Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Palavras (1)

Posso te escrever palavras no corpo?
Passar os meus pensamentos pelas arestas alisadas do teu corpo,
Conhecer pensamentos nesses olhos de cor de lima?
Corpo de dunas suaves e prefeitas,
Suave sensatez desses lábios carnudos.

Podes segurar os meus segredos nessas mãos?
Aguentar o meu mundo, ainda que por segundos,
Saber os segredos mais sórdidos e guardá-los dentro dessas mãos seguras?
Cabelo de cor de sol aclareado,
Tenacidade de palavra deslumbrada em ti.

Pequeno desabafo.

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

fuga







Deixa andar. Ninguém vem atrás. Respira. Mata ou aceita toda a espécie de peles que ainda te atormentam, de noite. Vê. Se é bom, ri-te. Se é mau, chora e ri, faz o pino, pinta de branco, sonha cores novas. Não penses que te, me conheces. Que sabes o melhor para ti. Que já fizeste o livro e que só falta adaptá-lo ao cinema. Corre. Dança e agradece o suor, ama-te. Não te mintas, porque suja o armário mais velho e bonito que tens. Arruma-te. Dá-te beijos, por mim.





Depois falamos.








«Dance, Dance. Otherwise, we are lost.» Pina Bausch.

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

A contrariedade da contradição


Um homem de uma só alma,
Um homem para uma só paixão mortal.
Sou um homem (às vezes criança), que se alimenta de um só sim
Aquele que sobrevive de gestos dóceis e arrepiados
O que se entrega sem armas e bagagens.
Tenho o meu amor a arder em gelo ardente,
A vontade de mostrar a banhar pedra-cal ácida
Uma entrega tão profunda como esses olhos azuis cor-de-berlinde,
E um desejo que fica entregue em ti, um desertar sincero.
Quebram-se as guerras perdidas, choram-se os ganhos desajustados
E tu choras por insensatez do impacto suave,
Da contradição de uma só temperatura.
Soltas beijos aos ventos celestes,
Para que os leve para ares quentes de Invernos rigorosos,
E ergues o punho em forma de guerra pacifica, de creres desacreditados.
Nada é mais que a pura da contradição clara,
Tal como este poema não passa da própria negação da sua existência.
Solta essa alma de chama saltitante, em tons de sépia
Grita esses desaires Lisboetas, com estrangeirismos à mistura,
Mas sem sombra de dúvida...Sê tu mesma, com as mudanças do tempo.

A vida é a contrariedade da própria realidade,
A sensatez da própria loucura,
O amargo de boca da própria doçura,
O silêncio da própria sonoridade.

Respira...Hoje é um novo dia, num ano velho.

Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Discordo...de todos.


Perdi a confiança no mundo. Ganhe quem ganhar estas eleições, o buraco (financeiro e não só), será sempre o mesmo.
Como podemos nós acreditar em algo que não apresenta factos, mostrando apenas aqueles que destroem ou que podem denegrir a imagem dos seus oponentes? E as pessoas? E todo aquele pedinte na rua? Todo aquele idoso que já tem que pedir ajudar aos filhos para poder sobreviver, em vez de viver? Toda aquela criança que vende penses rápidos na rua? Todos aqueles desempregados que foram despedidos sem mais nem dó? A lista continuaria por dias...
Não acredito em ninguém, e em nada do que me possam dizer. Quem ganhar agora, irá fazer o mesmo de todos os outros, ou seja, nada. Estamos sujeitos a politicas externas, a mandamentos de alguém que não conhece a nossa realidade, a nossa alma enquanto povo...Não sabem quem somos.
Não acredito em revoluções, pelo menos não agora. O tempo é de união, terá que ser obrigatoriamente de paz, terá que ser de vontades conjuntas.
Somos apenas números de identificação fiscal, somos apenas vontades inertes à nossa presença fisica, que nunca passarão de seres dispensáveis, de mundos ruidos, de tristezas sem fim...A nossa alma mater de sofrimento.

Sábado, 12 de Março de 2011

Cair em desgraça



Juro-te que tive este medo de te perder...desde o início de tudo. Beijos à chuva, conversas longas, carinho mútuo...Esperei tanto por isto, e agora...acabou-se. Abriram-se os meus olhos, e fizeste-me ver tantas coisas (ainda que da pior maneira) que eu julguei estar realizadas. Tomei por certa a vontade, o tempo e espaço (que sei que não te dei), e hoje choro por essas palavras que te queria dizer...e não vou ter essa oportunidade.

É fácil pedir desculpa, mas não é fácil dar a mão.
Disse-te numa noite que daria sempre a tua razão, quando a tivesses, e esperei que tivesses entendido. Não é a cavalgares por cima de mim que serás a dona da verdade,não é a pressionar-me, a cortar-me...que tu me ganharás.

Nada foi assim tão curto. Foram muitos os pensamentos, foram algumas as horas passadas a falar, e sim, foram muitas (bastante), as pressões exercidas. Pensava apenas que eram um barco com lugar para dois, e não para um.Estou errado?Diz-me que me enganei.

Sonhei com momentos juntos, e embora o nosso tempo fosse ainda curto, pensei a longo prazo. Alma nunca será grande o suficiente para albergar toda a esperança, toda aquela vontade que me foi negada, toda a insensatez com que me tratas. Dito isto, sabes que o meu coração é teu, sabes que a minha alma nunca mais será a mesma, sabes que apesar de tudo...estou aqui para ti, à tua espera.

Espero que entendas. Hoje foi um dia complicado. Vou ali chorar, e venho já...
Choro para que voltes,choro para que vejas o arrependimento deste pobre insensato, desta pobre alma que já não sabe...existir.

Eduardo Coreixo

Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Cair no ridículo

O Sporting Clube de Portugal perdeu outra vez. Ao ver a 'derrota' anterior contra o Glasgow Rangers tive pena do Sporting. Eu e outros. Pensei então que, esse era o sinal de que o Sporting estaria realmente a cair no ridículo. Um clube não cai no ridículo quando perde ou quando os adeptos dos clubes rivais tentam enfurecer ou ridicularizar esse clube, não. Um clube cai no ridículo quando esses adeptos têm simpatia (no sentido de pena) para com esse clube. Assim se vê um clube a cair no ridículo. E o Sporting deu-me pena. Naquele dia e ontem.

Passar-se-á o mesmo com Portugal? Numa altura em que andava a viajar com um amigo brasileiro por Viena, travámos conhecimento com um par de holandesas e um trio de brasileiros, assim como um japonês (se não me falha a memória era este o grupo). Dando umas voltas à cidade acabámos por ir dar a um bar sossegado (apesar de barulhento - parece contraditório mas é verdade). Pusemo-nos à conversa e quando eu disse que era português, uma das holandesas retorquiu, em tom de gozo e ainda alguma raiva, que conhecia bem o meu país. Era aquele país para onde o seu país tinha de estar constantemente a mandar dinheiro. Nessa altura, provavelmente, apesar de já sermos mal vistos, ainda éramos vistos como auto-suficientes, pois os cidadãos dos outros país 'revoltavam-se' contra Portugal pois este era um país que podia muito bem ser mais autónomo, mas não era.

Daqui por uns tempos - e segundo o prenúncio de alguns, mais cedo do que esperávamos - se calhar, a resposta dela seria: - Eu conheço o teu país, coitadinhos, tiveram de pedir ajuda ao FMI não foi?. Aí sim, será talvez cair no ridículo. Boa sorte às bochechas dos meus filhos quando ouvirem isto de um estrangeiro.

