
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Como se paga

Máquina dos Sonhos
Se a máquina dos sonhos hoje me levar outra vez para o teu lado, vou ficar contente por te reencontrar, mas ficarei também feliz por não te ter.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Conclusões a meia-haste
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Recado

Sei que Existes e que perdoas, mas o céu é real?
O céu cai porque o derrubas e a morte sorri,
Porque também Tu ceifas todas as tristezas e o pecado é limpo em Ti,
Foi na mudança que deixei de pensar o sentimento,
Apenas reflicto porque olho para trás.
Sim, Tu és capaz do poder incrível,
Sim Crias e Acabas conforme mais queres e sem acreditar no que passou,
Lembro-me que já em dias te odiei porque não me lavaste as lágrimas
E se És justo, porque raio a levaste, quando ainda a sua vida se iniciava?
Já ouvi o marcar de uma vida, porque no escorrer de uma vela, alguém morre
No desespero de quando lhes Apontas a arma para pôr fim a tudo:
Não me apontes a mim, porque daqui tudo e nada levarás.
Senti-me destronado do Teu mundo, contudo aqui fiquei e abraças-te com calor
Com o choro natural de quem não desiste de sentir.
Não Uses lamentos fingidos,
Não Sejas o farol dos fracos, porque esses sabem melhor o seu caminho,
E Levanta o mundo deste abraço desafogado,
E embora nunca Estejas aqui presente lado a lado,
Mete-nos no teu cesto de pesquisa, porque o amanhã ainda não é cedo.
Leio as Tuas histórias antigas, confesso que gosto,
Mas fico novamente calado.
Porquê Tu?
Porquê Tu?
Porquê Tu?
Porquê Tu?
Porque Tu? Porque existes sem existires.
Eduardo Coreixo
P.S.: Obrigado à Filipa pelo tema, quando faltava a inspiração para começar a escrever...
terça-feira, 27 de novembro de 2007
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Calado

Fico calado a ouvir o silêncio. Fico parado a sentir a vibração do silêncio.
Fico na porta a sentir a aragem do silêncio. Fico ao sol, a sentir o seu silêncio.
Estou na senda da tristeza. Estou no ritual da desilusão.
Estou aqui à beira. Estou preso no tempo intermitente do corte cerebral.
Fico aqui à espera que aconteça. Fico à espera da nota musical do sentimento.
Fico na sombra a sentir o calor. Fico a sentir o desprezo das flores.
Estou aqui com as mãos atadas. Estou aqui até ao rufar dos tambores.
Estou aqui neste silêncio. Estou aqui à tua espera.
Dig Up Her Bones
sábado, 24 de novembro de 2007
Boom

Cada dia surge como novidade. Hoje é a repetição do que me acontece desde há uma semana.
Sinto-me vivo, e é destas repetições que a vida devia de ser recheada.
Estou vivo, sim estou vivo porque fiz por assim estar, por resistir à desistência (sei eu quantas vezes me apeteceu ceder...), porque molhei a cara na nuvem desgastada do Outono, porque arendi a gostar da simplicidade.
Como tu JBarroso, sinto-me o rei da minha vida, do meu nariz, do poder que se encontra ao dispôr do ser humano. Matei a pressão, desliguei-me do desespero, e hoje estou no meu auge, porque nem seja apenas por um dia, sinto-me vivo, com o sangue a bombear em tudo quanto é sitio.
Hoje eu sou eu, e ela faz parte de mim, como sempre fez.
Eduardo Coreixo
Tristeza

