sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Como se paga



" Não tem piada, já te disse! Não é minimamente a altura nem a ocasião para a piada fácil, difícil, meia-meia, não é altura. Não me abanas os ossos nem me macabras o sangue com épocas festivas ou diz-que-disse' s intrínsecos. Não percebes talvez, já não me colas, já não me cortas, já não me tens no efeito penoso na pele sensível. Não ardes, não congelas. E melhor que tudo, não tens piada. Pensei que fosse mais difícil, mas nem piada tu sabes ter. "

Ele, estagnado e absorto na sua falta de resposta. Os músculos de todo o seu corpo mortos- morridos instantaneamente, desfalecidos como pedra e os únicos, os únicos que mesmo depois de mortos a moverem-se, apenas pernas, assustadas e alucinogénicas, com o confronto da realidade. Ele a fugir.
... eu, a rir-me, rir-me , rir-me até não poder mais, até me sentir tão louca e, num repente, ataque da minha consciência, quase incomodada pelos olhares indigestíveis. Controla-te, arranja-te como boneca de trapos que és, mas confessa... até agora o riso não dissipa, por dentro do espelho.
Hoje descobri como se paga.

Máquina dos Sonhos


Para meu espanto, apenas ao fim deste tempo todo, me encontro aqui contigo. Sabes, tenho sonhado contigo. Bem, deves saber. Também isto é um sonho. Antigos e novos poetas exaltam muito o sonho, eu prefiro caminhar sobre ele. Vou à casa das máquinas e lá está a velhota máquina dos sonhos, sempre a tossir fuligem e a escarrar barulho, sempre pronta para me levar em viagens para nunca mais esquecer. Sabes, tenho sonhado contigo. Isso tu deves saber. Aqui no sonho sabes, mas na realidade não sabes nada, só me odeias. Apesar disso, e agora que sonho contigo, volta a saudade. Não, não penses que me assola o arrependimento. Só a agridoce saudade de algo que foi bom e já passou. Como o sentimento de te sentires fresco após um banho quente. Talvez não faça sentido o que te estou a dizer mas, aqui, compreendes. Na realidade dizes (dizias): Não te percebo! Acho que é essa a minha essência, nunca me sentir perfeitamente completo.
Se a máquina dos sonhos hoje me levar outra vez para o teu lado, vou ficar contente por te reencontrar, mas ficarei também feliz por não te ter.



Eduardo Rilhas

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Conclusões a meia-haste

- Quero um final feliz, porra, é isso que te queria dizer.
- Essa frase é tão contraditória. Posso -te fazer feliz, mas continuará a ser um final.
- Ao menos sorrisos na vez do coração mudo.
- ....Prefiro-o calado.
Tudo porque conseguimos ver os dois o sol nascer.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Recado


Sei que Existes e que perdoas, mas o céu é real?
O céu cai porque o derrubas e a morte sorri,
Porque também Tu ceifas todas as tristezas e o pecado é limpo em Ti,
Foi na mudança que deixei de pensar o sentimento,
Apenas reflicto porque olho para trás.
Sim, Tu és capaz do poder incrível,
Sim Crias e Acabas conforme mais queres e sem acreditar no que passou,
Lembro-me que já em dias te odiei porque não me lavaste as lágrimas
E se És justo, porque raio a levaste, quando ainda a sua vida se iniciava?
Já ouvi o marcar de uma vida, porque no escorrer de uma vela, alguém morre
No desespero de quando lhes Apontas a arma para pôr fim a tudo:
Não me apontes a mim, porque daqui tudo e nada levarás.
Senti-me destronado do Teu mundo, contudo aqui fiquei e abraças-te com calor
Com o choro natural de quem não desiste de sentir.
Não Uses lamentos fingidos,
Não Sejas o farol dos fracos, porque esses sabem melhor o seu caminho,
E Levanta o mundo deste abraço desafogado,
E embora nunca Estejas aqui presente lado a lado,
Mete-nos no teu cesto de pesquisa, porque o amanhã ainda não é cedo.
Leio as Tuas histórias antigas, confesso que gosto,
Mas fico novamente calado.
Porquê Tu?

Porquê Tu?

Porquê Tu?

Porquê Tu?

Porque Tu? Porque existes sem existires.

Eduardo Coreixo

P.S.: Obrigado à Filipa pelo tema, quando faltava a inspiração para começar a escrever...



não sei

estar sem inspiração é uma grandessissima merda.
tenho dito.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Calado


Fico calado a ouvir o silêncio. Fico parado a sentir a vibração do silêncio.
Fico na porta a sentir a aragem do silêncio. Fico ao sol, a sentir o seu silêncio.

Estou na senda da tristeza. Estou no ritual da desilusão.
Estou aqui à beira. Estou preso no tempo intermitente do corte cerebral.

Fico aqui à espera que aconteça. Fico à espera da nota musical do sentimento.
Fico na sombra a sentir o calor. Fico a sentir o desprezo das flores.

Estou aqui com as mãos atadas. Estou aqui até ao rufar dos tambores.
Estou aqui neste silêncio. Estou aqui à tua espera.


Eduardo Coreixo

Dig Up Her Bones



"Anything is what she is
Anywhere is where she's from
Anything is what she'll be
Anything as long as it's mine
[...]
Point me to the sky above
I can't get there on my own
Walk me through the graveyard
Dig up her bones
..."


The Misfits

sábado, 24 de novembro de 2007

Boom


Cada dia surge como novidade. Hoje é a repetição do que me acontece desde há uma semana.
Sinto-me vivo, e é destas repetições que a vida devia de ser recheada.
Estou vivo, sim estou vivo porque fiz por assim estar, por resistir à desistência (sei eu quantas vezes me apeteceu ceder...), porque molhei a cara na nuvem desgastada do Outono, porque arendi a gostar da simplicidade.
Como tu JBarroso, sinto-me o rei da minha vida, do meu nariz, do poder que se encontra ao dispôr do ser humano. Matei a pressão, desliguei-me do desespero, e hoje estou no meu auge, porque nem seja apenas por um dia, sinto-me vivo, com o sangue a bombear em tudo quanto é sitio.
Hoje eu sou eu, e ela faz parte de mim, como sempre fez.


