terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Sem querer, de luto

Doi-me os pés de tanto andar nesta estrada,
Morto de desejo por largar estes sapatos mundanos.
Sonho com lágrimas que me aliviem estas mãos de pecador,
Água benta de desejos intermináveis
De mudanças de dias infinitos, de solidões inquestionáveis.
Sem sabor, sem calor humano, estrada deserta de mortes
Trespasseira a vida que aqui me trouxe,
Morto queria eu estar, em vez de pisar estes meus pés de pobre.
Estou morto. Por ti.

sábado, 17 de Outubro de 2009

The Fire Still Burns

Ando à procura da rima perfeita
para te retratar em poesia,
fazer a ponte mais estreita
entre realidade e fantasia.

Ando à procura da rima perfeita
para te desenhar em poesia.
E esboço sorrisos de quem aproveita
toda a estrada contigo, uma só via.

Mas será que há uma rima perfeita
para descrever o indescritível?
Será que a verdadeira maleita,
conseguirá fazer o impossível?:
(Quebrar estes dois corações,
que muito lutaram e lutarão
para, da menos provável das uniões,
espremerem a mais completa relação?).

Na minha perspectiva, encontrei-a:
a rima mais perfeita deste mundo.
Conseguindo unir a fervente areia
com o gelado mar profundo...

Sinto-me forte e desperto,
de maneira nenhuma um cobarde.
Sabendo que mesmo longe, estás perto.
Sabendo que o fogo ainda arde...


Eduardo Rilhas

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Voltei por metade

Voltei para dizer ao mundo que voltei,
Voltei para dizer que estou descrente,
Para mostrar que voltei sem vontade de voltar,
Expressar o sentimento de revolta, na minha volta ao meu lugar.

A revolta de uma volta,
A troca de uns trocos destrocados por um sorriso mudo,
Não estou preparado para encontrar um mudo capado,
Um mundo sem quê nem porquê; um paradoxo digno de Star Wars.

Posso manter a minha vontade motivada,
Porque voltar sem motivação, é corte numa vontade de revolta;
Hoje choro por esse lugar de tristeza imunda
De um sorriso chorado ao largo do Tejo.

Meio mundo, num meio copo de leite,
Meia metade de uma meia que engole este mundo,
Meia vontade cortada de um meio peito de mundo
Meia palavra que é escrita, nesta metade de texto.

sábado, 19 de Setembro de 2009

Certeza

Liebe ist für alle da.

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Férias

Estou de férias. O meu cérebro também.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

Autógrafo na minha alma


Sofrer por estares a sofrer, e sem ninguém a ver,
Mira esse teu espelho, para que saibas quem és. Por fora,
Porque por dentro não te descobres,
Tens medo de trocar as voltas aos teus objectivos
De perderes a noção de que és prefeita. Mas não,
Até porque não há razões para mascarar esse sorriso,
És apenas humana. Chora esse teu olhar.
Ventila esse teu espírito, estala os dedos e parte para lá,
Para cima da linha do meu ombro.
Fazes-me gritar-te para que te pares de esconder,
Só, sozinha, abandonada com o pó dessas memórias
E grito-te para que voltes a montar esse puzzle,
As peças da tua vida; grito-te para que acordes.
Desde aquele momento em que te vi,
Eu comecei a lamber as tuas feridas,
Limpei-te esse olhar de ira, comecei a tocar o teu ser
Por isso deita-te aqui ao meu lado,
Sonha essa vida que sempre quiseste
A paixão de outrora, artigos de uma loja asiática,
Ficheiros no fundo do teu armário.
Algo tem que mudar,
Tu tens que mudar.
Não deixes o teu chá ficar frio, para não te arrefecer
Mais ainda do que tu já estás,
Pequeno esse teu cobertor de olhares, para ti.
Põe a tua imagem na minha cabeça de novo,
Porque contigo eu deixei a minha marca, a minha cara,
A minha pegada, a minha força, o meu desejo,
Contigo eu deixei-me a mim.
Dás-me e tua pessoa?

Eduardo Coreixo

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

De vez



Cá estamos nós outra vez, como diz o Palma.


É assim que acontece, certo? Acordamos um dia, mas as coisas correm bem, para variar. Aparecem-nos os mesmos sorrisos de criança, mas desta feita, numa versão qualquer de recompensa. Somos dignos de imaginar o infinito muito mais perto do que alguma vez vimos ou sonhámos, abrem-se portas como as antigas palavras secas e desinteressadas, (as da praxe, paciência que já não precisamos fingir ter).


No meu dia mais feliz, eu confesso, toquei o impensável, o corpo de fora, qualquer coisa de dentro, sem palavra legítima. Chorei de alegria, para variar. Jurei nunca mais ficar triste com a triste felicidade dos outros. Desistir da justiça e pecar, se tal for preciso para ser feliz. Dar tudo, mesmo que seja pouco. Mas hoje é um dia mais completo:



hoje encontrei o caminho de volta a casa.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

A vaguear...por ti


Passam anos de pensamentos,
Léguas de palavras escritas, e o resultado é o mesmo.
Tudo foi primário, sem conhecimento de causa
Porque tudo continua na mesma, de fossas assumidas,
A buracos que foram estreitados, a alma deixou-se ficar negra
Logo que o tempo chegou. Algumas razões foram mascaradas.
Fortemente mantenho-me à superfície, de lagos amados
Flores presumidamente venenosas,
Deixamo-nos tocar por esse mundo indicador de perseverança,
Sei nunca saber com que solução contaremos,
Dia após dia, para mostrar que nem todas as feridas podem sarar.

