sábado, 29 de novembro de 2008

Desde Sempre Assim

Antes que a cortina descaia, vou contar de tudo de novo.
Contentamento que faz sangrar,
Um pouco de pecado, e acusações que voam como balas,
E se me conheces, é porque também tu o fazes,
E voltamos de novo ao início.
Mais uma fatia de bolo derretida pelo espaço aberto,
Nas confissões depejadas de manhã, libertinamente,
Olho-te de frente, e repetem-se os mesmos desejos
De saber como és...à superfície.
Conto-te todos os passos desta vida, e digo o mesmo
Se queres te agarrar aqui e agora, à minha corda de salvação.
Pões o perfume de canela e jasmim,
Qual poema em música doVeloso, o Rui,
Levo-te a passar pela a avenida dos suspiros.
Paramos.
Por agora reina a calmaria, até que comecemos lutas de novo,
Guerras de dragão e espadachim armado,
Defendo-te e ataco-te como um céu azul desprotegido.
Mulher-minha-ainda-para-o-vir-a-ser,
Foi assim que te chamei ainda ontem, depois de hoje, e amanhã,
Um outro ainda, como ontem, depois de hoje, e amanhã,
Porque tudo em nós é término.
Acho que voei e bati com a cabeça no candeeiro
E tu nadaste por aquela banheira fora,
Porque aqui e agora, o que interessa é a imaginação,
A visão de criança, a vontade de ser diferente da hipocrisia.
Nada disto faz sentido, nada disto é real
Porque quando o mundo é criança e a norma infantil reina,
Os mundos colidem, e complementam as suas histórias.
Eduardo Coreixo

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Reunião de amigos com narrador participante e omnipresente


- Amor. Que não faltasse aqui nesta nossa reunião de amigos, se falar nessa mariquice que é "fogo que arde sem se ver". O amor não é nada mais do que uma enorme habituação ao corpo de outrem, não é nada mais que ser tudo para quem nunca nos foi nada, não é nada mais que amar, é tão fácil amar. O amor é um monte de tretas, é algo inexplicável que toda a gente tenta explicar. Nem sei porque falo do amor, talvez por ser tema cujo poderíamos discutir a noite toda, de maneira a combater o sono que nos invade, o cansaço que nos consome, apesar de nos relembrar do sofrimentos que passámos, sofrimento esse que julgamos esquecido (mas alguma vez o conseguiremos esquecer?). Esse sentimento que tem histórias que nunca mais acabam, onde uns sujeitos que dão pelo nome de Romeu e Julieta, Simão e Teresa, Inês e Pedro, são personagens principais. Como se esses amores fossem alguma coisa comparados aos que eu, e vocês, meus amigos, vivemos.
Entregámos sempre tudo às nossas amadas e quando não tínhamos nada para dar, elas exigiam-nos mais. E nós tínhamos de arranjar algo perdido nas entranhas que ainda servisse para as satisfazer. Que sortudas elas eram... até as mães sabiam que connosco elas iriam ficar bem. Só que agora, já não nos falam, pensando sempre que a culpa foi nossa pela filha nunca mais ser feliz de novo. Tirando o António, que sofre mais que todos nós, sofremos todos os dias um pouco. O António sofre muito, a mulher morreu. Essa, deixou-a ele, as nossas, deixámos nós. - Disse eu

- A mim traiu-me a minha, mas ainda bem que assim foi. Descobri a sua putice antes de me casar. Não me tem ela traído a tempo e aqui estava eu, feito boi de tourada, casado ainda por cima. As mulheres, realmente, são tão sabidas: fazem-se de presas, vítimas, quando elas são as verdadeiras predadoras. Quantas mulheres me tentaram levar ao inferno das suas camas, onde não há senão pecado!? E eu, religioso claro, sempre me debati... e nunca venci! Vejam bem meus amigos, a força destas mulheres. Agora que não tenho ninguém, ninguém me tenta a pecar. Talvez vá para o inferno quando morrer, se o houver. A minha salvação é que a igreja promete que todos vão para o paraíso, por isso não será assim tão mau, pecar muito em terra firme. Sempre traí e uma vez fui traído, sempre culpa das mulheres. Realmente estas mulheres... - Disse o F. Xavier.