Eduardo Coreixo

Tristeza


É melhor matá-la enquanto é tempo, senão qualquer dia é vê-la a rir-se e a dar ordens como se a casa tivesse sido sempre dela. É melhor negar-lhe o pão para a boca ou a àgua para o corpo e atar-lhe todas as réstias de meiguice. Deixá-la aos cantos depois de a espancar com a realidade. Só a realidade. E não a deixar fechar os olhos, por um minuto que seja.
É bom que se transmita a si própria que os abraços estão fora de uso e que as conversas equilibradas fazem parte de um outro passado. Que os risos não lhe pertencem e que ninguém a vai chamar à parte para lhe dizer
.
" Tenho um cantinho guardado para ti. Podes chorar aqui que eu não tenho medo. Ao pé de mim tornas-te mais bonita e eu mais bonito do que alguma vez sem ti... Podíamos ver um filme, que me dizes? Aí rebentas tudo na tua personagem preferida e eu faço da personagem que mais te encantar, para te levar para um mundo só nosso, bonito. Com flores? Com flores. Gostas de flores? Amanhã dou-te amores-perfeitos, por volta do meio-dia.
Podemos andar de eléctrico quando quiseres, em silêncio, as palavras que são do vento, deixemo-las para os surdos. Se podemos ver o mar?, aaah, podemos , claro que sim, esse é o espelho para onde iremos quando um de nós se cansar... e dizes que já Estás cansada? Não me deixes, Ainda não viste tudo, ainda podemos andar pela rua e fingir que não nos conhecemos, e recomeçar vezes sem conta novos pormenores que apaixonem, tanto, tanto, que pareça impossível o tempo não ter parado e nós que tenhamos caído na armadilha sarcástica que ele nos dá."
.
Não, isto ela não pode sentir, de maneira alguma. Não a deixem fechar os olhos- com um pouco de sorte, ela acaba por nos fazer o serviço e escusamos de sujar as mãos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Hades cá vir


Era uma vez uma coisa mole, que se esborrachava e se colava vezes sem conta, sem ais nem lágrimas adjacentes. Até que um dia , se deciciu cortá-la e usá-la às prestações, pois a bem que saía mais barato e era mais fácil para todos.
Facilidade que é facilidade é difícil, para depois se dizer que foi fácil. Ou é de mim, ou é de mim, mas há qualquer coisa a escapar-se-me na neve interna. Até agora, foi assim.
Que outro coração que não o meu?
Cláudia

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

I had a dream

Hoje estou incrivelmente feliz...apetece-me gritar, espernear, saltar...estou estupidamente contente! Hoje foi um daqueles dias em que me levantei, relutante, vinte minutos depois da hora suposta! Saí a correr, nem tomei o pequeno almoço... um dia aparentemente como todos os outros! Corri para o autocarro, apinhado de gente, apanhei o comboio, o metro...e fui para as aulas. Mal sabia o que estava prestes a acontecer!
De um momento para o outro, o maior sonho da minha vida realizou-se! Sabem aquela sensação de sonho realizado? Aquela mescla de alívio e de felicidade? Aquela alegria incontida das crianças ao receber um presente? Sinto-me uma verdadeira criança com um brinquedo novo! Nem consigo descrever pareco uma retardada, repetitiva, insane...mas não me interessa! REALIZEI O MEU SONHO!
P.S. obrigada joão por teres feito o que fizeste!
obrigada avô por existir e por se preocupar com a minha existência.

(des)Acordo Ortográfico

Veem os caros leitores, pois claro, o meu grande entusiasmo quando leio no jornal que em dois mil e oito seremos forçados a reaprender a escrever, por motivos de unir a língua Brasileira... perdão, portuguesa, e torná-la homogénea em todos os países de expressão portuguesa. É uma ação que me parece bem sacada pelo fato (não de vestir (sim poder-se-á escrever também facto)) de, assim, estarmos a criar uma língua mais forte.

Às pessoas que me leem pergunto: estão a par destas mudanças da escrita portuguesa?
Tudo bem que se torne a escrita igual em todo o lado, mas ao menos não ponham os portugueses (sim, esses tipos que descobriram o Brasil em 1500) a mudarem 1,6% da ortografia, ao passo que o Brasil muda apenas 0,5%.

Não sou grande entendido nisto, mas da última vez que reparei o português era uma língua que provinha do latim, dos romanos, que vieram de São Paulo, Rio de Janeiro, etc? Ah, não, afinal vieram de Roma, li agora na wikipedia. Era uma língua latina, da Europa, que outrora foi galaicoportuguês (parece que alguns hífens vão desaparecer, não sei se será o caso), nesse tempo em que no Brasil ainda se falava por dialectos, se tanto. Caramba! Nós falamos português há mais anos do que eles podem imaginar existir mundo (e redondo)!

Desta vez chamem-me o que quiserem, mas estou contra a mudança de 2600 palavras do português de Portugal para o português do Brasil, que, ainda por cima, não tem a beleza literária da nossa querida língua (mas isto é apenas uma opinião pessoal). Penso que seja um atentado contra a pátria, mas posso estar a ver mal...

Acho que estou tão chateado com este assunto que nem consigo fazer um texto conciso. Muitas ideias me vêm à cabeça...

Agora sem ironia, gostaria que quem tivesse argumentos contra o meu texto os expusesse. Que me elucidasse sobre as vantagens ou direito de sermos nós a adaptarmo-nos à escrita para lá do atlântico, em vez de ao contrário.

Como podem ver pelo texto, eu já comecei a tentar adaptar-me. Notarão certamente algumas palavras em que desapareceram acentos, ou escritas à "brasileira".

"Alguns linguistas portugueses afirmam que a adopção deste tratado seria uma "abrasileiração" da escrita e que a variante lusitânia da língua estaria afectada." in wikipedia.

Ah, pensei que estava sozinho nesta...



