sábado, 29 de novembro de 2008

Desde Sempre Assim

Antes que a cortina descaia, vou contar de tudo de novo.
Contentamento que faz sangrar,
Um pouco de pecado, e acusações que voam como balas,
E se me conheces, é porque também tu o fazes,
E voltamos de novo ao início.
Mais uma fatia de bolo derretida pelo espaço aberto,
Nas confissões depejadas de manhã, libertinamente,
Olho-te de frente, e repetem-se os mesmos desejos
De saber como és...à superfície.
Conto-te todos os passos desta vida, e digo o mesmo
Se queres te agarrar aqui e agora, à minha corda de salvação.
Pões o perfume de canela e jasmim,
Qual poema em música doVeloso, o Rui,
Levo-te a passar pela a avenida dos suspiros.
Paramos.
Por agora reina a calmaria, até que comecemos lutas de novo,
Guerras de dragão e espadachim armado,
Defendo-te e ataco-te como um céu azul desprotegido.
Mulher-minha-ainda-para-o-vir-a-ser,
Foi assim que te chamei ainda ontem, depois de hoje, e amanhã,
Um outro ainda, como ontem, depois de hoje, e amanhã,
Porque tudo em nós é término.
Acho que voei e bati com a cabeça no candeeiro
E tu nadaste por aquela banheira fora,
Porque aqui e agora, o que interessa é a imaginação,
A visão de criança, a vontade de ser diferente da hipocrisia.
Nada disto faz sentido, nada disto é real
Porque quando o mundo é criança e a norma infantil reina,
Os mundos colidem, e complementam as suas histórias.
Eduardo Coreixo

1 comentário:

Alucard disse...

penso que compreendo tão bem este texto como se tivesse sido eu a escreve-lo...ou tivesse escrito para mim. Não foi, mas está belo. Quando guerras frias há, e guerras dos cem e trinta anos também, talvez a neutralidade ou uma caverna quentinha sejam o mais apropriado para nos defender. ou não fossemos nós portugueses e sempre neutrais.