- Já contaram o meu caso mas falo também eu um pouco sobre ele. A minha mulher morreu, sofro todos os dias com isso, amava-a, e ela a mim, suponho. Não tem muita história o nosso casamento, só durou um ano, depois ela faleceu. Sempre quis casar e ter a minha esposa, como em contos de fadas: para sempre. Só me esqueci da morte, que nunca é equacionada nestes cálculos do eterno. E ela, a morte claro, faz questão de se mostrar, de dizer: estou aqui! Agora sofro muito, todos os dias, sinto a falta dela. As mulheres não são assim tão más, diria até que são boas. - Disse o António.

- Eu sou um felizardo! Ah ah. Deixei a minha mulher, disse-lhe que nunca mais a queria ver e ela voltou, a rastejar, ali aos meus pés, a implorar que voltasse para ela. Que figuras ridículas. Mas eu disse-lhe que já tinha outra, e era verdade. Contudo, disse que estava disposto a viver como companheiro, como amigo, largando a outra. Ela concordou de imediato, claro. Hoje vivemos juntos, damo-nos bem por vezes até temos sexo. Não vivemos comprometidos e já tive montes de mulheres! Ela vive como uma freira a espera que eu seja algum D. João V com vontade de ir ao convento, se é que me entendem. Sou um felizardo!

- Que sorte! - Disseram todos em coro.
Que mentiroso! Digo eu, que sou o narrador.

domingo, 23 de novembro de 2008

Como deve de ser

Gosto de me sentir confortável
Olhando este mundo e o outro,
Poeta sonhador, de correntes quebradas,
Mas isso todos sabem.
Corro paixões de malas vazias
Ensino a minha mente a falar tudo o que sinto,
Escrevo sob estas teclas de letras ensinadas
E vejo aquilo que me fazes ver,
Mas isso todos sabem.
Gosto de de beijar a saudade,
E bafejar a minha morte de longe
Gritar de toda a minha vontade, de jornal debaixo do braço,
E saber tudo quanto piso, é mortal,
Mas isso, todos sabem.
É meu o desespero de te recriar,
A inocência de saber tudo quanto amas,
A paixão que me fazes sentir nestas noites de abundância,
Mas isso todos sabem.
Agora que penso nisso,
Acho que sou e me torno repetitivo,
Porque jamais serei capaz de acabar com este enguiço,
Jamais serei pensador e animal creativo
Que merda, para todo este feitiço.
Não sei porque insisto,
Ou sequer porque quero gritar
Sei que é todo este o meu brutal instinto
De não querer e tudo quebrar,
A maldição da minha vontade, apenas para ser sucinto,
Sou besta amada que cada segundo que perde, é mais um para lamentar.

P.S.: A pedido de várias famílias, o NOSSO blog voltou ao formato antigo, mas com algumas limadelas de arestas...Depois digam-me se assim está bom, porque tudo isto é para nós escritores, mas também para vocês, caros leitores.

sábado, 22 de novembro de 2008

Contando os Minutos para a Felicidade

Sigo atento ao relógio,
ele pune o meu atraso.
Sigo num pensamento ilógico
e reparo por acaso,
que poderei vir a ser feliz,
ter tudo o que sempre quis.

E não fosse eu ser tão lento
de reacção, seria a agora amado.
E não fosse eu ser tão lesto
de reacção, e teria sido atropelado.
Atravessando a estrada,
enquanto penso noutra caminhada...

Desço a minha rua
e subo, degrau a degrau,
na minha cabeça, a tua.
Sei que sou o mau,
contudo a decisão está tomada.
Mas a minha cabeça segue revoltada.

