quarta-feira, 26 de março de 2008

Inimigos


Tocam-se as folhas derrapantes no céu obscuro
Têm uma voz consonante pela sua permanência,
Como se fossem as únicas,
Como se as ideias fossem apenas e só suas.

As árvores choram a perda daqueles elementos protectores
São e foram a sua canção durante horas incessantes
Deram beijos pela sua vitalidade
E viram-se durante ouros perdidos no tempo.

Sorriram com a mesma alma, e trautearam ruídos
Alimentaram-se pelo seu inimigo (vento imune).
Foram derrotadas. Mas sorriem
A alma prossegue em uníssono, mas não o corpo;
São longas as lágrimas que lhes escorrem
Talvez pela chuva que as agrediu,
Pelo céu que lhes cobre a cor,
Quando tudo o que foram, foi apenas a sua intermitência
Imagens virtuais da seiva colhida.

Escolhem uma nuvem em comum, mas os inimigos são diferentes
Ambição, dor, mentira, raiva…
O vento volta e junta-as, mas estão de costas voltadas
Porque o tempo, ainda que curto, separou-as.
É hoje, e agora que voltam aos seus templos,
Perderam a sua cauda, e única ligação.
Hoje são apenas elementos verdes,
Perdidos numa relva verde,
Cobertos pela esverdeada inveja do que são.

Eduardo Coreixo

1 comentário:

Claudia disse...

Gostei muito. Só isto. =)