Eduardo Rilhas

Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Política à Portuguesa - excerto

"- Por que será que os homens gostam mais de futebol do que as mulheres? - pergunto aos alunos, embora sabendo que estas perguntas «politicamente incorrectas» são quase sempre recebidas com desconfiança. Alguns alunos fazem um sorriso amarelo. Uma aluna responde que também há mulheres que gostam de futebol - que é a resposta típica de quem pretende sugerir que entre homens e mulheres não há diferenças. Mas eu replico que ainda bem que os homens e as mulheres são diferentes e têm gostos diferentes. O contrário é que seria uma monotonia. Como seria o mundo se não houvesse diferenciação entre os sexos? Nesta discussão das diferenças entre homens e mulheres atravessam-se sempre os preconceitos feministas e complexos machistas - e a desconfiança instala-se, impedindo qualquer conversa séria e arrumando a questão no baú dos temas proibidos.
É evidente que homens e mulheres são diferentes: têm aptidões diferentes, gostos diferentes, maneiras de pensar diferentes. É também por aí a atracção entre os sexos ou o equilíbrio das famílias. O erro consiste em considerar que essas diferenças de natureza devam conduzir a situações diferentes perante a lei ou a desigualdades. Quando certas feministas afirmam que homens e mulheres são iguais travam a batalha errada. Uns e outros são, felizmente, diferentes. Só que essas diferenças não devem trazer nem prejuízos nem regalias. Homens e mulheres devem ser iguais em direitos. Dito de outro modo, as mulheres não devem precisar de se dizerem ou mostrarem iguais aos homens para usufruírem dos mesmo direitos."

José António Saraiva.

Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Um amor,sem desistir.


Já passou algum tempo desde que te escrevi palavras...mas este texto é de novo para ti.

Sigo as tuas pegadas deixadas no tempo passado.
Imagino-te a caminhar para longe, sem te poder apanhar
E pedes-me para ir devagar...que te irei tocar.

O carinho de toques teus, é uma tentação minha
Juro pelo sentimento que em mim trazes, que tudo não é mentira
E que não te consigo perder no horizonte.
Nada foi o que será. Cliché.
Tão perto do meu sol, do teu sabor
Quero-te porque me transformas em mim
E de ramos quentes de verão, trazes-me a sensatez.

Falo-te para que me imagines,
Escrevo-te para que me vejas
Porque nada é eterno, mas as tuas mãos em mim deixam marca
Sem nunca querer saber o porquê
Trago-te para mim. Nunca tão longe como distante
Olhas-me por bem, crias-me como eu te criei
Sentes-me como te sinto,
Beijas-me como te beijo,
Tocas-me como te toco.

Esquece que eu sou eu:vives em nós?
Tu e eu...nada mais interessa.

Amar-te-ei para sempre.

Eduardo Coreixo

Domingo, 19 de Dezembro de 2010

I miss this.


@ Karlovy Vary (Spa City), Western Bohemia, Czech Republic

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Fazer-te ver as coisas.


Il fait du temps que je ne t'écrit...

Que é como quem diz...olá! Tenho me sentido em baixo, desculpa. A culpa não é tua...não, não de todo. O que se passa? Coisas da vida, já lá dizíam.

Sabes quando te sentes assoberbado pela vida, de tal forma que não consegues sequer suspirar? Aqui o amor não é uma sinfonia, é uma daquelas partituras difíceis de sentir, entendes? Tenho mentido à flora...sobre a sua utilidade. Não me sinto útil para ela, nem ela em mim. Tudo isto é uma merda, sabes?

Vejo passar o meu tempo de ficar proscrito na minha existência. Agora sinto o quão importante é ser explícito para que me entendam, em vez de andar com palavras floreadas para esconder o que sinto. Eu mostro...só verão o que querem. Sim, tudo isto é uma MERDA inútil, inacabada, uma música perdida em sons de bafados pelo frio.
As minhas regras continuam inquebráveis. O meu amor é apenas um...ser.

O meu amor é como uma bela mulher: intocável, prefeito, inteligente, vistoso...mas que no fim não deixa de ser mais um. Entendes? E aqui estou, por isso diz-me o que queres afinal de mim? Não desisto? Porquê? Estou farto de tentar, e de andar às voltas...Não sei que mais te dizer. Aliás, não tenho mais nada a acrescentar.

Nada está errado contigo...é comigo. É cliché, mas é igualmente verdade.

Caro espaço de escrita, não deixei de te amar, mas desiludiste-me quando te vendeste por valores comerciais.

Foste o meu espaço. Já não o és.

Eduardo Coreixo

Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

A outra fala


O que precisas é matar a vergonha, matar esse bicho que te rói as paredes e te promete que a seguir vão as roupas e que todo um mundo vai rir porque não olha muitas vezes para o que sente. Onde sente. Vivemos num mundo de macacos de dedos estendidos numa casa de espelhos, onde o ar é vergonha e nos faz perder tudo o que poderíamos ter ainda para ganhar, para perdermos. Encurta-nos as voltas, as pernas, deixa-nos anões e marrecos num canto de uma sala cheia de ego gigante. Rouba-nos o fado que acumularíamos, arranjando fascínio nos turistas e netos de alcochete. Vergonha como a dos cães. Sim ao medo, fim ao medo. Enfim.

Eu sei o que está certo e o que está errado. Faço bem, faço certo.
Eu faço errado, também. Eu aceito, perdoo-me, faço bem, faço certo.
.
Tu existes e sabes o que está certo e o que está errado. Fazes bem, fazes certo. Apontas-me o dedo e eu já não encontro a saída da casa de espelhos. Não é fácil matar a vergonha.

Domingo, 19 de Setembro de 2010

Pravdivý příběh



E enquanto passo por cima do rio, como que flutuando, olho de cima para as pessoas que passeiam no longo caminho à beira deste, caminho feito de pedras de calçada iluminadas pelo sol das seis de uma tarde, num dia já não de Verão, recordo-me de ti e das nossas mãos dadas, a passear, e imagino como seria se fossemos nós aquelas pessoas pequeninas e outra pessoa nos visse de cima e tivesse saudades do mesmo.
(...)
E enquanto chego ao meu destino, que não é realmente o meu destino, penso na vontade que tenho de voltar para trás, ignorar o tempo, correr atrás de ti e abraçar-te, num abraço sem fim. É uma vontade muda de gritar mais alto, que tu és o meu destino e a única vontade de caminhar para lá, para o que é o meu verdadeiro destino.


Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Tenho os momentos na vez das verdades



- Compreendo-te. Sei que é difícil confiar.
- As pessoas riem, com o som do choro. Dificilmente riem de outra coisa.. O sol parte. Nunca sei qual momento é o último... Tenho medo.
Em que pensas?

