sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

És tu e eu

Objecção - Contradição, que eu gosto- de tudo o que é mau, diga-se de passagem - Ri-te ri-te, que nem tu sabes o quão réu és tu. Respira.
Aproveita para confessar, vá, que sentes. E que dás por ti sem saberes a quantas andas, porque antes eras estrela e agora já não sabes. Que vontade de te dedicar o meu choro, meu amigo perdido e achado. Limpo-te as lágrimas.


Permitam-me que fique quieta e parada enquanto me despeço do que tive, do que se vai e do que não volta. Permitam-me um momento de silêncio, onde seja o silêncio que me beija que beijos roubados levam-nos a vida, disso sei eu e não sei mais de nada. Saibam o que sabem, que só resta silêncio no final e não tenham dúvidas: sempre, em todas as mortes, não nos largam, tão certos como estas. Permitam-me que fique triste, mesmo triste até ao ponto em que não me sinta triste, mas sim outra coisa que entretanto me esqueci. Não peço que entendam, é como vos der na real gana, mas permitam-me por um momento que os enterre e me sinta feliz por viver. Vão saindo à vez, para não acordar os mortos. Shhiiu.
Pode ser, sem perguntas nem putices que não me cabem , só me encolhem, pode ser? Só desta vez.
Cheguei ao andar do já não sei, já não quero saber. Sinto a tua falta. A tua, também. E sinto a tua falta. Abraços - teletubbies, jarros roubados e partidos sem querer, sofás nas casas em construção do fantasma Qualquerdia, amizades de mel e canela e overdoses de pimenta. Estilhaçámo-nos tanto, mas pode ser de mim. Não te permito que morras. Não agora que já não sei nem quero saber.


Força devolvida ao corpo, ouvindo de fundo - dois amigos perdidos e achados e nunca perdidos- "A vida é tão diferente do que sonhámos. Sempre pensei que fôssemos estrelas que tinham perdido o caminho de volta a casa e nos encontrámos para aguentar o frio. E somos gente e eu não consigo continuar. " Soube bem, alguém. Afinal, somos gente.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quem és?

"There's a hole in the world like a great black pit, And it's filled with people who are filled with shit, And the vermin of the world inhabit it..."

Sweeney Todd - Epiphany


Na rua em que vagueias, imunda, há uma linha que te divide do resto do mundo.
De um lado poças de sangue, drogadas, sujas, piedosamente tristes, do outro, o teu ser frio, que magoa e é magoado, mas sem nunca se misturar com essa "gente" que te suja o chão que pisas.
Caminhas com uma arma ao peito, com as tuas botas de biqueira d'aço que afastam os restos de podridão que te impedem de caminhar. Olhares que te pedem perdão, por apenas existirem, sorrisos amargamente desfeitos, ruas que já estão irreconhecíveis, cinzentas, negras...
A tua profissão é torturar, o teu hobbie é matar, lideras o consumismo, mas quem és tu afinal?

O teu nome é América, e és mais pequena que nós todos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Pensamento 24/7

I need a minute alone
to figure out if i'm really here
or if i'm just not gone.

I need a moment alone
to figure out if i'm here
or i'm gone...

Are we silently wanting eachother?
Can't be. Can't be real.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Mundo Canino (na hora do Adeus)



Sou aquele que vagueia pelo luar
Aquele que toca os brincos de Neptuno
Sou um cão, a maravilha de todos os tempos.
Viajo sem destino, mostro garras que se perdem de vista
Vagueio por aqui e ali, sou eu
Porque gosto de sentir o calor da sombra nos dias de Inverno
Mas gosto mais de saber que sou um cão.
Sempre achei que a vida era uma mordedela repentina
E continuo achar que somos todos cães do destino,
Apesar de tudo sei que para andar preciso dos olhos,
Sou eu, um cão que gosta de olhar este Mundo.
Perdi-me nas desvantagens de viver só,
E soprei as velas desmentidas de uma solidão
Eu que vivo debaixo de um caixote ou banco de jardim
Eu o cão, o rafeiro que jamais desistiu.
Hoje mordo a oportunidade de morrer com dignidade;
Não chorem,porque vivi liberto nessa imensidão que há lá fora
Gostei de ser quem fui, e de saber quem sou,
O cão vira-latas da vida, o verdadeiro sentimento canino.

Eduardo Coreixo

Não quero crescer.