É melhor matá-la enquanto é tempo, senão qualquer dia é vê-la a rir-se e a dar ordens como se a casa tivesse sido sempre dela. É melhor negar-lhe o pão para a boca ou a àgua para o corpo e atar-lhe todas as réstias de meiguice. Deixá-la aos cantos depois de a espancar com a realidade. Só a realidade. E não a deixar fechar os olhos, por um minuto que seja.
É bom que se transmita a si própria que os abraços estão fora de uso e que as conversas equilibradas fazem parte de um outro passado. Que os risos não lhe pertencem e que ninguém a vai chamar à parte para lhe dizer
.
" Tenho um cantinho guardado para ti. Podes chorar aqui que eu não tenho medo. Ao pé de mim tornas-te mais bonita e eu mais bonito do que alguma vez sem ti... Podíamos ver um filme, que me dizes? Aí rebentas tudo na tua personagem preferida e eu faço da personagem que mais te encantar, para te levar para um mundo só nosso, bonito. Com flores? Com flores. Gostas de flores? Amanhã dou-te amores-perfeitos, por volta do meio-dia.
Podemos andar de eléctrico quando quiseres, em silêncio, as palavras que são do vento, deixemo-las para os surdos. Se podemos ver o mar?, aaah, podemos , claro que sim, esse é o espelho para onde iremos quando um de nós se cansar... e dizes que já Estás cansada? Não me deixes, Ainda não viste tudo, ainda podemos andar pela rua e fingir que não nos conhecemos, e recomeçar vezes sem conta novos pormenores que apaixonem, tanto, tanto, que pareça impossível o tempo não ter parado e nós que tenhamos caído na armadilha sarcástica que ele nos dá."
.
Não, isto ela não pode sentir, de maneira alguma. Não a deixem fechar os olhos- com um pouco de sorte, ela acaba por nos fazer o serviço e escusamos de sujar as mãos.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Hades cá vir

quinta-feira, 22 de novembro de 2007
I had a dream
Hoje estou incrivelmente feliz...apetece-me gritar, espernear, saltar...estou estupidamente contente! Hoje foi um daqueles dias em que me levantei, relutante, vinte minutos depois da hora suposta! Saí a correr, nem tomei o pequeno almoço... um dia aparentemente como todos os outros! Corri para o autocarro, apinhado de gente, apanhei o comboio, o metro...e fui para as aulas. Mal sabia o que estava prestes a acontecer!(des)Acordo Ortográfico
Às pessoas que me leem pergunto: estão a par destas mudanças da escrita portuguesa?
Tudo bem que se torne a escrita igual em todo o lado, mas ao menos não ponham os portugueses (sim, esses tipos que descobriram o Brasil em 1500) a mudarem 1,6% da ortografia, ao passo que o Brasil muda apenas 0,5%.
Não sou grande entendido nisto, mas da última vez que reparei o português era uma língua que provinha do latim, dos romanos, que vieram de São Paulo, Rio de Janeiro, etc? Ah, não, afinal vieram de Roma, li agora na wikipedia. Era uma língua latina, da Europa, que outrora foi galaicoportuguês (parece que alguns hífens vão desaparecer, não sei se será o caso), nesse tempo em que no Brasil ainda se falava por dialectos, se tanto. Caramba! Nós falamos português há mais anos do que eles podem imaginar existir mundo (e redondo)!
Desta vez chamem-me o que quiserem, mas estou contra a mudança de 2600 palavras do português de Portugal para o português do Brasil, que, ainda por cima, não tem a beleza literária da nossa querida língua (mas isto é apenas uma opinião pessoal). Penso que seja um atentado contra a pátria, mas posso estar a ver mal...
Acho que estou tão chateado com este assunto que nem consigo fazer um texto conciso. Muitas ideias me vêm à cabeça...
Agora sem ironia, gostaria que quem tivesse argumentos contra o meu texto os expusesse. Que me elucidasse sobre as vantagens ou direito de sermos nós a adaptarmo-nos à escrita para lá do atlântico, em vez de ao contrário.
Como podem ver pelo texto, eu já comecei a tentar adaptar-me. Notarão certamente algumas palavras em que desapareceram acentos, ou escritas à "brasileira".
"Alguns linguistas portugueses afirmam que a adopção deste tratado seria uma "abrasileiração" da escrita e que a variante lusitânia da língua estaria afectada." in wikipedia.
Ah, pensei que estava sozinho nesta...
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
cobardia
Versos
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Condicional

