terça-feira, 20 de novembro de 2007

Condicional



Preciso daquela memória celeste,
Preciso de pensar que sou importante para o apelo do desejo
Porque deve ser da tua pele que se transformou cinzenta na minha memória,
Tudo porque deixei os dias irem passando, sem sentir o teu coração
Quando me passavas e desinteressavas do planeta,
Porque poderia ter sido mais fácil contigo, mas não te deixes ir,
Porque no fundo, apenas somos areia, que é empurrada ao sabor do vento.
Pensas que sabes distinguir o paraíso do inferno,
Julgas ter a influência do azul e do vermelho;
Porque o sorriso de um falhanço é mais sincero que o da vitória,
Ris-te quando te mostrei o engano e acompanhas-te do ritmo do som.

Não me dês aquilo de que não gostas, porque te ouvi chorar alto,
Porque sempre sentiste aqui ao teu lado alguém que te chorou,
Por isso não sejas solitária agora
Porque é o teu momento de procurares o mundo, e tu sabes que voltaremos.
Não me batas à porta,
Sou um falhanço, um acto irreflectido, um vencido sem vazio,
Mas sabes que estarei aqui, porque tu és minha, o meu único troféu.
Apetece-te dormir, eu sei, mas a confusão ensurdece o desespero,
E agora que saíste do casulo tens que soltar as asas,
Mantém as luzes acesas, para evitares os refúgios da vida,
Porque nas escadas para o céu, os elevadores levam-te ao inferno
E porque o misticismo do teu olhar enche uma multidão.

Olha para a face que está à tua frente.
Sentes? É o sorriso de uma criança que te mira com desejo de carinho,
Porque há sinais na água que te enganam,
E porque os nossos pensamentos nos iludem, sente e segue o coração.
Não sabes que me fazes sonhar?
Quando olho para norte, o meu olhar perde-se, e ganho o desejo de partir,
Penso que irás para sul, e as minhas raízes apegam-se a este chão
Porque giras em torno de mim, pelo que te digo, pelo que te insinuo,
E sim, faz-me pensar naquilo que verdadeiramente planejo.
Sou a tua madeira, o teu bajulador, o teu beija-flor, o teu arranha-céus,
A tua segurança. Tu és eu.
Falei demais, disse tudo o que tinha a dizer,
Procura-me ali no nosso canto, porque continuo sem saber o que fazer.
Procura-me nas escadas, passa por lá, e apanha-me, vamos juntos.

Eduardo Coreixo
P.S.: Para ti, meu amor.

3 comentários:

CerberuS disse...

gostei bastante. Podia fazer das tuas as minhas palavras porque me sinto muito assim.

Tânia disse...

Nao há palavras para descrever o que sinto, o amor que tenho por ti é puro e verdadeiro !Quero ficar ao teu lado!do teu amor...AMO-TE

Anónimo disse...

:)
que dizer disto???
se calhar simplesmente magnifico...
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