Imagino-te criança, a discutir com a tua mãe que nunca vais crescer, não queres, prometes, isso é só para os adultos, claro. Imagino a primeira crosta tua que observaste, escrevendo no bloco de notas oferecido pelo teu tio cancerígeno: "As feridas saram". Quase te nomearam para nobel científico, mas "os cientistas são deuses e eu não sou nada", respondeste-lhes. Aplausos, quem fala assim nunca vai sentir. Aplausos. Um Nobel quando fizeres dezoito anos. No dia em que, ao mesmo tempo, eu descobri a expressão "chorar as pedras da calçada". Achei que era a coisa mais inocente e cruel que havia, aquela expressão. No mesmo dia em que descobri, sozinha e contigo, que as feridas saram.


Imaginação fértil , tenho eu ao imaginar-te, de tanto que penso ser o meu passatempo mais vício igual a ressaca. Maligno ou pelo bem.


Imagino o primeiro corte que fizeste ao cortar a cara, por insistires e jurares a pés juntos, importante, que o que tinhas era só barba a nascer, já eras um adulto, afinal. Foi a tua mãe que te mimou as cicatrizes, enquanto escrevias a segunda linha : "Os cortes saram".


Batatas quentes que te enfureciam, numa meninice pegada. Gelados a derreterem na mão, porque o que era urgente era falar, dizer tudo, contar os pormenores dos beijos escondidos que davas ás meninas dos baloiços. Só porque estavas mesmo a jeito e elas baloiçavam para a tua boca, com a força perfeita, necessária.


Depois houve a menina que tinha estrelas desenhadas nos olhos e pintalgadas na cara. "Ela é diferente, mamã, não sei explicar; é diferente. Imagina e tudo". A menina que te arrancou o coração quando deixou o baloiço. Que lhe faltou a força e a vontade. Cor de cal na pele e unhas partidas a toda a hora. Olhos ausentes sem aviso de regresso. Uma janela que embaciaste todas as tardes, porque tinhas a impressão de que ela havia lá digitado o sol, antes de se conhecerem. Adeus ao Nobel quando fizeres dezoito anos.


Tornaste-te disléxico, apontando o dedo aos daltónicos. Cegaste no final da tua terceira frase "O amor é ferida, é corte, é crosta, mas não sara." Adeus ao Nobel.


És doente e não te importas. Apetecem-te sardas hoje, pelo jantar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Comentário


Pensar muito é deprimente e "há metafisica bastante em não pensar em nada". Imagina em pensar em muito. A metafisica é algo que estamos destinados a não compreender, portanto pensar muito deixa-nos mais confusos, pois o pensamento humano desdobra-se sempre numa dualidade de factores. Por vezes é bom confundirmo-nos, tomar decisões e errar, ou acertar, conforme. Por vezes é bom pensarmos muito e não chegarmos a porra de conclusão nenhuma. Faz-nos sentir vivos. Dá-nos alento para continuar a pensar, errar, acertar, e não chegar à essência ou reposta do problema. Já me alarguei, desculpa. Gostei bastante do texto.

Noite de Óscares


Noite de óscares, noite em que vultos julgando ser alguém se deslocam pela passadeira vermelha.
Na verdade, até o são.
Falam, riem, choram, gritam, enlouquecem, e ainda lucram por isso.
Acho bem.
Eu também falo, rio, choro, grito e enlouqueço, na tão longa passadeira vermelha da minha vida, mas ao invés de receber bens materiais ( que cada vez mais consomem a podridão e o azedo da nossa sociedade ), recebo a simples ( no entando, complexa ) existência de todas as pessoas que me são importantes.
Vêm à procura da estátua de ouro pela minha existência?
Na(s) minha(s) estátua(s) de ouro, batem corações: amigos, família, e essencialmente TU!
É, a minha noite de óscares, é todos os dias!




...E se aguentarem, uma boa noite de Óscares! ;)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Idem


Escrevi muito e muito e ainda mais , muito assim grande como daqui até à minha altura, enquanto não te sabia. Sobre o amor, era do que falava. Falava do amor e não te conhecia a cor dos olhos. Devia ser presa por falar de coisas inúteis ou por não ter ideias originais. Processada mesmo por pensar e não pensar nada de jeito. Por não te saber e pensar que te sabia. Por não saber se te sei e pensar que te sei.



Os meus sentidos deviam andar sempre, sempre assim. Desorientados ou perdidos, a que for pior era a que deveria ser. Tontos, tolinhos, betos, tão certinhos que depois são os piores, surpreendem, ao ponto de nos fazer rir a suspeitar - Vá, agora a sério.



