sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O meu Cântico Negro



Desculpem, sabem dizer-me por onde ando? Perguntei ali atrás por onde andava e disseram-me que aqui descobriria a resposta. Mas continuo perdido. Os meus pais disseram-me que, um dia chegaria a um sitio em que me diriam que mais à frente encontraria as respostas, e aí descobriria tudo o que quero saber. Mas continuo perdido. Não sabem onde estou? Pois, calculei que me respondessem isso.
Através de úlceras nervosas percebo que...estou perdido. Desde que nasci que não sei por, nem para onde vou e sempre tive de ser encaminhado. (Basta).
Talvez se caminhar mais uns anos consiga descobrir realmente o meu propósito na vida, que acham? Acho que vou seguir por ali. Não, acho que não vos ouvirei mais a dar indicações. Não irei por aí.
Não quero ter de continuar a perguntar para onde ir. Quero os meus pais de volta para me encaminharem... Só eles, Deus e o Diabo me podem guiar. Continuando perdido, só sei que não irei por aí.


Nota:
ao escrever o meu texto lembrei-me
do poema de José Régio, Cântico Negro,
(http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp)
e após ter escrito meia dúzia de frases,
lembrei-me de o reescrever com elementos
mais próximos ao poema.




Eduardo Rilhas

Foto de: Gonçalo Gameiro.

1 comentário:

Claudia disse...

Retribuo o elogio em tom de verdade: Genial. ("Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí...") =)

Beijinhos da colega,

Kahli*****