Preciso daquela memória celeste,
Preciso de pensar que sou importante para o apelo do desejo
Porque deve ser da tua pele que se transformou cinzenta na minha memória,
Tudo porque deixei os dias irem passando, sem sentir o teu coração
Quando me passavas e desinteressavas do planeta,
Porque poderia ter sido mais fácil contigo, mas não te deixes ir,
Porque no fundo, apenas somos areia, que é empurrada ao sabor do vento.
Pensas que sabes distinguir o paraíso do inferno,
Julgas ter a influência do azul e do vermelho;
Porque o sorriso de um falhanço é mais sincero que o da vitória,
Ris-te quando te mostrei o engano e acompanhas-te do ritmo do som.
Não me dês aquilo de que não gostas, porque te ouvi chorar alto,
Porque sempre sentiste aqui ao teu lado alguém que te chorou,
Por isso não sejas solitária agora
Porque é o teu momento de procurares o mundo, e tu sabes que voltaremos.
Não me batas à porta,
Sou um falhanço, um acto irreflectido, um vencido sem vazio,
Mas sabes que estarei aqui, porque tu és minha, o meu único troféu.
Apetece-te dormir, eu sei, mas a confusão ensurdece o desespero,
E agora que saíste do casulo tens que soltar as asas,
Mantém as luzes acesas, para evitares os refúgios da vida,
Porque nas escadas para o céu, os elevadores levam-te ao inferno
E porque o misticismo do teu olhar enche uma multidão.
Olha para a face que está à tua frente.
Sentes? É o sorriso de uma criança que te mira com desejo de carinho,
Porque há sinais na água que te enganam,
E porque os nossos pensamentos nos iludem, sente e segue o coração.
Não sabes que me fazes sonhar?
Quando olho para norte, o meu olhar perde-se, e ganho o desejo de partir,
Penso que irás para sul, e as minhas raízes apegam-se a este chão
Porque giras em torno de mim, pelo que te digo, pelo que te insinuo,
E sim, faz-me pensar naquilo que verdadeiramente planejo.
Sou a tua madeira, o teu bajulador, o teu beija-flor, o teu arranha-céus,
A tua segurança. Tu és eu.
Falei demais, disse tudo o que tinha a dizer,
Procura-me ali no nosso canto, porque continuo sem saber o que fazer.
Procura-me nas escadas, passa por lá, e apanha-me, vamos juntos.
Diferentes autores, diferentes escolhas.

A partir desta semana o blogue vai ter uma música disponível para os nossos leitores ouvirem. Trata-se de uma escolha semanal, à vez e, muitas vezes, associada a estados de espírito. Esta ideia partiu da minha pessoa, numa tentativa de, cada vez mais, dinamizar este espaço de convívio, se assim o podemos chamar. Deixo-vos com: Beethoven's 5th, por Steve Vai. Espero que gostem das nossas escolhas.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Demência
domingo, 18 de novembro de 2007
Sonhando/Pensando/Fingindo
Vagueando

À luz da vela se vê a sinceridade das suas confissões
(Na intimidante sensação de desprezo).
Foi lá, naquele monte velho que viu o mundo a preto e branco
(Quando se sentiu só).
Desejava não ter sido por momentos a portadora do desejo
(Que a corruía por dentro).
Hoje chora porque a verdade não lhe trouxe a verdade de horas distantes
(Porque o tributo que desejava fazer já morreu).
sábado, 17 de novembro de 2007
Serenata (a) II

sexta-feira, 16 de novembro de 2007
O meu Cântico Negro

Através de úlceras nervosas percebo que...estou perdido. Desde que nasci que não sei por, nem para onde vou e sempre tive de ser encaminhado. (Basta).
Talvez se caminhar mais uns anos consiga descobrir realmente o meu propósito na vida, que acham? Acho que vou seguir por ali. Não, acho que não vos ouvirei mais a dar indicações. Não irei por aí.
Não quero ter de continuar a perguntar para onde ir. Quero os meus pais de volta para me encaminharem... Só eles, Deus e o Diabo me podem guiar. Continuando perdido, só sei que não irei por aí.
ao escrever o meu texto lembrei-me
do poema de José Régio, Cântico Negro,
(http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp)
e após ter escrito meia dúzia de frases,
lembrei-me de o reescrever com elementos
mais próximos ao poema.
Eduardo Rilhas
Foto de: Gonçalo Gameiro.
Dor