Poderia ser tudo bem melhor se soubesse como tocar o teu mundo,
E espero todos esses segundos que me podes para poder ser teu,
Alvos de testa distinguidos, sem saber em que ponto fugir,
Ou quando meter aquele escudo protector.
Eu fui e sou o meu alvo.
Pões-me «aquele brilhozinho» nos olhos, quando penso em ti,
De alma despejada de preconceito e valor,
Torcço-me a teus pés, para nunca mais te perder.
Tudo isto é o meu respeito por ti, só assim eu sei ser.
(irremediavelmente.)

Eduardo coreixo

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Liberdade Instantânea


Claro como o branco,
Que maneira de acordar e de ver por ali.
Podia ficar por ali, e contar como me fazes ser livre,
E como gostava que me ouvisses, mas vou-te deixar dormir.
Abro as cortinas lentamente, e as nuvens surgem,
Vindas lentamente do horizonte,
Uma imitação de algo tão prefeito, que me apanhou de surpresa.
Estou sempre livre contigo, sempre de asas arregaçadas,
Deixei de existir sem correntes aos ombros,
E nunca adivinharia que estaría assim por tua causa.

Gotas de um orvalho perdido, sol raiado de laranja
Sem saber como aqui cheguei, mas toco a minha vontade
Porque apenas ela pode curar a dor,
Está tudo aqui por dentro.
Depois de todo este tempo, de todas essas pedras quebradas
De laivos de genialidade, de modos desmesurados,
Tento empurrar o passado para trás, pelo meu orgulho.

A pele quebra-se com o gelo, curado pela tua mão
Sensivel toque, de uma alma egoista que me ama por demais,
E que fica lá por fora, porque tem medo de me magoar.
Não consigo consigo sobreviver sem beijar a tua alma
Sem me toldar o juízo de valores perdidos
De um dia quente de Inverno, de folhas molhadas.
Tentei ir mais alto, mas agora estou livre e só quero ficar aqui,
Atado a ti, a milhas desse tempo passado.

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Lu-ta(nia)


Deixa-me ir, todo o sentido já se foi, porque não eu?
Não posso sentir-me contigo agora,
Porque estou tão embaraçado, e não te consigo ver
Sem ser a verdadeira miragem de ti, da tua maneira de olhar
Porque o coração acelarou. Estou a tentar mudar.

Faltaram-me as horas de sono esta noite,
Porque sei que é tempo de mudança, chorei pela inoperância.
Cristalinos foram estes os olhos que te beijaram
E que ao serem fechados, ouvi a tua voz, na escuridão do som
Por isso desculpa,pois não sei o mal que fiz.

Todo este tempo, as coisas deixaram de ser melancólicas
Tudo passou na história mais fria alguma vez contada,
Em tempos de calor, só o teu beijo me aquece.
Longe de mim ser a tua sombra, demasiado se passou
Ainda que hoje eu seja a tua verdade, a tua presença.

É hoje à noite que ouço a minha história,
Daquele que perdeu o coração, que cortou a tripa de poeta
Que foi o servente da escravidão intelectual;
Hoje o choro é diferente, não é de desespero,
É choro de reconhecimento.

Eduardo Coreixo

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Sweetest time


Luto pela minha glória,
E temo pela minha vida...E isso é um desperdício,
Porque sou lutador por prémios de consciência,
De certa forma estou cansado. De mim, claro.
Qualquer que seja o dispositivo, a forma de força
Eu deixo o avião da vontade crescer,
Em cima da sepultura que criei, sem saber o que fazer,
Inventei tudo de forma confusa, sem sentido.

Sinto-me invencível. Estou sem-ser-prefeito.

Cada vez que esse desejo de ser, quando ele surge,
Falar sobre cada dor que sinto,
Agarrando-me a esta ponte emergente, de desculpas descalibradas.
Posso me levar aos arredores do mundo,
Voar até morta cidade do fim-do-mundo,
Desde que esteja assim, eu perco a razão e solto as palavras.

Sinto-me como em cima de teclas de piano.

Fecho as trancas das mentiras expostas,
E viro as costas às soluções de outros dias malogrados,
Porque às vezes o belo adeus, é a solução temida
Essa sombra de um abraço maternal que o mundo meu deu.
Gosto de ouvir as lamúrias de um carro a acelarar,
E por isso sou louco, canto músicas para o meu silêncio.

Isto foi escrito, apenas porque sim.

O meu mundo é visto de olhos fechados,
De ruas varridas, de cordas de guitarras prefeitas,
Olhar o minuto, ao segundo.
Os meus castelos de areia, são de betão,
A minha capital, todo este missionarismo para chegar ao coração,
Ao teu, e não ao meu.
Quero sentir, o frio, o calor,
Quero sentir a palma da minha mão.

Acabou a história. (por hoje)

Eduardo Coreixo

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Desafio. A esperança de corresponder.


(O desafio está lançado.
Ele hesita em aceitar.
O fardo é pesado:
desproteger-se para se mostrar...

O que verás nestas linhas,
sou eu, não lapidado.
E o que dantes, zero tinhas,
terás agora infinitamente aumentado.)


De sentimentos ao extremo
e com a vida à flor da pele,
convoco rimas e analogias,
fazendo tudo para que sorrias [todos os dias].
O pólen representado pelo ameno
e o amor... pelo mel.

Fundimos ideias de mar e metal
a ferver como dois corações de paixão.
E voaremos sempre assim
como um anjo de seis asas.
E é algo invulgarmente diferente e especial
cuja base é o diálogo para a compreensão.

Mergulho nos teus olhos cor de Havai
e sinto-me em casa, preguiçoso e seguro.
Deixas a órbita do meu mundo
e bato com força no fundo.
Não há nada que o derrube, ele não cai,
O nosso sentimento puro...

