domingo, 29 de junho de 2008

Histórias


Riscas vermelhas, dentro desse teu casaco amarelo de vergonha exterior. Não perdoei por não me teres ligado, e continuo a não desculpar por te causares essas dores que te imaculam, sabias?Vives o meu e o teu pesadelo, como quem tudo o que faz é errado, desde a hora em que tudo começou por acabar, desde o frizar dos dentes em que me mordeste o lábio.

Todos os fios não ligam na minha cabeça, falta-me a maçaneta para poder abrir estes pensamentos inertes, mas sabes, um dia eu já fui como tu: sonhava para depois desesperar, esforçava-me para depois ir tudo a baixo, morria por dentro, para ter o prazer de sentir alguém a elevar-me de novo (aquele reconforto...). Por uma vez que seja, deixa-te evaporar pelo mundo, seres transparente para alguém além de mim, sentires-te mais leve que o sonho, e escorregares pelos montes e horizontes fora.

Todos somos levados a teste, todos somos questionados pela nossa maturidade (ou falta dela), mas não te massacres, porque é com classe que esta noite aqui te escrevo, com simplicidade, com calma, para saberes, que tudo o que marca a tua alma, a tua visão, não se torna dúbio... És tu...

Mulher, menina, minha amada, estarei de volta da minha excursão de exames, de problemas com a minha prestação de ser humano, para te amar, ser quem mereces possuir de corpo e alma... Depois de toda a espera, toda a miséria, de todas as guerras, tu mulher atenta, eu homem sofredor, seremos seres alados, à procura de um céu que perdoe, para saber quem somos vistos de cima, para criar um mal sem mágoa, história sem vilão, cantos sem desafinos...Um fim, para o próprio fim da morte...

Depois deste mar longo e sossegado, resta-te sentares e perdoares a demora. Estou a caminho.


Eduardo Coreixo




quinta-feira, 26 de junho de 2008

Amor docet


É que eu hoje estou assim, com vontades de me apresentar ao mundo e ter conversas de meia-noite com o telefonista do Apoio ao cliente para lhe perguntar se o pequenino está melhor de saúde e desejar-lhe uma boa continuação de vida. É que eu hoje penso que sou feliz sem justificação. É que existem momentos assim, que contradizem as dores e as faltas. Em que só nos apetece brindar para não esquecer. Abraçar para não perder. Andar em linha recta para não cair e fazer os favores ao sincronismo de que me falam as estrelas. E tu, quando tens dias assim, de te mostrares a pessoa mais bonita do mundo e de me mostrares a mais feliz por te servir de companhia. De me tocares e desdizeres o fado antigo, partilhares comigo o sal e a dança das ondas, reveres-nos em todas as histórias de amor e contos de fadas. E de dizeres, todo cheio de ti, com todas as certezas que o mundo tem, que a palavra felizes só faz sentido se for para sempre. Sou infinitivamente tua, em dias assim.

É quando nos apercebemos que acreditamos ambos em sonhos e realidades paralelas. Que cumprimentar o Sr. internado nas veias da solidão faz toda a diferença. Na nossa vida, pelo menos. Que somos importantes quando nos sorriem no metro ou pedem esmola e nós damos - menos um café. Que acreditamos na maldita literatura para amarmos e odiarmos. Que arrancamos peles porque nos dá prazer, quase tanto, tanto como puxar o fumo para dentro de nós, criando nuvens de mistério deliciosas de fotografar. Que fazemos a cama primeiro com o edredon e depois com o lençol. Que um do outro, até rosas se toleram. Que voamos quando queremos e quando queremos fugir. Que quando nos falam e nos fogem e são cobardes porque nós somos do mais inofensivo que há-de existir na terra, nós sorrimos e pensamos um no outro. É quando isto tudo acontece que as nossas mãos são pedras filosofais e nos tornamos eternos. Quando nos temos. Quando sabemos que eu te tenho e tu me tens.

O mundo e a vida têem um amor tão grande como o nosso. Quase.
Ou
Somos felizes e sorrimos ainda mais ao pequeno- almoço. Imaginem.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Identidades

Hoje eu acho que estou perdido.

Talvez amanhã eu escreva algo...

Talvez amanhã, eu ache que sou capaz.

Hoje sou eu

Amanhã serei outro eu.

Tocar-te-ei a alma

Encher-te-ei de beijos na testa

À espera que venha esse dia que te leio no astral.

Hoje acabou-se o sono,

Amanhã o cedo será tardiamente o começo.

Como sou. Como serei.

