terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meine Damen und Herren

O que eu tenho a comunicar é muito simples. O melhor da vida são a família e os amigos. E eu gostava de poder conservar todos e que sejam muito velhinhos quando morrerem, e todos ainda meus.

Gostava de pedir desculpa a todos aqueles a quem já magoei, mesmo aos que mereciam, porque é sempre bonito e hipócrita pedir desculpa nessas alturas também. Mas a noite hoje é de pensamento e sentimento positivo, portanto resta-nos o silêncio e ficarmos vidrados na relação que nunca deverá finar...

Na verdade, quereria sempre poder fazer o melhor pelos meus amigos que merecem e querem que faça o melhor por eles, fazendo o melhor por mim. Da família não falo hoje, apesar de ser o melhor da vida também, mas esses aturam-me por contracto, temos pena.

Eu gostava era de transformar esta motivação toda em algo concreto, mas quem antigamente sonhava comigo, já hoje o faz de forma diferente, já não me visita durante noites de grande êxtase onde se brinca com fogo de artifício. Ah, e há que dizer que não sou suficientemente autónomo para sonhar a solo. Busco por ajuda em todos os cantos, mas por indisposição, indisponibilidade ou indiferença, ninguém me socorre. Há um tempo certo para tudo...

Eu gostava era de ser venerado, um dia. Eu gostava de ver as caras das pessoas ao lerem isto. Pensando bem, já as conheço todas, não somos assim tão grandes, nem pouco mais ou menos. Nem nada em que meto a mão (deus perde a virtude). Eu gostaria de ter comentários a dizer: 'percebi onde queres chegar com o comunicado'. Se houver alguém assim, que me esclareça por favor, pois eu... eu não entendi. Ah.

Meine Damen und Herren, fickt euch =).



Eduardo Rilhas

domingo, 15 de novembro de 2009

2012


Não consigo imaginar um mundo como esse que dizes. Que faz e desfaz sonhos como quem marca cruzes no calendário. Que vive do piso-mais-para-ver-se-gemes e se, de alguma maneira, nos tornamos escadotes de bolso uns dos outros. Dos jeitinhos que nos dão para nos ajudarem a passar a estrada e acabarmos em sangue, só pelo hábito e gozo sádico -vampírico. Dos abraços em extinção, das flores que só se apreciam porque se agradece a companhia, nos hospitais. Das tabernas que são igrejas, onde o respeito e a compaixão ficaram à porta, por ordem do sr. padre. Do que dizem ainda ser amor, que depois se revela tusa e nenhum afecto que realmente torne impossível o futuro não-vazio, com fado que pare noutro cais.
O que não se disse é o seguinte: Que não acredito no que verifico todos os santos dias, para depois me dizerem que há um mundo do outro lado, exactamente igual a este. É que não consigo, sequer, imaginar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sem querer, de luto

Doi-me os pés de tanto andar nesta estrada,
Morto de desejo por largar estes sapatos mundanos.
Sonho com lágrimas que me aliviem estas mãos de pecador,
Água benta de desejos intermináveis
De mudanças de dias infinitos, de solidões inquestionáveis.
Sem sabor, sem calor humano, estrada deserta de mortes
Trespasseira a vida que aqui me trouxe,
Morto queria eu estar, em vez de pisar estes meus pés de pobre.
Estou morto. Por ti.