Quero-te por dentro dos cobertores, tão bem escondido que não te encontre e assim, pelo menos, possa dar a desculpa que estás dentro dos cobertores mas te escondeste bem demais. Apetece-me mudar para lá , para a porta de debaixo dos cobertores. Narizinho cá fora, o resto incógnito, como o mostro que tu chamas até ti , vezes e vezes sem conta. Porque queres, porque feliz é que não pode ser, não podes ser. De maneira alguma, só por cima do teu cadáver. Uma vida após outra. Muito te pisas tu (és feliz assim, ao fim e ao cabo. Dicionário do povo, por muito favor.)


Quero proclamar a paz. Proclamá-la só assim, não , que ela não se sente, só mais à frente. Quero mesmo desejá-la , como quem deseja que amanhã apareçam todas as respostas durante o sono e depois de amanhã a vida sejam só perguntas. Muita sede de falta de tempo comigo, é o que tenho mais. E de água também.


Quero mesmo ser a Poulain. Ou a Valerie. Uma qualquer personagem que me faça sentir como personagem. À espera do corte de cena para poder ser eu, novamente. A Ariel, a Bela ou um Cisne que sempre foi princesa, no interior. Isto soa a homossexualidade, mas estou sensível e isso já insinua tanta coisa. Quero ter o rei na barriga, esta noite.


Escrevi muito e muito e ainda mais e ainda não sei do que falo. Antes de te ver e depois de te ver, não sei do que falo. Mas as pessoas têm de falar de alguma maneira, mais não seja por olhares, não é verdade? Pisco-te o olho e tu escreves o teu nome. E escrevemos então juntos o maior romance da história. Hoje é ele, o teu nome, que me deseja boa noite depois de tudo. Ouço-o e faz sentido. As ideias, ideais e até a paz que sinto, com que fecho os olhos.


Repito : não falo alto, tenho medo que me oiçam.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Nacionalismo morto (inspirado no post de Eduardo Rilhas)


Rolam os rolamentos da felicidade de uma criança,
Levanta-se e canta o Hino, de cabeça hirta
Porque a sesta da apatia já acabou, e tem que saber ser homem
Sim, que a inocência é para os fracos
Porque rebolar na lama é a consistência do corpo,
E o choro, que é dele? Morreu desde a partida de casa,
Quando olhava as paredes brancas do cal abandonado
Quando pensava na sinceridade das amizades
Quando pensava que estava contra sua vontade.
Perdeu a vontade, o sentimento.
É uma máquina. É uma arma.
Vê brincarem as crianças da televisão
E ergue os olhos para cima, porque televisão é veneno,
O Livro, guia o forte por entre o pecador
(a desistência de uma vida)
Porque lhe dói não saber o que é a liberdade de sentimento
Porque dobrou e deslizou no idealismo,
Que consome as suas vertigens e fobias,
Que o consome.

Hoje choro por quem ali viveu,
Morte à Mocidade Portuguesa,
Morte à tristeza platónica nacionalista.

Eduardo Coreixo

Mil léguas e um Pedido


Sonha comigo.
Não te peço que me arranques o peito ou o vestido.
Mas sonha comigo.

Desvenda-me os olhos, que ver para dentro
Atormenta-me os lábios, as mãos e o esquecimento.
Desvenda-me os olhos. Prometes?
- Não minto.

Faço de túmulo a minha boca
Da tua face a minha racionalidade de louca
Que a verdade já é outra - sempre outra;
Faço de túmulo a minha boca.

Convidei-me para a poesia
Mesmo sabendo da estaca, da sua apatia.
O problema maior dos meus sonhos
É que sonhes comigo, por favor, por um só dia.



Cláudia

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

oh Portugal!



O amolador de facas esteve, mais uma vez, depois de muitos anos de ausência, na minha terra. Ouvi a sua harmónica enquanto escutava uns "Verdes Anos". Que saudade me invadiu, que lágrima me correu no rosto. Posso tentar deixar de ser piegas, não escrever coisas lamechas, mas não posso deixar de ser português! Pois apesar de tudo tenho orgulho da minha nação. Não há pátria como a nossa. Não há saudade como a nossa, não há mar como o outrora nosso.

Eduardo Rilhas



" AVE-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,
Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinido de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!"

Cesário Verde

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Cadastro Nulo?


