terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Hallo!

Tentando fazer-me crer que a escrita afinal, faz também parte de mim, pretendo com esta entrada no blog, dar asas a minha imaginação e inspiração, ter devaneios, escrever textos sentimentalistas, poesia (quem sabe...).
Este blog irá fazer parte do meu dia a dia, estando aberta a sugestões e a todo o tipo de criticas construtivas!

Esta sou eu. Complexa/simples, distante/presente, um embrulhar de emoções à flor da pele.
Andreia Sousa, Muito prazer ;)

Music, Spiel und Poesie.

Parvoíce

Olha para mim, vê através dos olhos, e vê, vê o que este mundo reserva para ti

Esvoaça as mãos em gestos celestes e brada aos céus a tua vontade

Mostra que és a vontade, a paixão de quem respira o vapor da sinceridade

Olha ao alheio, e chama os nomes pelas coisas

Porque hoje inspiraste o ar que eu respiro, porque hoje a alma passou a ver o luar em mim.



Eduardo Coreixo

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Cowardice


"Foda-se, acho que já fiz merda"

Que tal teres força para fazer o que está correcto, mesmo sendo difícil? Cobardia que te assola como uma sombra de um fantasma, que é nada e perturba. Que é nada e perturba. Tu tens medo de fazer o que está correcto, porque és tão egoísta que o teu ego enche as paredes desta casa, e de muitas outras. Já nem fazes nada com jeito devido à cegueira, que te cala a voz e te faz tremer de nervos quando ouves. Vai ouvir os teus funks que te põem de sorriso falso quando te apetece dar cabeçadas na parede. (Mas não podes, porque tens de ser normal). Grito-te estas palavras para que saibas o que penso de ti, seu ingrato pela vida e beleza - interior ou exterior, ou as duas - que tens. ÉS UM COBARDE. Por não fazeres o que deves fazer e por não deixares viver quem merece ter uma vida melhor que a tua, que arrasta todos à tua volta e lhes suga a energia, ao mesmo tempo que eles sugam a tua.

Pára de conduzir bêbedo de ilusões que amanhã será melhor, não irá ser! Tu sabes. Pára de não atropelar cães velhos ao mesmo tempo que não és feliz enquanto não estás sozinho. Pára de não mandares tampas, e poder dizer que tens amigos que são muito mais importantes. Pára de não teres ninguém que não se interesse por ti, pensando que és o maior, e de não dizer: "não quero saber". Pára de não teres mau feitio, de não rires a ninguém, de não dizeres: "eu, como teu amigo."

Pára, antes que seja tarde demais.


ER

Erros

Chamas-me burra. Errei demais. Não te censuro pensamentos ou conclusões, apenas não aceito que me chames incapaz. Não me sinto incapaz, mas sinto-te incapaz porque não aceitas que eu tenha errado. Errei e cresci. Aprendi. Só gostava que pudessemos voltar atrás no tempo por vezes, ou que existisse um botão de delete no nosso cérebro. Mas não. É calar e comer. Aceitar as críticas, as tuas críticas. Acho-te especialmente hipócrita. Também os cometeste e como tu dizes: Com que moral? Não deixas de ter razão e sofres mais do que eu com os meus próprios erros. Mas também sei que o que tu sentes é mais forte que as críticas ou que os meus erros. E isso é o que me consola. E, relativamente aos erros, as consequências sofrem-se pela vida fora, e incomoda-te ver-me pagar pelos meus erros. Pode até não ser justo, e não é, mas só me resta aceitar, e querer-te a meu lado para as aceitares comigo. E sim, concordo contigo, fui mesmo burra.

Joana Barroso

Senhor Fugitivo



Estou ocupado
Fugi e fugirei da tua visão porque assim o foi, e assim será
Porque o arroz que nos iriam atirar perdeu-se pelo ar
Os sorrisos daquele momento foram comidos pela mente
Quando era suposto estarmos lá no alto/ar
Fugi cá para baixo, porque estou ocupado.
Ardeu o peito, esvaziou-se a cabeça,
Porque estar aqui acalmou a minha prateleira na tua mente
E tu pudeste olhar para trás e saber que era eu
Porque assim me disseste e mostraste.

Estou ocupado
A tratar de ti, do teu coração.
É aqui que ficaremos, olho por olho, beijo por beijo

Eduardo Coreixo

Geração Passaporte B Á BÁ

Isto não pretende ser um texto conciso ou coerente. São rascunhos, desabafos de quem se sente num eterno porto a ver os seus sinais de pele a desaparecerem nos navios do "não sei ao que vou, mas vou para melhor". A minha ansiedade de vida condicionada na bizarria que são as relações e as pessoas que entram e saem e nunca são filhas do acaso. Gostava de conhecer Alguém Coincidência, mas dizem-me que palavra é um nome comum abstracto, e quem sou eu para contestar? O Destino por cá é estreito, vamos lá ver o que ele diz às terras que se marcam nos passaportes, com ou sem vontade, com ou sem objectivos, com ou sem olhar para trás.


