sábado, 10 de julho de 2010

De morte



Que tudo mais reles. Que carne mais pálida e desenxabida, onde mora o que tínhamos. Que vontade mais morta, que apetite picado, que dedos gordurosos de tudo o que faz mal e nem sabe tão bem, quanto isso. Que peles a mais, no meu caixote de lixo. Que tudo mais baixo, mais gordo, tudo mais mesquinho se despido de artifício. Cuspo na realidade, nada se altera - que valha a pena registar.

Vivemos dentro de um cubo que não existe. Mas nós dizemos que existe, quase pensamos que existe. Vivemos numa caixa de 'protecção', que antes se apresentava como sociedade. Agora rimo-nos. Nem sabemos sequer do que nos rimos, mas rimos com certeza para não chorar. Dizemos para nós próprios que temos o exemplo a dar, a manter, para que nos olhem e pasmem de espanto, enquanto dizem aos filhos 'olha que exemplo'. O exemplo nós damos, o que vem a seguir é que nos escapa.

Como não sou boa a Matemática, posso afirmar que, se X ladra, Y morde. Ninguém se aleija verdadeiramente; por causa do presente(?) cubo, há sempre quem defenda que o sangue de fora veio porque se fartou de estar de dentro. Porque quis.

Há ainda quem acorde e pense que é um bom dia para morrer. Depois tente convencer outra pessoa do que pensou e, como ainda há um ínfimo espaço para discórdia na conhecida caixa quadrada de cartão, não se chega a conclusão nenhuma. Vai daí, mata-se quem não anui e vai-se à praia; é alegado que tem pensamentos suicidas, mas que esses dão mais trabalho. Ou queima-se a loira porque não era morena; 'queria tostá-la, uma vez que não há sol'. Tenho tanta pena do cubo de papel desfeito em ripinhas. Uma pena louca. De morte.

3 comentários:

Kamon disse...

amo-te. Já te mostrei o orgulho que tenho em te conhecer e ser teu parceiro para a vida?

que fique claro que tenciono desconstruir um verdadeiro cubo de protecção para ti (assim que tiver dinheiro claro). mais uma vez: amo-te.

Maggie disse...

Tão verdade.

Quantas vezes respondo ao "Porque é que te estás a rir?" com um, "Queres que chore?"

Alucard disse...

eu julgo que camuflas muito bem o que vives e o que sentes, pondo-o no "papel" sem dar "canas" (desculpa, tenho andado a conviver muito com esta linguagem)...


gostei