(E a suprema oração
deste desertor sem perdão
é, não que deus me perdoe,
mas que nunca me fuja a tua mão).

Assim sou, elo de ligação entre antónimos,
fiel às poucas amizades que fiz.
Outro poeta do fingimento
com menos de metade do talento.
Imune ao mal e seus heterónimos.
Tive sempre tudo aquilo que quis.

Assim sou:
'Diamante em bruto
à espera do teu fruto'.
Sonhador do infinito,
caminhando no finito.

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Lato Sensu


Só visto: as coisas que as pessoas dizem umas às outras quando já não têm muito para dizer umas às outras. Que 'a vida não pára, que o tempo está feio, porco e mau, que não há tempo para a vida e para precisarmos uns dos outros, como d'antes'. Eis finalmente o porquê de eu gostar cada vez mais de animais: não falam, não magoam de propósito, não magoam de verdade. Comigo posso eu bem, com os outros é que não.


Depois existem palavras de consolo e de 'palmadinhas nas costas' que me metem nojo, mais do que qualquer puta sexagenária e desdentada do Intendente. Vêm-me com a conversa do 'tem tento na língua', 'não faças', 'não digas', 'enfia-te dentro da arrecadação, apaga a luz e asfixia-te'. Ai, o que eu preciso é de ar puro. Os amigos de outrora, onde estão, onde morreram? Onde estão as suas famílias e os conselhos pela madrugada fora? Onde estão os esgotos para onde lançaram os meus abraços? Onde estás tu, que eras meu e eu tua e agora, nem do mundo nos podemos gabar que somos?


- Não se pode interromper a vida para sempre.

-Talvez, mas há muito que a vida não é uma linha contínua.


terça-feira, 2 de Junho de 2009

Olhando o céu



(Esta fotografia encontra-se no meu blog Pequena Arte)

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

I'm a loser

Recuso-me por vezes a desistir. Tornou-se uma quimera, essa luta constante de se saber o que se quer, mas não podendo resistir à tentação, por aqui me vou mantendo.
São loucas essas vontades de continuar a sonhar, e relaxar porque ficámos em 2º lugar, o que à partida não será mau. Mas quem ou o quê, que ficou em primeiro, merece isso mais do que eu? Nestes momentos acredito que nem sempre a classificação final é a mais correcta, e existe uma raiva interna, uma dessas modernices a que agoram chamam de...Stress. Eu acredito que apenas é desejo de vencer. Só isso.

Bastou olhar para esses globos oculares alheios, para perceber que tudo estava distante daquilo a que estava num contracto de compra-e-promessa, porque não existia a cláusula de compra-e-promessa-de-apenas-quando-me-apetecer. Isso não é justo! Mas que raio, porque raio (digo eu!) fico a mirar as nuvens passageiras, as aragens brejeiras, as dentadas numa maçã quase morta... quando tu olhas céus incandescentes, pesquisas ventos murmurosos, e comes à garfada essa tua vida levemente passageira?

É dificil não pedir desculpa, mas não quero que peças. Tornou-se essa a tua vida, aquela excitação de um momento instável como as teclas de um piano de cauda. Apenas é aquela maneira de saber que o desejo poderia ser correspondido, logo quando as prioridades são diferentes, de diferentes maneiras, de diferentes pontes e cruzamentos. Contra-infracção grave! Porquê? Porque te esqueceste de carimbar o selo nessa tua livre circulação de sentimentos ruidosos, que se têm vindo a mostrar cada vez mais penosos para mim...e para a tua consciência.

Tocar o invisível, chegar ao impossivel, sentar em cima de uma folha. Pensas nisso, como o fazias antigamente? Será que ainda és a mesma?

Vou ficar a pensar nisso.

(Mais uma pequena excepção...!)
Eduardo Coreixo

terça-feira, 12 de Maio de 2009

(400 posts)Tuonen viemää


Como é bom quebrar as barreiras da linguagem, descobrir palavras novas que nos surpreendem e nos deixam sem fôlego. Línguas nórdicas, sempre afiadas e com raiva, agarrando-se com força à própria vida. Ou mediterrânicas, latinas, de corpo mais 'amoroso' ou talvez até sensual, assim como calão. Como todas as linguas são infinita e igualmente bonitas e imperfeitas. Como é bom interrogarmo-nos como haveremos de expressar sentimentos quando parece que sempre 'colocamos o pezinho na poça' quando o tentamos fazer apenas por atitudes ou gestos ou acções. Como é bom perguntarmo-nos qual a língua mais indicada para expressarmos o que queremos dizer.

Como é tão mais bittersweet em detrimento de agridoce, dizer que sentimos saudades de alguém, em vez de apenas dizermos I miss you, apesar de Sehnsucht não lhe ficar atrás em beleza.
Como é tão mais profundo pensar que life is meaningless do que simplesmente dizer que a vida não tem sentido...
Como é tão mais reconfortante e seguro dich umklamern em vez de apenas te abraçar.
Como pode o dolce amour se tornar obcessivo e violento quando lhe chamamos de rakkaus.
Como nos parece diferente dizer a alguém, até em significado: jag kär i dig, ich mag dich, minä pidän sinusta, I like you, me gustas tu, eu gosto de ti, um-grande-número-de-eteceteras...todas bonitas à sua maneira.
Como é mais difícil zu arbeiten ou trabalhar em vez de apenas work.

Assim vou cogitando enquanto passo os dias a fazer contas aos segundos que faltam para o fim. 21.12.2012, dizem eles...eu já estarei muito a vossa frente, nessa altura, por este caminho. Polar shftings, mood shiftings when she's not around...


