domingo, 30 de dezembro de 2007

Bom ano.


Que este ano seja o capultar de novas sensações
A aproximação de realidades
O virar de novas ideias
Tentativa de um novo céu.

A solidão é um lugar frio para se viver só,
Por isso que neste novo inicio
A felicidade seja mútua
E a admiração seja conquistada por todos.

Eduardo Coreixo

P.S.: Nos meus novos post, poderão reparar que as imagens que os acompanham serão fotografias por mim tiradas, e que terão por vezes pós-produção.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Chatices

Cheguei àquela zona de combate e achei que era capaz
Pensei que era de sobreviver à dor
Quando te tinha a meu lado na passagem do tunel
Porque hoje apenas esta fotografia restou
(O perigo daquela carreira de tiro)
Quando a dor do momento passou
O túnel ficou mais escuro e fiquei por ali.
Agora chega mais um ano,
O tramado entusiasmo acompanha-o;
Mas por mim este ano pode morrer,
Porque será apenas mais um.
Eu e tu neste ano seremos mais uma vez o mesmo corpo.

Eduardo Coreixo

domingo, 23 de dezembro de 2007

It feels so good to be back

...Mas a verdade é que estou doente, na dúvida de não saber o que tenho. Quase me arrependo de não ser médico e ter a resposta para tudo o que se passa comigo.
Detesto evitá-los mas não gosto de os visitar. Eles, sem dúvida, sabem o que eu não sei.
É bonito escrever num blogue, mas mais engraçado seria sem dúvida, manter-me vivo. Os meus amigos dizem-me que passo a vida doente, e é verdade, estou a dar em doido. Agora são as tonturas, já há bastante tempo que não estou a cem por cento. Sinto saudades tuas, mas sinto mais saudades de mim a cem por cento. Desculpa por ser egoísta, mas é por nunca ter tido nada que o sou. Estou doente, dá-me um desconto.

Faltam dois dias ainda, mas já odeio o Natal de 2007.


Eduardo Rilhas

estupidez


A mulher perdoa a fealdade, os cabelos brancos e até as doenças repugnantes; mas o que nunca perdoa é a estupidez

Paolo Mantegazza


e eu que pensava que as estupidas éramos nós...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Férias

Bem, chega o Natal, e com ele chegam as tão desejadas férias. Por isso também vou aderir a essa moda, e ficarei distante do blog por uns dias...
Boas festas para todos, e um feliz 2008

Eduardo Coreixo

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Resoluções


Perco-me
Parcamente no teu parco sorriso
Porque
Parques de sonhos já não existem.
Parqueamento proibido, porque
Perdidamente
Perco-me
Parcamente no teu parco sorriso.

Esta é a minha estúpida conclusão

Eduardo Coreixo

Parábola


Não gosto de ti, mas tropeço nos teus passos demais da conta, muito fora da conta, tanto que enquanto peço recibo penso ser melhor fugir enquanto posso e tu me deixas. Não fujo e isso assusta-me. Estaco os meus olhos para onde queria que tu não visses que eu estaco os meus olhos. Tento dizer-te algo que não me faça partir-me logo à partida, para que não vejas que eu estou partida até mais não. O puzzle ainda tem solução, sussurras-me em sonhos , e eu acredito. Não te digo nada por aí além, sou estúpida, não digo nada com senso ou especialidade de conteúdo.
Depois há o fugires. Há o achares que o melhor é sermos ocultos para ninguém ver que existimos. Há o eu à procura do tu sem motivo algum para procurar. A achar-me esquizofrénica por mudar de destinatário nas minhas cartas. A sentir toques sem sentir dedos na pele. Sem perceber palavra do que escrevo e uma arritmia revelada nas minhas pernas que não aguentam mais paradas. O amor não é tudo, sussurras-me em olhares e eu não acredito. Sou estúpida, é o que é.
Estranho sentir-te no sol enquanto se deita. Estranho ver-te na areia infiltrada nos meus sapatos. Estranho não os querer sacudir , enquanto posso e tu me deixas. Enquanto é tempo.
Cláudia
(Boas Festas aos meus caros colegas e caros leitores deste cantinho. Até breve).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Rimar porquê?


Mexo no Mundo que sinto
Mexo na alma que estou a ver,
Mexo com o pincel com que te pinto
Mexo na minha vontade, com todo o meu ser.

Altero a tatuagem das horas
Altero a marca de uma vida,
Altero o meu chão, tiro de lá as cobras
Altero a tua sensação, a tua dor sentida.

Toco a tua cabeça cabisbaixa
Toco na minha alma de poeta,
Toco a parede que é atravessada por uma faixa,
Toco-nos na nossa passagem secreta.

