sexta-feira, 16 de maio de 2008

Janelas Opostas


Hoje acabo por escrever a mim mesmo
De arma apontada à minha cabeça, de mãos no chão,
Entregando-me facilmente ao vazio de lugares de ar.
Caras conhecidas pelo passar do tempo,
E nada de histórias falsas, porque assino com o meu nome
Sem encontrar cura para a maleita do feitio ultrapassado.
Sou apenas humano, no fim destas contas feitas
Porque piso o meu próprio pé,
Estalo os meus dedos, e a o espírito quebra-se em dor.
A cada dia que passa ajudo-me a colocar as minhas peças todas juntas,
Sou a minha segurança, sem falsidades misturadas.
Mudo-me para modo desespero.
Escondo-me, enquanto o espectáculo do dia passa aos meus olhos
E sem aguentar tanta pressão, vens, tu, alma amada,
Poder em sobressaltos para me agarrares e trazeres o futuro.
Sopro a sorte para fora do meu ombro
Inspiro a chuva de raios de sol,
Bocejo no dia de praia agitado
Toco o ar de verão que desapareceu do teu esticar de braços.
Tempos calmos,estes, os da minha alma tua
Resta-nos a música. A tua guitarra. A minha letra.
Dias destes. Momentos daqueles. Escritas passadas.
Eduardo Coreixo

3 comentários:

KerberoS disse...

Hoje acabo por escrever a mim mesmo
De arma apontada à minha cabeça, de mãos no chão,
Entregando-me facilmente ao vazio de lugares de ar.


God...
como eu adorei esta parte, como eu me vi nela... a tua escrita, é a tua escrita... é gigante.

mais um bom poema, mais um bom tempinho passado a ler.

Andreia disse...

E se os teus poemas/textos não fossem uma coisa brutalissima, não eram teus!

Adorei! Beijinho grande :)*

Claudia disse...

Sou apenas humano, no fim destas contas feitas /Porque piso o meu próprio pé,/Estalo os meus dedos, e a o espírito quebra-se em dor.

A tua escrita oferece-me momentos assim. De encontro comigo, contigo.

=) Até breve?