segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Pleonasmos


As cartas já são a amostra do passado. Foram escritas numa altura em que ela se sentia só e sozinha, num solitário mundo. Aquele arco-iris cheio de cores coloridas, fazia-a lembrar-se de um passado que nada mais que isso era: mudara-a para toda uma vida vivida, que estava agora a viver. Aquelas folhas de papel, às quais ela chamava de cartas, eram parte integral da sua imaginação porque jamais havia alguém que lhe escreve-se palavras tão elogiosamente escritas, e aquela experiência fazía-a sonhar com sonhos jamais sonhados.
Mulher que não sabia escrever uma carta, encontrava-se contente por aquela pequena felicidade, porque o seu intelecto sentia-se acompanhado por aquele pedaço de céu. Não transportava em sim qualquer tipo de maldade, porque o seu corpo era saudavelmente puro, pela pureza que a sua mente misteriosa continha. Com essas cartas viveu aquela parte repartida da sua vida. Com aquelas cartas se julgou feliz pela sua felicidade.
Quem lhe escrevia as cartas escritas, era eu, o sonhador que desesperava por sonhar.

Eduardo Coreixo

1 comentário:

Maria João disse...

e no fundo aquele pedaço de céu é tão insignificante ao pé do que realmente é importante, o expressar o sentimento... hoje as cartas têm um valor único pois pouca gente as escreve... mas para mim é um sinal de grande atenção... e quanto a ti, não só deverias escrever cartas à tua alma-gémea como poderias continuar a escrever pequenos ensaios como este que tocam mesmo quando os neurónios estão em stand-by (eu avisei que ia sair m***a!)