terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Acizentado


A turbulência seguiu-se de raiva,
O amor foi antecedido pelo lamento,
A desistência foi complementada pela dor.
Foi nesta viagem incompleta que tudo se transformou
Breves os dias como se passaram adormecidos
Sempre que tocava o som, a dormência adormecida
A morte de um esbracejar inerte
Foi ainda ali ontem que a estrada foi cortada pela árvore
E o céu, qual Adamastor, comeu o triste cinzento
Formou um bolo de nuvens dessa cor,
Despertou no mar daquele mundo.

Longe estão as horas do conforto daquele colchão
Daquele quadro naquela parede
Daquela cadeira posta sob aquele chão.
Navega a memória das luzes de Inverno
De uma chuva que escorria pelos telhados de musgo
Dos pinos que davam as folhas à conta do vento
As saudades daquela pronúncia.

Abana o coração por este descarregar de movimentos
Sim que conheço o que completa
Sim que conheço o que nada é indiferente,
Sim eu sei, são apenas mais umas palavras.
Remotas são as hora em que escrever era certo,
Morta está a inspiração de mais um dia que foi apenas isso.

Eduardo Coreixo

2 comentários:

Andreia disse...

São apenas mais umas palavras Brilhantes ;)

**

Claudia disse...

Estamos tão sincronizados nos nossos pensamentos.. =) gostei muito. Gosto da tua escrita. ponto. Beijinho.