Eduardo Rilhas

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

cobardia



"Os cobardes morrem várias vezes antes da sua morte.

O homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez."

William Shakespear

Andamos todos a morrer aos bocados está visto.

Versos


Dó de quem o sente,
Dó de quem o fez,
Perdão a quem o sentiu,
Perdão porque é mentira.

Foge como a maré,
Foge como a morte,
Sente como o corte,
Sente como a fé.

Acabou de acabar,
Acabou por o ser,
A alma que foi beijada,
A alma, que acabou por morrer.

Eduardo Coreixo

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Condicional



Preciso daquela memória celeste,
Preciso de pensar que sou importante para o apelo do desejo
Porque deve ser da tua pele que se transformou cinzenta na minha memória,
Tudo porque deixei os dias irem passando, sem sentir o teu coração
Quando me passavas e desinteressavas do planeta,
Porque poderia ter sido mais fácil contigo, mas não te deixes ir,
Porque no fundo, apenas somos areia, que é empurrada ao sabor do vento.
Pensas que sabes distinguir o paraíso do inferno,
Julgas ter a influência do azul e do vermelho;
Porque o sorriso de um falhanço é mais sincero que o da vitória,
Ris-te quando te mostrei o engano e acompanhas-te do ritmo do som.

Não me dês aquilo de que não gostas, porque te ouvi chorar alto,
Porque sempre sentiste aqui ao teu lado alguém que te chorou,
Por isso não sejas solitária agora
Porque é o teu momento de procurares o mundo, e tu sabes que voltaremos.
Não me batas à porta,
Sou um falhanço, um acto irreflectido, um vencido sem vazio,
Mas sabes que estarei aqui, porque tu és minha, o meu único troféu.
Apetece-te dormir, eu sei, mas a confusão ensurdece o desespero,
E agora que saíste do casulo tens que soltar as asas,
Mantém as luzes acesas, para evitares os refúgios da vida,
Porque nas escadas para o céu, os elevadores levam-te ao inferno
E porque o misticismo do teu olhar enche uma multidão.

Olha para a face que está à tua frente.
Sentes? É o sorriso de uma criança que te mira com desejo de carinho,
Porque há sinais na água que te enganam,
E porque os nossos pensamentos nos iludem, sente e segue o coração.
Não sabes que me fazes sonhar?
Quando olho para norte, o meu olhar perde-se, e ganho o desejo de partir,
Penso que irás para sul, e as minhas raízes apegam-se a este chão
Porque giras em torno de mim, pelo que te digo, pelo que te insinuo,
E sim, faz-me pensar naquilo que verdadeiramente planejo.
Sou a tua madeira, o teu bajulador, o teu beija-flor, o teu arranha-céus,
A tua segurança. Tu és eu.
Falei demais, disse tudo o que tinha a dizer,
Procura-me ali no nosso canto, porque continuo sem saber o que fazer.
Procura-me nas escadas, passa por lá, e apanha-me, vamos juntos.

Eduardo Coreixo
P.S.: Para ti, meu amor.

Diferentes autores, diferentes escolhas.



A partir desta semana o blogue vai ter uma música disponível para os nossos leitores ouvirem. Trata-se de uma escolha semanal, à vez e, muitas vezes, associada a estados de espírito. Esta ideia partiu da minha pessoa, numa tentativa de, cada vez mais, dinamizar este espaço de convívio, se assim o podemos chamar. Deixo-vos com: Beethoven's 5th, por Steve Vai. Espero que gostem das nossas escolhas.



Eduardo Rilhas

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Demência


Hoje estou realista. Não estou com sombreados nem com merdas que me fazem vomitar palavras bonitas e caras.
Hoje estou desinspirado, também tu não o estás Cerberus? Pois é, somos humanos.
Hoje estou doente, da alma, de tudo. Hoje sou o Edu, e não o Eduardo Coreixo.

domingo, 18 de novembro de 2007

Sonhando/Pensando/Fingindo



Prefiro que os leitores devorem o que escrevo a dizerem que escrevo bem. Prefiro que os críticos digam que escrevo bem a devorarem o que escrevo.

Vagueando


À luz da vela se vê a sinceridade das suas confissões
(Na intimidante sensação de desprezo).

Foi lá, naquele monte velho que viu o mundo a preto e branco
(Quando se sentiu só).

Desejava não ter sido por momentos a portadora do desejo
(Que a corruía por dentro).

Hoje chora porque a verdade não lhe trouxe a verdade de horas distantes
(Porque o tributo que desejava fazer já morreu).

Eduardo Coreixo

sábado, 17 de novembro de 2007

Serenata (a) II


É no teu sorriso que rasgo mil cores e na tua ausência que escondo e transformo, encontro e perco tudo o que merece ser encontrado ou perdido.
Não sei que te cantar agora que estás tão perto, tão próximo do toque... quando não te via, as palavras tinham a vida que tu não tinhas, e eras mera ilusão presa na minha dança solitária. Não te amava. Agora que te tenho, as palavras são iludidas pela tua imagem e jazem encantadas pela tua beleza intemporal. Tudo o que te diga merece ser calado, porque tudo o que te diga é fraco, encolhido, encardido, amachucado, pontapeado pelo teu enorme jeito de me calar.
Tens o dom, sabias? Talvez não saibas, porque nem tu próprio ainda paraste para pensar, para te pensar. E como eu admiro isso... como eu admiro que tu não saibas o quanto ainda tens para me dar, que tu não lembres o nosso encontro por detrás das luzes quebradas e dos espelhos sem reflexo. Meu belo Narciso, ainda bem que ainda não encontraste o teu lago...
São nas tuas mãos que os calos ganham adjectivos românticos, que as rugas não passam de uma alegria imensa por viveres e que os sinais não são marcas malignas, mas estrelas pousadas e perdidas, de livre vontade.
Deixa-me emudecer-te também. Baloiçar-te em poemas de amor. E as serenatas, deixemo-las para depois (despedidas e despidas de um amor que ficou por escrever).
Cláudia