- Que as nuvens nos roubam a luz, mas que é definitivamente a chuva que nos traz a porta de casa. As luzes apagam-se, mas somos nós que prendemos a retina de ver no escuro...Vê, sim, não te enganes, tudo o que foi feito e merece aplauso foi feito na escuridão, no sujo poder que é destruir e criar alguma coisa que nos diga que alguém esteve vivo, antes de nós.
- ... Quanto mais procuro palavras que me façam ser aquilo que tu sonhas, mais me sinto pequena e sem unhas de agarrar nem dentes que mordam com a mesma força que o mundo me vai roubando a pele que eu tanto pedi a Deus.. Desconfio de tudo. Desconfio mesmo que possa voltar atrás no tempo e me seja possível dançar com as minhas pernas e sonhos de criança.
- Mas claro, os muros! O mal é em parte todo esse, uma pessoa deixa de ver, esquece-se de tudo o que o fez feliz. É normal que procurar te doa tanto, custe tanto, valha tanto.
- Então, principalmente o mal vem de não saber andar sem caminho ou palco. Da ignorância que é não sabermos o que somos sem o que vemos. De andarmos sempre para trás e vermos a cassete na direcção errada.

- Sim. E em não sabermos confiar nessas cores no escuro, quanto mais à luz do dia.

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Encontros



Haviam antes estradas antigas
Que perderam os sentidos e os trilhos,
Que se resignaram e são terra batida
Cheias de pedras e sem dons amigos
Que façam valer uma vida.

Sábado, 24 de Julho de 2010

Paparazzi

Abro os olhos só para descobrir que somos todos paparazzi uns dos outros e gostamos. Nada de novo aqui, mas também eu quero dar, tanto o meu bitaite, como o meu bitate. Ligo a televisão, e a maior parte dos programas que nos fornecem para assistirmos são reality shows subvertidos à subcategoria de entretenimento. Passamos a vida a ser encharcados com as vidas ricas dos outros e desejá-las para nós. A que preço? Estaremos disposto a pagar por esse dinheiro que queremos tanto comprar? Nos meus momentos de maior fraqueza penso que sim. Inconformismo.

Mas nada disto interessa porque somos maiores paparazzi de vidas semelhantes à nossa. Os reality shows. As redes de internet. Toda a gente quer ser lida, toda a gente quer audiência. Mas toda a gente quer, também, dar audiência e ler o próximo, desde que não seja muito comprido e muito aborrecido. O ser humano precisa de histórias, como ouvi Pedro Paixão afirmar. É verdade, mas têm de ser fáceis. Vamos juntando as peças do twitter ou facebook para criar as nossas próprias interpretações das histórias dos outros. São inspiradoras e fazem-nos sentir bem connosco. E depois há opiniões associadas. Às vezes até podemos aprender, sem dúvida. Mas o que nos importa mesmo, é ver quem matou/beijou/atraiçoou/entristeceu/fodeu quem. Como abutres à procura de carne enfraquecida por algum tipo de emoção, procuramos depois ser insectos e perfurar e chupar tudo quanto pudermos e não pudermos, do interior de cada pessoa que seguimos. Se for a própria felicidade da pessoa, tanto melhor.

E depois há imagens associadas. O sorriso; o importante é mostrar os dentes certos, às pessoas certas. E os benefícios disso, surgem logo a seguir. A cara; é só uma caixinha de magia. Usamos todas as ilusões que aprendermos para mostrarmos algo que não somos, na maior parte das vezes. O corpo; um dia vamos ser todos flácidos ou mortos, portanto fico à vossa espera.

Tenho tido ganas de assassinar esta humanidade em que vivemos. Se eu pudesse...

Sábado, 17 de Julho de 2010

À minha (pobre) imagem


Prometi-me que a minha escrita não se perdería.
1000 homens morreram pelo preço de uma guerra imunda,
Mil vozes que se foram por horas de defesa de um ideal,
Liberdade perdida na gueraa de um submundo
Uma destreza de balas perdidas em cantos e recantos.
Hoje canto pela vossa morte,
Canto um fado de injustiça, um vaivém lento
Agora estás cá, ora estás lá sentimento desleal.
Vamos para baixo juntos, ou não sabes quem és?

Deixaram as horas passar, as mortes foram esquecidas. Continuamos a viver num mundo, em que o próprio país já não chora as almas que se foram, aquelas que ainda cá ficam a penar por aquelas que já foram.
Não compreendo a injustiça de dizerem que as guerras acabaram, quando na nossa frente nascem conflitos desnecessários.
Hoje largo uma lágrima de sangue.


Desce ao meu mundo e senta-te ao meu lado,
Dor no peito que não me passa sem saber porque morreste
Dor transparente,
Morte ardente, por dias que passaram em fios de corda.
Frágil como uma luz, terna como um recém-nascido,
Não sou o teu ardor crescente, sou a tua raiva descendente.
Tudo bem, não é o nome,é a graça de quem o tem.

Hoje tenho raiva daqueles que nos tiram da nossa casa, para depois não regressarmos, ou voltarmos sem rei nem dono. Ouço as vozes de homens e mulheres a gritar de dor, sinto-as no meu peito. Sinto o seu arruinar de coração, a sua vontade de voltar para os seus.
Hoje pensei em vocês. É convosco que estão os meus pensamentos.
Agarrei-vos.

Terça-feira, 13 de Julho de 2010

"What if god was one of us?"

deus
s. m.
1. Ser supremo. (Nesta acepção!, grafa-se geralmente com inicial maiúscula.)
2. Relig. catól. Cada um dos membros da Trindade. (Nesta acepção!aceção, grafa-se com inicial maiúscula.)
3. Divindade do culto pagão ou de qualquer religião não derivada do mosaísmo.
4. Fig. Homem heróico! ou de superioridade incontestável.
5. Objecto! que exerce grande influência ou grande poder.



E se deus (1) fosse um de nós? Seria branco, ou preto, ou castanho, ou vermelho? Na verdade não me interessa pensar em deus (3), pois ele não pensa em mim, nem em nós (ele contou-me ao ouvido, por entre bolhinhas de oxigénio). Lamento. Só há uns meses descobri a luz, que vinha do fundo do aquário, e comecei a acreditar com mais força, quando se começaram a suceder os milagres. Já em dois mil e oito, deus tinha efectuado alguns milagres, mas ninguém ligou porque não estavam ainda bem afinados. Então, houve um intenso treino e deus melhorou, com a idade e experiência.

E se deus só tivesse três anos para viver? Não poderia de certeza efectuar grande obra, já que Jesus (2), mesmo aos trinta e três ainda não tinha uma carreira muito extensa. Ao que parece, fez umas mesas e umas cadeiras e meteu uma ou outra pessoa a andar. Nada que um carpinteiro com um curso de fisioterapia não faça, hoje em dia. Ou um fisioterapeuta que goste e saiba de madeira.

E se deus tivesse poderes? Seriam mesmo de cura, ou de adivinhação, ou de jogar poker, ou de jogar ao "pedra, papel ou tesoura"? Já vi um torneio deste jogo e o vencedor achava-se um deus (4).

E se o longo braço da justiça (de deus) fosse antes um tentáculo, entre outros sete? E se a sua fome, fosse o seu poder e a sua forma de se manifestar (5)? E se deus (todos) tivesse um nome, que nome seria? Paulo? E se deus fosse milionário e reformado, por ser um espectáculo para inglês ver, e uma fachada para as mais variadas atitudes... ah, pois, têm razão, isso já é, não é a minha imaginação, perdão...