(Revi-te para te dizer adeus, quando ando há meses para te mandar uma mensagem e a coragem me falha sempre. Ainda no Natal, ou há uma semana. O Olá , tudo bem? foi substituído por um Vou partir e espero reencontrar-te, Vem ter comigo, tens casa e o resto, logo se vê. A fome é clandestina, a força vai faltar e é preciso desejar tudo de bom num abraço, que isto é quase uma morte e a morte mata-nos por dentro. O B á Bá das almas sem bússola mas sonhos que valem por serem longe, que este chão já não tem mais espaço para mais entrelinhas e quedas.)


Pergunto-me se fugir não será mesmo a coisa ideal, a coisa que não é mais nada - uma coisa qualquer sem nome nem argumentos, mas ainda Ideal, que é o que sempre nós, bichinhos ciganos, procurámos desde que o mundo é mundo. Nunca me apeteceu tanto ser errante noutra vida, noutro espaço e noutras amarras nulas. Por (h)ora aceno - já deixei o lenço fisiológico cair outra vez no chão. O mesmo que já não tem espaço e só amontoa tralha de mente, bibelot decadente. De qualquer das formas, abraço-te com as forças de um admirador secreto, pelas tuas asas e olhos de águia revolucionistas. Eu vou ter contigo procurar uma casa, um dia destes. Peço desculpa pela minha coragem de chiba, pela minha falta de Olá, tudo bem? Tudo bem, Isso é que é preciso, força.


Tantas despedidas e eu com o meu lenço - agulha perdida no ar que também aperta, tal qual Destino não português.


"The times you never said

How've you been?

Do you need anything?

Want you to know I'm here?

Want you to feel me near?

Yeah...and I hope I hope that you will find your way"

in "Stay" , by Elisa


P.S. - "A alma a desatar" nunca será concisa ou coerente. Gostava de passar mais tempo contigo, enquanto me entraste e ainda não saiste. Não existe o acaso nem a coincidência, está provado artisticamente, que é o mesmo que dizer, abaixo os cientistas - fora- os - que - viajam - com- bandeirinhas. A vida é tão curta e tão rara. Se nos encontrámos no tempo, foi porque o tempo é amigo e perdoa-nos a carne fraca. Que tens hoje na algibeira para me ensinar?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Uma merda qualquer


Dói mais aqui neste canto do coração, onde se senta a alma em pose firme. Não escrevo uma poesia, escrevo uma merda qualquer que mostre a dor, o desalento que me transforma: tenho o produto da malvadez, da desatenção que foi criada
Não tenho armas nem bagagem para te enfrentar; não tenho a sensação inerte de querer ir à guerra, mas custa-me, sim custa-me a ver nesses teus olhos a dor que afirmas ter, porque se a sentes não tens razão! És mimada por mim, porque sim, cometo os meus pecados, mas compenso-te com melódicas palavras de sentimento: não te esfrego a cara no cimento cru desta estrada! Perdemos as origens daqueles que foram tempos passados ao sol, perante um mar criado pelo horizonte; sou eu a base que te ornamenta a vontade de crescer e ir para além do que almejavas. Mas afinal tu és o quê? Se sofro, se me lamento, se ou um parvo que olha pelas quinas do sofrimento, afinal que és tu? És tu, e isso chega, já to tinha dito antes, sabias?
Afinal sou capaz de escrever uma prosa, não é? Pois, porque sei eu a dor que tenho na ponta dos dedos de tanto oprimir a raiva de uma inspiração laica, e de sentir que ela talvez tenha a razão parva de que eu sou parvo. Entendes?

São as horas mortas de uma sensação,
O fechar das cortinas desta manha que se perdeu
Perco a minha lucidez, a minha emoção,
Fico imóvel, a chorar a tristeza morta que ardeu.

Foi este o sonho desta célebre noite.

Eduardo Coreixo

sábado, 26 de janeiro de 2008

Monólogo interior


Peço desculpa, mas o que tem de ser tem muita força e como ultimamente estou a dar para coisas parvas - do tipo conversas comigo mesma- quero dizer-te que gosto de ti , enquanto posso e é noite e há desculpa.


Tenho saudades tuas e quase já não penso nisso - a toda a hora. Chego à conclusão que todas as minhas tendências depressivas estão, portanto, explicadas; Sempre tive a sensação de, quanto mais feliz me sentia, mais próxima estava da morte. Amo demasiado a vida para me sentir feliz. Da frente para trás e mais não digo.


Mas há mais finais de tese. As músicas não pertencem a alguém e os sonhos são só sonhos e mais o tudo que são. As nuvens têm realmente tons de amarelo, cinzento e ocre e até há dragões nítidos construídos nelas, como os castelos -e as fossas e os crocodilos e piranhas - na areia.