Eduardo Coreixo

Não Sei Dizer





São coisas que acontecem
entre mim e o pôr-do-sol
entre mim e fins de tarde quentes
entre mim e céus carregados
de nuvens-brancas-de-algodão
São coisas que sinto
enquanto caminho para casa
e não sei o que sinto
enquanto caminho para casa
depois de um dia imersa
no limbo entre ficção
e realidade
do alto de Pavlikova
até chegar a Vinarska
São coisas que os meus olhos vêem
e que os outros olhos negligenciam
Ou não. Não sei, porque
ainda não foi inventada a palavra.
Um perfume a terra molhada e
flores inéditas.
Uma música que embala os
passos
e que tento guardar
que tento guardar
porque um dia vou.
São palavras ditas
entre mim e a cidade
entre mim e
este fragmento de História
Em silêncio
Promessas solenes
encontros futuros
beijos claros e imensos
em fins de tarde cheios de luz.
Quando fecho os olhos
falo de coisas que existem
entre mim e mim
nesta cidade-cama,
cidade-refúgio,
cidade-depósito-de-emoções.
Falo da cidade que avisto ao longe.
Cada vez mais pequena.
A fugir-me do corpo.
A ir embora.
Pequena.
Pequena.
Lá.
Em silêncio.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Press the Button / Shoot me


Amo-te. Sei que é inoportuno e desleal o verbo dizer que escreve e não diz nada - Amo-te sem mais nem menos como se fosse uma medida justa, nem comos nem porquês, sem ondes nem quandos, que ao menos quando há-de a gente saber quando ama ou deixa de amar. Era pior se fosse na caixa do supermercado ou num funeral passado, mas mesmo assim eu sei que faz comichão onde dizem que dói mais.
Amo-te baixinho porque alto ainda alguém nos ouve e nos prende, que o tempo da ditadura não vai sem levar alguém com ele e assim baixinho parece-me bem, voz rasa e muda como um segredo que não se consegue calar muito tempo, nem que se conte só às paredes, porque estas, como toda a gente sabe, também têm ouvidos. Cala-te e ouve, porque é de amor que falo (é o lhes digo em noites de lua cheia).
Amo-te pela ruga que tens na fronte e ainda agora te disse porque te amo e já não me lembro - Amo-te. Porque é proibido , proibido é que sabe bem, pular a cerca com a porta vizinha aberta é, no mínimo , estúpido.
Amo-te onde não queres ver, como cego perfeito que vestes para que os teus feitos pareçam maiores e te nomeiem qualquer dia pelo dom do gigantismo. Pela falta de formas, linhas e cores que não o breu mais breu igual a qualquer coisa que insistes - não quero ver, não ver. Amo-te. Como se te dissesse bom dia, como se fosse bom dia que dissesse em vez de acordar sempre mais tarde do que o dia e me repetisse , Boa tarde. Tudo bem? Amo-te, isto cala qualquer um perceptível ao lado esquerdo da nossa carne, parece que hoje vai - Amo-te.
Pela boca morre o peixe , quem desdenha quer comprar e etecetera.com , que o espaço acaba aqui - se tudo é relativo, fico-me no ponto final que se segue à enxorrada de emoções a morder o lábio inferior. Agora só para o ano.

Amo-te
.
P.S. - Preciso de aspirinas e de pilhas para o comando de televisão. E tinha qualquer coisa para dizer que entretanto me esqueci. Press the button.

Vontade de Brilhar

Sempre me pareceu estar parado
Dentro da tua cabeça a pairar
Sobre mundos que sabem a desde sempre
E não, hoje não estou barulhento,
Porque antes de me lembrar do ontem,
Estive sentado na minha sala, a sentir o vazio.
Hoje sinnto que me estou a enganar,
Estás tu dentro da cabeça
A manipular mundos que sabem a desde sempre.
É complicado saber quem sou, e poder ser quem sou,
Mas responsabilidades todos as têm;
Já lá dizia o outro, que os dedos são muitos,
Mas poucos os anéis,
E, minha rosa brava, a alma não tem espinhos,
Tem dedos à espera de serem preenchidos.
Tornou-se dificil ser eu, viver-te assim,
Mas hoje foi a epítome deste comboio,
Que durou pouco, mas foi cumprido,
Que não passou rios, mas que encharcou o coração,
Porque hoje, a alma é mais pequena,
Sem estrela, sem planeta, sem vaga,
Sem ti, porque tudo tem que acabar.
O dom de uma palavra
A paixão que são todos os momentos,
Hoje estou e ficarei sem sorriso,
Em tons de amarelo-lua,
Em paisagem pôr-do-sol/ madrugada.
Eduardo Coreixo