Como é que nos iludimos , menos e menos e menos até nos iludirmos tão menos que não sobre quase nada para contar aos que hão-de vir? Precisava da fórmula para explodir de uma vez, por uma vez eficazmente. Dava-me jeito, só tê-la no bolso, para ter desculpa para não a usar. Reprovada, sem exame disponível. E eu que sabia a matéria toda e ensinei o suficiente para rebentar a escala. Como é que nos iludimos, menos e menos e menos?


"É isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem cadastro."


Al Berto


Que ninguém julgue que a sentença é esta, finito, advogados há-los mais que aos recursos e todos esfomeados de ganância como órfãos por abraços, benza-os Deus. Nevermind, Whatever e 'Later. Eu já não me iludo pelo menos nisto, que isto não me dá pão nem sequer um vestido preto, com que não me comprometa. Eu não dou mais nada que explosões de alma, essa alma gasta, gasta como um vestido já desenfronhado, fronha que é necessária passar ao próximo, assim muito rápido, como a batata quente, que expluda tão longe que eu só possa realmente presenciar por televisões portáteis a preto e branco. Gosto de paredes vermelhas.


Ninguém sai sem cadastro desta sala. Não permito, fui bem clara quando proibi a entrada a santos. Senhores padres, mostrem o cinto de ligas; senhores certos, mostrem o quanto são errados; assexuados, mostrem-nos os fetiches próprios dos assexuados , que a frigidez sempre suscitou interesse nos historiadores; museólogos, mostrem-nos os manequins torturados pelo vosso desprezo; mudos e surdos, mostrem-me quantas vozes ecoam nos vossos sonhos, para comparar-mo-las e na volta, fazermos troca por troca, que tenho aquela repetida quatro ou cinco vezes. Artistas, mostrem-me os fantasmas que vos cegam e vos puxam cada vez mais para as amarras de dentro.


Pena máxima para os que amam e são amados. Costuras nos olhos e andores queimados, que ninguém andará nunca mais assim tão alto. Ninguém se escapa. Festejem, a festa é cigana, só acaba no desmaio de não suportarem mais viverem convosco. Mais um tinto, mais um branco, mais rum, cachaça e bagaço. Cigarrilhas e charrutos, nuvens de fumo que nos fazem perder de nós, tão por querer, tão sem já desculpas, desculpas indisponíveis, volte mais tarde.


Pecados em saldos, é aproveitar. Ilude-te menos e menos e deixa o outro menos para mim. Distribuídos como irmãos, os pecados valem a pena. Pena máxima para os que amam a vida. E são amados; são amados.

A dois (entre o frio e a cama)


Mostra-me o porquê de te ter escolhido
Mas não, não me esqueci, apenas quero ver de novo
Saber de novo.
Preciso de um sinal, de algo que possa ver, sem mistério
Porque ainda não sabemos o que é a realidade.
Ainda tento perceber porque é que me questiono da razão
Porque é que tanto sofrimento assola
Mas as provas ainda não foram prestadas,
E porque é que iremos, se não queremos ir,
(e porque tens que ir à minha frente,porque não esperas?)
E novamente, mostra-me porque é que caminhas comigo...
Não pergunto, eu afirmo,
Porque continuamos os dois a fazer a mesma coisa,
Porque dói saber cada vez que ficas ciente do perigo
Cada vez que perdes a frieza.
Foram estes os dias de beleza esquentada pelo frio,
Foram poucas as amostras de sossego
Vimos passar a solidão.
Fomos por aquela Torre acima,
Beijámos ao vento que nos lia de alto a baixo, qual lupa,
Mas sempre soubeste o que sou, quem sou.
Continuas a ler-me sem letras,
A ver-me sem íris,
A sentir-me sem corpo.
Fomos nós.

Eduardo Coreixo

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Under the Northern Spell/Diário de Guerra


Não quero saber de ti. Neste momento, não consigo viver junto de imperfeições perfeitas ou de perfeições demasiado perfeitas. Consigo seguir a estrela do norte, empunhando um Punhal, que diz "heading back home", no gume. Tenho amigos que me seguem, seguindo-os eu a eles. E eles sabem o caminho. Estamos sozinhos, dependendo apenas uns dos outros.
Juntos rimos e "cantamos vitória antes da guerra". Seguimos em frente porque não olhamos para o Passado, temos medo dele, e não olhamos para trás.