Como é tão mais pesado e anestesiante ser tuonen viemää em vez de levado pela morte...

domingo, 10 de Maio de 2009

Publicidade

Boa noite.

Sei que é aproveitar-me um pouco, mas queria apenas deixar aqui o endereço do meu novo Blog, o Pequena arte.

Agradeço a vossa visita. Este é mais um espaço, um prolongamento daquilo que sou...

Cumprimentos, e muitissimo obrigado a todos

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Volto, ainda que por breves momentos

Volto ainda que por breves momentos, ao espaço que foi meu,
A virtude de sentimentos dispendidos por numerosas fontes;
Emoção que não esqueço, trapézios de palavras cuspidas,
Armo-me em forte, e finjo não sentir a falta de outrora.

Ali, ao fundo tocam-me as almas desses que me leram,
A enorme vontade de agradecer a oportunidade séria. A sua, não a minha
Porque sou falso poeta, criador negligente do que é meu,
Armas com que um dia me armei em rei. Fui eu,e só eu.

Conto os dinheiros, esse cêntimos que me restam no bolso,
E não chegam para criar algo mais. Foi-se tudo,
Essa vontade óptima que era sonhar e mostrar,
Foi-se o poema de graciosas monstruosidades.

Agradeço pelos momentos, mas agora é que os quero.
Recupero a fé de que sou pobre e miserável,
E não tenho poder para enganar ou iludir.
Agora sou, era, serei eu. Indubitavelmente.

Não precisa de provas, desde que vejo este sol laranja,
Paisagem deste país estrangeiro que não me larga
Eterna a sua desesperança em me agarrar na força da juventude,
E não luto com forças iguais.

Vou dormir, assim que nasce de novo o dia
A alma deixou de doer pela vontade cristã
Voltou à normalidade, da dor pecadora, por palavras,
Actos e minhas omissões. Este sou eu.
Eduardo Coreixo

P.S.: Este texto foi uma pequena excepção à minha retirada momentânea. Obrigado a quem continua a ler, e a quem ainda por aqui escreve.

sábado, 18 de Abril de 2009

Cemitério dos Prazeres

Sentir-te longe no mais intenso dos silêncios.
Rasgar palavras, esconder murmúrios.
Ouvir a escuridão do teu andar no soalho,
lembrar-te no mais fundo de ti, de mim.
A noite que vem é só mais uma vulgar
e ordinária como tudo.
Como tu.

Sendo vulgar e ordinária, a noite torna-se única
e apenas tua. Nunca minha.
Nunca nossa. Somente tua.
E no mais fundo de mim e da noite,
tu não existes, só fantasma de alguém que já não é.
E no mais fundo de mim e da noite,
a tua memória prevalece à escuridão.

Filipe de Araújo
19/01/09
Sintra

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

fazer sentido



1. Reflecte-se triste, mas não é. Até silêncio aparenta ser, mas não, porque de maneira alguma os lábios fechados significam outra coisa que não palavras abortadas em versão de defesa. Parece que existe o estar bem ou o inverso, o que é mentira e verdade, o que eu não te sei dizer. O que eu negligencio em silêncio- meio- de- salvação. Sem dúvida. No meio disto tudo, não sou alguém que te diga algo que mude a tua vida - Sem ser que, ao que parece, não é.


2. Eu quero-te bem. Sonho contigo, quando me pedes ajuda. Não sou louca e desprezo os dons, porque é altura de ser diferente e ser igual, não de sonhar como quem vive e ama para dentro. E tu dizes-me que não estás mal, mas que apenas não consegues estar ou dormir bem. Eu choro, embora não saiba descrever muito bem as lágrimas. Eu começo onde tu acabas. Nunca te poderia querer mal, sussurro.


2.1. Sei que não é o suficiente para te sentires em casa. Não sei desenhar o que sinto por palavras, porque só as mudas fazem sentido. Ver para dentro, ver demais, ser autista. Falar por falar, se me perguntarem o sentido do que escrevo ou mando ao ar. Até porque dá para rir, se houvesse serotonina ou sol disponível. Para mim, fazer sentido é a expressão mais estapafúrdia que existe, a seguir ao velhinho que penteia macacos e se põe na alheta.

sexta-feira, 27 de Março de 2009

'Tudo está, tudo é'

Não se passa nada.
Não estou feliz, não estou miserável.


O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o descalabro.

'Tudo está, tudo é',
já nem questionamos a fé.
Tenho sorrisos
das Panateneias, a dançar em frisos,
que é bonito e nada macabro.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fracasso.

'Tudo está tudo, tudo é',
é já a convicção do famoso Zé.
Que nada pode, nem quer poder
contra os tubarões que o querem...comer.
Mas o sorriso está escasso.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fraquíssimo.

'Tudo está, tudo é',
deus vai dar-nos um pontapé
tão grande que deixaremos de estar, de ser,
e apesar de ter pena, por não poder ver,
isso sim, será belíssimo.

O que me faz sofrer,
é o mundo não se pôr de pé.
Em vez de se revoltar contra si, continua a viver
no 'tudo está, tudo é'...

neutro
BOOM,
Fim.

domingo, 15 de Março de 2009

A heart made of stone

Quando as pessoas morrem devemos ser hipócritas. Vai-se ao velório, fala-se de coisas, elogia-se a alma do defunto e o que ele foi em vida. Depois, segue-se a nossa vida. É a nossa obrigação quando conhecemos a pessoa em questão e a sua família. É a nossa obrigação, quando é alguém da nossa família, mais ou menos chegado. O ser humano não deixará nunca de ser hipócrita, e não penses, leitor, que te escapas, não penses para contigo "ai eu não sou nada assim", porque és. O ser humano é um ser hipócrita.