Não tenho medo de me repetir , antes o medo mora no medo de não decorar e entender o que digo dentro de mim. O medo sai do medo e o medo não é nada. O que queria era que me pedisses em casamento, para te esfregar a resposta odiosa na fronha facial e afastar-me da tua vida, para sempre e todo o sempre , juntos, pois claro, não se está mesmo a ver. Nesse esquema não pensaste ; era tão simples e o mais eficaz. Erros. Perdoo-te, não me interpretes mal.


Quero fazer as pazes contigo. Não me julgues mal nem me queiras bem. Estou a usar-te para seguir com a minha vida em frente , porque segundo o meu psicólogo de auto- ajuda me disse "o que é necessário é entender , sorrir e deixar ir o passado". Pára o carro (floresta). É aqui.


É aqui que termina a viagem, que terminas tu e começo eu. A Alice vêm aí daqui a nada a perguntar as horas e eu vou com ela procurar relógios. Gosto de ti, enquanto posso, e quero-te sempre no fim do arco-íris, como uma coisa boa à minha espera, da próxima vez.


Por enquanto é tudo, amo mais um pouco a vida. Quando acordar- e só porque hoje o quero, hoje sou eu que o quero - vais ser o meu sonho de vida perdida, anos rabiscados, lutas de quem vai à guerra, dá e leva. E só um sonho e tudo mais o que os sonhos sempre serão.


Cláudia


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Serviço de Mensagem Pessoal

Tu és...
- A minha amiga "mais velha" e por quem a minha amizade prevaleceu ao longo da podridão e erosão do maior número de anos.
- A menina de uma humildade doce e gentil, que diz não ser boa para as palavras.
- A menina cuja dislexia faz escrever palavras de letras trocadas sem nunca as emendar, deixando-me sempre de sorriso na cara.
- Um pirilampo.
- Uma friend for todos.
- Tu
- Uma pessoa
- Uma grande pessoa
- Uma enorme pessoa.
- Uma pessoa que passou eras comigo, quer eras civis, quer eras pessoais. Trinta e uns de Janeiro e vintes e três de Agosto.
- Uma miúda que, afinal, tem jeito com as palavras disléxicas.
- Uma pessoa que já fez tanto por mim, e eu tentei retribuir, sem conseguir, fazendo algo por ti, até algumas parvoíces...
- (E já fiquei chateado em tua vez, quando devias ter ficado tu fiquei eu).
- Tu
- Prima de um primo meu.
- Um e-mail perfeito cuja cópia exacta poderia mandar para ti
- Um "tenta chegar ao fim", mas chegar ao fim é tão fácil.
- Um abraço.
- Uma infinidade de coisas ficaram para dizer.
- Uma infinidade de coisas que ainda serão ditas.
- Um adoro-te, um amo-te.
- ...Tu


ER

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Campo do campo


Foi por ali que passaram os bois
Nas ruas calçadas de desespero
Foi na alma despejada de uma ceifeira
Que os bois passaram sem pensar porquê.

É por estas casas caiadas que ainda aqui venho
Venho ver a claridade de uma vila abençoada
É sem ser por magia um coração
Uma parte da minha vida que aqui mora.

Aura perdida nesses vastos campos amarelos e verdes
Quando ao longe vejo aquele a assobiar
Aura perdida num paraíso perdido no tempo
Porque o desejo já foi, o caminho é por ali.

Eduardo Coreixo



Fuck Off

Faz-me uma gentileza , um por favor sem calotes nem penhores:
desopila-me a vista e desaparece-me deste mundo.
Vá lááá.
Não me apetece mais fechar os olhos.
Olhos vingativos e amorosos, nojentos, que sa foda.
"Uma coisa é uma coisa , outra coisa é outra coisa. "
(...)
Quem é que pensas que és? Diz-me, esclarece-te , gentileza, e escreve-me uma puta de uma nota, uma boa educação , a que tu não tens, essa mesmo. Não parto, mas de longe deixo a loiça intacta se for para assistir à minha morte. Estou partida, de alma e mais qualquer coisa. Talvez. Não tenho nexo, devo muito àquilo bom que toda a gente quer e ninguém já tem, que já não existe, que matem se alguém o tem que não faz cá falta. Inveja. Ciúmes. Maniento. "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. "
No meio e no fim desenho-te. O início é o mais difícil, já me dizia a minha avó. A minha avó passa os seus dias todos a queixar-se da vida que teve e a desejar uma morada mais sarcófaga. Vá lá alguém entender; também não pretendo ser avó de ninguém.
.
Claustrofobia e uma esplanada.
Vícios que ditam a minha inércia.
Que nojo de impasse, que morte tão certa, que tanta incerteza e tanta sede de vida.
Uma coisa é uma coisa.
Outra coisa.
Em língua da realeza podre.
É outra coisa.
"Aqueles que me amarem apanharão o comboio".
Cláudia

domingo, 20 de janeiro de 2008

Recado 180 cor de rosa moda.