terça-feira, 17 de junho de 2008

Mais uma vez, sem tempo


Estou outra vez sem tempo ou categoria ou até talento para escrever o que sinto. A imagem esbatida do que sinto parece transparecer à frente dos meus olhos. Olho para ela e vejo... nada. Estranho. Sim, é facto, sinto-me o Senhor Spinell que tanto me diz, e nada de jeito escreve. Não escrevo em jeito de auto-mutilação nem quero que tenham pena. Sinto-me perfeitamente capaz e isso é igual a não ser capaz de escrever algo com jeito. Nesse caso não poderia estar capaz. Já acreditam que também eu sou complicado?

Gostava de mandar recados a amigos, colegas e inimigos, mas sinto que neste momento sou quem menos pode mandar mensagens e quem mais as pode receber. Não estou nem de perto nem de longe num pico de ego/confiança e volto-me para o lado, na cama, em busca de um sonho melhor do que o que vivo nesta altura. Do outro lado da cama, nada me chega, nenhuma ajuda me é dada, nada. Dizem-me: 'deixa lá, estás bem assim como estás'. Mas eu quero ser melhor, auto superação!

Estou completamente sem tempo para fazer aviões de papel, a velhice aproxima-se e tenho que me precaver. Queria poder voltar a ser criança e saltar nas estações de metro, mas quando o faço atraio demasiado as atenções. Tenho barba e pelos nas pernas vestidas pelas minhas bermudas de criança pequena. Toda a gente me olha, e é normal, a velhice avizinha-se e saltar está fora de questão. Aqui e ali já consigo descobrir rugas imaginárias, estou mesmo velho, já nem as covas têm encanto.

Apaixono-me e desapaixono-me trinta mil vezes por dia, quando me espanto e desiludo no segundo seguinte pelo que talvez possa ser belo e afinal não é. Onde andas Tadzio? Talvez nos livros do Wally. Estou sem tempo até para me ver livre do cabelo que já muito chorou por estar junto ao cérebro e coscuvilhar-me os pensamentos. Realmente, pensamentos tristes, cinzentos, negros, devem por-me ainda mais velho.
E os cabelos já querem fugir, mas eu não tenho tempo para lhes tirar algemas.

Entretanto vêm as férias, é giro fazer o diário da minha vida nesta altura do ano, pois é a altura deste em que me encontro mais negativista, apesar do sol. É no inverno que, agora, me sinto mais seguro devido à minha e à tua história. Principalmente no dia 1 de Janeiro, quando tudo recomeçou, sem ainda haver sofrimento. Mas esqueço-me que também não tenho tempo para sofrer.

E por último. Já não estou apaixonado por mim, já não me amo.

P.S.- Desculpem, meninas colegas, por não escrever sobre o 'tu' e só sobre o 'eu', posso ser demasiado egoísta, mas tinha de ser. (O único recado que consigo mandar neste momento).


Eduardo Rilhas

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Disforme


Eu já confundi as palavras
O suporte da traqueia,
Uma voz ateia.
Este processo tem um quê de oxigenação
E não, não é uma amostra de confusão,
São almas doentes, mal tratadas
E óbvio que estas palavras são armas
Balas mentais que não estão aqui,
Porque a escrita não alimenta
Agora que tudo o que escrevi já perdi,
Algo que falei mal e já não me atormenta.
Hoje o peso do ouro ao teu pescoço incomodou,
Porque levas contigo a missão de quebrar sonhos
Quando choras que desapareceste da tua imaginação,
Bebe mais uma cerveja, um vício naturalmente fresco
Sei que gostas.
Perdi o amor pela camisola, a música que me ressuscita
A eterna amizade de complemento
Tu és a mulher que me transformou
Eu sou o homem que tomou as decisões.
Para sempre teu.

Eduardo Coreixo

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não se esqueça: Respirar


Esquece tudo o que te disse até hoje, porque tu sabes e eu sei que nunca me irás conhecer, vice- versa a mesma coisa. Nem desta forma ou doutra, porque sabemos bem que as formas de Arte são sinónimos de vida e nós nunca concordamos, não temos sensibilidade nem audição para tanto. Também sabemos que não sabemos nada e igualmente não o queremos saber o que me leva a apetecer mudar tudo, começar do abaixo de zero, ou seja com os erros do passado e os joelhos enregelados, para ver até onde revoluciono sem deixar de ser eu. Existem dias que parecem noites e palavras que parecem saltimbancos que me pisam, que me pisam e me dizem, O teu lugar é mesmo aí, não te importes que eu também não.