Os papas devem estar a dar voltas no caixão de tanto rir, por descobrirem que deus é um molusco. Até hei-de formar outra religião. E ainda temos mais um pró, deus adora futebol e sabe tudo sobre ele, até me vai proporcionar apostar no meu clube. E se deus se enganar, pelo menos já mostrou mais serviço que a maioria dos deuses que anda para aí. E se deus se enganar, não vai fazer mal, porque até os deuses e "os polvos se enganam". Basta ver quando deus se distraiu e defecou na terra em vez de na sanita. Só aí, criou a humanidade. Erro grosseiro e merda da grossa, transformado em coisa pouca... Amén.

Eduardo Rilhas

Textura

Sábado, 10 de Julho de 2010

De morte



Que tudo mais reles. Que carne mais pálida e desenxabida, onde mora o que tínhamos. Que vontade mais morta, que apetite picado, que dedos gordurosos de tudo o que faz mal e nem sabe tão bem, quanto isso. Que peles a mais, no meu caixote de lixo. Que tudo mais baixo, mais gordo, tudo mais mesquinho se despido de artifício. Cuspo na realidade, nada se altera - que valha a pena registar.

Vivemos dentro de um cubo que não existe. Mas nós dizemos que existe, quase pensamos que existe. Vivemos numa caixa de 'protecção', que antes se apresentava como sociedade. Agora rimo-nos. Nem sabemos sequer do que nos rimos, mas rimos com certeza para não chorar. Dizemos para nós próprios que temos o exemplo a dar, a manter, para que nos olhem e pasmem de espanto, enquanto dizem aos filhos 'olha que exemplo'. O exemplo nós damos, o que vem a seguir é que nos escapa.

Como não sou boa a Matemática, posso afirmar que, se X ladra, Y morde. Ninguém se aleija verdadeiramente; por causa do presente(?) cubo, há sempre quem defenda que o sangue de fora veio porque se fartou de estar de dentro. Porque quis.

Há ainda quem acorde e pense que é um bom dia para morrer. Depois tente convencer outra pessoa do que pensou e, como ainda há um ínfimo espaço para discórdia na conhecida caixa quadrada de cartão, não se chega a conclusão nenhuma. Vai daí, mata-se quem não anui e vai-se à praia; é alegado que tem pensamentos suicidas, mas que esses dão mais trabalho. Ou queima-se a loira porque não era morena; 'queria tostá-la, uma vez que não há sol'. Tenho tanta pena do cubo de papel desfeito em ripinhas. Uma pena louca. De morte.

Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Tenho problemas, mas não este


Não me sintas, não hoje.

Hoje sou um homem partido, de braços erguidos,
Qual cenário dramático. Só me falta a chuva.
Não quero batalhar mais guerras, porque não sou eu.
Esta voz roça as batalhas de letras perdidas
Músicas feitas de guitarras desfeitas

(E não não sou um solitário)

Não me sintas, não hoje.
O pior não passou, e não te quero agarrar
Quero agarrar-me à minha dor, angústia e desejo
Porque fui um homem por inteiro,
E hoje nada tenho senão uma carteira e uma chiclette

(Apenas quero finjir-me morto)

Troca-me, ainda que só até amanhã.
Bonsais de folhas mal aparadas,
Já viram estas mãos de tudo
Texturas arrogantes de sons agudos, já estes olhos viram tudo
Não me imites

(Venho já, vou só comprar pão)

Eu sou eu, desde o futuro.
Não venhas ver o vale dos sonhos pretos
Deixa-te estar a sentir essa coisa que queres saber
Sente essa raiva te tomar o corpo
Sente essa perca de fé em ti

(Está um calor nesta noite de morte)

Morto já estou, por ti. Hoje.
Tornei-me dormente pela vida de desesperado
Amanhã, sem ser bem construído
Hoje sem saber o que tenho de comprar ou fazer
Ontem que matou o pouco que ainda sentia(mos).

(Ficas a saber que isto é apenas ficção).

Amo-te de morte (Isto sim é verdade).

Träume


DE: Jetzt, träume ich auch auf Deutsch. Das verstehe ich aber nicht. Was für eine Bedeutung haben diese Träume? Meine Kenntnisse sind nicht so gut um auf Deutsch zu träumen.

UK: Now, I dream in English. I don't get it. What is the meaning of these dreams? My skills are not so good in order to dream in English.

PT: Caro leitor, se consegui captar a sua atenção, queria que perdesse um pouco do seu tempo, para que lhe pudesse dizer que este blog vale mesmo a pena ler. Todos temos sonhos, de todas as línguas. O nosso sonho é que as nossas palavras tenham sentido para mais alguém. Choramos quando contamos histórias e nos interrompem constantemente, com conversa de gente que está à espera de morrer. Se eu pudesse fazer uma única coisa que fosse, de joelhos, não seria ganhar dinheiro, um emprego, ou um favor em troca, como muitos que já treparam o Everest. Seria para vos implorar por (merecido) reconhecimento. Seria para implorar que dessem uma chance a quem tem "estórias" bonitas de encantar, como as pessoas que se esforçam para vos conseguir pôr a sonhar, como eles sonham. Porque todos temos sonhos, de todas as línguas.

O meu sonho em chinês é que prestem mais atenção ao que eles, que escrevem tão bem, têm para vos dizer.

"mein Herz brennt"

Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

mm




Um só milímetro e desapareço. Nem percebo. Eu; nada.

I. É demasiado o que tenho a perder e o tanto de que já não sei que, sim, sou assim. Já não sou prata. Sou cada vez menos polida, cada vez mais chegada à raiz e sem gostar muito da terra em que piso. Sou a força do asneiredo que não ensina nem resolve, do murro dado no sítio errado, da hora certa mas inoportuna, da merda que pisas no chão, só porque não tens nada mais abaixo de ti. (...)



II. É demasiado o que tenho a perder que tudo me assusta. Os latidos dentro de casa, o silêncio feito na rua, a chuva que queima e lava a pele, mas nada mais que isso. Que fico assim. Paralisada, em baba e ranho internada, com terror dos vidros do chão, das janelas, das minhas mãos que não têm quem reze por elas, do meu tom de voz e da minha falta de jeito para dizer o que tu sabes. O que é demasiado para mim, para esta vida, para se perder num milímetro de hipoacúsia divina. É demasiado que não sei dizer, não sei gritar, não tenho espaço onde caiba o que tu és, para mim.


Um só milímetro e desapareces. Nem percebes. És tu; não há nada, para o teu lugar. A maior loucura, amar alguém e permanecer vivo.

Domingo, 27 de Junho de 2010

deixo o blog com um sorriso

Pronto, este texto é simples:

Todo este tempo eu estive enganado ao pensar que podia consegui-lo.

Não preciso dos amigos, não tenho uma família que me apoia. Não há muita gente que me estenda uma mão. Não mereço tudo o que tenho. E agora, não tenho namorada, não farei dela a minha esposa. Não terei filhos como sempre planeei. Tudo porque não tinha razão numa guerra estúpida que mantinha com eles todos. Por causa disso, não ganhei o braço de ferro. Perdi todos.

Agora, gostaria de me despedir. Não estou feliz. Não escreverei muito mais! Isto é uma nota de suicídio. Direi adeus. Deixarei de lutar! Preciso da vossa preocupação. Estou bem. Estarei num sítio melhor. Não estarei ao pé de vocês. Sorriam para a fotografia. Nunca me esquecerei dos meus leitores.

Esta é uma carta de despedida...



















