vês em mim, alguém melhor que tu, pois então reafirma o teu coração
Se queres mesmo essa certeza desconcertada,
Porque nada sei sobre nada, com o medo de dizer algo que te faça chorar.
Não te posso trautear uma canção, mas digo-te aquilo que me enche a mente
Algo que já sabes, porque já em tempos te disse tais coisas
Tais afrontamentos pessoanos, tais medos românticos.
Nada sei sobre tudo, apenas sei de ti.
Melancolicamente ouço o chorar da chuva, e componho uma canção na guitarra,
Entretanto tu ligas o teu olhar para o mundo e dispões-te a voltar a tentar.
E então dizes-me o que tenho no meu olhos, se é lágrima, se é dor.
Nada disso coração sentido,
Apenas é o meu transbordar de emoções perante este mundo louco
Que nos separa, que nos aproxima, que nos casa...
Apenas sei de ti.

Eduardo C.

Nota final




Há dias em que não dá. Nem sei bem o quê, não dá, simplesmente. Ridículo, (vítima de pseudo-neurose ou infantilidade em lado lunar), mas não Dá!!

Por exemplo, não me dá para te dizer coisas bonitas, coisas feias, coisas assim-assim-para-o-romantizado-fetiche-da-frustração que é não dar. Não me dá para te sorrir, para te chorar, para te dizer olá, tudo bem, tudo mal, estou-me a cagar, não me dá para conversas, meias conversas ou conversas nenhumas. Não te quero perto nem longe ou a meia distância, distância pessoal é coisa que perde nexo e tu aqui só me serves para baralhar mais estas coisas todas que não são importantes nem banais, nem relativamente interessantes para se pensar. Não me dás. Não encaixas. Não encaixo eu em lugar ou sonho algum.

Há dias em que não me entendes, não te esforças e eu esforço nenhum faço para te fazer compreender o mais simples. Às vezes não dá como te dizer que, sem ti, isto perde o sentido todo. Se o teve. O passado, tudo o que sou, todas as gentes que me entram e não me dão nada por aí além, estão lá por estar; ou mesmo as que me dão demasiado soam-me esvaziadas de sabedoria por estarem. Perde o sentido, tudo.

Há dias, sobretudo, que me assustas. Assustas-me com a dificuldade em te esquecer. E não te suporto, nestes dias. Não dá, não dá.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Sem olhar para trás

"A vida é simples, fazes escolhas e não olhas para trás".


Assim foi no ciclo,
assim foi no secundário,
assim foi no superior.

Assim foi em criança,
assim é na adolescência,
assim será em adulto.

Assim foi contigo,
assim foi com ela,
assim foi sempre.

E assim aqui estou,
assim aqui escrevo:
Sem olhar para trás.



Eduardo Rilhas

Ideias...sem elas


Gostei daqueles momentos em que não pensei em nada.
Inspirei-me numa frase tão vazia, que achei que estava a enlouquecer, mas não. Agora reparo que os melhores sentimentos que até hoje tive, foram quando em nada pensei, quando apenas me atirei para um buraco que não sabia se teria fundo. Compreendes-me?
Não suporto a minha "dor de pensar", mas também não sei viver sem ela. Sinto-me mais em contacto comigo, agora no leito da minha morte intelectual, mas será esse o meu passado, morto e enterrado que me enche o coração.
Gostei de te sentir por breves momentos doce inocência, querida apatia.
Ich bin wortlos.

Eduardo

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Assuntos


A música é:
A lembrança de momentos inertes a tudo o que nos rodeia,
A sensação de um desejo que nos é tão querido,
O pensamento que mostra a sensatez de um luar brilhante,
A libertação da criatividade humana alheia, livre como o ar.

A poesia é:
O descarregar de emoções que nos afrontam,
A nossa pequenez perante o mundo,
O sofrimento de quem tudo quer, e nada pode,
A tristeza por nem sempre atingir o desejado.