Não me oiças sequer hoje, pois hoje a carta é para Deus. Não deve ser levada a sério, a não ser por ele, se ele não resolver fazer greve por haver falta de crentes, ele há-de ler e depois responder num seco Recebido, assinado Sr. Deus ou um qualquer empregado do seu ministério. É preciso que te diga para não me ouvires, que a ideia é o Non-Sense e hoje, hoje só, não marco falta de presença.

- Tu querias, tu querias... tu querias era favas e fígado cortado às rodelas.

Eu queria que tu te esquecesses dos teus monólogos e catitas dores de bolso para respirares. Ninguém se lembra: Respirar. Roubam-nos o tempo como o fazem com o sol, sempre o fizeram, de cada vez que vem o Verão o fazem. Roubam-nos a hora de todos os dias e devolvem-na gelada. Como se podem amar estações vizinhas se sabem, de antemão, que lhes vão roubar o tempo? Condenadas a serem sombras de velha solitária, que não têm dedos, que não têm línguas, que não têm sexo nem direito a bodas de prata. As flores perderam-se e os muros voltam à ideia primária de serem muralhas. Como elas nós. Troca o passo, tudo acaba aqui.

- Veja lá se quer mesmo a cura, porque uma vez a neurastenia entrou e não chegou a sair. Veja lá, veja lá, que ainda há quartos vagos e a renda é do mais baixo que há. Uma vez por semana até a deixamos pôr a cabeça fora da janela e reze pelos pombos não se decidirem para baixo. Televizãozinha, arrastadeirinha e comida sem sal, mastigada, mas comida; Bem-vinda? Ai vida, que querida, mais uma cliente do sanatório mais limpo de Portugal. E não se esqueça: Respirar. Era assim que eles te diriam.

Cheiro o mofo dos livros como se fossem virgens islâmicas, tacteio os móveis sem querer descobrir as gavetas inábeis e é nas casas vazias que perco mais tempo. De vez em quando, apetece-me morrer e outras tantas, matar o último romântico ao cimo da terra. Mais palavras de amor e cheiro a papoilas, Não por favor, é demais, Mate-se que já deve minutos à humanidade, O outro não quer mas queria, é esse o lema de qualquer romântico, o pretérito imperfeito como o tempo do dia. Não há paciência (quisesse).

- Respirar.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Pensamentos foleiros


Pensando neste mundo
Acreditando nesta ironia que é o acaso...É complicado
Ver a transformação da certeza, em monstruosidade,
A sinceridade ser confundida com brutalidade.
Dou por mim sem saber no que escrever,
Nestes dias de sol contundente, de marés à beira-betão,
Destas árvores de um verde auto-estrada
Desta areia clara como o cimento.
Acredito sim na ideia de metrópole,
Mas não passámos já os tempos de Roma Antiga?,
Ou continuamos a viver para a mediocridade da visão
Da superficialidade inata a quem deixou de respirar por viver?
Hoje estou desinspirado. Olho para a janela coberta pelas grades,
E vejo crianças a brincar livremente com os seus computadores portáteis,
A rirem pela pura inocência de serem controlados pela polícia.
Eu acredito que vivemos livres e descomprometidos,
De todas estas dívidas que todos temos (ninguém acredita nelas...)
De todos os problemas do emprego, que não existem,
Por sermos quem somos, e sermos julgados por isso!
Mundo este, tresloucado e sem ideias
Somos nós que o alvejamos no coração ao dizermos que queremos
Igualdade, fraternidade... Para quê?
Governos reinam à sua vontade ministrativa,
(e nós que nos lixemos, perdoem a expressão)
Sem pensar que aqui e agora somos perdidos e achados
No tempo e na memória, que teima em não apagar os desastres.
Hoje eu sou piroso porque gosto de ser diferente
Numa época em que o chique está na moda,
Eu, Eduardo Coreixo, Afirmo-me como crítico, apaixonado, sonhador
E acima de tudo
Observador deste mundo.
Eduardo Coreixo

Para sempre



( Amanheci com a lua moribunda a olhar-me descaradamente o percurso das lágrimas. Dos olhos até ao peito. Onde evaporaram.)