Um dia amigos, no outro a amizade está esquecida por motivos de apetecer, ou motivos de orgulho. Eu acho muito bem, se temos hipocrisia, que a usemos, assim como todas as outras armas que nos podem elevar o ego, o poder, o etcetera. Se pudemos lixar os outros que não nos lixemos a nós. Não escrevo isto porque me aconteceu algo semelhante e eu estou dorido. Escrevo isto porque enquanto estou a escrever, e a ser hipócrita para ti, leitor, fazendo de ti um amigo e um confidente, quando na verdade só te confidencio mentiras, enquanto estou a escrever não estou a ser hipócrita para outra pessoa qualquer.

Podes ter o poder de julgar o que escrevo, mas eu tenho o poder de brincar contigo como se fosses minha marioneta. Tenho o poder de fazer com que aches isto ou digas aquilo do que escrevo. Portanto, sê hipócrita e diz que não tenho razão e há pessoas santas. Ou sê cachorro e concorda comigo. É muito simples. É como ganhar na roleta.

segunda-feira, 9 de Março de 2009

O fim da minha história


Boa noite...

Esta será talvez das minhas decisões mais duras, mas às vezes a nossa sensação de calor interior, de sentir que devemos tudo àquela pessoa, faz-nos tomar certas decisões.


Pois então, vos digo isto:


Durante uns tempos, será esta a última vez que me lêem...Sinto que já fiz algo, que já deixei aqui a minha marca, e, quase dois anos depois desde a fundação deste espaço, creio que preciso me afastar.

Cometi erros, ai se os cometi. Contudo o que aqui fica, é dos meus motivos de orgulho, daqueles que ficam no coração.


Lamento sair assim, mas há decisões que têm que ser tomadas a quente, e esta é uma delas. Eu sei que me entenderam. A minha cabeça viaja por outros horizontes, e nada neste momento me leva a fica aqui. A escrita, essa continuará em mim, continuarei a escrever, a sentir as emoções pelo meu sangue acima...no entanto, guardarei tudo para mim...pelo menos durante uns tempos.


Lamento vos deixar. Mas tem que ser.


Alucard e Pseudónima deixo este espaço à vossa responsabilidade. Mostrem as estas pessoas porque é que vocês aqui estão, porque aqui escrevem...Mostrem o que são.

Eu não irei sair daqui, continuarei a ler-vos e continuarei como admnistrador do blog...apenas serei leitor. É altura de ver tudo pelas bancadas. ok?


E desde já, agradeço a todos aqueles que me lêem e me leram. Foi por vós que continuei a escrever.


E a ti, minha amada, o nosso tempo começa aqui.


Adeus, e muito obrigado. Digo eu, com esta lágrima que me acompanha.

Obrigado.

Eduardo Coreixo, o Fundador.

domingo, 8 de Março de 2009

When We Were Young

Afinal estamos mesmo velhos e cansados. Cães bêbedos. Céus Rosas. Ovelhas ranhosas ou não tanto. Afinal existem ciclos viciosos. Desta vez cabe-te a ti inaugurar a época Keine Lust.

_________________


Quando éramos novos, casámos e pronto. Nem sabíamos o que era a vida a dois, ou no que ela se viria a tornar. Não adivinhávamos que este caminho iria surgir tão pedregoso. Eu tinha talvez uns treze anos e estávamos no século XVII. A partir daí, existiram mesmo luzes e demos vida à expressão iluminismo. Pensávamos tanto sobre tanta coisa e sobre o fim do mundo que ainda há de vir, ainda acredito, com pena minha. Fazíamos com que os céus fossem rosa com baleias voadoras, nunca me vou esquecer. Tínhamos vários mundos para percorrer, quando éramos novos.

Agora temos wastelands com ossadas de mamutes onde vivem hienas a rirem da desgraça dos outros, exactamente como filmes da disney onde existem sereias assassinas e palhaços assombrados. Salto de wasteland em wasteland à procura de água para beber, caminhando sobre brasas exaladas por uma Amon Amarth que me faz rezar para viver mais um pouquinho, de forma a alcançar-te antes do Verão chegar. Sou teimoso, mas terás de voltar. Quando toda esta brasa se apagar e eu voltar ao rio de terra molhada, espero voltar a abraços de orelha contra orelha e mc donalds à janela com céus reais de côr rosa.

Como o Button, que voltemos a ser novos.
(tenho pena de ser sempre nestas circunstâncias)

Count Alucard

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Segurar-te no alto

Conduzir a vontade de quem me fez,
Esperar pela vontade suprema de um toque divino,
Morre esta hora de espera
Espremem-se os minutos de glória um dia obtidos,
Caçam-se em massa, todas essas felicidades.
Esses jogos teus de mentalidades absurdas,
Badalam os sinos por essa estupidez mórbida
Que é tentar ser feliz com essa tristeza,
A imune ascenção de um ser moribundo.
Luto contra o vento,
E faço de conta que não tenho peso.
Consegues levar tudo contigo,
E não me enterrares na cara toda esta dor que me deste?
Ninguém se muda para ser real,
E cria tu o nosso fim, a nossa moral da história
Assim que sou (mais uma vez), o teu alguém
Quando me pergunto o que estás a fazer por ti,
Só ouço o silêncio.
Quero ver esse sentimento de saudade,
Porque só tu me consegues pôr de joelhos,
A tocar na minha insegurança,
De todas essas vezes que me calei, por ti e pelos teus olhos.
O meu mundo arde, porta fora
Cores dentro de ti que não conheço.
Espero-te, com este esgar de sorriso,
A olhar para essa criação do imaginário,
A tua imagem.
Eduardo Coreixo, o respirador

