sexta-feira, 27 de março de 2009

'Tudo está, tudo é'

Não se passa nada.
Não estou feliz, não estou miserável.


O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o descalabro.

'Tudo está, tudo é',
já nem questionamos a fé.
Tenho sorrisos
das Panateneias, a dançar em frisos,
que é bonito e nada macabro.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fracasso.

'Tudo está tudo, tudo é',
é já a convicção do famoso Zé.
Que nada pode, nem quer poder
contra os tubarões que o querem...comer.
Mas o sorriso está escasso.

O que me faz sofrer
é não ter nada para escrever,
porque nunca do neutro
o resultado se revelou outro,
que não o fraquíssimo.

'Tudo está, tudo é',
deus vai dar-nos um pontapé
tão grande que deixaremos de estar, de ser,
e apesar de ter pena, por não poder ver,
isso sim, será belíssimo.

O que me faz sofrer,
é o mundo não se pôr de pé.
Em vez de se revoltar contra si, continua a viver
no 'tudo está, tudo é'...

neutro
BOOM,
Fim.

7 comentários:

Alucard disse...

a citação 'tudo está, tudo é' pertence a um livro de Fiama Hasse Pais Brandão.

Eduardo disse...

Vês que quando tu queres escreves poesis? Continuo a dizer que se perde um bocado de ti quando escreves textos longos...perdes-te a ti mesmo.

Tem que haver razão para escrever? E o que aconteceu à simples razão do ser, apenas por assim o escrever?

sinceramente gostei. sabes que é mais o meu género...fizeste-me lembrar por momentos os nossos serões nos corredores da biblioteca...a pensar em tudo...e a fazer nada.

Grande abraço querido e irmão/afilhado.

No Limite do Oceano disse...

Tenho dias que queria escrever, mas não tenho nada a dizer. Sei que pode ser uma contradição mas sinto isso.

Sorrisos escassos é que não, rir faz bem, e sorrir até pode ser contagiante.

“Tudo está, tudo é” sim é verdade, mas nem tudo o que é tem que continuar a ser!

Eduardo disse...

gostas destes elogios todos fantásticos? =)
abraço!

Eduardo disse...

o sossego cresce,
morrem as horas de folhas caídas,
acabou-se o Outono.

Sonhos destruidos (calmamente)
Porque todos sonhamos e somos a presença calma de outrora,
A nossa morte.

Passou-se o tempo.
Ficou o suado da nossa existência.

Pseudónima disse...

Pois eu não concordo. O que penso ser o problema é o nada estar, ser tudo incerto, tudo a meias-meias e nós com calor nos pés. =X

Enfim, mas quanto ao teu poema-explosão.. muito bom.

Isto está um pouco paradito, ou quê? =x

Alucard disse...

obrigado pelos elogios e pelas criticas.