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O meu Cântico Negro



Desculpem, sabem dizer-me por onde ando? Perguntei ali atrás por onde andava e disseram-me que aqui descobriria a resposta. Mas continuo perdido. Os meus pais disseram-me que, um dia chegaria a um sitio em que me diriam que mais à frente encontraria as respostas, e aí descobriria tudo o que quero saber. Mas continuo perdido. Não sabem onde estou? Pois, calculei que me respondessem isso.
Através de úlceras nervosas percebo que...estou perdido. Desde que nasci que não sei por, nem para onde vou e sempre tive de ser encaminhado. (Basta).
Talvez se caminhar mais uns anos consiga descobrir realmente o meu propósito na vida, que acham? Acho que vou seguir por ali. Não, acho que não vos ouvirei mais a dar indicações. Não irei por aí.
Não quero ter de continuar a perguntar para onde ir. Quero os meus pais de volta para me encaminharem... Só eles, Deus e o Diabo me podem guiar. Continuando perdido, só sei que não irei por aí.


Nota:
ao escrever o meu texto lembrei-me
do poema de José Régio, Cântico Negro,
(http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp)
e após ter escrito meia dúzia de frases,
lembrei-me de o reescrever com elementos
mais próximos ao poema.




Eduardo Rilhas

Foto de: Gonçalo Gameiro.

Dor


Se vês em mim, alguém que pode ser melhor,
Mentira pois te digo que é,
Porque cada segredo se torna quebrável e caio na tentação
Porque sei que choras quando te toco, e sentes a emoção
Porque tens aí o coração e me dizes que sentes o frio.
Não é a lágrima que corre no canto do meu olho,
É o pingo de sangue e suor que se quebrou contigo
O problema que se torna para mim.
Partiste, e eu parti contigo.

P.S.:Peço desculpa aos escritores deste blog estar a sobrepôr-me aos textos deles com mais um texto, mas era-me importante escrever isto...

Eduardo Coreixo

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Efémero


Ontem parece tão vago,
Porque ontem passou-se e não ficou,
Sabendo que o amanhã não é certeza
Fixo-me no presente, na decência do poder de decisão.

O ontem não faz parte do tempo jogado,
Porque a memória esvaziou de encontro aos dias que passaram,
Sabendo que o amanhã não trará o verdadeiro sentimento,
Fixo-me no presente, ele que me alimenta.

Ontem é a palavra que ficou,
Porque ontem escorreguei por dentro do tempo,
Sabendo que o amanhã me irá trazer conclusões,
Fixo-me no presente, para marcar a minha posição no horizonte.

Poderia ter sido mais fácil, mas faltou-te a alma de poeta
E bateste quando devias ter falado pela escrita,
Porque a vida morde a cauda a quem a pisa
O presente, engana a fome de mar, de sol, de chuva, de choro.

É então, hoje o dia ou noite
Que o céu sofocará a gravidade,
Porque às portas do paraiso ouvem-se queixas
Porque tudo acontece no momento, no presente, e nada se recorda.

O tempo já passou,
Porque o deixámos passar,
Porque sabemos que ele está aqui agora
E que amanhã voltará.

Eduardo Coreixo

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Anónimo


Grito só por gritar e gritar talvez não seja assim tão fácil. Grito contigo e com aqul'outro, grito comigo mas não me ouço. Não tenho tempo e o tempo está tão atrasado que todos os nomes com que o presenteio sabem a pouco. Tudo menos santo, que é o que ele é. Sabe tudo e saber tudo irrita e ecoa em gritos por aqui.
Estou farta que me fodas a vida. Estou cansada - "'íssima, íssima"- que me apareças em notas anónimas, que me tragas todo o sentido e me deixes colada à falta de direcção. Até me farto de escrever sempre a mesma mensagem e tornar-me cada vez mais distante do sentimento que pára o tempo. Amo o anónimo e esse, cá não me entra, mas de cá não me sai.
Quando acordo, não penso em mais alguém sem ser nesse menino perdido que me chama para dentro do sonho e me pergunta porque fujo, de mim e dele. Acho que alguém tem que ter vida no meio disto tudo, não? Ele não compreende. E continua a foder-me a vida sem carne nem cal.
Grito enquanto não me sai nada que valha a pena ler, ou sentir, o que vai quase dar ao mesmo. Hoje sou pedra! Nem mais nem menos.

Lições


O meu pai, sempre me ensinou a brincar,
Mas dizia-me que um dia chegaria a hora de parar
Que sería um homem, e que tinha que ser cordial.
Pois bem, aqui estou eu, nascido e criado, a tentar ser aquilo que ele quer
Pelo meio da escrita talvez, porque ainda hoje eu brinco;
Brinco com a alma, com o dever, com o olhar, com os outros.
Bebo em sua honra muitas vezes, porque o homem deve beber;
Sou educado e cordial como sempre quis, porque devemos agradar;
Sou perspicaz, porque pior que a estupidez, é ser enganado;
Sou verdadeiro, porque o homem deve honrar a sua verdade.
O homem é empreendedor, e eu levo a cabo toda a minha escrita
Pois bem pai, aprendi da maneira que querias
Diz-me e ensina-me agora porque sente o Homem este vazio,
Vendo oportunidades passar como o sol de Inverno
E continuamos a rezar por toda essa felicidade que não atingimos sem a prefeição.

Tudo isto foi pensando neste dia,
Aquele em que pensei em ti, meu pai.

Eduardo Coreixo

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Brincamêndoa Amarga

Enj(aula)do até às vinte horas,
ele anseia por chegar à vila,
e espera que, de carro, não apanhe fila
ou que, na viagem de comboio, não haja demoras.

Anda a correr e come à pressa...
É como o aborrecimento de montar
um puzzle em que o que interessa é acabar,
e não tão agradável é encaixar peça com peça.

Trauteando uma música precipita-se pelas estradas.
Quer chegar rápido ao local combinado.
(Com o coração já acelerado).
Ao chegar, avista uma porta debaixo de arcadas...