terça-feira, 3 de Março de 2009

História sem acabamento

Bonjour, comment vas tu?!, dizia-lhe ele ao telefone...morto de medo.
Oui je comprend, mas pourquoi tu insistes en ça? Pourqoui tu me rappelles tous les jours? Dizia-lhe ela friamente.
Era esta a morte dele. A falta de carinho, aquela expressão facial, que ele por telefone conseguia imaginar. Morria...por dentro, lentamente.
Agarrava as duas mãos, enquanto ouvia o telefone ficar sem som...pelo choro dela, por saber que errava. Ele, incógnito sujeito, limitava-se a acompanhá-la naquele brado. Porquê? Porque raio tinha ela que insistir naquela história do "toca e foge"? Ele queria que ambos crescessem; ela preferia viver ao dia, como uma pequena mulher de circo.
Ma petite chèrie...je vous en prie de me montrer qui vous êtes...sussurava ele.
Je t'ai dit, laisse moi de choisir ce que je veut. J'ai que penser à ma vie. Gritou ela.
NOTRE VIE? Corrigiu ele.
Non, parce que MA VIE, vient avant de la notre, matava-o ela com esta afirmação.
Desde sempre que ele queria uma casa de decoro, uma vida de descanso. Emprego estável, mulher, aquele sentimento usual de quem se apaixona pela regularidade.
Ela era aquela pequena lolita, coração grande, ambição pequena; urbana de nascença, circense de alma pequena. Mas ele amava-a. Queria-a com todas as forças que conseguia ter. E ele, esperava-a.
Pequeno por ser quem é, mas nunca se descobriu o que aconteceu. Talvez aquelas palavras de sofrimento o tenham marcado. Era a hora de se deixar perder no choro...dela.

Não há grande história, nesta estória. A dor de querer era igual à de saber o que ele sabia: ela desejava-o, mas era demasiado criança para o admitir, a pura infantilidade de menina criança.
Nada é desanimador, apenas a história o é. Esta apenas é uma história dos dias de hoje.
Eduardo Coreixo, o Pessimista

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Desinspirado

Selos pegados pela mesma folha...Porque o amanhacer volta a começar.
Ainda mal estás a acordar... e já estou a dizer-te que te amo, aquela paixão comum. Raia este sol sobre este momento, sobre este quarto, sobre esta cama, sobre este mesmíssimo colchão.
Torna-se dificil acordar...por ti. Quebram-se os espantas-espiritos pelo carinho, afastam-se essas almas que não nos querem.
Hoje só estou a escrever...por escrever. Sim, a vontade às vezes é maior que a sanidade mental, e que o talento, sabias?
Manhã azul axadrezado...Não há muito que se possa dizer, daquilo que está preso na minha lingua, aquilo que te quero dizer.
Quero ser aquele que te suporta...Durante esta vida.
Estes são os meus sonhos, aqueles que vivo. Estar sozinho faz-me escrever parvoices...Quanto mais poderá este coração aturar de parvoices destas?
Não me esqueço de que também me envergonho! Amo-te.
Eduardo Coreixo, o desinspirado.

domingo, 1 de Março de 2009

Para nada


Antes existia um mundo. Onde existiam papoilas e silêncios que tocavam e aromatizavam a podridão do mundo lá fora. Existia uma melodia que agradava gregos e troianos por conter nela toda a tristeza das mãos e das janelas. Existiam pessoas, peles reais e bilhetes de despedida. Existia uma verdade que não era minha nem tua mas que se fazia sentir. Os abraços e os espaços entre as palavras não doíam, era um mundo bonito. Talvez eu tivesse sempre pedido demais, talvez eu continue a ser a que não merece, a que sente muito e a que espera até adormecer, porque os sonhos calam o sal e a falta que me fazes. Talvez eu seja isto e nada mais que isto. Talvez quando tudo isto acabar eu seja podridão debaixo de terra e não haja vivalma que me chore. Não dói nada dizer que se está só. Eu queria parar de sentir. De viver. As papoilas, o silêncio já não existe. Para onde é que fujo agora? Agora que finalmente sei que não existes, como explicar o que sou? Como parar de magoar? Bons sonhos.

sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Estranhos em espaços vazios

Tenta olhar para quem tem sido bom para ti,
Acredita que nada é demais quando se ama
Porque esse verbo é imponente, tal como a razão que aqui me prega;
Olha-me nos olhos...vê a vontade.
Lamenta-se o passado,
Quando se desejava ser alguém na força do crescimento,
Mas perdoa-me porque é necessário que aproveite esta oportunidade,
Que te mostre que és-e-foste-e-serás a minha imaginação,
A primeira vez de quem amei.

Sonhei que estava perdido, em vales de veludo
Em flores de florestas ardidas
Ardentemente pelo teu olhar de ardina,
Mantém-me na tua memória.
Memoriza-me.

Nada se torna essencial na paixão de alguns momentos
Mas quero que saibas que nada é demais,
E por isso te escrevo palavras de desavenças inúteis,
De sentimentos crescentes,
De luas demoradas e uivos planificados.

Lembro-me como somos felizes, a plena paixão.

Não te sintas vazia nem estranha a esta realidade,
Toca estes lábios que te querem,
Assim que hoje é dia de ficar a te olhar,
Assim que desde sempre o foi.
Eduardo Coreixo, o sentimentalista

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Explica-te

O que se passa agora?