Antes nunca me escrevias cartas tão longas nem tão sentidas. Nunca me escreveste tantas cartas, achei que era um daqueles teus hábitos do passado que tinhas deixado lá atrás. Achei sempre que me dizias só o suficiente para que eu percebesse que te interessavas e preocupavas comigo mas escolhias sempre as palavras meticulosamente de forma que não te comprometesses muito. De forma que, de vez em quando e mesmo sem querer, fizesses promessas que sabias que não ias cumprir. Antes, as tuas escassas cartas não me faziam chorar. Cansavam-me. Em cada palavra havia ainda um resquício do teu suor austero, a presença de outra e outra e outra palavra no lugar daquela. Como se não soubesses bem o que dizer. Ou como se tivesses vergonha de dizer que gostavas de mim. Hoje falaste-me do coração e fizeste-me chorar. Nunca li nada tão simples em toda a minha vida. E, finalmente, começo a acreditar que a simplicidade pode ser mesmo uma virtude. Não usaste metáforas, imagens elaboradas, recursos estilísticos ou palavras eloquentíssimas- daquelas que nos fazem perder vinte minutos no dicionário e que provam como somos inteligentes, cultos e insensíveis. Disseste "amo-te" com histórias triviais e mil vezes repetidas, a medo e com erros ortográficos e criaste o poema mais bonito do universo. Falaste de mim num tempo que não recordo e falaste de um amor que eu não supunha que tivesse tanta poesia. Ou tanta força. Sempre achei que me amavas em proporção com o silêncio e a falta de palavras entre nós. Nunca me ocorreu que dentro de ti também pudessem viver mundos cheios de palavras bonitas que me acariciassem e me fizessem sentir importante. Ou sonhos repletos de fantasia e sorrisos. Esse foi o meu erro: olhar-te para as mãos grossas, rudes e calejadas da vida e nunca tentar imaginar que história tinham para contar, que caminhos pecorreram até chegar aqui. Hoje descobri que as tuas mãos estão calejadas de tanto batalhares. Por mim. Por nós. Mas que também sonham e sentem.
Há coisas que nao entendo bem. Como é que a força de um amor assim não permite que vivamos até aos 500 anos? A coisa mais verdadeira que conheço é este nosso amor que não pede nada em troca, que não pressiona, que indica o caminho sem nunca obrigar a segui-lo, um amor que vive no silêncio ou na confusão, na dor ou na felicidade, em harmonia ou em disputa, não importa, existe e assume todas as formas do mundo. Um amor-motor assim devia fazer o coração bater para sempre.
Quero tanto acreditar que estou a falar de um sentimento que nasce, cresce e vive sob a insígnia do ETERNO... Quero mesmo acreditar que tudo vale a pena.


Da próxima vez que me escreveres diz-me que a nossa história não acaba aqui.
Neste mundo que nos agarra com os dentes todos os dias.

Quem Tem Medo do Lobo Mau? (Quem tem devia reconsiderar)

O Lobo Mau tem um caso com o Capuchinho Faz Bem Vermelho dos Olhos Verdes! É tudo verdade, descobri ontem deitado na cama, a ler a tv7dias.

Ao que parece, um dia depararam-se com uma ponte em que tinham de apagar memórias. O Capuchinho esperneou, argumentou, lutou e relutou, chateou, e achou aquela ponte descabida, porque raio? As memórias, já as tinha ele antes de chegar à ponte, e atravessar a ponte não parecia merecer o apagar de memórias. Com muito esforço, lá fez o favor ao Lobo Mau, com relutância, lá passou a ponte. O Lobo Mau, (otário como sempre), chegou, sentou-se e calmamente disse para o Capuchinho: Estou a eliminar as memórias, não demoro. Não demorou, e atravessou.

Ora bem, o Lobo mau sentou-se porquê? Por estar cansado do esperneamento do Capuchinho, porque parecendo que não, quem tem de sofrer por isso é sempre o Lobo. O Capuchinho está como novo porquê? Porque o Lobo chega e obedece.

A seguir à ponte foram cada um para sua casa. Desta vez o Lobo Mau não foi para a praia. Mas também se virmos, não há praia ao pé da floresta do Lobo, só na cidade do Capuchinho. Ah não! Cabeça a minha, é ao contrário! O Lobo não foi à praia, mas o Capuchinho já considerou ir, mais uma vez.

Vivem-se tempos difíceis, e há que aproveitá-los bem, com divertimento! (Menos o Lobo).


Eduardo Rilhas



Colega Pseudónima, permite-me que coloque aqui o texto que me mostraste.
Do blog: E Etecetera, Edvard e a Dor.

Um túnel onde Edvard entra. Do outro lado sai como que a saber cantar. Mas não. Ele não canta: simplesmente grita de uma forma melódica. Como domina musicalmente a dor julgam que Edvard não está a sofrer, mas está.