Ao fim da noite ele diz-lhe amo-te, ela: calada.
(Ele estar ali significa nada).
Ele, desapontado, diz-lhe: "vou indo..."
Ela: "já devias ter ido, ou melhor, nem devias ter vindo"...



Eduardo Rilhas

Perspectivismos


Sonhos que sonhei um dia, já os perdi
Porque sonhar não é viver, mas também não sei viver sem sonhar.
Desisto de procurar o que não acho. Estou cansado.
Decidi-me pela realidade porque a sinto junto à minha pele,
Toca-me e corta-me; desisto e faz-me ressentir.
Sempre pensei que seria conhecedor dos meus sonhos,
Senhor da minha realidade,
Criador de sonhos tornados realidade.
Hoje sei que sou o que me tornaram porque assim o deixei,
Desisti porque parei de tentar a sorte de uma vida
A sensação de sentir o descanso da felicidade.

(Contudo sou feliz contigo)

Perdi-me nesta minha realidade em que somos censurados
E o véu da crença foi-se rebaixando perante a dor
Sem que saiba o que isso é.

(Ainda hoje procuro a minha dor de ser, como o Outro a teve)

Sei que ainda há pouco perspectivei o que sentia,
Mas agora que sei que o sonho, deixou de o ser
Serei mais um nesta barca, nesta demanda pelo que é sincero,
Porque se os sonhos o são,
Também é verdade que a minha alma o está.

Perdi-me.

Eduardo Coreixo

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Essência


Desesperamos porque não entendemos o porquê da bonança,
Neste mundo em que a mão morta nos cai em cima da cabeça
Porque não há reflexão, ou apenas pura pacência.

Desesperamos porque deixámos a muito de ter os pés no chão
Quando alguém nos tirou o tapete por baixo,
Porque não há reflexão, ou um simples amor.

Desesperamos porque a fé esvaziou-se no lugar sem mundo
Assim ficamos parados a olhar o infinito,
Porque não há reflexão, onde há egoismo.

Desesperamos porque as vibrações destas paredes que nos protegem
Mandam um tecto protector de vidas para outro lado,
Porque não há reflexão, apenas há uma tábua rasa de sentido.

Desesperamos porque somos humanos
Quando é mesmo essa a nossa essência de perdedores,
Porque não há reflexão, apenas há o nosso desespero e desistência.

Eduardo Coreixo

Não concordo.

Não concordo com erros fatais, pormenores decisivos, tudo preto no branco, ou branco no preto, não concordo. Não posso concordar com tudo o que dizes, com tudo o que sonhas, se o sonho te leva só para debaixo da cama. Se ainda por cima aceitas morar no que te é impuro, no que não te toca, no extremo que às vezes sussurra como quem grita "tens de saltar, é a única fuga". Não concordo com caminhos a direito, que os atalhos, vá lá, sabem bem.
Eu sei que não sei bem o que quero dizer, nem o porquê de o dizer, se eu já vi o outro lado. Não sei como te explicar que o negro do vazio às vezes acolhe. Que as lágrimas nem sempre são uma amostra de felicidade ou tristeza desalmada. Que a agonia nem sempre sufoca- porque há sempre o momento depois; esse depois, não sei o que é, mas há-de ser mais qualquer coisa. É esse o caminho, já o disseram muito antes de nós, já o sabiam e já o esqueceram.
Naquele momento, não sabes se estás vivo ou morto, nem pouco te importa. Porque as luzes dizem-te mais do que qualquer palavra pronunciada ou escrita. É importante que se veja que a fala é negligente, mas a escrita vale tanto ou mais do que a vida.
Quando me escreves palavras suicidas, não me magoa. Não me aflige. Nem te consigo com palavras esgotar os alarmes de incêndio. Mas não posso, não devo, não me cabe a mim concordar. Cada momento de noite é só tua. E eu não tenho espaço, não tenho folhas, não tenho língua que não queira dormir.
Pede com muita força e pode ser que eu te arranje alguma erva ou sensação que te faça esquecer.

domingo, 11 de novembro de 2007

Silenciosamente desinspirado


Hoje estou contente, estou bem disposto, o que não me faz pensar em nada para escrever.
Deixo apenas uma frase que me marcou neste fim de semana: "Silêncio - aquela insuportável réplica."


Hoje chorei. Chorei porque doeu, magoou, feriu. Apesar de tudo sou feliz, felicíssima de facto…chorar é sem duvida a expressão mais espontânea e pura de qualquer sentimento. Já chorei de tristeza, já chorei de alegria, já chorei de raiva…hoje chorei porque não foi justo…mas não me interessa. Não quero saber, é-me indiferente. Chorar não mudou nada. Só fortaleceu o que já existia. Já chorei, choro e chorarei toda a vida. Por ti, só e apenas por ti, porque sem ti não valia a pena chorar. Era escusado. Chorar sem o ombro de apoio, sem o mimo que nos faz sorrir a seguir, sem o simples beijo na testa que diz claramente “Não chores mais porque estou aqui.”. Mas vou chorar, nunca vou deixar de chorar. Porque posso, porque me é permitido, porque te tenho a ti para me abraçar. E é por ti que choro, por aquilo que significas para mim, por tudo o aquilo que implica a tua existência. Por tudo. Pelos bons momentos, pelos menos bons…por todas as discussões, por todas as gargalhadas, por todas as noites, tardes, manhãs…por todos os telefonemas…agora, choro de alegria. Choro muito…lacrimejo descontroladamente porque te tenho a ti para chorares comigo. Ontem, hoje e sempre.


dedico-te a ti. FAFL

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pensamento da árvore para a folha...

Sinceramente, nao sei o porquê. Perdi-te da vista, sem deixar de te ver, e contudo não sei se te quero voltar a vislumbrar. Perdi-te, mas quem não se perde?