Tu és:
O brilho que me invade ao te beijar,
A beleza materializada num pequeno corpo que me apraz,
A felicidade que me torna diferente dos demais,
Tudo aquilo que tenho, que quero, que desejo, a minha embrieguez...

sábado, 13 de outubro de 2007

Um brinde aos Finais

É nos momentos bonitos que me sinto mais perdida de ti. Em ti, com falta dos teus brindes de poeta. Afinal, foi por tua causa e de mais ninguém que estaciono, por ora, aqui... alguém diria que doutra maneira se faria? Sem o teu sinal de aprovação, de benção, de amor, compaixão- tudo aquilo que despediste do que era nosso? É isto o que me atrofia a vontade de brindar a novas esperanças e mundos por conquistar. Embora eles estejam lá, a um canto, à minha espera, à espera que eu não me canse de os procurar, o meu sonho era só e somente apagar-te e tentar dar-me o valor que amanhã já não saberei se tenho. Desvio da seta que sou eu, para bem longe do alvo... do alvo...
O sabor dos teus lábios manchou-me a boca e os sentidos. E a saudade esta noite fica para ficar, avisou-me quando chegou, com o à- vontade de quem foi convidada. Mas antes ela. Antes ela.
Um brinde aos Finais, mesmo imperceptíveis e dolores até mais não. À certeza que, depois deles, há sempre um Início a que brindar. Quem diria que seria sem ti?
Cláudia

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Diferentes realidades


Percebi ainda ontem que sentia a tristeza de maneira diferente,
Diferente talvez, porque tu não a sentes,
Que jeito duro e puro de ver a realidade, porque o vento não te toca a face?
Porque a tua sensatez não te permite desvareios?
Ou porque simplesmente não te apetece sofrer?
A minha realidade não é como a tua, porque sentir a dor
Faz-me sentir vivo, sentir que ainda tenho algo sobre que pensar
Porque no dia em que isso se desvanecer ficarei pobre, serei pedra sem gravidade.
Não percebes o que sinto, mas deixas-me ser eu na minha parvoice
Com a minha caneta que me ofereceste, e aquele caderno
O tal que um dia leste, e disseste que estava interessante, mas que nao percebias.
Não entendes o quê, mas compreendes porquê.
Por agora, é tudo o que te peço, não me cortes o sonho.

Para ti.

Eduardo

Ausência


Por pensar que me vejo no espelho da água, hoje sinto-me ausente. Por hoje não vou mais escrever, apenas quero voltar de novo a sentir, a sentir-me, a sentir-te.
Por hoje vou apenas descansar. Vou-te deixar entregue a ti, ao mundo.
Eduardo

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Que jeito mais estúpido de se ser...!

Tinha seis, sete anos (lembro-me como se fosse hoje) e o sol punha-se ao longe.

“Jantar já?! Oh ‘vó mas ainda é de dia!” E lá a minha avó me explicava que, no Verão, os dias eram mais longos e o sol só desaparecia no horizonte mais tarde, pelas 22 horas (mais ou menos!). Eu achava aquilo maravilhoso! O meu pai a assar qualquer coisa no assador, a minha mãe dentro de casa a fazer as saladas e eu ali, no quintal, a correr de um lado para o outro enquanto a minha avó me olhava para estar segura de que eu estava bem.

De vez em quando, lá vinham os meus tios, primos e bisavó jantar (ou almoçar) connosco e então a festa e a diversão reinava.

Quando era almoço, mal ouvia a voz da minha bisavó no andar de baixo a falar sobre o sal nas sardinhas ou sobre o vinagre nas saladas, saltava da cama onde me encontrava a ver os desenhos animados da manhã e corria escadas abaixo para me atirar aos seus braços.

Aqueles braços de velhinha que transmitiam tanto a todos nós. E ainda hoje transmitem quando nela pensamos. E quando vinha do cabeleireiro? Quase que não me deixava tocar-lhe só para não desmanchar o penteado que tinha acabado de fazer.

Como eram bonitos os dias de família. Hoje, não existem. Cada um seguiu o seu rumo e a vida não pára.

“Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser” e embora sinta saudades, não trocava por nada o que estou agora a viver: a (quase) realização, o (quase) preenchimento.

filipe


Mensagem


Sinto-me só no meu pequeno mundo. Entristece-me a minha maneira de ser, e choro sem chorar, apenas perco o meu olhar no horizonte sem fim. Não me ocorre nada para riscar numa folha branca, escorrida pela tinta já gasta de uma velha caneta.

Ligas-me.

Perdi-me novamente na tua voz, porque me lembras os velhos dias de chuva, com essa tua rouquidão absolutamente maravilhosa. Curioso. Ligaste-me, e por breves instantes enquanto falei contigo, senti-te aqui, pelo que já não estava sozinho.

Desligaste.

Sinto-me novamente só. Olho para trás e apenas vejo a sombra do meu passado a assombrar-me, mas não quero chorar, porque aí tu sentirias a minha tristeza. Relembro-me de como o nosso é tão confortável. És o ideal para a minha alma. És a minha Biblia.

Choro.

Desculpa, magoei os meus valores ao não manter a minha promessa de não chorar. Tenho-te em consideração porque respeitas os meus desvaneios, mas porque te amo? Caramba, não me peças para descobrir a história da minha vida. É por ti, sim, continuas a ser a razão.

Amo-te.

Eduardo

sábado, 6 de outubro de 2007

Há momentos que contradizem toda uma Vida

Sem rascunho possível, que o que sinto dói muito para planear a pele aberta. Não dói demasiado para não suportar a falta de dor, mas é qualquer coisa que não entendo, que se vai encravando sem pedir licença. E eu que odeio faltas de educação.
Inventas-me defeitos que não sabes se tenho, mas pior. Pior que isso, idealizas-me qualidades que massacro nos meus demónios interiores. Não falas comigo, não me perguntas se estou bem, apenas me tens como aquela boneca sem força nas pernas enferrujadas pelo tempo, ou sem lágrimas disponíveis que me tornem mais real. Tentas ainda ter-me como quem diz que não quer ter nada e ao mesmo tempo sabe que ao mínimo passo que dê, a coisa já se deu e não há volta a dar. Devia ter já uma protecção contra todos os riscos, de tantos riscos que me transformam em tela abstracta. E no entanto, mensagem confusa, vazia por momentos de todo um Romantismo que já teve a sua época e é menosprezado até mais não.

Hoje foi sem rascunhos, o resultado é o mesmo. Queria ter um dicionário que me fizesse a compreensão mais simples.

Cláudia

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Fase Estrabismo

Tenho uma ferida encrostada no peito. E que já tantos o tenham gritado não se me dá importância, que a minha ferida não sara por o gritarem e a ferida deles não se me encrosta no peito.
Quem dera que, gritando-o, a coisa se desse. Se me dissesses que tu és tu e que preciso de ti, é de ti que preciso. Se alguém chegasse a alguma conclusão por mim e tudo passasse a ser tudo e nunca mais o nada com que me identifico.
Cláudia

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

República Checa


Foste e perdi-te da minha vista.
Não pensei que te sentisse de tão longe, mas não és miragem
És sensação já vivida, e por ti, creio que tenho carinho
Um gesto especial por quem já vivi. Foste tu.
Não sei como está, o que sentes, como te sentes, ou sequer se sentes a falta deste sol,
Da briza, das longas conversas ,fosse no mais pequeno buraco, ou no tempo,
Mas era lá que eu te vivía. Foste tu.
Olho em volta, porque cada vez te sinto mais aqui, mas és-me alheia,
Mas juro-te, a tua imagem não desapareceu do meu mapa,
Porque aqueles dias foram marcantes.Foste tu.
Um dia virás, e aí todos estaremos contentes em te ver, mas a palma da minha face,
Não sei se te irá reconhecer após tantos segundos de ausência
Mais do que alguma vez estiveste.Foste tu.
Quero que sejas feliz no teu novo Mundo, na tua pequena e própria aventura
Quero que me vás dizendo o que e como te sentes,
Assim como a distância é grande, também a saudade a é. Porque ainda és tu.

Volta...