domingo, 19 de setembro de 2010

Pravdivý příběh



E enquanto passo por cima do rio, como que flutuando, olho de cima para as pessoas que passeiam no longo caminho à beira deste, caminho feito de pedras de calçada iluminadas pelo sol das seis de uma tarde, num dia já não de Verão, recordo-me de ti e das nossas mãos dadas, a passear, e imagino como seria se fossemos nós aquelas pessoas pequeninas e outra pessoa nos visse de cima e tivesse saudades do mesmo.
(...)
E enquanto chego ao meu destino, que não é realmente o meu destino, penso na vontade que tenho de voltar para trás, ignorar o tempo, correr atrás de ti e abraçar-te, num abraço sem fim. É uma vontade muda de gritar mais alto, que tu és o meu destino e a única vontade de caminhar para lá, para o que é o meu verdadeiro destino.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tenho os momentos na vez das verdades



- Compreendo-te. Sei que é difícil confiar.
- As pessoas riem, com o som do choro. Dificilmente riem de outra coisa.. O sol parte. Nunca sei qual momento é o último... Tenho medo.
Em que pensas?

- Que as nuvens nos roubam a luz, mas que é definitivamente a chuva que nos traz a porta de casa. As luzes apagam-se, mas somos nós que prendemos a retina de ver no escuro...Vê, sim, não te enganes, tudo o que foi feito e merece aplauso foi feito na escuridão, no sujo poder que é destruir e criar alguma coisa que nos diga que alguém esteve vivo, antes de nós.
- ... Quanto mais procuro palavras que me façam ser aquilo que tu sonhas, mais me sinto pequena e sem unhas de agarrar nem dentes que mordam com a mesma força que o mundo me vai roubando a pele que eu tanto pedi a Deus.. Desconfio de tudo. Desconfio mesmo que possa voltar atrás no tempo e me seja possível dançar com as minhas pernas e sonhos de criança.
- Mas claro, os muros! O mal é em parte todo esse, uma pessoa deixa de ver, esquece-se de tudo o que o fez feliz. É normal que procurar te doa tanto, custe tanto, valha tanto.
- Então, principalmente o mal vem de não saber andar sem caminho ou palco. Da ignorância que é não sabermos o que somos sem o que vemos. De andarmos sempre para trás e vermos a cassete na direcção errada.

- Sim. E em não sabermos confiar nessas cores no escuro, quanto mais à luz do dia.