sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Máquina dos Sonhos


Para meu espanto, apenas ao fim deste tempo todo, me encontro aqui contigo. Sabes, tenho sonhado contigo. Bem, deves saber. Também isto é um sonho. Antigos e novos poetas exaltam muito o sonho, eu prefiro caminhar sobre ele. Vou à casa das máquinas e lá está a velhota máquina dos sonhos, sempre a tossir fuligem e a escarrar barulho, sempre pronta para me levar em viagens para nunca mais esquecer. Sabes, tenho sonhado contigo. Isso tu deves saber. Aqui no sonho sabes, mas na realidade não sabes nada, só me odeias. Apesar disso, e agora que sonho contigo, volta a saudade. Não, não penses que me assola o arrependimento. Só a agridoce saudade de algo que foi bom e já passou. Como o sentimento de te sentires fresco após um banho quente. Talvez não faça sentido o que te estou a dizer mas, aqui, compreendes. Na realidade dizes (dizias): Não te percebo! Acho que é essa a minha essência, nunca me sentir perfeitamente completo.
Se a máquina dos sonhos hoje me levar outra vez para o teu lado, vou ficar contente por te reencontrar, mas ficarei também feliz por não te ter.



Eduardo Rilhas

2 comentários:

Claudia disse...

"Eu fiquei para sonhar o pesadelo até ao fim". Porque o final não é sempre anterior ao ponto ortográfico que marca o fim. Força e boa viagem pelos sonhos que te sejam benignos. Beijinhos.

Pablo Gameiro disse...

Genio. Posso-te conhecer?