(Poderia ser a minha carta caso não fosse tão genial, e não me amasse assim tanto. Em vez disso, peço ao caro leitor que coloque as frases que estão na afirmativa, na negativa e vice-versa. Assim poderá ler a verdadeira mensagem. Obrigado e... achavam mesmo que mereciam um sorriso meu? Deixem-me rir.)

Eduardo Rilhas

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Morte do sexo na sombra


Menos conversa. Faça-se Silêncio.
Façamos todos um silêncio muribundo, pois ele morreu.

(...) (...) (...) (...) (...) (...)

Morreu aquele que nos ataca, morreu o seu inimigo
Aqui jaz a nossos pés a perfeita imitação de um ataque consumado.
Não é parado, apenas agora, mas silêncio por favor.
Apenas lentamente ele se ergueu para mostrar a sua fraqueza
E esperou pela luz de emergência do seu quebra-luz
E morreu, morreu sentado a desesperar
A exesperar pela vontade de um sinal nocturno.
Façamos silêncio.

(...) (...) (...) (...) (...) (...)

Tudo se semeia, e tudo se colhe:ventos, tempestades, mortes.
Colheu este homem o mais pesado dos frutos, a culpa
A sensação que lhe surgiu no leito da morte
Não sabendo a sua hora, sentou-se ali na sala de espera
Até que um dia a verdade, a culpa, a sensatez o devorassem.
Tudo o que plantou, está à tona da terra.
Faça-se silêncio, porque ele não quer acordar.

(...) (...) (...) (...) (...) (...)

Este é a história de um homem que não soube morrer,
Aquele a quem todos exigiram verdades e fundos
A sombra de quem um dia deixou a própria barriga ser ditadora.
Este foi um homem que soube ser homem, aquele que urina de pé
Aquele usou as calças em casa, aquele que morreu sozinho.
Esta foi a história de um animal, de um perturbador
A história de um violoncelista do desejo e prazer egoísta.
Morre arma do sexo, morre sem sentido e na luz da solidão
Morre podre e seco seu armador de arma de plástico
Morre seu artista de artes de quem merece morrer.

Esta foi a história do fim de um violador.

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Palestra num funeral

Era um homem que tinha como profissão sentar-se ao lado de pessoas a morrer, ainda que com alguns meses de vida, e ouvi-las por horas a fio. A lamentarem-se, a chorar, a morrer. Este homem não era psicólogo ou psiquiatra, nem tinha, que eu saiba, qualquer conhecimento de medicina. Apenas estava com as pessoas, via-as morrer, recebia o seu dinheiro, e partia.

A sua irmã, tinha como profissão estar de pé ao pé de pessoas, com muitos anos de vida e agonia pela frente, e dar luz à luz que iluminaria os dias de agonia que essas pessoas ainda tinham pela frente. Filhos. Crianças. Esta mulher tinha múltiplas alegrias por dia, não com o seu marido, em casa, ou com um colega, no trabalho (valha-nos isso), mas antes perante o olhar de mais um infante ou infanta trazidos ao mundo.

Portanto, a única coisa em comum destes dois, era o facto de serem irmãos. E a importância da irmã para esta história, é próxima de nula.

Concentremo-nos então no homem: como qualquer charlatão ou pagante de promessas, a maioria da clientela deste homem era gente que acreditava cega e estupidamente em algo que lhes confortasse a mente, que lhes aconchegasse os problemas. Era gente de crenças maiores, que lhe colocavam a inteligência num nível menor. Chamavam-no, pediam-lhe para ficar, e a partir daí estava contratado, tinha de acompanhar o doente, até que a morte os separasse, o que para ser franco, nunca era muito tempo. Na verdade, ele não enganava as pessoas, apenas se servia delas para obter sustento. Vivia sozinho e não sabia fazer mais nada, teve de recorrer a um esquema, no mínimo de esperteza avançada, para não lhe chamar inteligência, para subsistir. Bem, os clientes pareciam não se importar. Todos morreram um pouco mais felizes, porque todos tiveram alguém que ouvisse as coisas chatas e repetitivas que os velhos dizem quando já não estão muito bem da cabeça. Não me interpretem mal, não é que o homem não prestasse atenção, ou não conversasse com tanta arte quanto possuísse na altura. Mas temos de dar a mão à palmatória que ninguém está para ouvir um velho queixar-se para além de duas, três horas, quanto mais por vezes semanas ou meses.

Um dia mais tarde, contava este homem, na sua cama, algumas das coisas que passou no "ofício". E se bem me lembro, era qualquer coisa como:

- Tu não sabes os horrores que eu ouvi contar. Gente doente, com filhos doentes, que só conhecem sofrimento na vida. Não me admira que no fim disto tudo, as pessoas chorem, que mais haveriam de fazer? Que merda de vida que muita gente teve! Uma velhota, a confessar-me que se teve de prostituir, até quase aos setenta anos, para poder pôr comida no prato da família. Setenta anos é idade de fazer Arraiolos e croché, não de andar a dar o corpo ao desconhecido. Os ossos já não querem nada connosco e os músculos já não flectem como antes. E, se ainda hoje olhamos a prostituição de lado, consegues imaginar a prostituição de idosos? E o pior: o marido é que a incentivou, por assim dizer. Porque ele não tinha emprego ou era demasiado calão ou o raio que o parta. A minha irmã sempre me disse que eu era uma besta por me aproveitar desses velhotes e velhotas e das suas vidas miseráveis mas ela não sabe metade do que acontecia. Eu ao menos, estava a tirar-lhes peso, ainda que de dois sítios: da alma e da carteira. Uma ou outra cliente queria consumir carne mais nova pela última vez, e eu como empregado, tive de executar a tarefa. Não fiques tão chocado, o que querias que fizesse? Era quase chantagem, ou era mesmo, acredita. Outro cliente, não sabia dos filhos, dos netos e dos bisnetos, ou tinham todos morrido de doença. Outro tinha perdido três membros na guerra, e ganho outros tantos traumas. Ele só chorava. Ouvia estes clientes e as histórias só contavam morte, doença, agonia, sofrimento, sujidade. Era um caos, o que eu fazia para viver, e todas as histórias estão resumidas na minha cabeça, não me lembrando já de todos os pormenores. Todas as histórias ficam, de certa forma comigo, e eu, que nunca tive ninguém, tenho agora comigo todo o sofrimento partilhado por centenas de famílias perfeitas, quando olhadas superficialmente, aprofundado no seu âmago de podridão.

Era mais ou menos isto, além dos seus próprios sofrimentos, que ele contava, no seu leito de morte, na sua cama. Eu lembro-me relativamente bem, pois este homem... bem, ele foi meu cliente...

(Saramago, morreu. Deixou-nos muito. Outros irão nascer.)

Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Já fui...existente


Há dias pensei que sabia o que era existir...Hoje tenho a certeza.
Não vou descrever, porque não é algo que vos queira ou possa contar.Tem que ser sentido, vivido, experimentado, torcido e esprimido...até ao último uivo.
Momentos de segunda classe, não são para aqui chamados. Os momentos difíceis são os que mais pujança e alma dão, porque a seguir a isso...tudo será fácil! Existir, tem que ter uma justificação, um propósito, e não é com os passos do tempo que sabemos o que isso é.
Cabe-nos forçar os pontos do relógio para trás (sem que tal seja possível), ou seja, forçar uma realidade que nos permita ambicionar algo maior...do que aquilo que somos. Eu experimentei isso.
Toda a vez que forço a minha existência, ela cede, e eu passo por cima dela. Creio ser esse o propósito pelo qual temos os pés neste planeta.
Este texto apenas serviu para eu partilhar o que senti. Não é para ser bonito, correcto, poético...ou sensível. É apenas para explicar a ordem das coisas aos meus olhos.