Tudo ficou falado, e ainda assim, as horas custam a passar, sabias? A culpa não é de quem provoca o sentimento, mas sim de quem o deixa sentir. É o meu fado, diria quem sabe de cultura...mas eu como me sinto ignóbil, digo apenas que é a minha vontade.

It's quite funny how life works in strange ways...Credo, que tristeza de música. Toca-te na alma, e diz-me que este barulho não te incomoda já?! Porque se pensas que o coração já não se parte...Enganas-te porque nem tudo é tão resistente como a nossa injustiça!

Sem lamentos, ou qualquer tipo de despiste, eu olho o meu horizonte. Verde se torna tudo o que pensei estar já maduro (essa paixão ensurdecedora), e quando nada o é, apenas resta tenta saber quanto tempo duraremos...Os dois.

Sei que te disse que a água não manda nos liquidos que bebes, e que a sabedoria só tem lugar na civilização, e que o mundo é justo para quem justo é com ele...Menti-te. Tudo é de loucos, e nos dias de hoje tudo é de quem engana o próximo.

Se vivemos e somos as nossas escolhas, mostro-te que te escolho a ti...a partir daí tira as tuas conclusões, porque nada mais explicito te consigo dizer, porque o amor foi feito para se sentir e ser falado, não para ser escondido e mal tratado.

Obrigado.

Eduardo Coreixo, o mesmo de sempre.

sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Repetindo-me

Hoje fica sem imagem,
Porque hoje estou sem imagens na minha cabeça
Que imagem não possuo de mim mesmo,
Pela imagem que me passa da minha longinqua infância.

Eu sou novo neste mundo
Novo que é o tempo que engoli
Pela bandeira de um barco novo que se afundou
Lá se vai o novo conceito do perdão.

A triste saliência que foi esse beijo
Um toque subtil, qual beijo de flor
E jamais pensei que tu entendesses aquele amor em forma de beijo,
Hoje só lamento te dizer...onde está esse beijo?
Eduardo Coreixo

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Sou ridiculo (digam o que quiserem...)

Tornei-me paranormal,
Leitor hipocondríaco, de dentes serrados de tanto calor
Dei um pontapé nas costas da vida,
E virei-me para o lado da arte marcial da apanha da azeitona.
Lentamente, cresce o meu revigorar, qual bebida energética
Salto em pulos de curta distância.
Penso-me Samurai, corto nuvens de sonhos e desprezos,
Atingi esta loucura porque tenho demasiado tempo em mãos.
Fui campeão de corridas, de carrinhos-de-mão,
E soube-me como tomar um duche frio,
Embebido em desamores de remorsos por não ter feito aquela curva,
A curva curvamente curveada.
Sabe-se publicamente que tenho um cão que ladra,
E uma galinha genial, que é afilhada do peixe que eu costumava levar à trela.
Por isso, vem daí, vamos brincar ao faz de conta,
Nestes meus sonhos de desavenças e criancices.

Eduardo Coreixo

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

(C)ego e morto

Sol de campos abertos
Portas de modéstia pelos tempos passados,
Visão regeneradora de orvalho empurrado pela brisa
Pequena gota de equilibrio de morte velha.
Perante o espelho ressequido
Corta-se a memória de paisagens matinais
De respirações impiedosas, porque ninguém já as repete
Sonham-se os campos desertos, de sol incandescente,
Atropelam-se as luzes desses raios sombrios.
Sóbrio o pensamento de quem se expôs,
Almas de pequeno porte, dentro de pequenas cabeças
Porque para resposta complicada já chega a vida
De podres pecados, e águas desejadas.
Quanto disto é verdade,
De contaminação desse coração virgem,
Uma cena de actor irreverente, sem saber quanto tempo passou
Pela memória que jaz dentro desse jarro partido.
Sabe a desde sempre.
Sabe a almoço nocturno.
Sabe a saudade.
Sabe-me a paixão.
Sabe-me a ti.
Eduardo Coreixo

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Clichê

O que eu aprendi no meio disto é que nós sobrevivemos a tudo, mesmo que não queiram, mesmo que por vezes façamos birra e não queiramos, mesmo que alguns dias pareçamos mais mortos a fingir que somos vivos, naquela de dar o exemplo para que acreditem que somos imortais. Sobrevivemos a rasgões, facadas, cinismos, nódoas negras - corações ao alto e fé em Deus; a pesadelos, ao estranho mistério que são as gereberas na vez dos girassóis, que são cadeiras vazias na vez dos fantasmas noctívagos, que são tu e eu com o mundo no meio, que são as mãos mortas, desmotivadas e o altar que merece o silêncio, que é a língua que desaprendeu a fala mas ainda pensa, pensa Se vocês soubessem o que eu sei. Aprendi que somos felizes com muito menos e que não é a literatura que salva, meus senhores, não é ela o novo Messias.

Viva o vento nas ruas, os erros ortográficos e a morte aos noventa anos.



(deixei de fumar.)

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Walking Around

Hoje apeteceu-me ler Neruda :

"Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas, do meu cabelo e até da minha sombra. Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso assustar um notário com um lírio cortado ou matar uma freira com um soco na orelha. Seria belo ir pelas ruas com uma faca verde e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos, com fúria e esquecimento, passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas, e pátios onde há roupa pendurada num arame: cuecas, toalhas e camisas que choram lentas lágrimas sórdidas."