Porquê? porque lento sou
e o tempo me castiga;
porque o mundo colapsou
ao saber da tua partida.
E o que me resta é estar perdido na cidade,
contando apenas, os minutos para a felicidade.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Novidades

O nosso blog mudou de imagem...Espero um feedback, opiniões aceitam-se!
E meus caros, próximas novidades aproximam-se, por isso, estejam atentos!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Novo início

Tenho algo para contar...
Aguardem pelos próximos dias, que novidades irão chegar,
Que assim que a nova aurora começar,
Um novo mundo irão vislumbrar,
Que este espaço irá ter um novo despertar,
Que esta vontade de escrever, irá de novo respirar...
Para além disto, outra novidade tenho para dizer,
Esta sim, imediatamente concretizável aos olhos de quem nos quer ler;
Pertencemos a uma nova sociedade, uma grande vontade,
Uma tal P.arteCulta, um espaço de grande seriedade
Um nosso novo acompanhante,
Que sempre em qualquer instante
Será o nosso novo diamante,
A nossa nova estrela brilhante.
O novo início, pois então
Como todos constatarão
Será o orgulho de todo este grande coração.
Eduardo Coreixo

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eurínome (encontro marcado)


Sou uma pega de uma bailarina decepada e sem pernas, essas sereias que jocosamente se deitam defronte de mim e me ensurdecem com o olhar. As minhas mãos, serpentes inutéis, torturam-me e gozam do meu marasmo e desemprego e nem na sopa dos pobres me arranjam lugar; secaram as terras e pedras são pedras, dizem elas, inefáveis e mitológicas. E eu sou uma posição de feto sem pernas nem boca ou mãos ou força para me levantar. Esqueço-me de que sou feita.

Não digo nunca algo que alguém não saiba, é tudo raso e fraco e frágil. Não tenho vida ou vício ou mania que me diferencie, identifique. Antes era antes, escrevia e sabia de que era feita. Para saber de que era feita. Sabia-me bem ser lida, porque sim. Mas hoje e depois não sei que ar respiro, que vida ou vício ou mania me diferencia. Não quero público e não sei o que quero.
(Odeio o som. De estalos de dedos. Comida a fornicar com saliva, a fornicar-me os ouvidos. De palavras que são pessoas que não se ouvem a si próprias e não sabem chorar. Odeio os olhos. De gente vazia, a confundirem melancolia com os passos trocados, os dias contados, a última carta para a mãe. Há quem voe com os pássaros e há pássaros que morrem todos os dias. Odeio sabores mal temperados, más bocas, más línguas, palavras que querem ser bonitas a todo o custo e se esquecem de que são feitas.) Odeio não conseguir. Ser muito vulgar. Eu a achar-me especial e a acabar sem pernas nem mãos nem boca nem força para me levantar.

Escrevo sempre em jeito de socorro.


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Esforço

"Yes We Can", diria o outro. "America needs you", dizia um poster de um homem a apontar para o fundo, aquando da Segunda Guerra Mundial...
Publicidades, ainda que estácticas, mas que mexeram com os meus cordões. Felicidades para quem os interpretou, génios de cabeça levantada, objectivos naquilo que querem. Mas não sonham.
Lamento não saber mais sobre esta propaganda, mas ocupo-me de saber o que fizeram elas. Criaram homens de guerra, levantaram morais em momentos de revolta social, criaram mortes, criaram cantigas azuis (blues), mas que não passaram disso. Hoje penso se tudo valeu a pena, porque definitivamente, o número de pessoas envolvidas é maior que uma recta percorrida de dor ardente. O tempo é o máximo, mas ocupa as já pesadas costas...Hoje e amanhã, porque o nome que damos às coisas, neste caso slogans, são a nossa imagem, aquilo que apresentamos como incondicionalmente, a nossa carapaça.
Pensei hoje como seria dificil escrever isto. Apercebo-me que não está aqui nada escrito, mas foi daquelas coisas, achei que deveria de dar a minha opinião, como é, aliás, meu hábito, porque se o mundo está em mudança, também nós deveremos mudar os nossos ideais, e procurar ter não a ideia perfeita, mas a mais real possivel.
Eduardo Coreixo