Se vês em mim, alguém que pode ser melhor,
Mentira pois te digo que é,
Porque cada segredo se torna quebrável e caio na tentação
Porque sei que choras quando te toco, e sentes a emoção
Porque tens aí o coração e me dizes que sentes o frio.
Não é a lágrima que corre no canto do meu olho,
É o pingo de sangue e suor que se quebrou contigo
O problema que se torna para mim.
Partiste, e eu parti contigo.
P.S.:Peço desculpa aos escritores deste blog estar a sobrepôr-me aos textos deles com mais um texto, mas era-me importante escrever isto...
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Efémero

Ontem parece tão vago,
Porque ontem passou-se e não ficou,
Sabendo que o amanhã não é certeza
Fixo-me no presente, na decência do poder de decisão.
O ontem não faz parte do tempo jogado,
Porque a memória esvaziou de encontro aos dias que passaram,
Sabendo que o amanhã não trará o verdadeiro sentimento,
Fixo-me no presente, ele que me alimenta.
Ontem é a palavra que ficou,
Porque ontem escorreguei por dentro do tempo,
Sabendo que o amanhã me irá trazer conclusões,
Fixo-me no presente, para marcar a minha posição no horizonte.
Poderia ter sido mais fácil, mas faltou-te a alma de poeta
E bateste quando devias ter falado pela escrita,
Porque a vida morde a cauda a quem a pisa
O presente, engana a fome de mar, de sol, de chuva, de choro.
É então, hoje o dia ou noite
Que o céu sofocará a gravidade,
Porque às portas do paraiso ouvem-se queixas
Porque tudo acontece no momento, no presente, e nada se recorda.
O tempo já passou,
Porque o deixámos passar,
Porque sabemos que ele está aqui agora
E que amanhã voltará.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Anónimo

Grito só por gritar e gritar talvez não seja assim tão fácil. Grito contigo e com aqul'outro, grito comigo mas não me ouço. Não tenho tempo e o tempo está tão atrasado que todos os nomes com que o presenteio sabem a pouco. Tudo menos santo, que é o que ele é. Sabe tudo e saber tudo irrita e ecoa em gritos por aqui.
Estou farta que me fodas a vida. Estou cansada - "'íssima, íssima"- que me apareças em notas anónimas, que me tragas todo o sentido e me deixes colada à falta de direcção. Até me farto de escrever sempre a mesma mensagem e tornar-me cada vez mais distante do sentimento que pára o tempo. Amo o anónimo e esse, cá não me entra, mas de cá não me sai.
Quando acordo, não penso em mais alguém sem ser nesse menino perdido que me chama para dentro do sonho e me pergunta porque fujo, de mim e dele. Acho que alguém tem que ter vida no meio disto tudo, não? Ele não compreende. E continua a foder-me a vida sem carne nem cal.
Grito enquanto não me sai nada que valha a pena ler, ou sentir, o que vai quase dar ao mesmo. Hoje sou pedra! Nem mais nem menos.
Lições

O meu pai, sempre me ensinou a brincar,
Mas dizia-me que um dia chegaria a hora de parar
Que sería um homem, e que tinha que ser cordial.
Pois bem, aqui estou eu, nascido e criado, a tentar ser aquilo que ele quer
Pelo meio da escrita talvez, porque ainda hoje eu brinco;
Brinco com a alma, com o dever, com o olhar, com os outros.
Bebo em sua honra muitas vezes, porque o homem deve beber;
Sou educado e cordial como sempre quis, porque devemos agradar;
Sou perspicaz, porque pior que a estupidez, é ser enganado;
Sou verdadeiro, porque o homem deve honrar a sua verdade.
O homem é empreendedor, e eu levo a cabo toda a minha escrita
Pois bem pai, aprendi da maneira que querias
Diz-me e ensina-me agora porque sente o Homem este vazio,
Vendo oportunidades passar como o sol de Inverno
E continuamos a rezar por toda essa felicidade que não atingimos sem a prefeição.
Tudo isto foi pensando neste dia,
Aquele em que pensei em ti, meu pai.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Brincamêndoa Amarga
Enj(aula)do até às vinte horas,ele anseia por chegar à vila,
e espera que, de carro, não apanhe fila
ou que, na viagem de comboio, não haja demoras.
Anda a correr e come à pressa...
É como o aborrecimento de montar
um puzzle em que o que interessa é acabar,
e não tão agradável é encaixar peça com peça.
Trauteando uma música precipita-se pelas estradas.
Quer chegar rápido ao local combinado.
(Com o coração já acelerado).
Ao chegar, avista uma porta debaixo de arcadas...
Ao fim da noite ele diz-lhe amo-te, ela: calada.
(Ele estar ali significa nada).
Ele, desapontado, diz-lhe: "vou indo..."
Ela: "já devias ter ido, ou melhor, nem devias ter vindo"...
Perspectivismos