Amigos deixemo-nos de fatalismos, de pessimismos exacerbados…porque não encararmos esta vida exaltando o simples?
Tentemos restaurar o conceito de amizade, hoje em dia deturpado, superficial, reciclemos os nossos valores e reutilizemos conceitos antiquados como lealdade, respeito, sinceridade…
É sem dúvida alguma um desafio apelar a uma sociedade “en grand vitesse” para parar, pensar e dar. Apostar, meus senhores, no regresso da civilização, no regresso do tradicionalismo. A evolução não depreende uma mudança de atitude, tão pouco uma mudança de valores!
Apostemos em serões com os amigos, em surpresas, apostemos no altruísmo…
Apostemos no amor, apostemos no romance, abdiquemos da informatização das relações!
É curioso, cada vez mais, há pessoas que param para pensar, largam tudo, e de repente…partem a descoberta da verdadeira essência da vida…eu gostava que nós, obcecados com futilidades seguíssemos esse exemplo…que nos desprendêssemos daquilo que conhecemos e partíssemos a descoberta, que empregássemos toda a energia nos amigos, na família, no simples que é ver o nascer do sol.
Eu gosto especialmente de, ao beber tranquilamente o meu cafezinho, me deparar com os pacotes de açúcar com a expressão “Um dia” impressa. Dá-me vontade de perseguir os meus sonhos, mas entristece-me ver que “Um dia “ expressa a ideia do sonho adiado, sonhos que nunca chegaremos a realizar por não pararmos para pensar, não pensarmos em coisas simples como um beijo…
Tenho-me apercebido que quanto mais conheço menos compreendo o que já conhecia e desilude-me a frieza com que encaramos o nosso dia a dia e todos os que nos rodeiam! Restauremos os bons costumes, o simples “Bom dia!”. Levantemos os nossos rabos, cada vez mais comodistas e obesos e ajudemos quem precisa…sigamos a frase dita por uma simples criança, no anúncio do Eco Ponto “porque um pequeno gesto hoje faz a diferença amanhã”.
Que haja alguém que se erga e grite em boa linguagem popular “BORA LÁ POVO! MEXAM ESSES CÚS E FAÇAM-SE À VIDA!”
Eu quero mudar a minha vida e vocês?

Evoluções


Todos crescemos desde aquela primeira palavra,
Somos pequenos génios porque conseguimos ser articulados
Naquela simples maneira de ser, sem sobriedade,claro,
Porque tudo é feito sem intenção, somos pequenas dádivas.

Crescemos, e toda essa melancolia, essa inocência se vai
Desde os pequenos erros, que são cometidos como pequenas farpas,
Às grandes desilusões, que são como as nossas tatuagens.

Porque tudo conseguimos, erguemos a mão para mostrar toda a raiva,
Mas por meros momentos sentimos o acalmar, porque alguém nos tocou nos nossos erros.
Tudo fazemos, e tudo perdemos, porque nada há a agarrar,
E tudo é efémero, e isto não é nenhum lugar comum.

Libertamo-nos e ganhamos algum senso,
Mais que não seja aprendemos a ganhar algo sem o largar,
Ganhamos talvez o amor.

E é aí que decidimos a nossa vida, que já às portas de sermos adultos,
Partilhamos a consciência com alguém que nos compreende, e que não é findável,
Ainda que fisicamente o seja, o sentimento lá estará sempre.
Seremos crescidos, para não sermos inocentes nem quebráveis nos obstáculos.

Por longos momentos se passará a vida com aquele amor que nunca desistiu,
Mas sinceramente sobre isso não pensarei nem comentarei,
Porque hoje é tudo o que sei, o amanhã, esse ninguém o espera.

Eduardo Coreixo

Todos tão Adultos

Podem aplaudir-nos que nós merecemos.
Estamos todos tão adultos e eu ainda não percebi se a saudade adolescente está ou não ocupada.
Estamos nós todos tão ocupados, tão cheios de problemas físicos e químicos e falta de tempo e com vontade de lutar pelos sonhos de que falámos quando éramos mais pequenos de idade... estamos adultos, mas sempre com a sensatez de saber que os nossos Sonhos são tudo e nós sem eles, nada. Continuamos sempre a ser nós, ao fim e ao cabo.
Telefonamo-nos, deixamos recado, encontramo-nos de vez em quando. Mas não se pense num quadro triste, porque é engano. É bonito de se ver, as mesmas pessoas com cabeça, tronco e membros conscientes da luta e da estrada. Com a certeza de que ainda cá estamos, uns para os outros. Que cá estaremos "enquanto houver estrada para dar".
Estamos com ganas de mandar convites do aniversário do nosso funeral ao mundo, para que relembrem que renascemos cheios de sorrisos. Sorrisos, ou mesmo risos adultos, que não são tão feios quanto os pintam. Adultos por adultos, somos adultos Felizes.
.
.
Hoje merecemos abraços. Hoje espero mais um encontro, com certezinha absoluta que a nossa amizade vale toda a melancolia que a passagem para a vida adulta me, nos possa trazer. É simples, o amor que vos tenho não é limitado a faixas etárias. Hoje sinto que merecemos abraços como quem merece aplausos.

Cláudia

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Tempo


O tempo voa. Passa a correr velozmente sobre nós, transcende-nos, e tudo à nossa volta de dissipa... o que em tempos nos era difícil de assimilar clarifica-se e amadurecemos, tornamo-nos experientes. Eu sinto o peso do tempo decorrido nas minhas costas, sinto a experiência de vida acrescida, sinto-me a sufocar. Sufoco perante a juventude perdida, perante a responsabilidade precoce... E o tempo continua a passar, leve e descontraidamente isento de responsabilidade, sem assumir a responsabilidade de nos envelhecer, de nos cansar, de nos mudar... Hoje sinto-me triste, com o tempo vou-me apercebendo que o que me rodeia é fútil, sem interesse... refugio-me nos livros, nas suas linhas simétricas, nas suas letras prensadas, nas suas palavras claras, nas histórias contidas nessas linhas...e sonho, sonho com o meu próprio romance, com peripécias ocorridas a heróis e heroínas da antiguidade... imagino-me uma personagem de Eça de Queiroz, uma burguesinha da baixa cujas peripécias nos fazem rir, rir até não poder mais, esquecer, esquecer por momentos toda a desilusão que o vento trás com ele ao passar, ao voar em direcção ao futuro incerto que eu vejo a aproximar-se velozmente do meu horizonte com esperança, uma esperança vã e infantil da utopia do futuro melhor...e com isto a vida passa, passa tão depressa que nem damos por ela passar, e quando reparamos é tarde... tarde demais, já não há tempo. Já não tenho tempo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Deambulante