Pablo Neruda

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

"O poeta é [genial e] um fingidor"!

o talento de Shakespeare deveria ser meu
cada vez que te escrevo a dizer que sou teu
saberia então descrever em curtos versos
a face brilhante do amor sem negros reversos

saberia então com mestria escrever
sem recorrer aos sem ti não sei viver
se eu tivesse a sua genialidade
se de Shakespeare fosse minha a capacidade

não tenho o seu poder com as palavras
saindo confusas e atabalhoadas as minhas quadras
é o ser poeta que nos distingue, levantando um senão
é que eu só escrevo a verdade e ele não.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Fazendo Sentido

Terra, mar e confins,
Palavras de murmúrio iminente num deserto.
Voam alto as sobras de um calor abrasador,
Distorcida a vista de tanto se revelar cansada
Somente a paisagem fica na mente.
Respirando ar gasto, porque nada enche este lugar
E cada vez mais perto se encontra o fim, o dele
Porque somos todos falhados, não ele.
Segue em frente, que virás até mim,
Porque nas minhas estou a sangrar da falta de salvação,
Mas vou ficar por aqui, porque me sinto contagioso,
Sendo o único lugar para onde tens que andar.
Gritas para que tudo seja branco e preto,
Seguindo até mim com esses brados, esses suspiros de vontade
Andando sob cordas de violino, fortes como a água desta paisagem
Que arrastas para trás.
Não te lembras da lembrança que procuravas?
Os momentos de paixão à chuva de raiva, que deixámos ir,
Não te agarrei vezes sem conta, porque te suportavas
Ainda que de te revejas em mim,
Tenho as mãos em sangue pelo teu esforço.
Por detrás da tua memória, eu sou um falhado,
Porque em dia de esforço inevitável, tudo isto fica velho,
Os nossos corpos frios, neste deserto de ideias,
Encontras-me pregado à parede que construiste.

Eduardo Coreixo

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Registo de (im)propriedade

Parece que já vim de tão longe
Para agora parar firmemente neste lago,
Parado, paradinho vejo a transparência da água,
Sonho pelo dia em que aí irei acima.

O futuro não são as crianças, pois é quem então senhor?
O futuro é a nossa vontade de pecador,
A esperança da humanidade no seu crer,
A capacidade de absorver o sentimento,
A nossa senda, o nosso objectivo, é o cinismo.

Olhei-o como quem não quer a coisa,
Do alto da água profunda, própria para o suicidio,
E com o olhar queimei-lhe a órbita sonhadora.
O culpado sou eu, que lhe retirei os horizontes,
E lhe mostrei a ganância.

Senhor, gostava de aprender a amar e observar...posso?
Para quê criança amada e mirada pela morte individual,
Se aquilo que deves e queres aprender é a vontade do grupo,
Que aquilo que tu saibas seja útil a alguém, menos para ti,
Deveria, e vai ser por certo, o cume da tua vida.

Gosto de te dizer que sou superior,
Que o chá só se derramou, porque ao longe tu abanaste o ar.
Vê-me a mim, criatura inóspita, aqui sobre as águas,
A apontar-te o futuro, a tua inércia
A tua ponta de seta no coração.

Senhor, afinal quem somos?
Que pergunta parva, quase imprópria de uma criança;
És aquilo que te disserem para seres,
És uma peça do puzzle em que te quiserem inscrever,
Hoje és individuo, amanhã serás propriedade de alguém.

São estas as desavenças do meu mundo.
Eduardo Coreixo

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Dor no peito

Querido diário, de palavras inconformadas,
Fecho os olhos de pesado sentimento, e escrevo-te as más novas
Que a minha mão está fechada de fúria
Os olhos fervem de tanto choro calado,
Hoje, meu confidente, sou tempestade em mar alto.
Correm os dias sem saudade aparente, porque tudo é dispensável
Assim que as paragens me tornaram descrente na Humanidade,
Na paixão de outrora que se formou por mim
Uma fotografia agastada pelo tempo perdido.
Pois é querido amigo de linhas direitas como linhas férreas,
Por estes dias acredito que não consigo tirar da minha mente
As dúvidas, derretem sobre o meu soul
E nem pergunto porquê. Hoje não.
Parece que este mundo de amor, se parou pela paisagem,
E hoje vou-me deitar a ler estas palavras que te conto,
Porque em dias como este, querido diário,
Gostava de ser amovivel.
Eduardo Coreixo

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Contracto para a vida


Que jogo tão confuso de se jogar,
Que coisa tão confusa de se fazer,
Confuso pelo meio do tempo intemporal,
Confusão nesta cor transparente de sorrisos.

Tudo amargou por ser sem tempo,
O próprio amargo não adoçou,
Porque engoli a vontade amarga de te dizer, de te mostrar
A tristeza, o desespero, a amargura.

Quero pegar no telefone, e saber o que lhe fazer,
Porque telefonar é tão impessoal,
Quanto o próprio jeito de falar de amor telefonicamente,
Saudade telefónica, da tua voz.

Quanto não dói saber que morres eternamente,
Morte imune aos desejos de um pecador docente
Que saber o que é estar dormente é tão mortal,
Quanto a a tua própria mortalidade, também ela impessoal.

A cada passo, a cada respiração,
Passo a alma, sem saber o que é respirar,
Porque passando os arcos da tristeza, respiras com o cérebro
Passadas largas, do inferno irrespirável.

Vou-te incansavelmente fazer-te a derradeira pergunta,
Porque o cansaço destas palavras, leva-me a vontade,
Vais ler em baixo, sem expressões cansativas de desamores
A montanha que cansativamente trepei, para te olhar nos olhos:

Esbanjas o infinito,
Assim que infinitivamente olhas o teu lugar de baixo
Já que o teu verbo, o dizes sempre no infinitivo, "amar",
Pergunto-te: vamos ficar infinitivamente?
E se não percebeste, pergunto daqui de cima do infinito:

Casas comigo?!
Eduardo Coreixo