A existência não é a rotina.

Obrigado

Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

Eu gosto é do non-sense


Com mais ou menos ferrugem, (re)apresento-me ao serviço. A armadura estava no armário já há algum tempo, mas não enferrujou. A idade, estava ao pé da armadura, há já algum tempo, espero que amadureça. O meu cérebro, anda não sei onde, e já só tem ferrujóneos. Sinto-me estúpido que nem um pneu como o dizia um que me ensinava História da Cultura e das Artes. Acho que está na altura de ir buscar a cabeça a lado nenhum e metê-la no capacete da armadura. Dizem que me esbanjo muito em coisas que não interessam a ninguém, e até pode ser verdade. Mas, na verdade, é verdade que eu não gosto muito de me mexer... Esperemos que vá encontrar alguma motivação a algum lado para finalmente ser como todos os outros perdedores que dizem: «ao menos tentei».



Eduardo Rilhas

Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Growing strong (qualquer dia explico-te em português)


I'm building on my own good freedom, I'm building on my own good strike of force.
Try to appear that love is something touchable...Fake, is what it is.
Fly away like a bat from the light, smoke like a cloud, trust on my own good eyes.
The sweetest torment, without any kind of care, flying away to that planet of yours, where life isn't important anymore...Just taste and sightseeing.
Take care of you now...You'll be walking like the morning dawn, sensing like music on your ears, tasting what it feels to be like...ourselves.

See you there, and now, see you on your good life.

Best regards...not.

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Criar-te uma casa


Perdido sem saber caminhos parecidos com os teus,tocar com a minha planta nas pegadas por ti deixadas.
O meu pé não cabe, nem o meu coração.
Gostava que me tivesse perdido contigo, a ver mundos sem desavença, noites de verão místicas, porque viajas por esses mundos, rodeada de mil pessoas,mas estás ainda sozinha, em frente a este computador. Estás-me a ler, certo? Gostava de te criar aí a tua casa, deixa-me construir-te esse lar para que possas viver uma vida sem tristezas.
Esses lençóis não são os teus, nem esse computador, nem esse pássaros que vês da janela. Apenas tens aquela flor que deixei junto ao teu peito, naquele aeroporto vazio, a altas horas da manhã.
Desde aí nunca mais tive o mesmo amanhecer, nunca mais tive uma nova vida nos dias que começam, e sinto-me fechado numa caixa de Pandora. Tu consegues ver-me, eu sei, mas estas tecnologias não te deixa ver o palpitar do meu coração quando te vejo, não te deixam ver as lágrimas que escorrem quando tu me mandas aquele último beijo virtual, quando aquele pequeno ecrã de computador fica preto...Toda a esperança deixa de ser parte de mim.
Detesto que me tenhas que ler assim, porque gostava que tu fosses mais forte que eu, mas sei que não. Nada parece teu, não é? Nem eu? Pois, porque este sentimento de raiva que tenho por teres partido também não é meu: pertence-te a ti, porque foste tu que o criaste...Desculpa.
Outro dia de Sol perdido, outra manhã que se foi...Outro olhar que eu não mordi, outra presença que não senti.

Até amanhã,à mesma hora, no mesmo sítio. Amo-te.

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

A parte mais difícil



Tu no escuro de uma imensidão dessa cidade escura,
Tu nesse buzinar de ideias barulhentas, de sons alternativos
Nunca pareces chegar ao sítio onde pertenço,
E tratas-me como se de um perdido fosse.
Vives num mundo louco, de celas solitárias,
De paredes baças, de crescimentos elementares.
Torço para que saboreies esse aroma, que vem do toque de uma árvore que não se cala.

Tu és um ponto negro nesse estampado de pretos e brancos,
És uma nota musical, no meio de uma composição musical.
És, porque queres, porque assim te sujeitas.
Podias ser o ponteiro das horas que estipula o tempo,
Podias ser o farol obrigatório à navegação
O começo ou fim de uma história,
Podias ser alguém que influencia o seu destino.

Escolheste ser mais uma erva no meio de tanta relva,
Decidiste-te juntar a mim.

Agradeço a tua companhia,
Talvez os dois possamos ser o resto que sobre deste jardim.

Talvez tenhas razão.

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Meine Damen und Herren

O que eu tenho a comunicar é muito simples. O melhor da vida são a família e os amigos. E eu gostava de poder conservar todos e que sejam muito velhinhos quando morrerem, e todos ainda meus.

Gostava de pedir desculpa a todos aqueles a quem já magoei, mesmo aos que mereciam, porque é sempre bonito e hipócrita pedir desculpa nessas alturas também. Mas a noite hoje é de pensamento e sentimento positivo, portanto resta-nos o silêncio e ficarmos vidrados na relação que nunca deverá finar...

Na verdade, quereria sempre poder fazer o melhor pelos meus amigos que merecem e querem que faça o melhor por eles, fazendo o melhor por mim. Da família não falo hoje, apesar de ser o melhor da vida também, mas esses aturam-me por contracto, temos pena.

Eu gostava era de transformar esta motivação toda em algo concreto, mas quem antigamente sonhava comigo, já hoje o faz de forma diferente, já não me visita durante noites de grande êxtase onde se brinca com fogo de artifício. Ah, e há que dizer que não sou suficientemente autónomo para sonhar a solo. Busco por ajuda em todos os cantos, mas por indisposição, indisponibilidade ou indiferença, ninguém me socorre. Há um tempo certo para tudo...

Eu gostava era de ser venerado, um dia. Eu gostava de ver as caras das pessoas ao lerem isto. Pensando bem, já as conheço todas, não somos assim tão grandes, nem pouco mais ou menos. Nem nada em que meto a mão (deus perde a virtude). Eu gostaria de ter comentários a dizer: 'percebi onde queres chegar com o comunicado'. Se houver alguém assim, que me esclareça por favor, pois eu... eu não entendi. Ah.

Meine Damen und Herren, fickt euch =).



Eduardo Rilhas

Domingo, 15 de Novembro de 2009

2012


Não consigo imaginar um mundo como esse que dizes. Que faz e desfaz sonhos como quem marca cruzes no calendário. Que vive do piso-mais-para-ver-se-gemes e se, de alguma maneira, nos tornamos escadotes de bolso uns dos outros. Dos jeitinhos que nos dão para nos ajudarem a passar a estrada e acabarmos em sangue, só pelo hábito e gozo sádico -vampírico. Dos abraços em extinção, das flores que só se apreciam porque se agradece a companhia, nos hospitais. Das tabernas que são igrejas, onde o respeito e a compaixão ficaram à porta, por ordem do sr. padre. Do que dizem ainda ser amor, que depois se revela tusa e nenhum afecto que realmente torne impossível o futuro não-vazio, com fado que pare noutro cais.
O que não se disse é o seguinte: Que não acredito no que verifico todos os santos dias, para depois me dizerem que há um mundo do outro lado, exactamente igual a este. É que não consigo, sequer, imaginar.

