Não sei o que hei-de pensar na hora da morte
No desabafo de contentamento, no mortal silêncio do até já.
Perdi a vontade de dizer o que é, uma pequena luz
Um candeeiro de estrada sem fundo e mundo
De cordões atados em cada ponta, feita de sola de sapato.
Estou dentro deste buraco de condão.
É estranho saber o que se pensa realmente, nesse desassossego
Nessa pequena vontade que é a tua.
É o definitivo adeus de nós. É a minha morte, não a tua.
É a sensação de desprezo do mundo, a minha e não a tua.
Perceber finalmente o porquê da vontade de desistir, a tua e não a minha.
Quero te gritar sons de alarme sensivel, quero que me vejas em ti. Não.
Ainda ontem o éramos, e hoje, bem que infinito sonho desprezivel,
Deixámos de o ser, porque te falta a vontade, e a mim,
Caro cobarde miserável de calças routas,
A sensatez de te ter preservado.
É assim este mundo de pequenas fadas da morte,
O meu, e não o teu.
Porque gritaste, se apenas querías sussorrar?
Porque me disseste que eras minha, quando afinal não te perdias em mim?
Crianças opostas, de variantes condais diferentes
Sou eu e tu, por aí perdidos nas vontades, sem saber quem nem porquê.
Hoje foi aquele o dia de saber a que sabe a tristeza,
De focar a linguagem, e articular o olhar para o fim.
Vemo-nos por aí, nas pontas do mundo.
Eduardo Coreixo



