terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Homenagens





Ao andar por várias horas na wikipédia, de hiperligação em hiperligação, deparo-me com esta biografia do poeta esquecido, Orlando Preto.

Orlando Preto (Mafra, 11 de Outubro de 1963 – Paris, 24 de Agosto de 1989) foi um poeta, músico e contista português. Nascido em Mafra, passou a maior parte da sua vida nos subúrbios de Paris, lendo livros que o Pai comprava para engrandecer a sua pequena biblioteca pessoal. Daí ganhou o gosto pela literatura, da rádio, o gosto pela música: aos 9 anos aprendeu a tocar guitarra, e aos 13 já compunha com alguma maestria.

Acabou o liceu e executou diversos ofícios, acompanhando-os com espectáculos musicais em bares de alguma má fama, tocando com figuras famosas daquele pequeno círculo. Mas, se na adolescência lhe deu para a música, é com o entrar na idade adulta que começa a escrever poemas e contos.
Um amigo, que pediu anonimato, conta numa entrevista:

“Começou a escrever cada vez mais poesia quando se enrolou com a Eugénia. Vivia para duas coisas: para escrever e para aquela miúda. Ela era de boas feições, não se pode negar, mas ele só via aquilo à frente. Bem, por um lado foi bom! Acabou por publicar um livro e ganhar uns trocos”. Mas eu acho que aquela moça é que o fez perder o tino de vez”.

Grande fã de Cocteau e Jorge Luis Borges. O seu escritor preferido era, contudo, César Paladión, autor que admite ter lido “de uma ponta à outra”. Admirava a genialidade acompanhada de grande versatilidade de Paladión. Disse um dia numa coluna de um jornal local de Paris:

Penso que se há em algum autor algo de perfeito, César Paladión é o nome para o adjetivo. Quem mais reúne tantas e tamanhas virtudes literárias, que vemos dispersas em todos os outros adamastores das letras?”.

Com a mudança de Eugénia, seu grande amor, para uma aldeia do sul de França, deixa de escrever e passa os dias a curar uma depressão grave e crónica. Emagrece e sobrevive, pouco fala, não toca guitarra. Em 1989, decide ir ao sul de França com o objectivo de resgatar Eugénia das garras de uma família que abusava constantemente dela, sujeitando-a a trabalhos pesados e forçados. Orlando falava muito aos seus amigos em desposar Eugénia.

Chegado a casa dos pais de Eugénia, agarra-a e fá-la correr atrás de si, aconselhando-a a nunca olhar para trás, dizendo-lhe que faria o mesmo. O pai de Eugénia, ao perceber a acção de Orlando, agarra uma espingarda para impedir que os amantes fujam. Prometendo-lhe que a salvaria, lança ainda um último olhar para trás que é focado pela mira da espingarda. A bala atravessa-lhe o crânio e atinge ainda Eugénia. Conta-se que, apesar de tamanho sobressalto, ambos morreram com um sorriso nos lábios.

4 comentários:

Gonçalo Gameiro disse...

Deu-me vontade de ler o senhor e conhecer o autor da estátua na imagem...

Gameiro disse...

O comentário acima é meu btw

Tiago Gameiro

Jorge Filipe Ressurreição disse...

Um Orfeu e uma Eurídice como tantos outros amantes que olharam para trás. Um amor de perdição como tantos outros. Gosto.

André Fernandes disse...

"É o gosto lúcido da duplicação, da reflexividade, de criar uma espécie de vertigem, de horizonte infinito, em que sujeito e objecto, linguagem e metalinguagem, se acabam por dissolver num diálogo interminável de espelhos." Eduardo Prado Coelho em O Cálculo das Sombras (1997,p18)