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Sem querer, de luto

Doi-me os pés de tanto andar nesta estrada,
Morto de desejo por largar estes sapatos mundanos.
Sonho com lágrimas que me aliviem estas mãos de pecador,
Água benta de desejos intermináveis
De mudanças de dias infinitos, de solidões inquestionáveis.
Sem sabor, sem calor humano, estrada deserta de mortes
Trespasseira a vida que aqui me trouxe,
Morto queria eu estar, em vez de pisar estes meus pés de pobre.
Estou morto. Por ti.

Sábado, 17 de Outubro de 2009

The Fire Still Burns

Ando à procura da rima perfeita
para te retratar em poesia,
fazer a ponte mais estreita
entre realidade e fantasia.

Ando à procura da rima perfeita
para te desenhar em poesia.
E esboço sorrisos de quem aproveita
toda a estrada contigo, uma só via.

Mas será que há uma rima perfeita
para descrever o indescritível?
Será que a verdadeira maleita,
conseguirá fazer o impossível?:
(Quebrar estes dois corações,
que muito lutaram e lutarão
para, da menos provável das uniões,
espremerem a mais completa relação?).

Na minha perspectiva, encontrei-a:
a rima mais perfeita deste mundo.
Conseguindo unir a fervente areia
com o gelado mar profundo...

Sinto-me forte e desperto,
de maneira nenhuma um cobarde.
Sabendo que mesmo longe, estás perto.
Sabendo que o fogo ainda arde...


Eduardo Rilhas

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Voltei por metade

Voltei para dizer ao mundo que voltei,
Voltei para dizer que estou descrente,
Para mostrar que voltei sem vontade de voltar,
Expressar o sentimento de revolta, na minha volta ao meu lugar.

A revolta de uma volta,
A troca de uns trocos destrocados por um sorriso mudo,
Não estou preparado para encontrar um mudo capado,
Um mundo sem quê nem porquê; um paradoxo digno de Star Wars.

Posso manter a minha vontade motivada,
Porque voltar sem motivação, é corte numa vontade de revolta;
Hoje choro por esse lugar de tristeza imunda
De um sorriso chorado ao largo do Tejo.

Meio mundo, num meio copo de leite,
Meia metade de uma meia que engole este mundo,
Meia vontade cortada de um meio peito de mundo
Meia palavra que é escrita, nesta metade de texto.

Sábado, 19 de Setembro de 2009

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Férias

Estou de férias. O meu cérebro também.

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Autógrafo na minha alma


Sofrer por estares a sofrer, e sem ninguém a ver,
Mira esse teu espelho, para que saibas quem és. Por fora,
Porque por dentro não te descobres,
Tens medo de trocar as voltas aos teus objectivos
De perderes a noção de que és prefeita. Mas não,
Até porque não há razões para mascarar esse sorriso,
És apenas humana. Chora esse teu olhar.
Ventila esse teu espírito, estala os dedos e parte para lá,
Para cima da linha do meu ombro.
Fazes-me gritar-te para que te pares de esconder,
Só, sozinha, abandonada com o pó dessas memórias
E grito-te para que voltes a montar esse puzzle,
As peças da tua vida; grito-te para que acordes.
Desde aquele momento em que te vi,
Eu comecei a lamber as tuas feridas,
Limpei-te esse olhar de ira, comecei a tocar o teu ser
Por isso deita-te aqui ao meu lado,
Sonha essa vida que sempre quiseste
A paixão de outrora, artigos de uma loja asiática,
Ficheiros no fundo do teu armário.
Algo tem que mudar,
Tu tens que mudar.
Não deixes o teu chá ficar frio, para não te arrefecer
Mais ainda do que tu já estás,
Pequeno esse teu cobertor de olhares, para ti.
Põe a tua imagem na minha cabeça de novo,
Porque contigo eu deixei a minha marca, a minha cara,
A minha pegada, a minha força, o meu desejo,
Contigo eu deixei-me a mim.
Dás-me e tua pessoa?

Eduardo Coreixo

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

De vez



Cá estamos nós outra vez, como diz o Palma.


É assim que acontece, certo? Acordamos um dia, mas as coisas correm bem, para variar. Aparecem-nos os mesmos sorrisos de criança, mas desta feita, numa versão qualquer de recompensa. Somos dignos de imaginar o infinito muito mais perto do que alguma vez vimos ou sonhámos, abrem-se portas como as antigas palavras secas e desinteressadas, (as da praxe, paciência que já não precisamos fingir ter).


No meu dia mais feliz, eu confesso, toquei o impensável, o corpo de fora, qualquer coisa de dentro, sem palavra legítima. Chorei de alegria, para variar. Jurei nunca mais ficar triste com a triste felicidade dos outros. Desistir da justiça e pecar, se tal for preciso para ser feliz. Dar tudo, mesmo que seja pouco. Mas hoje é um dia mais completo:



hoje encontrei o caminho de volta a casa.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

A vaguear...por ti


Passam anos de pensamentos,
Léguas de palavras escritas, e o resultado é o mesmo.
Tudo foi primário, sem conhecimento de causa
Porque tudo continua na mesma, de fossas assumidas,
A buracos que foram estreitados, a alma deixou-se ficar negra
Logo que o tempo chegou. Algumas razões foram mascaradas.
Fortemente mantenho-me à superfície, de lagos amados
Flores presumidamente venenosas,
Deixamo-nos tocar por esse mundo indicador de perseverança,
Sei nunca saber com que solução contaremos,
Dia após dia, para mostrar que nem todas as feridas podem sarar.

Poderia ser tudo bem melhor se soubesse como tocar o teu mundo,
E espero todos esses segundos que me podes para poder ser teu,
Alvos de testa distinguidos, sem saber em que ponto fugir,
Ou quando meter aquele escudo protector.
Eu fui e sou o meu alvo.
Pões-me «aquele brilhozinho» nos olhos, quando penso em ti,
De alma despejada de preconceito e valor,
Torcço-me a teus pés, para nunca mais te perder.
Tudo isto é o meu respeito por ti, só assim eu sei ser.
(irremediavelmente.)

Eduardo coreixo

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Liberdade Instantânea


Claro como o branco,
Que maneira de acordar e de ver por ali.
Podia ficar por ali, e contar como me fazes ser livre,
E como gostava que me ouvisses, mas vou-te deixar dormir.
Abro as cortinas lentamente, e as nuvens surgem,
Vindas lentamente do horizonte,
Uma imitação de algo tão prefeito, que me apanhou de surpresa.
Estou sempre livre contigo, sempre de asas arregaçadas,
Deixei de existir sem correntes aos ombros,
E nunca adivinharia que estaría assim por tua causa.

Gotas de um orvalho perdido, sol raiado de laranja
Sem saber como aqui cheguei, mas toco a minha vontade
Porque apenas ela pode curar a dor,
Está tudo aqui por dentro.
Depois de todo este tempo, de todas essas pedras quebradas
De laivos de genialidade, de modos desmesurados,
Tento empurrar o passado para trás, pelo meu orgulho.

A pele quebra-se com o gelo, curado pela tua mão
Sensivel toque, de uma alma egoista que me ama por demais,
E que fica lá por fora, porque tem medo de me magoar.
Não consigo consigo sobreviver sem beijar a tua alma
Sem me toldar o juízo de valores perdidos
De um dia quente de Inverno, de folhas molhadas.
Tentei ir mais alto, mas agora estou livre e só quero ficar aqui,
Atado a ti, a milhas desse tempo passado.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Lu-ta(nia)


Deixa-me ir, todo o sentido já se foi, porque não eu?
Não posso sentir-me contigo agora,
Porque estou tão embaraçado, e não te consigo ver
Sem ser a verdadeira miragem de ti, da tua maneira de olhar
Porque o coração acelarou. Estou a tentar mudar.

