sexta-feira, 27 de março de 2009

'Tudo está, tudo é'

Não se passa nada.
Não estou feliz, não estou miserável.


O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o descalabro.

'Tudo está, tudo é',
já nem questionamos a fé.
Tenho sorrisos
das Panateneias, a dançar em frisos,
que é bonito e nada macabro.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fracasso.

'Tudo está tudo, tudo é',
é já a convicção do famoso Zé.
Que nada pode, nem quer poder
contra os tubarões que o querem...comer.
Mas o sorriso está escasso.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fraquíssimo.

'Tudo está, tudo é',
deus vai dar-nos um pontapé
tão grande que deixaremos de estar, de ser,
e apesar de ter pena, por não poder ver,
isso sim, será belíssimo.

O que me faz sofrer,
é o mundo não se pôr de pé.
Em vez de se revoltar contra si, continua a viver
no 'tudo está, tudo é'...

neutro
BOOM,
Fim.

domingo, 15 de março de 2009

A heart made of stone

Quando as pessoas morrem devemos ser hipócritas. Vai-se ao velório, fala-se de coisas, elogia-se a alma do defunto e o que ele foi em vida. Depois, segue-se a nossa vida. É a nossa obrigação quando conhecemos a pessoa em questão e a sua família. É a nossa obrigação, quando é alguém da nossa família, mais ou menos chegado. O ser humano não deixará nunca de ser hipócrita, e não penses, leitor, que te escapas, não penses para contigo "ai eu não sou nada assim", porque és. O ser humano é um ser hipócrita.

Um dia amigos, no outro a amizade está esquecida por motivos de apetecer, ou motivos de orgulho. Eu acho muito bem, se temos hipocrisia, que a usemos, assim como todas as outras armas que nos podem elevar o ego, o poder, o etcetera. Se pudemos lixar os outros que não nos lixemos a nós. Não escrevo isto porque me aconteceu algo semelhante e eu estou dorido. Escrevo isto porque enquanto estou a escrever, e a ser hipócrita para ti, leitor, fazendo de ti um amigo e um confidente, quando na verdade só te confidencio mentiras, enquanto estou a escrever não estou a ser hipócrita para outra pessoa qualquer.

Podes ter o poder de julgar o que escrevo, mas eu tenho o poder de brincar contigo como se fosses minha marioneta. Tenho o poder de fazer com que aches isto ou digas aquilo do que escrevo. Portanto, sê hipócrita e diz que não tenho razão e há pessoas santas. Ou sê cachorro e concorda comigo. É muito simples. É como ganhar na roleta.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O fim da minha história


Boa noite...

Esta será talvez das minhas decisões mais duras, mas às vezes a nossa sensação de calor interior, de sentir que devemos tudo àquela pessoa, faz-nos tomar certas decisões.


Pois então, vos digo isto:


Durante uns tempos, será esta a última vez que me lêem...Sinto que já fiz algo, que já deixei aqui a minha marca, e, quase dois anos depois desde a fundação deste espaço, creio que preciso me afastar.

Cometi erros, ai se os cometi. Contudo o que aqui fica, é dos meus motivos de orgulho, daqueles que ficam no coração.


Lamento sair assim, mas há decisões que têm que ser tomadas a quente, e esta é uma delas. Eu sei que me entenderam. A minha cabeça viaja por outros horizontes, e nada neste momento me leva a fica aqui. A escrita, essa continuará em mim, continuarei a escrever, a sentir as emoções pelo meu sangue acima...no entanto, guardarei tudo para mim...pelo menos durante uns tempos.


Lamento vos deixar. Mas tem que ser.


Alucard e Pseudónima deixo este espaço à vossa responsabilidade. Mostrem as estas pessoas porque é que vocês aqui estão, porque aqui escrevem...Mostrem o que são.

Eu não irei sair daqui, continuarei a ler-vos e continuarei como admnistrador do blog...apenas serei leitor. É altura de ver tudo pelas bancadas. ok?


E desde já, agradeço a todos aqueles que me lêem e me leram. Foi por vós que continuei a escrever.


E a ti, minha amada, o nosso tempo começa aqui.


Adeus, e muito obrigado. Digo eu, com esta lágrima que me acompanha.

Obrigado.

Eduardo Coreixo, o Fundador.

domingo, 8 de março de 2009

When We Were Young

Afinal estamos mesmo velhos e cansados. Cães bêbedos. Céus Rosas. Ovelhas ranhosas ou não tanto. Afinal existem ciclos viciosos. Desta vez cabe-te a ti inaugurar a época Keine Lust.

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Quando éramos novos, casámos e pronto. Nem sabíamos o que era a vida a dois, ou no que ela se viria a tornar. Não adivinhávamos que este caminho iria surgir tão pedregoso. Eu tinha talvez uns treze anos e estávamos no século XVII. A partir daí, existiram mesmo luzes e demos vida à expressão iluminismo. Pensávamos tanto sobre tanta coisa e sobre o fim do mundo que ainda há de vir, ainda acredito, com pena minha. Fazíamos com que os céus fossem rosa com baleias voadoras, nunca me vou esquecer. Tínhamos vários mundos para percorrer, quando éramos novos.

Agora temos wastelands com ossadas de mamutes onde vivem hienas a rirem da desgraça dos outros, exactamente como filmes da disney onde existem sereias assassinas e palhaços assombrados. Salto de wasteland em wasteland à procura de água para beber, caminhando sobre brasas exaladas por uma Amon Amarth que me faz rezar para viver mais um pouquinho, de forma a alcançar-te antes do Verão chegar. Sou teimoso, mas terás de voltar. Quando toda esta brasa se apagar e eu voltar ao rio de terra molhada, espero voltar a abraços de orelha contra orelha e mc donalds à janela com céus reais de côr rosa.