Sonhos que sonhei um dia, já os perdi
Porque sonhar não é viver, mas também não sei viver sem sonhar.
Desisto de procurar o que não acho. Estou cansado.
Decidi-me pela realidade porque a sinto junto à minha pele,
Toca-me e corta-me; desisto e faz-me ressentir.
Sempre pensei que seria conhecedor dos meus sonhos,
Senhor da minha realidade,
Criador de sonhos tornados realidade.
Hoje sei que sou o que me tornaram porque assim o deixei,
Desisti porque parei de tentar a sorte de uma vida
A sensação de sentir o descanso da felicidade.
(Contudo sou feliz contigo)
Perdi-me nesta minha realidade em que somos censurados
E o véu da crença foi-se rebaixando perante a dor
Sem que saiba o que isso é.
(Ainda hoje procuro a minha dor de ser, como o Outro a teve)
Sei que ainda há pouco perspectivei o que sentia,
Mas agora que sei que o sonho, deixou de o ser
Serei mais um nesta barca, nesta demanda pelo que é sincero,
Porque se os sonhos o são,
Também é verdade que a minha alma o está.
Perdi-me.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Essência
Desesperamos porque não entendemos o porquê da bonança,
Neste mundo em que a mão morta nos cai em cima da cabeça
Porque não há reflexão, ou apenas pura pacência.
Desesperamos porque deixámos a muito de ter os pés no chão
Quando alguém nos tirou o tapete por baixo,
Porque não há reflexão, ou um simples amor.
Desesperamos porque a fé esvaziou-se no lugar sem mundo
Assim ficamos parados a olhar o infinito,
Porque não há reflexão, onde há egoismo.
Desesperamos porque as vibrações destas paredes que nos protegem
Mandam um tecto protector de vidas para outro lado,
Porque não há reflexão, apenas há uma tábua rasa de sentido.
Desesperamos porque somos humanos
Quando é mesmo essa a nossa essência de perdedores,
Porque não há reflexão, apenas há o nosso desespero e desistência.
Não concordo.
Não concordo com erros fatais, pormenores decisivos, tudo preto no branco, ou branco no preto, não concordo. Não posso concordar com tudo o que dizes, com tudo o que sonhas, se o sonho te leva só para debaixo da cama. Se ainda por cima aceitas morar no que te é impuro, no que não te toca, no extremo que às vezes sussurra como quem grita "tens de saltar, é a única fuga". Não concordo com caminhos a direito, que os atalhos, vá lá, sabem bem. domingo, 11 de novembro de 2007
Silenciosamente desinspirado

Hoje chorei. Chorei porque doeu, magoou, feriu. Apesar de tudo sou feliz, felicíssima de facto…chorar é sem duvida a expressão mais espontânea e pura de qualquer sentimento. Já chorei de tristeza, já chorei de alegria, já chorei de raiva…hoje chorei porque não foi justo…mas não me interessa. Não quero saber, é-me indiferente. Chorar não mudou nada. Só fortaleceu o que já existia. Já chorei, choro e chorarei toda a vida. Por ti, só e apenas por ti, porque sem ti não valia a pena chorar. Era escusado. Chorar sem o ombro de apoio, sem o mimo que nos faz sorrir a seguir, sem o simples beijo na testa que diz claramente “Não chores mais porque estou aqui.”. Mas vou chorar, nunca vou deixar de chorar. Porque posso, porque me é permitido, porque te tenho a ti para me abraçar. E é por ti que choro, por aquilo que significas para mim, por tudo o aquilo que implica a tua existência. Por tudo. Pelos bons momentos, pelos menos bons…por todas as discussões, por todas as gargalhadas, por todas as noites, tardes, manhãs…por todos os telefonemas…agora, choro de alegria. Choro muito…lacrimejo descontroladamente porque te tenho a ti para chorares comigo. Ontem, hoje e sempre.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Pensamento da árvore para a folha...

