terça-feira, 12 de maio de 2009

(400 posts)Tuonen viemää


Como é bom quebrar as barreiras da linguagem, descobrir palavras novas que nos surpreendem e nos deixam sem fôlego. Línguas nórdicas, sempre afiadas e com raiva, agarrando-se com força à própria vida. Ou mediterrânicas, latinas, de corpo mais 'amoroso' ou talvez até sensual, assim como calão. Como todas as linguas são infinita e igualmente bonitas e imperfeitas. Como é bom interrogarmo-nos como haveremos de expressar sentimentos quando parece que sempre 'colocamos o pezinho na poça' quando o tentamos fazer apenas por atitudes ou gestos ou acções. Como é bom perguntarmo-nos qual a língua mais indicada para expressarmos o que queremos dizer.

Como é tão mais bittersweet em detrimento de agridoce, dizer que sentimos saudades de alguém, em vez de apenas dizermos I miss you, apesar de Sehnsucht não lhe ficar atrás em beleza.
Como é tão mais profundo pensar que life is meaningless do que simplesmente dizer que a vida não tem sentido...
Como é tão mais reconfortante e seguro dich umklamern em vez de apenas te abraçar.
Como pode o dolce amour se tornar obcessivo e violento quando lhe chamamos de rakkaus.
Como nos parece diferente dizer a alguém, até em significado: jag kär i dig, ich mag dich, minä pidän sinusta, I like you, me gustas tu, eu gosto de ti, um-grande-número-de-eteceteras...todas bonitas à sua maneira.
Como é mais difícil zu arbeiten ou trabalhar em vez de apenas work.

Assim vou cogitando enquanto passo os dias a fazer contas aos segundos que faltam para o fim. 21.12.2012, dizem eles...eu já estarei muito a vossa frente, nessa altura, por este caminho. Polar shftings, mood shiftings when she's not around...


Como é tão mais pesado e anestesiante ser tuonen viemää em vez de levado pela morte...

6 comentários:

Eduardo disse...

faz sentido o que queres. esta é uma amostra do porquê dizermos que algumas linguas são mais "agressivas" que outras...o que não é necessariamente mau.
texto...original, de acordo com aquilo que é a tua ideologia e maneira de ser

Pseudónima disse...

(Parece que há demasiada gente a acreditar, mas demasiada pouca a fazer alguma coisa... é mais ou menos a carta da Morte que significa mudança - e nós estáticos, conduzidos pela inércia de tentar ser o diferentes e melhores que sabemos poder ser... )
Só um aparte ao teu penúltimo parágrafo.

O talento é teu e de sempre. Muito bom, mesmo.

Andreia disse...

Parabéns Edu, está um texto tão... De línguas :-) (tu compreendes, right?)
Adorei.

Tuonen Viemää.
Beijo *

Eduardo disse...

Um dasafio que te proponho:
escreve em verso, sobre algo que te sejo verdadeiramente pessoal...Mas sem falsos sentimentos...
Aceitas afilhado?
Abraço

Alucard disse...

obrigado pelos comentários...
e não me chames edu, dreia, pois edu é o padrinho...ed está bom, para mim...
danke.

sou capaz de um dia não me esconder por detrás de escudos reflectores. talvez um dia... ;)

Eduardo disse...

continuo à espera desse defsafio! =)