De que se queixa esse homem que parece cantar? Não sabemos.

O que sabemos é que, produzidas artificialmente, as palavras acalmam aquilo que é claro não pertencer à cultura; falamos da dor. A dor não é cultural; a dor não é uma coisa produzida pelo Homem, já existia antes e existe sem ele. Mas com ele, claro, com o Homem, foram introduzidas múltiplas variantes. O Homem produz dor como produz instrumentos técnicos: em quantidade e adaptada às circunstâncias. Repare-se que há quase tantos instrumentos para consertar uma máquina avariada como para provocar dor. Os instrumentos de tortura são, a cada dia, aperfeiçoados.

Mas Edvard não quer saber do Homem em geral. Está preocupada, sim, consigo próprio, como todos estão, desde o nascimento.

No fundo, aqueles que nos recebem no mundo, sabia Edvard, apenas nos preparam para o egoísmo, fortalecendo-o.

Aprende com o corpo e com as ideias a defender-te e estarás pronto para entrar no Reino dos Homens.

Pois era assim que Edvard pensava.

E a sua grande qualidade era esta: gritava a sua dor de tal forma que parecia cantar.



Gonçalo M. Tavares

Antigo


Sinto isto como um pesar da vida sobre mim
em que a tristeza me compensa
as vezes em que me ri
sem motivo na algibeira ou na cabeça.

sábado, 7 de junho de 2008

Uma Vida em Dois Minutos


Era uma vez um otário de merda que tinha uma namorada, ou a mulher da vida dele, ou algo parecido com criar raízes e fazer tudo pelo amor a ela. Um dia colocou-se uma questão:
- Por que é que me fizeste isso?
- Porque era parva, se fosse hoje não fazia...
- Hum, ok, perdoo-te.
- Ah, por falar nisso, afinal a semana passada voltei a fazê-lo.
- Hum, acho que vou ali para o cantinho chorar.
- Não me deixes, não sei viver sem ti.
- Vou para casa.
Ao que o nosso otário da merda chega a casa, anos mais tarde, e na rua ele passa por uma mãe e seu filho. E o filho diz:
- Oh mãe, este não é o senhor que nunca sorri?
- Não sorri agora filho, já houve tempos em que ele sorria.
Ele decide enviar uma SMS e ela está muito zangada com ele
(-És otário ou quê?
- Já tinha dito que sim no início do texto.)
, quando tinha estado há minutos (não eram 2 anos?) a chorar. Passa neste momento a deter a razão (por razões não desmistificadas) e não volta a falar com ele, a lutar pelo 'não sei viver sem ti'.
Ao que uma senhora diz:
- Olhe, a sua Vida está a sair do parque infantil, não vai buscá-lo para ele estar em segurança?
- Não, não! ele tem perninhas, ele que volte para trás.
E lá vai o pequeno bebé, chamado Vida, a gatinhar, perdão, rastejar. Nisto, encontra um velhote, que lhe diz:
- Oh meu filho, rastejar já não se usa, como se chama meu bom rapaz?
- Vida.
- Então e alguém rasteja por si?
- Não.
- Então e alguém quer saber de si?
- Não.
- Então e alguém luta por si?
- Não.
- Está a ver, rastejar já não se usa, acredite em mim!
Mas o bebé afinal não percebia nada do que o velhote dizia e rastejou...
Mas, passados dois minutos percebeu, e quando se ia por em pé, para andar normalmente, foi atropelado por um camião, (nunca chegou a perceber que estava no meio da estrada), e morreu.
A namorada pegou nas coisas, e foi para a praia. E riu muito.


Eduardo Rilhas

Obrigado... Posso repetir? (Hora do Conto)


Padrinho, deixa-me baixar as defesas de novo ao pé de ti. Desta vez quero chorar. Choro o meu presente e o futuro. Penso que Londres talvez seja mais vazia do que eu imaginava. Deixa-me estar ao pé de ti a chorar, e tu no pc, não importa, mas conforta. Deixa-me estar uma quarta feira inteira a suicidar-me com murros na testa. Eu sei que tu me entendes, eu sei que sabes o que é alguém ser a tua vida. Deixa-me fazer brainstorming até ele explodir. I couldn't care less. Deixa-me ganhar forças para sorrir ao mundo quando o mundo chegar ao corredor, vou conseguir dizer que está tudo bem. Deixa-me olhar para a tua preocupação não fingida, não fanática, deixa-me perceber a tua amizade. Deixa-me ter a preguiça de ir de fato de treino para a faculdade (o meu luto). Choro padrinho, e por quem eu choro não chora por mim, por quem eu luto, não luta por mim.