Eduardo Coreixo

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Jay Jay

Dizem que nada é eterno.
Eu estou em completo e total desacordo.
Há uma coisa que transcende isto tudo tudo. As memórias. Eternas, intemporais, essenciais.
Hoje lembro-me dos jogos de snooker, dos concertos, das idas ao cinema, dos sleep overs, dos mergulhos, de todas as brincadeiras...
Treze anos se passaram desde o principio, nós mudámos, mas nem por sombras nos esquecemos...
Esqueceste-te Cucs? Foges das memórias? Eu sei que não...não éramos metade do que somos sem estas remeniscências.
Devo-te o melhor da minha infancia, devo-te o valor que a amizade tem! Mais ou menos, perto ou longe, foste, és e sempre serás a irmã, a minha irmã!

pa Cucs!

J.B.

Sons


Pim Pam Pum
Foram os dias que passaram
Os tiros que assimilei
As horas que bateram no relógio
Os acidentes da minha mente.

Pim Pam Pum
Pelas mortes das crianças que sofrem
Por tudo o que é corrupto
Pela sensibilidade intransigente.

Pim Pam Pum
Porque já perdi o raciocinio
Porque quero ser diferente
Sim já passou a hora,
Vou deixar de falar.

Pim Pam Pum
Passa agora a silêncio
Vai perder o piu
Porque chega a inoperância
Porque fui uma onomatopeia irritante.

Eduardo Coreixo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Vou fugir sem ti.

Eu pelo menos aviso-te.
O que te quero dizer talvez doa, talvez me mantenha parada até que o sangue que me corrói as danças estanque. O que te quero dizer talvez doa demais e seja mesmo esse o caminho que se precisa fazer; afinal os pés servem para serem pisados. O que te quero dizer não to quero dizer. Já dói ainda sem doer, e dói quando penso que a estória é tão minha quanto tua. Não é de alguém, sempre foi do mesmo. Odeio-te.
Odeio-te por nunca me teres levantado, odeio-te por teres deixado que guarde tanta mágoa amarrotada para ti ( e que tu não passas que "isso não é de homem", claro está), odeio que penses que são poemas que me trazem de volta e que esses mesmos me façam querer voltar. Odeio falar de amor quando a coisa é de outras vidas e esta vida não quer adoptar o mesmo sistema. E que eu espere sempre que ela me adopte e berre e quase ore por um lar sem discussões ou ausências. Odeio que entres, estagnes parado a olhar para mim e me deixes chorar, soluçar até depois de achar que não há mais lágrimas decentes, não há mais estrada, e mesmo depois, continue a desatar a alma porque queria que me parasses. És tão egoísta que não me deixas outra alternativa senão pensar em ti.

Eu devia parar , eu sei que devia, mas hoje são demasiados ontens acumulados numa tralha que já não se arruma por si só (juro que pensei que algum dia seria o dia). Estou cansada e tu não ficas para me adormecer. Nem para me levantar, nem para me dizer que eu sou uma boa pessoa e que mereço melhor. Tu não, todos menos tu. Eu própria estou tão amarrotada que só queria que tivesses a vontade ou o desespero de me passares por uma vez a limpo ou a vapor.
"Qualquer dia largamos tudo e fugimos juntos". Odeio-te.

PARA BOM ENTENDEDOR...

Diz-se que para bom entendedor meia palavra basta.
Das duas uma, ou já não existem bons entendedores ou meia palavra não é mesmo suficiente.
Vivemos de extremos. Chegamos constantemente ao limite da paciência e quando rebentamos é com tamanha força que simples palavras conseguem ser matadoras, avassaladoras, cortantes.
Não me considero uma boa entendedora, mas meia palavra basta-me.


Joana Barroso

Não sei quantas almas tenho


"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo:Fui eu?
Deus sabe, porque o escreveu."

Fernando Pessoa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Porque sim

Por estes dias a inspiração ficou do lado de lá. Até já.

Eduardo Coreixo

sábado, 8 de dezembro de 2007

Senha 001


Esta sou eu. Bem, não sou eu apenas, sou eu cuspida do meu mundo e devolvida ao mundo que me deixa na fila de espera para arranjar espaço de encaixe. Romântica grávida de azia; ateia - benza-me Deus - e sem esperança nenhuma já no passado. Cega demais para ver o futuro, ignorante por gosto e sem gosto pelas coisas do paladar.
Cheiro as novas essências que... já foram, já estão gastas. Ouço tantas vozes e soam-me todas inválidas de nexo. As minhas narinas estão de greve e até considero o olfacto o menos parvo dos meus sentidos- isto deverá querer dizer algo, mas não diz. Ironias, sarcásticas como elas só. Sinais? Tenho-os muitos, principalmente nas omoplatas. E mais uma vez, repito: esta sou eu e mais qualquer coisa.