Venceremos por estarmos juntos. Estamos juntos para podermos vencer. Bárbaros à procura de um lar, que não os aceita ou não lhes convém. Só junto deles sei o que quero realmente, quero nada. Junto de perfeições quero tudo, menos a perfeição. Juntos de imperfeições perfeitas, quero demais. De novo, o Passado me assola como um forno a mil e dois graus Celsius. Devo resistir, e prosseguir caminho, em direcção aos primórdios do tempo, evitando o Monstro. No meio deste frio gélido, que como numa história de magia, nos suga a alma, quase sabe bem ser aquecido pelo meu Pesadelo, mas o caminho mais penoso será o melhor para mim, e para os "vocês líricos". Os atalhos nunca são os melhores caminhos. E se passar por ti, quer te encontres moribunda ou de boa saúde, dar-te-ei um beijo bárbaro na testa, em sinal do que sinto por ti, e seguirei caminho. Espero que, um dia que volte deste regresso, passe por ti moribunda, sem saber quem tu és, e te agarre de vez, levando-te para um lar aconchegado onde possamos ser retirados da guerra, onde possamos ser velhos.

E se, na fria guerra, me trespassarem o corpo, perecerei sorrindo, porque sei que não tenho ninguém à minha espera.


ER

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Reflexões...Dentro de dias!


Deu para pensar. Pensei que era um ambiente novo.
Pensei que era algo que necessitava.
Pensei que seria apenas um fim de semana, mas foi um marco.
Pensei que era apenas contigo, afinal foi connosco.
Gostei e pensei.
Os pensamentos serão aqui postos nos próximos dias.
Viva o frio.

Eduardo Coreixo

Só qu'ao Contrário



G-g-gosto de ti. G-g-g-gosto mesmo e não sei ex-ex-explicar.


A promessa de só me tornar real com o toque na tua pele e de desaparecer mal desvies o olhar (para a morena lá do fundo ou para o fundo do copo meio cheio - tanto faz, eu não sou de cá-), de cheirar cada suor teu e classificá-lo com cinco estrelas, no mínimo. Tornar-me crítica de Arte e ter-te como a oitava maravilha do mundo. Esquecer-me. De mim e do mundo. Ter saudades sem explicação e g-g-gostar. Muito, a todas as horas e suspiros. Ser desastrada até mais mão, porque não sei onde tinha a cabeça. Gaguez absurda e apreciação da mesma. Consequência?, dizer sempre a verdade, que dói mas sara e depois é só mais um arranhão. Como tudo na vida, rabiscos, mouriscas, espirais cicliosas que não se cansam nunca da mensagem. Se faz sentido, faz sentido. Ponto.

Tenho desenhado bem, até ver. Um sol e tu apareces. Que ainda ontem discuti com o sagrado e lhe disse que se era para brincar, ao menos que tivesse bom gosto nas brincadeiras. Parece-me que está a ter aulas de etiqueta o senhor e até já ri baixinho. Tolo em ouvir-me. G-g-gosto.
Agora desenho uma andorinha e voo. E pronto, de resto já se sabe que desenhar árvores é sinal de paixão e a minha tem raízes e maçãs e cerejas e esquilos, uma torre de sentimentos que não descem . Isto anda bonito, anda. Também posso brincar?
- Tanta falta de jeito para estas coisas. Amén.


Cláudia

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Diário da Burrice


Todos os dias a mesma coisa: "Então como está ela? E tu? Eh lá, parece que 'tás chateado 'meu'!"...
Mas porra será que não é óbvio?? Se um gajo anda de trombas viradas para o chão, é porque algo não está bem, correcto?
Eu penso assim: se as mordomias das pessoas ao perguntarem como estamos, fossem antes viradas para outras coisas, como por exemplo, sei lá, meterem-se na vida delas, aposto que estaríamos todos mais felizes! Se eu quiser contar, se quiser levantar o trombil do mórbido chão, eu dirijo-me à dita pessoa, e digo-lhe: "Eh pá!, coiso, 'tou fodido da vida!"...Não é?
Pergunto-me se o tempo que temos em mão é demasiado, ou se apenas o instinto humano é que se tornou mais mesquinho e curioso, porque sim, eu não sou apologista daqueles que pensam que as pessoas perguntam porque se preocupa...Eu cá na minha humilde burrice, creio que perguntam para fugirem à sua própria realidade, porque ou ela é muito chata, ou querem ver se alguém está pior que ele/ela...
Eu sei que sou burro, eu sei essas coisas todas, sabes? É que a burrice é tanta, que já nem consigo acreditar que comemos porque isso nos faz bem; eu acredito que os alimentos apenas são um desperdício de tempo, porque do fim ao cabo, mais tarde ou mais cedo, é expelido do nosso corpo (das maneiras mais nojentas possíveis...até aí somos castigados, hã?)
Vá, por hoje já chega.
Vou ali ao quiosque, mas rápido, porque a porra da vizinha, que é cusca que nem um raio, já está a comer o bolinho ali no café, e isso indica o quê? Que vai fazer sala, e que vai perguntar a meio mundo como está...