Amigos deixemo-nos de fatalismos, de pessimismos exacerbados…porque não encararmos esta vida exaltando o simples?
Tentemos restaurar o conceito de amizade, hoje em dia deturpado, superficial, reciclemos os nossos valores e reutilizemos conceitos antiquados como lealdade, respeito, sinceridade…
É sem dúvida alguma um desafio apelar a uma sociedade “en grand vitesse” para parar, pensar e dar. Apostar, meus senhores, no regresso da civilização, no regresso do tradicionalismo. A evolução não depreende uma mudança de atitude, tão pouco uma mudança de valores!
Apostemos em serões com os amigos, em surpresas, apostemos no altruísmo…
Apostemos no amor, apostemos no romance, abdiquemos da informatização das relações!
É curioso, cada vez mais, há pessoas que param para pensar, largam tudo, e de repente…partem a descoberta da verdadeira essência da vida…eu gostava que nós, obcecados com futilidades seguíssemos esse exemplo…que nos desprendêssemos daquilo que conhecemos e partíssemos a descoberta, que empregássemos toda a energia nos amigos, na família, no simples que é ver o nascer do sol.
Eu gosto especialmente de, ao beber tranquilamente o meu cafezinho, me deparar com os pacotes de açúcar com a expressão “Um dia” impressa. Dá-me vontade de perseguir os meus sonhos, mas entristece-me ver que “Um dia “ expressa a ideia do sonho adiado, sonhos que nunca chegaremos a realizar por não pararmos para pensar, não pensarmos em coisas simples como um beijo…
Tenho-me apercebido que quanto mais conheço menos compreendo o que já conhecia e desilude-me a frieza com que encaramos o nosso dia a dia e todos os que nos rodeiam! Restauremos os bons costumes, o simples “Bom dia!”. Levantemos os nossos rabos, cada vez mais comodistas e obesos e ajudemos quem precisa…sigamos a frase dita por uma simples criança, no anúncio do Eco Ponto “porque um pequeno gesto hoje faz a diferença amanhã”.
Que haja alguém que se erga e grite em boa linguagem popular “BORA LÁ POVO! MEXAM ESSES CÚS E FAÇAM-SE À VIDA!”
Eu quero mudar a minha vida e vocês?
Evoluções

Todos crescemos desde aquela primeira palavra,
Somos pequenos génios porque conseguimos ser articulados
Naquela simples maneira de ser, sem sobriedade,claro,
Porque tudo é feito sem intenção, somos pequenas dádivas.
Crescemos, e toda essa melancolia, essa inocência se vai
Desde os pequenos erros, que são cometidos como pequenas farpas,
Às grandes desilusões, que são como as nossas tatuagens.
Porque tudo conseguimos, erguemos a mão para mostrar toda a raiva,
Mas por meros momentos sentimos o acalmar, porque alguém nos tocou nos nossos erros.
Tudo fazemos, e tudo perdemos, porque nada há a agarrar,
E tudo é efémero, e isto não é nenhum lugar comum.
Libertamo-nos e ganhamos algum senso,
Mais que não seja aprendemos a ganhar algo sem o largar,
Ganhamos talvez o amor.
E é aí que decidimos a nossa vida, que já às portas de sermos adultos,
Partilhamos a consciência com alguém que nos compreende, e que não é findável,
Ainda que fisicamente o seja, o sentimento lá estará sempre.
Seremos crescidos, para não sermos inocentes nem quebráveis nos obstáculos.
Por longos momentos se passará a vida com aquele amor que nunca desistiu,
Mas sinceramente sobre isso não pensarei nem comentarei,
Porque hoje é tudo o que sei, o amanhã, esse ninguém o espera.
Todos tão Adultos