Your brain has two parts:
the right and the left.

The right one has nothing left,
The left one has nothing right.

Dias e noites


São muitos os dias sem te ver.
Já lá vão milhares de minutos desde a última vez que te beijei,
Sim, na porta clandestina da saudade. Ainda faltam dias,
Horas e minutos, mas o espaço é indeterminado,
A esperança destrutível de um escudo que se desliga por ti
Porque somos sensíveis na tristeza do amor,
Também seremos fortes quando chegar o dia.
Olha em frente, ali estaremos nós.

Eduardo Coreixo

P.S.: Prima Inês, o teu poema está um bocadinho mais a baixo!...

En Plein- Air

Acho que nunca mais vou conseguir escrever na vida. Bem. Falando a sério, era a doença que me empurrava ou puxava ( desatino sem defeito mas já feitio) a caneta para o término das mãos e vomitava tudo por mim. Sinto-me uma bulímica frustrada, uma curada terminal sem olhos nem gritos.


Nunca mais vou conseguir escrever. Algo de jeito, que valha a pena ser escrito, como por exemplo, mataste-me a corda presa no candelabro que agora se regojiza olhando-me mesquinha e perversa, pérfida na sua alegria de não ter mais uso que não o da decoração deslocada ou partida, um mero erro de percurso ou de óptica. Faça favor de passar, senhor - sabe- tudo que eu não sei nada e as vergonhas passam -me por este frio feio e sujo que não me deixa escrever. Como se não bastasse.


Sinto a roxo, mas convém que se saiba que o médico ontem quase me diagnosticou daltonismo, até se perceber que também ele confundia as cores e que eu portanto estava entre o suor do rosa e do azul. Roxo, como eu dizia. Parabéns pela perspicácia.


Sinto a roxo, porque a dor já passou. Sinto a roxo porque preciso de escrever para me sentir com pulsação e as minhas unhas não se cansam de me dançarem - cabras de cabaret - usos fúteis e alérgicos a qualquer tipo de criação. Sinto a roxo porque já não sei sentir e o roxo fica sempre bem. Futilices, morte aos mestres.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Jornal

Hoje na praia das maçãs, uma onda agigantou-se ás outras, roncou bem alto uma frase de desagrado e explodiu com toda a força contra a areia. Detesto escrever sobre o mar, mas foi o que aconteceu. E a areia defendeu-se como pode, embora tendo razão em alguns pontos da discussão.
A areia fascina-se com esta onda. Em declarações ao nosso jornal comentou que admirava a onda, e que não percebia como algo molhado tinha sido forjado em lava incandescente, pois rebentava com tanta força como um trovão nos pobres grãos desta areiazinha. (Mal sabe a onda que a areia se preocupa bastante, talvez demasiado. Mal sabe a onda que a areia não sofre fisicamente).


Entretanto, hoje comi uma sandes de paio com queijo. Bebi um Compal de Ananás. "Eu estou doido"

Anseio o 5 de Fevereiro.

ER

London eye


Faz o tempo parecer longo o dia desde que miseravelmente foste para o carro,
Porque sabíamos que seria difícil a nossa estrela voltar a viver,
Mas ocasionalmente lá estaríamos juntos em breves batidas de segundos
Não o suficiente para que te pudesse abraçar como fazíamos.
Ficou a sensação de um vazio profundo nos braços abertos
Como que se vergaram cabeças para o chão,
Vozes silenciosas se bradaram aos céus. Tinhas ido.
Foi ainda à pouco espaçoso tempo que nos vimos,
Conversámos, matámos as palavras que tinham ficado presas na alma
(Tinhas tanto para contar)
Concordámos em coisas impensáveis,
Criticámos mentalidades retrógradas (lembras-te?),
E seja eu um Lúcifer se não irei ter contigo a essas terras,
Essa terra não muito distante, mas que me marca no mapa como destino,
Porque sem saber porquê, não é por adormecer que me desaparece o sonho.
São os momentos que falámos e que ficámos por ali,
Mas perco a razão, e choro porque a saudade fere e arde,
Ainda que um dia estejamos por aí.
See you around, in this world that is mine and yours,
In the next unfilling gap.
Eduardo Coreixo

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Escadas para o encerramento


Páginas de um momento cruzado contigo,
Na plenitude do meu ser melancólico,
Na magia de um crepúsculo iluminado pela lua,
Desistimos das nossas correntes; abraçámos o amor.
Longos são os dias que passaram desde o inicio,
E longos serão os dias que nos rodearão,
Mas sim, eu sei que não desistes de seres tu,
Mas também maldita seria a vontade tua se não o fosses.
É tudo que passa e deixa de ser verdade, na cruzada final do dia,
Sempre que se sentem as árvores a esconderem-se para lá do sol,
Penso no que me faz continuar sem o meu ócio,
Mas penso que a conclusão nenhuma cheguei desde que para aqui vim,
Porque sombras estou eu habituado a ver,
Mas atingi a escuridão de uma folha escondida debaixo de um banco.
Sim somos tu e eu,
Mas não, a hora não passa de mais um obstáculo à existência humana,
Quando de sorrisos não se alimenta uma flor,
Como poderás tu te alimentar do meu olhar distante?
Paciência é tudo,
Amor o complemento,
A vontade o complemento do complemento.
Assim somos, tu e eu, desde a mais remota hora.