Eduardo Coreixo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Happy Valentine


- Olá, meu lindo.

- Odeio quando me dizes teu.

- Esquece isso. Sabes que dia é hoje?

- Até que sei, se não me perdi nas contas.

- Queria pedir-te uma coisa, mas não sei como.

- Arranja maneira, tu é que sabes tudo.

(...)

A música pimba toca no café bairrista onde sempre parámos. Nada mais apropriado, penso eu. Tenho uma vontade imensa de me desmanchar num riso escarninho e a hora pede silêncio austero. Talvez uma folha e uma caneta saibam bem, depois do almoço.


" Quero pedir-te que me beijes a meio da rua porque sim. Quero que tenhas problemas, por amor da santa, qu'eu de santa não tenho nada, como tu dizes sem argumentos nem provas possíveis. Podias ao menos enfrentar a arrogância com o que te falta de tino e assim sempre fritavas o que está cru entre nós. Fazia mal à saúde, mas era capaz de valer a pena. Já agora, dá-me lá aquela paz que pedi ao Pai Natal e ele esqueceu-se. Balofo barbudo, eu porto-me tão bem e depois dá nisto; nova resolução de Ano mais ou menos Novo : dizer-te tudo na cara sem medo de enjoos ou de enjoadices (tanto mel resulta em pote vazio). Depois disto, só te peço que me agarres um pouco mais quando te disser que já não te quero. Quero que me declares guerra que não me largas assim com tanta facilidade, não és como o da esquina, nem o dos sonhos. Quero que me acordes amanhã com o cheiro de amores- perfeitos e o som de panelas a fazerem festa na cozinha, por causa de surpresas que não saíram assim tão bem como se queria. Um sorriso nos meus lencóis e os teus olhos a baterem-me à porta."


- Escreves tanto que até irrita.

- Quero que saias da minha vida, é isso. E que pagues a conta.


Palmadinha nas costas. Au revoir.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O fim (da guerra)

Não te sentes na árvore das maçãs sem mim
Porque preciso de sentir aquela companhia feminina,
Acender uma fogueira para iluminar as ideias.
Podemos falar sobre roupa ou vinhos,
Sobre as manchas do vinho na roupa,
Podemos saltar por cima do fogo, contar histórias de sonhar
Teremos sempre o toque, o cheiro macio do amor.
As covas da tua face indicam que sorris,
É da sintonia, porque aqui nesta árvore tu és a minha fruta do pecado
Sempre que esgueiras um sorriso
Ainda que segunda e terça eu esteja no trabalho,
Quarta e quinta tenha que fazer os relatórios da nossa revolução
E sexta eu esteja por cima das nuvens,
Garanto-te que se sábado não tiver terapia à alma
E domingo ainda aqui estiver, prometo-te que estaremos juntos.
Mas espera, porque gritas a felicidade, e este fogo é só nosso,
E a guerra acabou, porque as manchas já não o são
Assim mostramos a bandeira branca rasgada.
Por isso beija-me. Beija-me debaixo da árvore.
Beija-me.

Eduardo Coreixo

200 posts de cabeça e coração/Nostradamus

Tenho a informar os nossos caros leitores que atingimos a bonita marca de duzentas mensagens neste nosso espaço de convívio e lazer.

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Alguns cépticos argumentam que Nostradamus conseguiria ver alguns acontecimentos futuros com base em acontecimentos passados, devido ao facto da história ser cíclica. Nos versos vagos dos poeta visionário surgiam sempre menções a algo prestes a acontecer. À frente dos seus olhos, estava o caminho a ser percorrido pelo homem, transcrito para a poesia. Do seu cérebro, provinham pensamentos, que o levavam a escrever o seu caminho, desbravando com a catana a brancura da folha. Pelos seus poemas, não encontramos só a verdade, algumas vezes: mentira e erro. Mas na sua poesia, tenta ao máximo ser honesto, dando origem a conceitos básicos da astronomia. Este homem não inventa nada e tudo o que diz, é tudo o que sente, e tudo o que sente advém do que pensa. Muitos admiram-no como homem, outros pelos feitos, outros desacreditam-no, outros odeiam-no, Todos sabem quem é, todos falam dele.