Faltaram-me as horas de sono esta noite,
Porque sei que é tempo de mudança, chorei pela inoperância.
Cristalinos foram estes os olhos que te beijaram
E que ao serem fechados, ouvi a tua voz, na escuridão do som
Por isso desculpa,pois não sei o mal que fiz.

Todo este tempo, as coisas deixaram de ser melancólicas
Tudo passou na história mais fria alguma vez contada,
Em tempos de calor, só o teu beijo me aquece.
Longe de mim ser a tua sombra, demasiado se passou
Ainda que hoje eu seja a tua verdade, a tua presença.

É hoje à noite que ouço a minha história,
Daquele que perdeu o coração, que cortou a tripa de poeta
Que foi o servente da escravidão intelectual;
Hoje o choro é diferente, não é de desespero,
É choro de reconhecimento.

Eduardo Coreixo

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Sweetest time


Luto pela minha glória,
E temo pela minha vida...E isso é um desperdício,
Porque sou lutador por prémios de consciência,
De certa forma estou cansado. De mim, claro.
Qualquer que seja o dispositivo, a forma de força
Eu deixo o avião da vontade crescer,
Em cima da sepultura que criei, sem saber o que fazer,
Inventei tudo de forma confusa, sem sentido.

Sinto-me invencível. Estou sem-ser-prefeito.

Cada vez que esse desejo de ser, quando ele surge,
Falar sobre cada dor que sinto,
Agarrando-me a esta ponte emergente, de desculpas descalibradas.
Posso me levar aos arredores do mundo,
Voar até morta cidade do fim-do-mundo,
Desde que esteja assim, eu perco a razão e solto as palavras.

Sinto-me como em cima de teclas de piano.

Fecho as trancas das mentiras expostas,
E viro as costas às soluções de outros dias malogrados,
Porque às vezes o belo adeus, é a solução temida
Essa sombra de um abraço maternal que o mundo meu deu.
Gosto de ouvir as lamúrias de um carro a acelarar,
E por isso sou louco, canto músicas para o meu silêncio.

Isto foi escrito, apenas porque sim.

O meu mundo é visto de olhos fechados,
De ruas varridas, de cordas de guitarras prefeitas,
Olhar o minuto, ao segundo.
Os meus castelos de areia, são de betão,
A minha capital, todo este missionarismo para chegar ao coração,
Ao teu, e não ao meu.
Quero sentir, o frio, o calor,
Quero sentir a palma da minha mão.

Acabou a história. (por hoje)

Eduardo Coreixo

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Desafio. A esperança de corresponder.


(O desafio está lançado.
Ele hesita em aceitar.
O fardo é pesado:
desproteger-se para se mostrar...

O que verás nestas linhas,
sou eu, não lapidado.
E o que dantes, zero tinhas,
terás agora infinitamente aumentado.)


De sentimentos ao extremo
e com a vida à flor da pele,
convoco rimas e analogias,
fazendo tudo para que sorrias [todos os dias].
O pólen representado pelo ameno
e o amor... pelo mel.

Fundimos ideias de mar e metal
a ferver como dois corações de paixão.
E voaremos sempre assim
como um anjo de seis asas.
E é algo invulgarmente diferente e especial
cuja base é o diálogo para a compreensão.

Mergulho nos teus olhos cor de Havai
e sinto-me em casa, preguiçoso e seguro.
Deixas a órbita do meu mundo
e bato com força no fundo.
Não há nada que o derrube, ele não cai,
O nosso sentimento puro...

(E a suprema oração
deste desertor sem perdão
é, não que deus me perdoe,
mas que nunca me fuja a tua mão).

Assim sou, elo de ligação entre antónimos,
fiel às poucas amizades que fiz.
Outro poeta do fingimento
com menos de metade do talento.
Imune ao mal e seus heterónimos.
Tive sempre tudo aquilo que quis.

Assim sou:
'Diamante em bruto
à espera do teu fruto'.
Sonhador do infinito,
caminhando no finito.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Lato Sensu


Só visto: as coisas que as pessoas dizem umas às outras quando já não têm muito para dizer umas às outras. Que 'a vida não pára, que o tempo está feio, porco e mau, que não há tempo para a vida e para precisarmos uns dos outros, como d'antes'. Eis finalmente o porquê de eu gostar cada vez mais de animais: não falam, não magoam de propósito, não magoam de verdade. Comigo posso eu bem, com os outros é que não.


Depois existem palavras de consolo e de 'palmadinhas nas costas' que me metem nojo, mais do que qualquer puta sexagenária e desdentada do Intendente. Vêm-me com a conversa do 'tem tento na língua', 'não faças', 'não digas', 'enfia-te dentro da arrecadação, apaga a luz e asfixia-te'. Ai, o que eu preciso é de ar puro. Os amigos de outrora, onde estão, onde morreram? Onde estão as suas famílias e os conselhos pela madrugada fora? Onde estão os esgotos para onde lançaram os meus abraços? Onde estás tu, que eras meu e eu tua e agora, nem do mundo nos podemos gabar que somos?


- Não se pode interromper a vida para sempre.

-Talvez, mas há muito que a vida não é uma linha contínua.


Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

I'm a loser

Recuso-me por vezes a desistir. Tornou-se uma quimera, essa luta constante de se saber o que se quer, mas não podendo resistir à tentação, por aqui me vou mantendo.
São loucas essas vontades de continuar a sonhar, e relaxar porque ficámos em 2º lugar, o que à partida não será mau. Mas quem ou o quê, que ficou em primeiro, merece isso mais do que eu? Nestes momentos acredito que nem sempre a classificação final é a mais correcta, e existe uma raiva interna, uma dessas modernices a que agoram chamam de...Stress. Eu acredito que apenas é desejo de vencer. Só isso.

Bastou olhar para esses globos oculares alheios, para perceber que tudo estava distante daquilo a que estava num contracto de compra-e-promessa, porque não existia a cláusula de compra-e-promessa-de-apenas-quando-me-apetecer. Isso não é justo! Mas que raio, porque raio (digo eu!) fico a mirar as nuvens passageiras, as aragens brejeiras, as dentadas numa maçã quase morta... quando tu olhas céus incandescentes, pesquisas ventos murmurosos, e comes à garfada essa tua vida levemente passageira?

É dificil não pedir desculpa, mas não quero que peças. Tornou-se essa a tua vida, aquela excitação de um momento instável como as teclas de um piano de cauda. Apenas é aquela maneira de saber que o desejo poderia ser correspondido, logo quando as prioridades são diferentes, de diferentes maneiras, de diferentes pontes e cruzamentos. Contra-infracção grave! Porquê? Porque te esqueceste de carimbar o selo nessa tua livre circulação de sentimentos ruidosos, que se têm vindo a mostrar cada vez mais penosos para mim...e para a tua consciência.

Tocar o invisível, chegar ao impossivel, sentar em cima de uma folha. Pensas nisso, como o fazias antigamente? Será que ainda és a mesma?

Vou ficar a pensar nisso.

(Mais uma pequena excepção...!)
Eduardo Coreixo