Eduardo Coreixo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Íntimo


Guarda-me numa gaveta com a imagem deste momento e umas quaisquer palavras que te amansem a falta de peças. A falta de cómodas, armários, letras, gavetas não tenho. Guarda-me em qualquer sítio, desde que eu não me consiga encontrar. Vamos brincar ao quarto - escuro da alma, parece-te bem?

A felicidade traz dor? Nunca tive tantas dores , feliz por não ter voz nem o número do 112. Liga-me para desejar um dia igual aos outros, principalmente igual aos dias em que te tenho. Liga-me, enquanto não me lembro que esqueci o meu telefone algures na morada que dizem que é minha e de que me lembrei mas já não sei. Liga-me só para eu ouvir a tua voz. Ouço a tua voz e desligo, prometido. Nem são precisas conversas. Só um nome parecido ao teu no meu visor de reduzido alcance. Vá, eu sussurro , enquanto não te decides.

Eu digo-te quando chegar a hora. Quando for tempo de abrir o cadeado e sentir-me menos suja por estar tão curada. Eu aviso-te, mas não hoje. Liga-me e guarda-me enquanto me despeço de mim ou qualquer coisa que me valha. Enquanto me dizes feliz e eu acredito.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Gémeos


Ficaste. Disseste que esperavas que eu tivesse a bagagem suficiente para meter gasolina. Ficaste louco. Nunca me pareceste tão doce como ao declaraste-te louco... Não faz sentido e tu adoras, que eu sei. Por isso não te foste e quiseste companhia. Vim de mãos soltas e malas vazias, mas o que querias afinal era só a vantagem da meia-hora decisiva. Vamos hoje?
. Vou começar, estou a avisar. Depois de um ponto final, vem sempre um começo. Nunca pensei nisto e agora és só meu e eu só tua. Somos os dois filhos incógnitos da Lua e da Terra. Viva o incesto.
Abraça-me, boa noite, lábios de terra prometida. A felicidade corrompe-me as Ideias. Por onde vai o nosso Destino?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Passagem por mim


Às vezes penso no porquê das coisas, e hoje deu-me para isso.
Este Blogue, nasceu em Maio de 2007, e em tão curto espaço de meses, já por aqui tivemos textos polémicos, alguns de desabafo, outros de amor em plenos pulmões... Contudo acho que nunca houve nenhum (se não me falha a memória...), que fosse um texto directo e conciso sobre aquilo que pensamos sobre este espaço, sobre a escrita...sobre tudo. Nesse contexto então escrevo hoje, não algo que seja empirico, mas um puro e simples pensamento, algo que por vezes apetece escrever, mas que nem sempre temos a disposição para tal.
Por isso vos digo, a vós leitores e caros passageiros deste blogue, que já antes tive um outro espaço de escrita, um tal de Circunstâncias Sensiveis, mas que entretanto devido a vários factores, acabou por morrer.Contudo, o Sem Olhar Para Trás, tem-se tornado um espaço aberto a opiniões, a vários tipos de escrita e perspectiva, muito devido ao facto de sermos quatro escritores, ainda que os mais antigos e fundadores sejamos eu e a Claudia, os mais recentes colaboradores, "os meus caloiros", as "minhas descobertas", tenham tornado tudo mais fácil e dinâmico, com novas ideias e ideais (porque são duas coisas diferentes). Já pela cabeça me passou a ideia de delegar para vós caros escritores, a responsabilidade de manter este blogue, porque muitas são as vezes em que me perco em mim, e entro em total apatia; mesmo assim, é por vós (e por ti), que continuo aqui, neste recanto, que cada vez mais atrai mais visitantes.Por isso a quem lê e a quem aqui escreve, o meu obrigado.
Tu Cláudia, foi contigo que nasceu a ideia deste espaço, numa conversa que tivemos e que ambos decidimos encorajar, a sensibilidade personificada és tu cara amiga
Tu Cerberus, escritor de ideias irreverentes, passagens introspectivas, observador nato, caro amigo, caro afilhado.
Tu JBarroso, menina crescida à força, de ideais fortes, frases demolidoras, carácter monstruoso, minha querida amiga, cara afilhada.
Aqui continuaremos, sempre com os olhos em frente, contudo, Sem Olhar para Trás ao que nos destrói.

