terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Parábola


Não gosto de ti, mas tropeço nos teus passos demais da conta, muito fora da conta, tanto que enquanto peço recibo penso ser melhor fugir enquanto posso e tu me deixas. Não fujo e isso assusta-me. Estaco os meus olhos para onde queria que tu não visses que eu estaco os meus olhos. Tento dizer-te algo que não me faça partir-me logo à partida, para que não vejas que eu estou partida até mais não. O puzzle ainda tem solução, sussurras-me em sonhos , e eu acredito. Não te digo nada por aí além, sou estúpida, não digo nada com senso ou especialidade de conteúdo.
Depois há o fugires. Há o achares que o melhor é sermos ocultos para ninguém ver que existimos. Há o eu à procura do tu sem motivo algum para procurar. A achar-me esquizofrénica por mudar de destinatário nas minhas cartas. A sentir toques sem sentir dedos na pele. Sem perceber palavra do que escrevo e uma arritmia revelada nas minhas pernas que não aguentam mais paradas. O amor não é tudo, sussurras-me em olhares e eu não acredito. Sou estúpida, é o que é.
Estranho sentir-te no sol enquanto se deita. Estranho ver-te na areia infiltrada nos meus sapatos. Estranho não os querer sacudir , enquanto posso e tu me deixas. Enquanto é tempo.
Cláudia
(Boas Festas aos meus caros colegas e caros leitores deste cantinho. Até breve).

1 comentário:

Ainu disse...

O sentimento de esquizofrenia é mutuo pois ver, sentir, ouvir tudo aquilo que não esta mas que ao mesmo tempo esta presente no nosso pensamento é difícil de explicar é difícil descrever é fácil de sentir.
Somos duas esquizofrénicas inveteradas somos duas apaixonadas pelo amor, será que o amor esta apaixonado por nós?

Espero que a resposta a esta pergunta seja positiva:D