
domingo, 27 de julho de 2008
Joaninha

terça-feira, 15 de julho de 2008
O Eco da Moldura

Um dia vou escrever sobre o Gonçalo (e há coisas que não são, definitivamente, para se compreenderem).
domingo, 13 de julho de 2008
Cansado
Lembro-me do abraço que ficou, lembro-me de ti no tempo sem tempo.
Amei-te? Sim, é provável. Talvez à minha maneira mas amei-te.
"Quando agora digo: meu amor
já não se passa absolutamente nada
e no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração."
Adeus, Eugénio de Andrade
Mas as palavras estão gastas. As palavras estão gastas, os abraços estão cansados e até os nossos olhos estão entediados de tanto nos termos olhado.
Porém, ainda te olho com um certo carinho reprimido e uma melancolia, uma certa saudade visível.
Amanhã, serei outro. Amanhã, seremos artistas. Amanhã, lembraremos o que fomos, o que somos e o que vamos ser.
Amanhã, espero que te reconheças neste texto tão cansado mas tão honesto.
sábado, 12 de julho de 2008
A mais bela história de amor/prostiputo

Hoje vou vender o meu corpo de menino ao prazer alheio. Um senhor gordo virá e uma nota lilás esticará. Hoje ele vai tocar a minha pele e fazer de mim o que quiser. Hoje, e só hoje, sofrerei com gosto, aproveitem. Por não menos de uma hora, serei muito mais que o que ele quiser. Hoje quero sofrer a bom sofrer, porra!
Hoje, esse senhor fará tudo bem: chegará, abusará, e não mais se preocupará. O senhor não me vai ligar a perguntar como estou. O senhor não vai responder se lhe perguntar alguma coisa. O senhor não vai dar notícias. O senhor tem pulso de ferro. O senhor manda mais que eu. Só o senhor é que manda. O senhor quer que seja só dele. O senhor aprisiona-me, mas anda à solta. O senhor comanda-me. O senhor faz-me sofrer, tenho feridas. O senhor quer lá saber. O senhor quer saber. O senhor não admite falhas. O senhor não gosta de acertar. Ah, como eu amo o senhor. Não, não, não. Não amo coisa nenhuma, eu só quero uma nota quando tudo isto acabar. O senhor tem semblante e carácter severo. Como é severo, o senhor! O senhor castiga-me:
"Deine Größe macht mich klein
du darfst mein Bestrafer sein
deine Größe macht ihn klein
du wirst meine Strafe sein"
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Estou no banho. Falta-me o ar. Tenho os olhos vermelho-choro. Falta-me o ar. Castigo-me. Falta-me o ar. Tento esfregar o que não pode ser lavado. Falta-me o ar! Estou sujo, sou sujo. Falta-me o ar... Desmaio, acordando, e vivo tudo de novo...
Prostituto Prostiputo.
citação: Bestrafe mich, Rammstein
domingo, 6 de julho de 2008
A praia do Mundo
Fui à praia para ver o teu raiar,
Sentir a brisa de um vento caloroso
Ver o raiar dos sorrisos veraneantes
Acreditar que ainda existem ondas solitárias,
Ver que ainda há o sol.
Desci do meu pedestal até à praia,
Sentir a areia quente por entre os dedos de mármore,
Cheirar aquela presença das dunas almofadas,
Apontar a arma da voz ao vazio da creditação,
Saber o que ainda é a música do verão.
Fui à praia, para ver se lá estavas,
Beber uma água frescamente arrefecida pela saudade
Saber que de ontem a amanhã, ainda lá estarás
E querer ser o primeiro a saber o que foi,
E a dizer-te o que tu hás-de mostrar ao Mundo.
Desci e fui até à praia, e soube quem eu era ali,
Pensei em ti, em nós, na infinitude
E hoje sou o brasileiro daquela praia modesta,
Porque dancei com as ondas de palavras que me surgiram,
E optei por escrever sobre quem eu amo,
Com humildade que me recreou hoje, no sol da minha vida.
Eduardo Coreixo
Passado não conta
