domingo, 27 de abril de 2008

Tenho um amigo

Tenho um amigo que um dia conheceu uma (a)miga, e desde esse dia, nunca mais foi o mesmo. História banal, em qualquer vida individual. Já se ouviu falar disto, não é novidade nenhuma.

Ela disse: I put a spell on you.
Ele disse: me too.

Só que ela era melhor feiticeira
e o feitiço dele já desvaneceu.
E ainda nenhum morreu.
E a perspectiva já não é igual à primeira.

Perguntei ao meu amigo qual era sua história e ele explicou-me que era simples. Tinha tido alguém na vida dele que era perfeita e ele era perfeito também para ela. Ele era feliz porque apesar de imperfeito era perfeito de qualquer modo. Mas um dia isso mudou, ele deixou de ser o melhor, deixou de ser perfeito, deixou de ser emproado e convencido, porque não vale a pena sê-lo quando ninguém nos confirma o que pensamos, e afaga o ego. E então, contou-me ele, quando deixou de ser o melhor, quando passou a ser só convencido (mas ele já sabia que o era, não precisava de ser recordado, precisava de ser corroborado), quando deixou de ser convencido e realista para passar a ser só peneirento, ele foi-se embora, mesmo com o feitiço no activo. Isto contou-me ele. Que forte, eu não era capaz.

ER

1 comentário:

Claudia disse...

Eu tenho uma amiga que cada vez que conhece outra pessoa, nunca mais é a mesma. Cada vez que essa outra pessoa decide virar o caminho noutra direcção que não a sua, ela sofre, ela culpa-se, ela esfola os joelhos e a alma. Depois dorme, e passado um tempo, aceita que os caminhos é que nos escolhem. Ela gosta de pensar assim. Temos amigos fortes, os dois.

Peço desculpa pela divagação. Gosto Muito da tua escrita.