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Tempo

quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Deambulante

Porque o desejo me consome na fria noite do meu quarto,
Aquela que me queima o sangue que perdi no leito da minha morte.
Só vou fechar os olhos, porque não sinto a presença do teu sorriso, da minha mão inerte.
Estou morto, perante o espanto alheio.
Aqui estou eu, morto, desejado e morto, porque vida se escorreu
Porque a minha dor é nada mais que um oceano de sangue
Neste mundo de ilhas de dores calorosas,
Apenas contribuo com uma gota do imposto de morte.
Perdi-te é certo, mas irei trazer a felicidade de quem ganha um espirito guardião,
Mas tu não saberás, porque serás terrena, e eu vigilante.
Sou a minha dor, o meu destino, a minha morte
Porque nada valeu a pena senão aquele derradeiro sorriso
O teu verdadeiro toque.
Olha para mim, o morto no caixão,
E sorri para mim, o espirito deambulante da tua mente,
Porque aqui morto sinto o trabalho não acabado,
A morte de um encancarrego.
Porque continuas a ser tu...mais uma vez!
Caras

Uma, duas, três caras conhecidas
Conheço-as! Conhecem-me?
Por detrás das mascaras
Como serão as caras escondidas?
Entristecem-me, desiludem-me
Estas minhas caras caras.
Mas caros amigos, não se vão.
(Em vão) falem com elas!
Mas elas não vos escutam.
Com pouca inteligência elas se denunciam,
Podem conhecê-las, mas não ama-las.
Pois elas não vos escutam.
Uma, duas, três caras conhecidas,
Adivinhas mas não sábias.
Cansei-me delas, matei-as.
Caras infinitas, perdidas
No mundano, no insano, coisas secundárias...
Matei-as nas teias do pensamento, esqueci-as.
Imaginam isso? Encarar caras infinitas, esquecidas.
Para Antes & Depois

Mas ainda soa a frase muito antiga
Foste tu a quem um dia disse,
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Dois assuntos

Esta noite vou comer o chão que piso.
Sensivelmente, dois passos atrás de mim, estão aqueles dois que ainda há pouco lhe tocaram, mas ouço os seus confessos sentimentos de despreendimento, mas se assim o é, porque lhes dói tanto? Sinceramente, sempre achei que seria fácil não assumir o claro desprezo pelo que não é fisico, mas reparo nas suas reações, e acho que a felicidade não é assim: apenas sentem uma certa leveza na mente, mas é claro para mim, que o coração lhes pesa.
Por razões como esta, digo que como o meu chão, porque tudo o que era certo deixou de o ser, porque o mundo está ao invés, e a realidade verdadeira, deixou de ser a base do futuro. Nesta noite, abro o meu peito para o novo, porque o velho, já é recente.
É suave a tua voz a dizer para não desistir, sabe bem.
Alguém me sabe dizer qual a razão porque continuamos a doar o coração a quem não o quer, ou não merece? Não foi comigo, pois não não foi, mas sinto o vosso pesar aqui, aqui mesmo à minha frente, não o vêem? Porque não falam, vocês os três, mais os vossos consentimentos?
Finjo que não vejo. Vou seguir a tua voz, sabes?Porque ainda aqui estás, porque sempre estiveste. Deixa-me então sentir tudo o que é novo!...
Sonâmbula

Não te consigo perceber, senhora menina. Fazes e desfazes como quem penteia e despenteia e não desfaz os nós, é absurdo. Tens a necessidade de te transformares, quando tu nem lagarta chegaste a ser. Nem borboleta, nem borboleta. Suplicas pelo toque e desfá-lo como quem não sabe apreciar, nunca soube, e quase jurava que uma festa te magoa mais do que um soco. Despes-te de profecias e cálculos e súplicas e tapas-te até aos olhos, para que te não vejam enquanto é de dia. Amas esse dia que não mais vem, odeias a noite que vem sempre quando não é chamada e no intermédio destes vives, sem amar nem odiar, quase esquecendo o que é essa coisa do Sentir.
Sentes demais, dizes-me tu enquanto o sorriso que mandas ao ar me parece a coisa mais triste do mundo. Fechas as pálpebras, que as púpilas não me mentem e tudo o que já queres é embarcar na doce arte mimética e falsa. Pensas que não te conheço, menina senhora. Sou eu que te toco, que te penteio e te dispo, com a fúria com que te quero desfazer. Mas não te percebo, percebe-me tu. Enquanto foges, levas-me contigo e eu nem uma pista tenho por onde me encontrar.
domingo, 4 de novembro de 2007
Enganos
sábado, 3 de novembro de 2007
Ingenuidade