Como o Button, que voltemos a ser novos.
(tenho pena de ser sempre nestas circunstâncias)

Count Alucard

quinta-feira, 5 de março de 2009

Segurar-te no alto

Conduzir a vontade de quem me fez,
Esperar pela vontade suprema de um toque divino,
Morre esta hora de espera
Espremem-se os minutos de glória um dia obtidos,
Caçam-se em massa, todas essas felicidades.
Esses jogos teus de mentalidades absurdas,
Badalam os sinos por essa estupidez mórbida
Que é tentar ser feliz com essa tristeza,
A imune ascenção de um ser moribundo.
Luto contra o vento,
E faço de conta que não tenho peso.
Consegues levar tudo contigo,
E não me enterrares na cara toda esta dor que me deste?
Ninguém se muda para ser real,
E cria tu o nosso fim, a nossa moral da história
Assim que sou (mais uma vez), o teu alguém
Quando me pergunto o que estás a fazer por ti,
Só ouço o silêncio.
Quero ver esse sentimento de saudade,
Porque só tu me consegues pôr de joelhos,
A tocar na minha insegurança,
De todas essas vezes que me calei, por ti e pelos teus olhos.
O meu mundo arde, porta fora
Cores dentro de ti que não conheço.
Espero-te, com este esgar de sorriso,
A olhar para essa criação do imaginário,
A tua imagem.
Eduardo Coreixo, o respirador

terça-feira, 3 de março de 2009

História sem acabamento

Bonjour, comment vas tu?!, dizia-lhe ele ao telefone...morto de medo.
Oui je comprend, mas pourquoi tu insistes en ça? Pourqoui tu me rappelles tous les jours? Dizia-lhe ela friamente.
Era esta a morte dele. A falta de carinho, aquela expressão facial, que ele por telefone conseguia imaginar. Morria...por dentro, lentamente.
Agarrava as duas mãos, enquanto ouvia o telefone ficar sem som...pelo choro dela, por saber que errava. Ele, incógnito sujeito, limitava-se a acompanhá-la naquele brado. Porquê? Porque raio tinha ela que insistir naquela história do "toca e foge"? Ele queria que ambos crescessem; ela preferia viver ao dia, como uma pequena mulher de circo.
Ma petite chèrie...je vous en prie de me montrer qui vous êtes...sussurava ele.
Je t'ai dit, laisse moi de choisir ce que je veut. J'ai que penser à ma vie. Gritou ela.
NOTRE VIE? Corrigiu ele.
Non, parce que MA VIE, vient avant de la notre, matava-o ela com esta afirmação.
Desde sempre que ele queria uma casa de decoro, uma vida de descanso. Emprego estável, mulher, aquele sentimento usual de quem se apaixona pela regularidade.
Ela era aquela pequena lolita, coração grande, ambição pequena; urbana de nascença, circense de alma pequena. Mas ele amava-a. Queria-a com todas as forças que conseguia ter. E ele, esperava-a.
Pequeno por ser quem é, mas nunca se descobriu o que aconteceu. Talvez aquelas palavras de sofrimento o tenham marcado. Era a hora de se deixar perder no choro...dela.

Não há grande história, nesta estória. A dor de querer era igual à de saber o que ele sabia: ela desejava-o, mas era demasiado criança para o admitir, a pura infantilidade de menina criança.
Nada é desanimador, apenas a história o é. Esta apenas é uma história dos dias de hoje.
Eduardo Coreixo, o Pessimista

segunda-feira, 2 de março de 2009

Desinspirado

Selos pegados pela mesma folha...Porque o amanhacer volta a começar.
Ainda mal estás a acordar... e já estou a dizer-te que te amo, aquela paixão comum. Raia este sol sobre este momento, sobre este quarto, sobre esta cama, sobre este mesmíssimo colchão.
Torna-se dificil acordar...por ti. Quebram-se os espantas-espiritos pelo carinho, afastam-se essas almas que não nos querem.
Hoje só estou a escrever...por escrever. Sim, a vontade às vezes é maior que a sanidade mental, e que o talento, sabias?
Manhã azul axadrezado...Não há muito que se possa dizer, daquilo que está preso na minha lingua, aquilo que te quero dizer.
Quero ser aquele que te suporta...Durante esta vida.
Estes são os meus sonhos, aqueles que vivo. Estar sozinho faz-me escrever parvoices...Quanto mais poderá este coração aturar de parvoices destas?
Não me esqueço de que também me envergonho! Amo-te.
Eduardo Coreixo, o desinspirado.

domingo, 1 de março de 2009

Para nada


Antes existia um mundo. Onde existiam papoilas e silêncios que tocavam e aromatizavam a podridão do mundo lá fora. Existia uma melodia que agradava gregos e troianos por conter nela toda a tristeza das mãos e das janelas. Existiam pessoas, peles reais e bilhetes de despedida. Existia uma verdade que não era minha nem tua mas que se fazia sentir. Os abraços e os espaços entre as palavras não doíam, era um mundo bonito. Talvez eu tivesse sempre pedido demais, talvez eu continue a ser a que não merece, a que sente muito e a que espera até adormecer, porque os sonhos calam o sal e a falta que me fazes. Talvez eu seja isto e nada mais que isto. Talvez quando tudo isto acabar eu seja podridão debaixo de terra e não haja vivalma que me chore. Não dói nada dizer que se está só. Eu queria parar de sentir. De viver. As papoilas, o silêncio já não existe. Para onde é que fujo agora? Agora que finalmente sei que não existes, como explicar o que sou? Como parar de magoar? Bons sonhos.