Vamos manter a originalidade de um padrinho e um afilhado que fornecem armas um ao outro, durante a guerra. Vamos manter a originalidade de estar como bandidos, sozinhos, às oito da manhã, na coca-cola. Vamos manter a originalidade de nos compreendermos e de ter opiniões diferentes. Vamos manter a originalidade de sermos nós. Obrigado padrinho, posso repetir?


Palavras Chave:
Imperfeição, Finito, Adeus

Eduardo Rilhas

Larga


Alguém que me diga onde estou. Não é para me encontrar, desengana-te, que o quero, mas sempre fui tão educada que me espanta a falta de bons dias com que me condeno. E mais não digo, que não sei o que digo quando está tudo dito.

Há muito tempo que não te conto segredos, quase desde o início, lembras-te?, quando te dizia que até gosto de ti um bocadinho depois de passarmos a tarde toda a bater na mesma tecla. Batíamos literalmente, ou quase, porque nos odiávamos a presença com a falta de toque e não sabíamos dizê-lo. Aprendi mais tarde que nós fazíamos o que normalmente se faz quando se quer arranjar desculpas para não se cair e se aprender a aprender a gostar do chão triste e xadrez, ou seja, repudiávamos a paisagem que tínhamos- e era bonita, era bonita sim senhor - e jurávamos a pés juntos que odiávamos voar - medo de morte, perigo, vida. Chegava a meter medo, sim senhor. Odiávamo-nos, lembras-te?

- Anda, conheço um atalho.
- E achas mesmo que eu vou confiar em ti?
- Claro que sim. (Acho sinceramente que um dia ainda vais escrever um livro e meio sobre mim. Se quiseres depois morres e ressuscitas e eu desapareço e só apareço de quando em vez, quando a tua vida não te der sequer migalhas daquilo que és, eu apareço para te relembrar que podias ter sido feliz. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, a menos que o escrevas e então todo o sistema vai abaixo e revolucionas a ideia de segredo que é para ninguém ouvir, não o serias. Imaginas? Eu encontro-me contigo no carro que nos pertence, a meio caminho porque parece justo - o que nunca será - e levo-te as chaves do estúdio mais pequenino que encontrar em Lisboa.

- Com vista para o céu.

- Valha-nos isso. Levo uma mala gigante para corresponder àquilo que sempre sonhaste e vou sendo-o, pouco a pouco vou conseguindo que me vejas como aliás, me irás ver, que trago uma camisa larga que te fica a matar, nas horas mortas. Tenho sonhos com meninas e meninos iguais a ti que te vou contando em escadinha e já vou nos mil, tenho uma sede enorme de te ver a pele e fome do cheiro dos teus cabelos, saio sempre mais cedo porque não aguento mais meia-hora sem as tuas meias de vidro. Temos quadros molduras pinturas e gessos que vamos coleccionando, para que nos lembremos sempre do lema "no melhor e no pior". Temos tudo, até que tu queres mais. E tu sabes que o teu coração é fraco e não resistes ao teu fetiche cardíaco. Ataco-te quando menos esperas. Ainda assim, vais amar-me para todo o sempre. É isto o amor.

- Achas que vou conseguir sentir outra vez?) Vou-te contar um segredo. Gosto um bocadinho de ti.

Nunca mais vou conseguir escrever o que quero escrever. Tenho uma camisa larga e só ela o faz. É pena (que não haja mais borrachas neste munto. Que não voltes e está tudo dito, que eu não sei o que digo quando está tudo dito).

terça-feira, 3 de junho de 2008

Adeus


Tu e eu. Os restos da noite. Em mim.
Nós e as nossas noites em castelos soterrados,
aqui, sem ti...
Agora sinto-te tão longe, tão volátil, tão sonho e ilusão
Memória. Os restos da noite em mim.
Á noite, porque de manhã sou eu e mais ninguém
Como nos odeio agora que amanheceu
Como te (me) odeio na hora de dizer adeus
Como queria que não tivesse anoitecido nunca
Como queria que não tivesse amanhecido hoje
Porque de manhã sou só eu, sem ti
De manhã há países longinquos ao pequeno almoço
e carros cheios de bagagens que te levam para onde não há lugar para mim
O tempo correu e eu não quis olhar para o relógio.
Odeio-te as mãos a dizerem-me adeus
Odeio-te os pés a levarem-te embora
Odeio-te os abraços e as palavras que trocámos.
Como odeio todas as noites. Aqui.
Aqui fico eu, a luz do dia e os restos da noite
Nesta caixa bem apertados com fitas de cetim para não voarem
Para que o próximo poema não se transforme no nada de ti.
Bem apertados os restos de ti. E de mim.
Para que um dia se saiba, se alguém perguntar, que fomos de verdade.
De verdade.
E não como estes restos da noite. Em mim.


fiz-nos prometer que nao dramatizaríamos e fui eu quem não resistiu...mas é só porque sei que em algum fragmento tempo-espaço deste universo fizémos sentido.