Permitam-me que nesta mensagem, neste post, eu me chame Nostradamus, e a minha vida seja a sua poesia. Obrigado.



ER.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É para amanhã



Alguém que gostava muito de mim disse-me um dia "Se os números tivessem um final, acho que aprenderias só na penúltima vez do erro". Das lições mais preciosas que tive até hoje. E continuei a errar, caminho fora, sem ele já a gostar muito de mim e eu a adorá-lo como a um Deus e a abandoná-lo como a um Deus.

Alguém de quem eu gostava mesmo muito disse-me um dia "Fica comigo, para sempre" e eu já tinha deixado de chorar. Ainda hoje não se lembra que mo disse, amnésia do bagaço, e eu ainda hoje me enfrasco nestas palavras. Ele sempre gostou, à maneira dele.

Alguém que eu suportei durante anos foi a razão da minha vida. E essa vida transformou-se em desaparecida de guerra. Nunca sei se o funeral foi bem feito, paz aos seus dias, ou se qualquer dia volta e eu já casada e aborrecida com outra vida. Nunca tive muito jeito para lenga-lengas, mas verdade seja dita, não há mais narcisismo do que em mim, é um eterno espelho dado a um cego.

Tenho medo de escrever. As frases já só me cortam à superfície e como posso eu morrer feliz. Talvez seja tarde, talvez estes alguéns sejam ainda cactos que não me deixem sentir outros tipos de dor. Talvez lhes sinta falta e, no entanto, tenha vontade de vomitar bocejos de insultos a quem liga e me diz para que lhes fale, que lhes faço falta e etecetera e tal.

Para ti não sei. É o que mais me dói, em dias destes. O primeiro tinha razão em tantas coisas e conhecia-me como as palmas. Só não foi sensato quando me jurou a pés juntos que o que precisava não era de um amante, era de um amigo. E eu voltava a gritar-lhe quantas vezes fossem precisas, quão diferente me julgo? Quantas peles queres que escame? A penúltima vez, porra!, ainda estou tão longe. Tantas pressas a resolver os problemas dos outros e o nosso divã, entregue à poeira do tempo e da inércia.

partir

Ela virou-lhe as costas. Começou uma marcha mecânica perdendo-se entre a multidão.
E ele ficou a olhar, com o olhar perdido por entre a multidão, sorvendo os restos do perfume que ela deixara no ar ao passar.

eu nunca hei-de partir. dê por onde der nunca me hei-de perder no meio da multidão deixando-te pra trás.

Joana Barroso

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Acizentado


A turbulência seguiu-se de raiva,
O amor foi antecedido pelo lamento,
A desistência foi complementada pela dor.
Foi nesta viagem incompleta que tudo se transformou
Breves os dias como se passaram adormecidos
Sempre que tocava o som, a dormência adormecida
A morte de um esbracejar inerte
Foi ainda ali ontem que a estrada foi cortada pela árvore
E o céu, qual Adamastor, comeu o triste cinzento
Formou um bolo de nuvens dessa cor,
Despertou no mar daquele mundo.

Longe estão as horas do conforto daquele colchão
Daquele quadro naquela parede
Daquela cadeira posta sob aquele chão.
Navega a memória das luzes de Inverno
De uma chuva que escorria pelos telhados de musgo
Dos pinos que davam as folhas à conta do vento
As saudades daquela pronúncia.

Abana o coração por este descarregar de movimentos
Sim que conheço o que completa
Sim que conheço o que nada é indiferente,
Sim eu sei, são apenas mais umas palavras.
Remotas são as hora em que escrever era certo,
Morta está a inspiração de mais um dia que foi apenas isso.

Eduardo Coreixo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Karma Coma


Chama-lhe o que quiseres, eu queria perder-me nos teus silêncios e sentir-me parte deles, como se disso dependesse o teu mundo. Queria parar de ocultar, que se tornou pior que mentir. Restam cinzas e ciclos serpenteantes e eu nem de serpentinas gosto.

Desculpa por não fazeres parte. Eu queria tanto prender-me nos teus silêncios que acabo por expulsar as palavras que morrem de vergonha de serem ditas. Medo do que vem depois. Fitas que nunca mais acabam, laços que não ficam tão bem quanto pareciam ao longe. Distâncias que nunca vão desaparecer, a palavra nunca que não deveria sequer existir. Não para sempre. Não enquanto. Não, ponto. Um eterno sistema do contra. Do contra crescer, do contra as raízes, se fores pássaro, do corta e recomeça por onde der. Terrenos cultivados mordem-se de inveja da floresta e a floresta não se queixa (tanto se lhe dá, não lhe carrega o espírito).