Eduardo Coreixo

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Roubo


Se Ele existisse não o teria levado
Porque de consciência tranquila, lavo eu as mãos
Que aqui está tudo como ele queria,
Mas Tu pensaste que era agoiro tanta honestidade,
Quebrando os seus sonhos, tal como os nossos.
Perdoas? Eu acho que perdi a fé em Ti, ainda que só por momentos,
Mas que raio, era ele que tentava e desesperava,
(Porque na noite todos os gatos são pardos)
E ainda hoje pensava que iria beber com ele um café,
E bebi, amargo como alcool a queimar o estômago,
Porque Tu o abandonaste, a mim e a todos,
Sim, sim Tu, seu reles criado da satisfação. Desculpa, é a dor,
É a dor de uma alma fraca, sensivel, fraca e sensivel
(Por esta ordem, porque a repetição também se repete em nós)
Porque foi inesperado, porque nem sequer Avisaste
Roubaste, e num relâmpago chorámos e fomos em fila,
Fomos filamente prestar fidelidade a ele, e não a Ti,
Seu ladrão,
Inesperado gatuno de felicidade e almas.
Mais uma vez desculpa, mas a dor é grande
E o vazio maior.
Foram-se as nuvens, ficaram as lágrimas,
Foi-se ele, ficou a sua lápide.
Odeio-Te.

Eduardo Coreixo

SEM OLHAR PARA TRÁS


Sem olhar para trás dizem vocês. Pois vão todos à merda! Olhar para trás sim, olhar para trás sempre. Se não olharmos para trás o que serão as lembranças?! Como é que nos vamos lembrar de todos os que nos marcaram? Como é que eu vou preservar a imagem deles na minha mamória? Sem olhar para trás não há saudade...e a saudade é a alma portuguesa...a minha, a tua, as nossas, as vossas almas.
Simplesmente não consigo pensar numa vivência sem passado...sem me lembrar de ti que me viste crescer, que me ensinaste tudo o que sei...Tu que já não consegues olhar para trás, tu que nos olhas, sangue do teu sangue, e não nos reconheces... Tu que és uma sombra do que eras, um simples vulto, uma silhueta na neblina...Tu que és nada e já foste alguém...Hoje chorei ao ver-te porque tu não me viste...Chorei ao sentir-te porque tu não me sentiste...
Amanhã vou querer partir porque tu já partiste...

Joana Barroso

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

I-I S-E-I-N

Dissertar sobre nada, por não haver nada por se dissertar. Discutir sobre tudo, por não haver nada para discutir. Pensar sobre nada, quando há muito em que pensar (ou o inverso, ou o correcto). Mudar tudo para tudo ficar na mesma, ou mudar para pior. Escrever, apagar, escrever, apagar. Tentar mudar o mundo que não quer ser mudado.

Dizem-me sempre: andas triste. Dizem-me sempre: que má cara. É mentira, só não tenho vontade. Só não tenho objectivos. Só tenho medo. Só acho que... talvez não valha a pena.

Tocar um dia inteiro a mesma nota, acompanhado da mesma batida, sempre de sorriso nos lábios: só porque encaixa. Já tenho saudades de fazer de conta que tenho projectos de faz de conta. Sim, depois das frequências, já me disseram...

Quero estar ocupado a fazer coisas que realmente importam. Quero observar as pessoas que realmente importam, todas. Quero sentir-me completo e não obrigado ao realizar um trabalho, mesmo que seja hercúleo.

Excelentíssima Fiama Hasse Pais Brandão, empreste-me a sua Voz para que ela me diga: Calma, ainda és novo, tens muito caminho pela frente. Sim, a Voz sabe, ela manda no tempo, sabe que sou muito novo. Só não sabe para quê. Nem eu.


ER.

Bolha de refúgio


Sou peixe como seco,
Perdi o meu ar de graça num oceano sem respiração
Dentro de Mundos e fundos inundados pela multidão assistente,
Eu e eles ficámos a olhar porque foram as coincidências que mostraram a razão.
Sim, fui surpreendido por aquela nova bolha andar por ali a vaguear,
Mas com tanta imensidão, foi como ver uma nova mobilia.
Aproximei-me dela, estiquei a mão e senti a sua razão de ser,
E contra vozes operárias que pensavavam que reinavam,
Mostrei o meu conforto para com ela,
Porque ser estranho é ser diferente,
E ser novo ali, é ser julgado pelos anciãos e novos residentes.
A redoma abriu-se, e lá dentro estavas tu e ele, sem malicias
Sim, outra novidade naquele meio estupido com bolhas fingidas
Com maldades assumidas, com ambições desmedidas.
Sim a incompreensão faz parte, mas a provocação também?
É que se assim fôr, eu saio daqui, vou ali para aquele canto,
Com peixes que são realmente amigos,
Que julgam dentro daquilo que é a amizade, compreensão,
Mas acima de tudo a confidência e o sentimento.
Em que ficamos?