Porque o desejo me consome na fria noite do meu quarto,
Aquela que me queima o sangue que perdi no leito da minha morte.
Só vou fechar os olhos, porque não sinto a presença do teu sorriso, da minha mão inerte.
Estou morto, perante o espanto alheio.
Aqui estou eu, morto, desejado e morto, porque vida se escorreu
Porque a minha dor é nada mais que um oceano de sangue
Neste mundo de ilhas de dores calorosas,
Apenas contribuo com uma gota do imposto de morte.
Perdi-te é certo, mas irei trazer a felicidade de quem ganha um espirito guardião,
Mas tu não saberás, porque serás terrena, e eu vigilante.
Sou a minha dor, o meu destino, a minha morte
Porque nada valeu a pena senão aquele derradeiro sorriso
O teu verdadeiro toque.
Olha para mim, o morto no caixão,
E sorri para mim, o espirito deambulante da tua mente,
Porque aqui morto sinto o trabalho não acabado,
A morte de um encancarrego.
Porque continuas a ser tu...mais uma vez!

Eduardo Coreixo

Caras



Uma, duas, três caras conhecidas
Conheço-as! Conhecem-me?
Por detrás das mascaras
Como serão as caras escondidas?
Entristecem-me, desiludem-me
Estas minhas caras caras.

Mas caros amigos, não se vão.
(Em vão) falem com elas!
Mas elas não vos escutam.
Com pouca inteligência elas se denunciam,
Podem conhecê-las, mas não ama-las.
Pois elas não vos escutam.

Uma, duas, três caras conhecidas,
Adivinhas mas não sábias.
Cansei-me delas, matei-as.
Caras infinitas, perdidas
No mundano, no insano, coisas secundárias...
Matei-as nas teias do pensamento, esqueci-as.
Imaginam isso? Encarar caras infinitas, esquecidas.


Eduardo Rilhas

Para Antes & Depois


A poesia morreu-me nas mãos.
Agora dói-me que vê-la - só de longe,
Que ela não cega esteja e eu não lhe diga (não o posso, não posso...)
As frases do amanhã que era o hoje
e que já não é, tropeços vãos...
Mas ainda soa a frase muito antiga
Num sussurro de entre mãos

"Não te lembras? Somos irmãos..."

"Tanto te faz que peques ou supliques,
que me queiras ter , sã ou doente,
ou fria ou quente, ou trémula e escura.
Foste tu a quem um dia disse,
- Eu quero que fiques...
Mas era tanta a ternura
Que hoje o amor perdura,
Mas o amanhã segue em frente...
E o eterno, esse nunca para sempre."


Acredito que foi suicídio, ninguém mal lhe poderia querer.
E eu tanto a amei e ela tanto me quis amar.
Ao pecar, achei-me dona e senhora
E perdi-me por achar
Que algum dia a ia encontrar, como quem a ia ter
toda oferecida, escancarada, nos meus dedos
Em sussurros matadoiros, fatigantes..

"Não te lembras? Fomos amantes".


Mas isso foi dantes, muito dantes...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Dois assuntos


Esta noite vou comer o chão que piso.
Sensivelmente, dois passos atrás de mim, estão aqueles dois que ainda há pouco lhe tocaram, mas ouço os seus confessos sentimentos de despreendimento, mas se assim o é, porque lhes dói tanto? Sinceramente, sempre achei que seria fácil não assumir o claro desprezo pelo que não é fisico, mas reparo nas suas reações, e acho que a felicidade não é assim: apenas sentem uma certa leveza na mente, mas é claro para mim, que o coração lhes pesa.
Por razões como esta, digo que como o meu chão, porque tudo o que era certo deixou de o ser, porque o mundo está ao invés, e a realidade verdadeira, deixou de ser a base do futuro. Nesta noite, abro o meu peito para o novo, porque o velho, já é recente.
É suave a tua voz a dizer para não desistir, sabe bem.
Alguém me sabe dizer qual a razão porque continuamos a doar o coração a quem não o quer, ou não merece? Não foi comigo, pois não não foi, mas sinto o vosso pesar aqui, aqui mesmo à minha frente, não o vêem? Porque não falam, vocês os três, mais os vossos consentimentos?
Finjo que não vejo. Vou seguir a tua voz, sabes?Porque ainda aqui estás, porque sempre estiveste. Deixa-me então sentir tudo o que é novo!...

Eduardo Coreixo

Ich bin wortlos



























Eduardo Rilhas

Sonâmbula


Não te consigo perceber, senhora menina. Fazes e desfazes como quem penteia e despenteia e não desfaz os nós, é absurdo. Tens a necessidade de te transformares, quando tu nem lagarta chegaste a ser. Nem borboleta, nem borboleta. Suplicas pelo toque e desfá-lo como quem não sabe apreciar, nunca soube, e quase jurava que uma festa te magoa mais do que um soco. Despes-te de profecias e cálculos e súplicas e tapas-te até aos olhos, para que te não vejam enquanto é de dia. Amas esse dia que não mais vem, odeias a noite que vem sempre quando não é chamada e no intermédio destes vives, sem amar nem odiar, quase esquecendo o que é essa coisa do Sentir.
Sentes demais, dizes-me tu enquanto o sorriso que mandas ao ar me parece a coisa mais triste do mundo. Fechas as pálpebras, que as púpilas não me mentem e tudo o que já queres é embarcar na doce arte mimética e falsa. Pensas que não te conheço, menina senhora. Sou eu que te toco, que te penteio e te dispo, com a fúria com que te quero desfazer. Mas não te percebo, percebe-me tu. Enquanto foges, levas-me contigo e eu nem uma pista tenho por onde me encontrar.