A solidão não te alterou o sentido de sobrevivência,
Pois alimentas-te da melancolia dos dias passados,
Deste sol abrasador, e decidiste escolher a tua religião
Baseada nas crenças de um mundo melhor, de uma vastidão de sentimentos
Porque sabes que dentro de ti, mora aquela força de sempre
Porque decidiste ser a tua própria pessoa, sem pedra alguma no sapato.
Grita pela tua liberdade, para as nuvens passageiras,
Para o teu coração, a tua sensação de ignorância perante a maldade.
Perdoa a escrita ser pequena e curta, mas a tua mensagem espiritual
É aquilo que assimilo, e não estas parcas palavras.
Dilui a tua sensatez na minha vontade, na minha resistência.
Continua a ser por ti.
Tu ne m' aimes pas

quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Depressão
Há que não desistir de viver pelos objectivos a que nos propomos,
Mas perante a adversidade da morte, que razão temos para continuar?!
Se o desejo comanda a vida, então o que comanda a morte?
E no desassossego que é um choro de uma mãe, de quem nos quer eternamente,
Surge o sentido se responsabilidade e de zelo por essa pessoa
Porque a vida não termina hoje,
Porque a paixão não acaba amanhã,
Porque foi ontem que desapareci.
Eduardo Coreixo
O significado das coisas

Vem sentar-te ao pé de mim.
Quero sussurrar-te ao ouvido
o significado das coisas,
o significado dos sinais.
Olha, sabes o que significa
não poder estar sem te sentir?
Sim, eu sei que isto é um lugar comum
mas é em comum contigo que quero estar.
No mesmo lugar que tu,
a ter calor vindo de ti,
a teres calor vindo de mim...
Deita-te comigo. Quietos.
Olha, sabes o que significa
não poder estar sem:
uma lista infindável de verbos
que implicam os mesmos dois sujeitos?
Sabes o que significa não poder
subsistir sem ti?...
Sabes o que é não poder rir
quando te arrepias
por te respirar ao ouvido?
Sabes o que é ir em silêncio
no carro, já sentindo saudades
quando ainda estás junto a mim?
(imagina o último beijo,
quando te deixo ao portão de casa).
Olha, sabes o que é escrever e reescrever
cem vezes um poema?...
Tudo porque nunca está à tua altura.
Sabes o que é estar desconsertado
e gostar do concerto, da melodia
que se toca no meu coração?
Isso tudo é o mesmo do que
passar-te a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que quero gritar bem alto!
Mas tenho medo.
Fico nervoso.
Estou sempre nervoso.
Bem, tu sabes.
Tu sabes-me.
E apoias-me.
E fazes tudo por mim.
E choras, mas eu faço-te rir.
E és perfeita.
Isso tudo é o mesmo do que
passares-me a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que queres gritar bem alto!
e
isso tudo é o mesmo do que
passar-te a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que quero gritar bem alto!
Tu sabes o que é isso tudo.
Tu sabes o significado das coisas.
Nós somos isso tudo,
nós somos o significado das coisas.
Foto: Gonçalo Gameiro
Pronto, morri.
Não te conheço. Não és de mim, não sou de ti. Nem sei porque gasto o meu paleio, quando tu não és mais do que aquilo que sempre foste, o meu maior fantasma. Acho que seres maior de grandeza te eleva e te dá sempre o direito de invadires o espaço sépio do meu quarto mais escondido. Ou assim o pensas e depois mo fazes pensar.
Pronto, morri. É isso que queres no fundo, sei-lo bem. Queres que se apaguem os meus sonhos de missionária e/ ou de viajante à procura de um abrigo com estrelas. As estrelas, queres apagá-las, queres que se apaguem de vez, que ofuscam o teu brilho dentro da nossa memória. Então, cá está, hoje morri para o mundo, quero morrer nestes instantes em que não me sei explicar e não me sei dar valor (é por pouco tempo, eu que não me aflija, que há papéis que não me encaixam).
Só me resta esperar o dia em que te aperceberes que morri demasiadas vezes, que tentei de tantas maneiras e que só me resta morrer para ti. E que tu morras, por favor, morre uma só vez que seja, para eu renascer livre de mordaças sangrentas. Quero acreditar que, num qualquer dia, ainda posso vir ao mundo sem que me peses nas veias e nos ossos.