Eduardo Coreixo

Mo(n)stra-me

Se é a mim que querem, é a mim que vão ter. Criança tola e mimada que não está habituada a mortes e despedidas. Nem tudo junto, nem tudo separado.
Eu prometi-te que não voltava, lembras-te? Eu prometi que a garganta não ia sufocar mais e os olhos se fechariam sempre como te disseram para os fechares. Acreditaste um só minuto? Sorriste tanto que a máscara já não se despe. Que o que julgam é que não me tens contigo, é que as mãos são só tuas e que o nariz respira sempre.
Não vás, por favor. Preciso de ti. Não percebes que ela volta quando o quarto está escuro e os sonhos não se calam e só me fazem chorar. Quando os dias se revoltam e não me querem perto porque eu não sou gente, dizem eles, já o fui e não o mereci ser.
Verme tresloucada que só empatas o feliz, deixa-o morrer em felicidade e anda morrer comigo. Prometo ser-te doce e sussurrar sempre que os teus ouvidos rebentarem e despejarem a realidade para coisas paralelas, espelhos partidos ou gatos pretos na porta. Cacofonia pegada. Ahah que mais não dá.
Não percebes, não me queres perceber. Eu sou fraca , porcelana da mais rasca , não ouviste dizer? Leva-me contigo, desta vez. Não te vejo mais a ti, nem a ti, nem a preto e cinza.
Surdez. Silêncio. Branco. Paz. Finalmente bem-vinda.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ab aliquo


Não tem sido. O quê? Fácil. Não digas. Não, de todo.
Não sei se acordo ou se sonho ou se vivo ou se morro neste cinzento deita-abaixo tudo aquilo que apanhares. Há-de ser uma destas que é o hamartê da coisa. Não sei se me ouves ou falas sequer, mas és meu enquanto não penso. Sabias disto? Não sabes não, não tem sido fácil também para ti. De todo. Não tem sido fácil de maneira nenhuma e, no entanto, o mais difícil parece isto. Despedir-me. Acordar. Levantar-me.
Acorda, olhos água e devolve-me a direcção. Tão estranho tentar andar sempre a direito e nunca parecer que é a direito que ando. Acho que um dia serei julgada por fraquejar tanto dos joelhos. Não sei amar de outra maneira. Não sei viver. Afasta-te.
As palavras estão soltas e não arranjo ponta por onde lhes pegar. Deixas-me ser disléxica ou surda (por favor, surda é que era) só esta noite para convocar uma desculpa? Enquanto não penso. Enquanto esta sou eu. Enquanto rastejo e não há mais nada para fazer senão rastejar. Gemer está fora de uso, a dor já não se mede nem calcula. Imaginas? Tire-me 200g de dor aguda no miolo se faz o favor, que assim já me cansa. Já satura. Imaginas?
.
Acorda, a brincadeira já acabou.

Eternidade curta


Batem as horas no relógio do Mundo,
Soam as badaladas das horas incongruentes
Esticam-se os ponteiros da morte,
Sentem-se os valores da regularidade pontual.

Porque não parar o tempo?
Desistir da salvação
E insistir na sorte...
Porque somos humanos.

Passa devagar como lágrimas a escorrerem
Enquanto passa e não passa pelos segundos afamados
Caem e morrem as palavras que custam a ouvir
Quando não fazem sentido.

Pressionam-se os mecanismos que movem,
Aquele relógio que empatou o beijo
Quando ameaçávamos cair no amor de uma vida,
Que pecado tão grande, em tão curto tempo vivido.

Dói, porque não acordou o despertador,
Quando o relógio bate e não bate,
Morrem as palavras e os desejos,
Porque hoje...hoje foi o dia da morte do tempo.


Eduardo Coreixo

sábado, 5 de janeiro de 2008

De Repente Tudo Escuro


De repente tudo escuro.
Já a noite vai avançada.
Avisto-o, aterrorizada,
desconfio do meu futuro.

Nervosa, mas parada,
espero por uma reacção,
mas no meio da escuridão,
não consigo fazer nada.

Vem a cambalear,
de aspecto austero,
aterrorizante, a gritar:
"É a si que eu quero!"

Corro agora pela carruagem,
ele segue atrás de mim
e por corredores sem fim
vou perdendo a vantagem.

De repente já não me segue,
desaparece completamente,
eu sigo sempre em frente,
mas ninguém me persegue.

À minha frente agora
um ser se apresenta.
Eu, bem atenta,
fito esta caixa de pandora.

Só escuridão o caracteriza,
na mão: uma cabeça cortada,
no flanco: o corte de uma facada,
na boca: um sorriso que aterroriza.

Falou-me então este ser:
"Contigo ele conseguiria derrotar-me,
sem ti nem arranhar-me.
É tua a culpa do que está a acontecer"

E aí percebi que fora o meu preconceito
que decapitara o homem que me seguia.
Enquanto ele me pedia ajuda eu fugia.
Por mim todo o mal foi feito...