Tens a certeza? Pensa bem, olha em volta e diz-me se não há tanto melhor. Tens melhor gosto que isto, sou uma prima donna sem família nem nada meu. Tão boa actriz que acredito nas minhas mentiras. E tentando-me fazer ver, passei para a margem de lá. Nevoeiro. Vês-me? Eu sei que me ouves, mas vês-me?

Enquanto não acordares, não sei como queres que isto vá para a frente. Cego, estúpido. Assina os papéis que eu parto para onde nem sonhes. O meu momento de luz está tão perto e tão longe. Preciso de me encontrar , rapidamente, urgentemente, como se disso dependesse o meu mundo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Não

Olho para trás.
Vejo os anos que passaram, tão cuidadosamente a meu lado.
Os anos, esses, que te trouxeram para junto de mim, junto do meu aconchego, do meu colo.
Recordo-me de ti como se estivesses presente, aqui, mesmo ao meu lado a olhar-me a escrever.
O teu olhar doce e meigo, as tuas carícias que tão bem me faziam, e a tua eterna presença a escutar-me, a ouvir-me chorar, a ver-me rir.
O quente do teu corpo...
Tudo isso se desvaneceu da minha vida tal como cinzas postas ao vento.
Tão de repente... Tão instantaneo...
Quase 2 meses passaram, e não me esqueci... Aquela imagem continua presente na minha cabeça.
Todos os dias sinto, como uma amargura em mim, a solidão de não te ter ao meu lado, o vazio que preenche esta casa quando tu não estás. Sim, estás num sitio melhor, sinto-o, sei-o.
E, recordações como as dos nossos sorrisos e brincadeiras, fazem-me andar para a frente e enfrentar sempre os dias com um sorriso e garra.
Porque....
Obrigada!
Eternamente, Xu!

De nihilo nihil


Começo a ficar preocupada. Se não morro da doença, morro da cura - aiiii. Morro dia a dia, noite a noite e até no resto do tempo parece-me que estou viva pelo hábito estúpido de respirar. Os médicos sem fronteiras é que poderiam vir, só mesmo naquela de não terem que fazer, trazerem alguma maqueta e transportarem-me para onde quisessem, não sou esquisita. O tanas, mais caprichos e sortes do que dentes, é o que tu tens, Concordo plenamente.


Começo a achar insuportavelmente estranha esta minha mania de inventar. Romantizar, impressionar e expressionar, surrealizar. Ainda estou muito atrás das vanguardas, muito à beira do rio que já fede e expulsa. Soltem os tigres, a calmaria disso precisa. Juro que precisa disso, de um susto ao medo para ser mais fácil. Acreditem-me que eu nunca me irrito sem razão, embora seja nisso que sou mais julgada.


Dois decíbeis a mais do que suporto, e logo no meu despertador. Não no do vizinho, mas no meu. Que vontade é que posso ter para o passeio, para a corte ou para a comédia que se valoriza pelo traço dramático? Quem tem vontade de amar, não tem mais nada. E eu assim como assim, vou arranjando vontades e sorrisos, por entre o escasseio de paciência e furtos da minha casa para a minha casa.


Será que posso voltar atrás no tempo e ver-me pequenina a dizer que, quando for grande, quero ser reformada? Tinha logo de enfatizar que quero este mundo e o outro; deve ser por isso que nunca cresci muito.


Ora troca lá o passo, faz o quatro e diz que me amas. Quero que me queiras, trôpego, sem saberes a quantas andas, que à lucidez odeio-a com quantas forças desejaria ter. O factor X encravou, os gajos da reparação não querem trabalhar ou assentar a poeira. Não deveria ter feito nada disto, bem o sei, mas estou farta de comer e calar, o apetite nem é assim tanto e a bicha solitária é um pouco chata e desnecessária. É verdade, também eufemizo em biscates, quando calha.


Não tarda nada começo a gritar pelos corredores tudo aquilo que não queres ouvir. A romantizar, que é definitivamente aí que me destaco. O resto é ornamento, não me estrutura o pensamento, não passa de um caminho que grita , implora e sangra em meu nome. Não é nada. O meu último romance há-de chamar-se Trinta por uma Linha- enquanto não me agarro, convém ter pelo menos a ideia da vontade.

Cláudia (mais pequenina que nunca)