segunda-feira, 17 de março de 2008

Porque viemos do mesmo sitio



Conheci alguém que está em apuros. Arrastada á força pelos caminhos da incerteza e da solidão, vagueia sem saber que rumo tomar. Conduzida por vontade alheia, não sabe em que mundo vive. Tem olhos doces-de-mel, vestígio único de tudo o que acontece dentro dela. Perdeu-se de a(A)lguém- Como? Como? Como?."É urgente entender o rumo que a vida nos faz tomar". Temos, de facto, o poder de escolher? Temos? Ela só queria que a sua busca terminasse o mais rápido possivel. Ela desejava ardentemente um corpo a que pudesse chamar casa. Em algum momento perdeu-se desse corpo. Dela mesma. Perguntou-me se há maior solidão do que aquela que sentimos quando estamos rodeados por uma multidão imensa. Respondi-lhe que não. Então, agarrou numa folha de papel e fez uma lista de todas as coisas que precisava para não se sentir tão só. Tomei o papel nas minha mãos e li: calor, sinceridade, música, um olhar negro e descaradamente penetrante (resquício de uma memória perdida de um passado longínquo), abraços- instantes divinos de cumplicidade e uma mão para agarrar quando o termómetro do coração chegar aos tantos negativos... Foi então e só então, que percebi que buscávamos as mesmas coisas. Estava tão perdida como ela e nunca me tinha dado conta. Dei-lhe a mão e começámos a vaguear juntas.

- Só tenho pena de não te ter podido ajudar.
- Estás a ajudar.


(Á minha irmã que nunca deixou de me pedir a mão, mesmo quando sabia que eu não podia fazer nada)

2 comentários:

Eduardo disse...

Dar a mão, eu axo ke é um gesto muito simbólico, sabes?mas no entanto, nao creio que seja isso que nos alivia, mas sim, como tu dizes, de ter ali um corpo a que possamos chamar casa, porque muitas das vezes nao aguentamos akele corpo, nem mesmo o nosso.
Querida amiga, irmã, e essas coisas tuas, eu ao ler este texto, e apesar de no fim saber sobre quem era, nao pude deixar de te identificar com ele sabes?desde aquela frase em que referes os olhos cor de mel, que te identifico como tal.
como já reparaste, eu gostei, como
e obvio...gosto de te ler.és sensivel.
é bom saber que sempre que pensei que te conhecia, tinha razao.vejo-te que nem uma pessoa transparente.
Grande beijo. (das melhores coisas que li ultimamente)

Claudia disse...

"Perguntou-me se há maior solidão do que aquela que sentimos quando estamos rodeados por uma multidão imensa."

Eu continuo a achar que é um sentimento quase colectivo. Estamos todos tão sozinhos que até dói. Mas continuemos a acreditar... sim? Sempre? =)

Beijinhos.