E agora sem união possível,
seria o mesmo o meu destino,
pois sozinha vencer o Demónio
era tarefa impossível...

O meu fado foi demasiado duro,
apenas consegui uma faca no flanco cravar,
vi o demónio avançar
e de repente tudo escuro...

Eduardo Rilhas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Por estas ruas (minhas e tuas)


Desculpa o incómodo, mas posso te bater à porta? Sinto-me deslocado e abandonado.
Porque vim ter contigo? Olha, porque achei que atrás de todo este nevoeiro houvesse
algo seco onde me pudesse resguardar desta humidade que está aqui a correr nos olhos...
Consegues ver? Não, não é uma ferida, é uma ruga do tempo, apenas uma marca que mostra que já aqui ando há algum tempo. Tu também não é?Pois eu bem me quis parecer que me lembrava de ver ao fundo da rua alguém como eu...
Bem, serve isto para dizer que me sinto cansado com isto da vida...É algo complicado, não é? Ou somos nós que complicamos? Pois, também não me sabes responder...Eu acho que é um género de rua da amargura, mas vá, talvez com pequenos bancos para nos sentarmos e olharmos para trás para vermos aquilo que atingimos, coisas boas (esperamos sempre nós!). Mas desculpa se te estou a incomodar, mas enfim, que se há-de fazer, quando sentimos este afecto aqui dentro?
No outro dia ias a passar a rua, e notei que coxeavas um pouco. Isso foi do quê? Uma pancada no braço? Ah pois é, o braço não é na zona da perna... Sabes que com isto das crurgias plásticas, às tantas já não sei de onde vem o quê...Mas pronto, ainda bem que não é grave, ainda que tudo nesta rua seja visto, fico contente por não ver os acidentes dos outros!
E olha, já sabes, tou ali do outro lado da rua, mesmo em frente à tua porta...Obrigado, a tua
simpatia, e o teu sorriso foram a toalha para as minha lágrimas. Porque choro? Simplesmente porque como te digo que esta vida é uma rua da amargura, também te digo que cheguei aos semáforos, e ele não passa do vermelho...Mas vá isto há-de passar!
Tem uma boa noite e até um dia destes...O quê? Anda raia o Sol? Não ligues, isso é por causa da escuridão da minha vida...É normal. Passa bem.

Eduardo Coreixo

Pede um desejo.

Não sei que pedir. O mesmo nome a despedir-se e a vontade imensa de largar tudo e comprar cinquenta cadeados para usar ainda não sei bem onde. Engoli-los a todos e tentar pular, a ver se ainda arranjo algum humor no pulmão, negro e sarcástico, como manda a lei.
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Não quero amores nem paixões, vê lá se percebo. Não quero buzinas, o meu carro já não pega e não quer ajuda, muito obrigada. Não quero abraços ou aquelas coisas desinteressadas que as pessoas dão quando parece que fica bem. Não quero funerais nem choros. Não quero funerais sem choros. Não quero que me julguem quando rebentar a torneira e não quiser vivalma perto de mim. Não quero desastres nem ataques cardíacos. Não quero prever o que vai acontecer, não quero. Não quero nada a não ser sair deste quadro absurdo, sem a luz e o talento necessário.
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Se pudesse, arrancava-te a dor toda do peito. Se pudesse, arrancava-te o peito para que não sentisses mais dor. Se tivesse algum tipo de dom, gostaria de ter morrido no teu lugar. Não tenho, graças a Deus. Pede um desejo, deseja-me força. Eu não sei que pedir a não ser sonhos ou escritas mais felizes.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

À espera do mundo


Perdições de um mundo colorido
Sempre que cai a corda, ela parte-se e deixa cair as esperanças
Desce o amor e a monotonia, numa planóplia de tristeza,
Soa o trombone do alerta, porque é preciso mudar,
Sim porque neste mundo não deixamos de viver porque caímos,
Mas caímos porque deixamos de viver sem sentir.
Olhares perdem-se nas paredes brancas, de uma cal antiga
Tão antigas como as angústias que assolam todas as almas
Porque por muito antigas que sejam, caem novamente com a corda
Porque não podem voar sobre as nossas cabeças,
Ficam aqui, a corroer tudo aquilo que faz parte do sistema sensivel.
Giramos em torno da tristeza. Porque não?
Combatemos guerras que não podemos ganhar, mas não desistimos,
Ficamos a apregoar toda a nossa luta desleal,
Uns contra os outros,
Contra a própria existência,
Contra o coração,
Na nossa própria mente.
Mundo este perdido de invulgaridades,
De um à vontade ancião que deixou de marcar presença,
Porque quando nos habituamos a ter aquilo que receamos,
Perdem-se as vontade e as crenças.
Este foi o meu pensamento.

Eduardo Coreixo