Against all odds.
Um dia traduzo. Prometo.

Hora do Conto- A do meu afilhado


Decido continuar a hora do conto por agora. Acho que vale a pena, sabes? Falámos no outro dia que eu achava que a minha iniciativa de ter a minha própria maneira de conta era original, mas pronto, decidi aderir à tua moda, à tua maneira...No fim de contas não é aquilo que dizemos que conta,mas sim aquilo que mostramos.
Decidi que iría, contudo, fazer sim fazer esta história segundo as tuas regras, mas decidi fazer aplicar o meu estilo pessoal, e fazer uma reflexão em primeira pessoa, e não um conto propriamente dito. Entendes? Por vezes acho que falamos eu e tu, caro afilhado, mas acho que nem sempre sabemos ao certo aquilo que um diz ao outro, mas compreendemos... Aquilo do estarmos sozinhos e conseguirmos falar um com um outro, e saber a vidinha de um e do outro, nem sempre interessa, quando temos a parvoíce a correr pelas veias, mas eu acho que os momentos sérios também fazem falta...Hoje lembrei-me, de ti, das pausas que costumamos ter às quartas-feiras, de toda esta riqueza que não é portuguesa com certeza... Nós somos mais...Diferentes.
Não consta a dificuldade em enfrentar as reticências do coração, mas desde aquele dia na semana passada em que te vi tremer, fiquei um tanto ou quanto tocado...A coragem que é preciso admitir e mostrar que ficamos nervosos ao ponto de tremermos, só por informações passadas, por coisas que já aconteceram...Tentei te aconselhar, contudo, acho que não serviu de grande coisa, porque eu mais uma vez te entendi e compreendi...Perdeste o teu pavio, porque tiveste raiva daquele idiota, que coitado nem sabe o que fez...Para o meu aconselhamento ter valido alguma coisa, eu tería que não saber daquilo que estava a falar, dizer as coisas como se me interessasse, mas sem de facto querer saber...Mas contigo isso é difícil.
Mudamos conforme o nosso Luar, somos por isso aluados? Não. Somos seres intransigentes perante a dor em que nos acostumámos a ler, felicidades esporádicas que de vez em quando lá aparecem pelas linhas imaginárias deste blogue...Não será por certo essa a tua vantagem, caro afilhado, porque tu Sentes, tu Imaginas, tu deixas por vezer sentir aquilo que é para ser sentido. Não tenhas vergonha de tremer porque ela te contou isto ou aquilo, não sejas como as massas populares que se escondem perante aquilo que devem sentir. É este o teu Destino, escritor genial, sentido e não sentimental, mas não te deixes quebrar perante a pressão de seres sempre original, porque o que está criado e é apreciado por todos, tem sempre qualquer qualidade que temos e devemos aproveitar.
Este, meu caro afilhado, foi o conto do pensamento que me fizeste ter e sentir sobre aqueles 30 minutos que tivémos naquele corredor que se encontra entre a borga, e a sabedoria. Interpreta-o bem. Por certo o perceberás perfeitamente. Este é o meu conto.
Palavras-Chave:
amizade, luta, originalidade, preguiça.
Ao vivo e a cores,
Eduardo Coreixo

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Responsabilidade/Como quiseres


Foi como um adeus,
a despedida que eu
próprio criei...


Não serei um Deus,
quando digo que eu
próprio errei...


Já sou velho,
o tempo abusa de mim.
Já não o tenho,
o tempo chegou ao fim.


Está bem, seja como queres,
morrerei por ti, sem o saberes.
Está bem, seja como disseres,
sofrerei por ti, quando quiseres.


Está na altura de renovar gerações.
Velhos ficam pelo caminho,
e vêem os novos, bebendo vinho,
a ganharem força de furacões.

E na maior escuridão vou gritar
de raiva contida e sofrimento,
que tudo fiz para estar
no teu mais profundo pensamento.


Amo-te como às vezes não mereces...
Até já.