domingo, 28 de setembro de 2008

História de esse Portugal Fora

Livre da viagem, sento-me. Aprecio a merda que fiz. Dá-me para pensar em tudo o que se passou nos últimos dias, sobejamente conhecidos por tudo o que escrevi e recebi em troca. Marcou-me sim, é verdade, porque não é fácil esquecer uma morte, menos um que anda sobre a terra, ainda que o peso se tenha ido, morreu. É a verdade.

Deixei de entender porque é que somos apenas um espelho para o sol. Acho que cada vez mais me torno a briza, o longo toque do pôr-do-sol, o pequeno reflexo numa gruta escura: perdi-me a meio da viagem, como é de resto comum. Tenho levado uma vida de imitação, um despejo de fardos de palha de aço, e porquê continuar a gritar para um monte de lixo, se já nem tento fazer parte dele? O Mundo que tentei treinar, já não me tem respeito, por isso, avisa-me quando estiveres pronto.

Ali, lá ao longe, é tudo mais chocante do que aquilo que alguma vez pensei. É algo, em tons de guitarra dramática, de saltos para o fundo o oceano, demasiada e estupidamente "cemitarial". É uma paisagem cinzenta, de sobretudos escuros num dia de sol claro, mas que se apagou pela morte, pelo cheiro de injustiça. Morreu, coitado. Os meu pêsames...Palavras infâmes, longínquas de um sonho que ainda à pouco tinha falado comigo, quase que como um adolescente pronto a iniciar a sua vida. É o sonho da realização.

O espaço pode ser a última fronteira, mas quanto a mim, fica ainda por explorar este sentimento:algo de tranquilidade e de desespero, e não, não me encontro de férias do meu intelecto. Apenas posso dizer que deixei de me sentir, e estes dias, apenas me mostraram o sonho...da morte.

O sonho do acabar, o sonho de uma guitarra sozinha a tocar para o vazio. O sonho de alguém te querer ajudar, te querer tocar, te querer mostrar o porquê de ser claro e não escuro, e de tu apenas saberes desesperar, e mandares ir dar uma volta ao Diabo mais redondo.

Tudo acabou...por se acabar. Isto foi uma sepultúra. Daqui para a frente, vem a deterioração...A minha, a do defunto.

Eduardo Coreixo

2 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado amigo, como sempre "perco.me" por aqui.. :`)

Obrigado


Hoje e Amanha .. Obrigado :)

Ines disse...

Parabens Priminho! Continuas a surprender-me com a tua maturidade... (na escrita é claro;)

Beijo grande e MUITO OBRIGADO!xx