segunda-feira, 21 de abril de 2008

Figurantes



Somos todos comuns. Cada vez somos mais iguais
Cada vez há menos originalidade
Cada vez somos mais muros de cores semelhantes
Cada vez mais há menos sorrisos
Cada vez menos cheiramos a saudade
Cada vez menos ouvimos a saudade de uma guitarra só.

Somos todos comuns. Deixam-nos ser empecilhos
Deixam-nos ser reflexos de uma tristeza estampada
Deixam-nos entender a morte alheia
Deixam-nos cair a todos desta arca velha
Deixam-nos ver a pobreza das mãos cansadas
Deixam-nos tocar um céu verde de inveja.

Somos todos comuns. Gostamos todos da língua alternativa
Gostamos todos de saborear a parede branca
Gostamos todos de fazer juras sem fundo
Gostamos todos de olhar pela janela vazia
Gostamos de perder a razão, porque somos inconsequentes
Gostamos de um bom desafio...O impossível.

Somos todos comuns. Dizemos que somos mundos tresloucados
Dizemos que queremos a câmara da terra
Dizemos a todos que perdemos a razão,
Dizemos todos que o cansaço é nosso dono
Dizemos que gostamos de fugir todos aos holofotes da fama,
Dizemos que não gostamos do reflexo daquilo que somos.

Somos todos comuns. Todos queremos a fama,
Perdemos a noção de verdade imparcial
Transformá-mo-nos em tracção para chão imundo
Queremos coisas que não temos, mundos distantes.
Somos todos comuns, pintando em telas pretas a nossa sorte
Somos todos comuns, somos Tristes Figurantes.

Eduardo Coreixo

2 comentários:

Claudia disse...

Neste mundo tresloucado, acho que não há mesmo desafio melhor que o impossível.

Tristes figurantes... não concordo.

Claudia disse...

Ah beijinho, caro escritor. =)