Ora da última vez que eu fiz isto, tinha sete ou nove anos. Senti necessidade de me apresentar, já que ninguém me fazia o favor de me explicar como é que eu era, logo, dizer-me como deveria de agir. Fui demasiado educada, pensando agora melhor, foi esse o mal, o mal foi esse. Mas assim como assim, não descobri grande coisa : que odiava papas, que as princesas eram todas bonitas, que os senhores que brincavam às bandeirinhas na Lua é que eram e que comer fígado provocava angústia no coração. Mais tarde odiei quando me chamaram de princesa e viver na Lua já me bastava, agora era Marte o caminho. Os gostos ainda hoje se mantêm, não sei porquê, porquê? Não sei.

Ora se esta sou eu e mais outra coisa que hoje não consigo explicar, não morro de amores, nunca hei-de morrer de decepção, porque o primeiro passo não está dado. É, acho que trinco demasiado no caroço, mas pode ser que qualquer dia haja alguma comida pelo meio.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Poema


"Não me importo com as rimas

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...

Alberto Caeiro

É esta a verdadeira essência da escrita, de uma poesia
sentida e transcrita com o coração. Hoje foi o dia em que
pensei no que escrevo

Eduardo Coreixo



Trôpega

- Peço permissão para sair , senhora.
- Não te pintes de inocente comigo, sempre te achaste dono e senhor dos teus passos, não é agora que os teus sapatos me vão encaixar nas raízes; que os teus olhos vão deixar de ser teus por estares cansado de ver; que os calos das mãos te vão doer menos, por já teres um dactilógrafo disposto ao serviço. Se queres que te diga- e não me interessa realmente, porque às vezes até eu sou gente- é o falares que é desnecessário, se dizes sempre o que não queres ouvir. O necessário é o Morreres, sim, na colheita de que depende a nossa sobrevivência. E pedires para sair-me é intolerável, porque sempre soubeste à partida a vontade das tuas direcções(Cócegas no fígado não me cocegueiam o humor, sabes bem). Pára. Pára de ser tu e pensa... porque eu ainda não penso noutra coisa.
Por acaso alguma vez me pediste para entrar?

Cláudia

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Careless


Será pedir muito que fique em paz?
Será que isso existe?
Quero desaparecer e vou fugir da morte certa do intelecto,
Quando a noite começa a cair e sinto a raiva do luar
Porque estou com fome de gravidade
Sede de atenção,
Em coma por falta de desejo.
Vou ali morrer na praia e volto já.

Eduardo Coreixo

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

À Cláudia, por me compreender, e à memória, por se lembrar...


"When I am dead
Lay me in a mound
Raise a stone for all to see
Runes carved to my memory"

Amon Amarth - Runes to My Memory

domingo, 2 de dezembro de 2007

Apagão


Sentir-te a respirar, era onde queria estar porque a distância queima
E tudo fica disforme com o foco de tristeza
Quando tudo fica desfocado, e o tudo deixa de ser a razão.
A força acaba por se esgotar pela esperança que escassei pela confiança,
E a luz apaga-se quando deixo de estar concentrado
Quando a tempestade me levou mais para baixo, me cruelmente empurrou
Porque não quis adormecer, porque não quis sonhar contigo
Porque te quis ver à minha frente.
Pergunto-me se verás o turbilhão, o apagão que foi
Quando a morte não foi a tua, foi apenas momentaneamente o teu espirito
Que deixou de se elevar.
Tal a vontade que esmoreu o coração, com as altas marés
Tal a morte interior que se perderam os movimentos
Sem que seja o fim, parece deixar de haver a vontade.
Estás aí, e eu aqui mas vejo-te ao longe, e mando-te um beijo;
Aceitas e pensas que a distância não matou, mas feriu,
Porque é a natureza humana, porque foi assim.
Porque foi assim.
Porque assim o foi.

Eduardo Coreixo

inércia


estou saturada. cansada de ser, de existir, de estar...
perco-me nos teus braços, numa consoladora preguiça, perco-me num pensamento feliz consolador.
esqueço-me de que estou prestes a desistir e vou aguentando...aguentando até que...
repentinamente a rotina me consome de novo e me perco por entre um labirinto de desilusão, enercia, vontade de desistir.
uma vontade enorme de largar tudo, e correr, correr até não poder mais, até entrar em asfixia, até desmaiar de cansaço. fugir para longe, para onde não me encontrem, onde possa dormir, dormir muito num sono tranquilo e profundo e sonhar, passear por entre um mundo perfeito, onde somos todos intocáveis e nada nem ninguém nos possa cansar...
e assim, com essa ideia estupida e infantil vamos vivendo, sempre cansados, já nascemos cansados, uma vida mecanizada, com tudo programado, numa lacuna constante, em que a vida é preenchida de saturação, podridão, cansaço...e a inercia que teima em se embrenhar em nós, nunca nos larga a maldita, rouba-nos a juventude, a felicidade, a vida. MALDITA!

Joana Barroso