quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Efémero


Ontem parece tão vago,
Porque ontem passou-se e não ficou,
Sabendo que o amanhã não é certeza
Fixo-me no presente, na decência do poder de decisão.

O ontem não faz parte do tempo jogado,
Porque a memória esvaziou de encontro aos dias que passaram,
Sabendo que o amanhã não trará o verdadeiro sentimento,
Fixo-me no presente, ele que me alimenta.

Ontem é a palavra que ficou,
Porque ontem escorreguei por dentro do tempo,
Sabendo que o amanhã me irá trazer conclusões,
Fixo-me no presente, para marcar a minha posição no horizonte.

Poderia ter sido mais fácil, mas faltou-te a alma de poeta
E bateste quando devias ter falado pela escrita,
Porque a vida morde a cauda a quem a pisa
O presente, engana a fome de mar, de sol, de chuva, de choro.

É então, hoje o dia ou noite
Que o céu sofocará a gravidade,
Porque às portas do paraiso ouvem-se queixas
Porque tudo acontece no momento, no presente, e nada se recorda.

O tempo já passou,
Porque o deixámos passar,
Porque sabemos que ele está aqui agora
E que amanhã voltará.

Eduardo Coreixo

2 comentários:

CerberuS disse...

Ainda há de vir um dia em que tu não postes logo a seguir a mim. Atropelas-me os posts pá!

Só porque escreves bem...vê lá se não levas uma lapizeirada no poema.

Anónimo disse...

Ainda que tu, que tu nao perdes essa alma de poeta... que deixas para tras o ontem e esperas que o amanha seja melhor lutando por isso no presente...
admiro-te por isso, es corajoso em pensares assim, lutas com a tua arma.
A tua escrita.
Que esta cada dia melhor...:)
beijokinhas