Cláudia

domingo, 4 de novembro de 2007

Enganos


Certamente que deixei de tentar. Perdi o meu tempo a olhar para o mundo à minha frente, quando de facto era eu que estava de costas para ele.
Hoje vou ficar por aqui, de costas para o presente, a olhar para o passado.

sábado, 3 de novembro de 2007

Ingenuidade


A solidão não te alterou o sentido de sobrevivência,
Pois alimentas-te da melancolia dos dias passados,
Deste sol abrasador, e decidiste escolher a tua religião
Baseada nas crenças de um mundo melhor, de uma vastidão de sentimentos
Porque sabes que dentro de ti, mora aquela força de sempre
Porque decidiste ser a tua própria pessoa, sem pedra alguma no sapato.
Grita pela tua liberdade, para as nuvens passageiras,
Para o teu coração, a tua sensação de ignorância perante a maldade.
Perdoa a escrita ser pequena e curta, mas a tua mensagem espiritual
É aquilo que assimilo, e não estas parcas palavras.
Dilui a tua sensatez na minha vontade, na minha resistência.
Continua a ser por ti.

Eduardo Coreixo

Tu ne m' aimes pas



( Não penso, não consigo pensar. Dói, incendeia a réstia de juízo que ainda se poderia manter aqui dentro, por tempo incerto. Não quero pensar, não fales comigo. )
Queria dizer-te que já fui menina. Que já chorei porque te tive e que já chorei porque não te tinha. Já chorei por tanta coisa parva, meu Deus, que hoje só choro por coisas em que não consigo pensar. Separo as águas e os territórios.
Também eu já brinquei. Já gastei o riso e o circo que a certeza do efémero nos traz. Já fui tão feliz e tão triste sem motivo nenhum, que hoje separo as àguas e os territórios. Não sei se sou feliz ou triste. E talvez haja coisas que não se separam, assim deva ser, assim seja, Amén.
Já me arrependi , já pedi desculpas chorosa de picos que cravei quando só queria coroar. Já amei, não sei se a ti, não sei se a alguém, mas já amei, disso não tenho a menor dúvida.
Volto a ser menina cada vez que me despeço de ti. E não menina que brinca e que chora e que se arrepende e que ama; menina que não consegue senão mingar, mingar, depois de se aperceber que a letra da canção não era tão feliz quanto isso... tu ne m' aimes pas, tu ne m'aimes pas.
As tuas unhas deviam ser só minhas.
.
A de sempre

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Depressão


Há que não desistir de viver pelos objectivos a que nos propomos,
Mas perante a adversidade da morte, que razão temos para continuar?!
Se o desejo comanda a vida, então o que comanda a morte?
E no desassossego que é um choro de uma mãe, de quem nos quer eternamente,
Surge o sentido se responsabilidade e de zelo por essa pessoa
Porque a vida não termina hoje,
Porque a paixão não acaba amanhã,
Porque foi ontem que desapareci.

Eduardo Coreixo

O significado das coisas


Vem sentar-te ao pé de mim.
Quero sussurrar-te ao ouvido
o significado das coisas,
o significado dos sinais.

Olha, sabes o que significa
não poder estar sem te sentir?
Sim, eu sei que isto é um lugar comum
mas é em comum contigo que quero estar.
No mesmo lugar que tu,
a ter calor vindo de ti,
a teres calor vindo de mim...
Deita-te comigo. Quietos.

Olha, sabes o que significa
não poder estar sem:
uma lista infindável de verbos
que implicam os mesmos dois sujeitos?

Sabes o que significa não poder
subsistir sem ti?...

Sabes o que é não poder rir
quando te arrepias
por te respirar ao ouvido?

Sabes o que é ir em silêncio
no carro, já sentindo saudades
quando ainda estás junto a mim?
(imagina o último beijo,
quando te deixo ao portão de casa).

Olha, sabes o que é escrever e reescrever
cem vezes um poema?...
Tudo porque nunca está à tua altura.

Sabes o que é estar desconsertado
e gostar do concerto, da melodia
que se toca no meu coração?

Isso tudo é o mesmo do que
passar-te a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que quero gritar bem alto!

Mas tenho medo.
Fico nervoso.
Estou sempre nervoso.
Bem, tu sabes.
Tu sabes-me.
E apoias-me.
E fazes tudo por mim.
E choras, mas eu faço-te rir.
E és perfeita.

Isso tudo é o mesmo do que
passares-me a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que queres gritar bem alto!
e
isso tudo é o mesmo do que
passar-te a mão pela cara,
(linguagem gestual),
numa tentativa de silenciar
algo que quero gritar bem alto!

Tu sabes o que é isso tudo.
Tu sabes o significado das coisas.
Nós somos isso tudo,
nós somos o significado das coisas.


Eduardo Rilhas

Foto: Gonçalo Gameiro
Ps: peço desculpa aos modelos mas a foto era boa demais para não aproveitar.

Pronto, morri.

Não te conheço. Não és de mim, não sou de ti. Nem sei porque gasto o meu paleio, quando tu não és mais do que aquilo que sempre foste, o meu maior fantasma. Acho que seres maior de grandeza te eleva e te dá sempre o direito de invadires o espaço sépio do meu quarto mais escondido. Ou assim o pensas e depois mo fazes pensar.


Pronto, morri. É isso que queres no fundo, sei-lo bem. Queres que se apaguem os meus sonhos de missionária e/ ou de viajante à procura de um abrigo com estrelas. As estrelas, queres apagá-las, queres que se apaguem de vez, que ofuscam o teu brilho dentro da nossa memória. Então, cá está, hoje morri para o mundo, quero morrer nestes instantes em que não me sei explicar e não me sei dar valor (é por pouco tempo, eu que não me aflija, que há papéis que não me encaixam).

Só me resta esperar o dia em que te aperceberes que morri demasiadas vezes, que tentei de tantas maneiras e que só me resta morrer para ti. E que tu morras, por favor, morre uma só vez que seja, para eu renascer livre de mordaças sangrentas. Quero acreditar que, num qualquer dia, ainda posso vir ao mundo sem que me peses nas veias e nos ossos.

Cláudia