segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cair no ridículo

O Sporting Clube de Portugal perdeu outra vez. Ao ver a 'derrota' anterior contra o Glasgow Rangers tive pena do Sporting. Eu e outros. Pensei então que, esse era o sinal de que o Sporting estaria realmente a cair no ridículo. Um clube não cai no ridículo quando perde ou quando os adeptos dos clubes rivais tentam enfurecer ou ridicularizar esse clube, não. Um clube cai no ridículo quando esses adeptos têm simpatia (no sentido de pena) para com esse clube. Assim se vê um clube a cair no ridículo. E o Sporting deu-me pena. Naquele dia e ontem.

Passar-se-á o mesmo com Portugal? Numa altura em que andava a viajar com um amigo brasileiro por Viena, travámos conhecimento com um par de holandesas e um trio de brasileiros, assim como um japonês (se não me falha a memória era este o grupo). Dando umas voltas à cidade acabámos por ir dar a um bar sossegado (apesar de barulhento - parece contraditório mas é verdade). Pusemo-nos à conversa e quando eu disse que era português, uma das holandesas retorquiu, em tom de gozo e ainda alguma raiva, que conhecia bem o meu país. Era aquele país para onde o seu país tinha de estar constantemente a mandar dinheiro. Nessa altura, provavelmente, apesar de já sermos mal vistos, ainda éramos vistos como auto-suficientes, pois os cidadãos dos outros país 'revoltavam-se' contra Portugal pois este era um país que podia muito bem ser mais autónomo, mas não era.

Daqui por uns tempos - e segundo o prenúncio de alguns, mais cedo do que esperávamos - se calhar, a resposta dela seria: - Eu conheço o teu país, coitadinhos, tiveram de pedir ajuda ao FMI não foi?. Aí sim, será talvez cair no ridículo. Boa sorte às bochechas dos meus filhos quando ouvirem isto de um estrangeiro.

Eduardo Rilhas

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Política à Portuguesa - excerto

"- Por que será que os homens gostam mais de futebol do que as mulheres? - pergunto aos alunos, embora sabendo que estas perguntas «politicamente incorrectas» são quase sempre recebidas com desconfiança. Alguns alunos fazem um sorriso amarelo. Uma aluna responde que também há mulheres que gostam de futebol - que é a resposta típica de quem pretende sugerir que entre homens e mulheres não há diferenças. Mas eu replico que ainda bem que os homens e as mulheres são diferentes e têm gostos diferentes. O contrário é que seria uma monotonia. Como seria o mundo se não houvesse diferenciação entre os sexos? Nesta discussão das diferenças entre homens e mulheres atravessam-se sempre os preconceitos feministas e complexos machistas - e a desconfiança instala-se, impedindo qualquer conversa séria e arrumando a questão no baú dos temas proibidos.
É evidente que homens e mulheres são diferentes: têm aptidões diferentes, gostos diferentes, maneiras de pensar diferentes. É também por aí a atracção entre os sexos ou o equilíbrio das famílias. O erro consiste em considerar que essas diferenças de natureza devam conduzir a situações diferentes perante a lei ou a desigualdades. Quando certas feministas afirmam que homens e mulheres são iguais travam a batalha errada. Uns e outros são, felizmente, diferentes. Só que essas diferenças não devem trazer nem prejuízos nem regalias. Homens e mulheres devem ser iguais em direitos. Dito de outro modo, as mulheres não devem precisar de se dizerem ou mostrarem iguais aos homens para usufruírem dos mesmo direitos."

José António Saraiva.