terça-feira, 25 de março de 2008

Vaivem


Tudo o que quero é um instante.
Só isso.
Pode ser?
Um instante de pura felicidade.
Eu e tu.
Sem mentiras, meias verdades ou mal entendidos.
Pode ser?
Tu, despido de mundos paralelos [por favor].
Sem música, sem média luz, sem perfume, sem velas.
Eu e tu a meio da noite na estrada que dá para a estação.
Roubas-me um beijo e eu digo-te que sempre soube que ia acontecer.
Um instante de perfeição.
Depois podes cavalgar para longe e deixar-me aqui cheia de ti.
Só mais um bocadinho até o rastro desaparecer e depois voltas outra vez?
Não voltas?
Á estrada que dá para a estação? A meio da noite? Sempre nos procurámos ai.
Quando os outros nos rejeitavam.
Quando fazia frio,
Quando reinava o silêncio
E quando se erguiam muros á nossa volta.
Mas era perfeito.
E se eu te conseguisse dizer o que quero com palavras bonitas!
Preciso que entendas que é só quando neva no coração e as palavras estão carcomidas pela rotina.
Que as tuas mãos só fazem sentido quando o meu corpo já perdeu batalhas.
E depois cada um segue o seu caminho.
Até ao próximo instante.

3 comentários:

Eduardo disse...

enfim...os instantes sao tao curtos, mas no entanto tentamos nos alimentar deles.
se esse teu cavaleiro andante voltar a aparecer nao o deixes fugir, nem que tenhas que saltar para o seu cavalo e com ele seguir.
Mais uma vez, foi bom te re-ler.

Claudia disse...

Quero o mesmo que tu, definitivamente. ;) Lindo.

manteigas disse...

Divinal. Adoro ler-te.
um grande ósculo.