
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Probabilidades Invisíveis

sexta-feira, 23 de maio de 2008
Falta

quinta-feira, 22 de maio de 2008
A minha hora do conto (distante)

segunda-feira, 19 de maio de 2008
Hora do Conto
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Fumando o dia (continuação de ontem)

domingo, 18 de maio de 2008
Arranjar o arranjado

Knock knock

Estendam-me o caminho, limpem-me as pedras e os olhos, enfeitem o meu pó de arroz, tragam-me a namoradeira, o chapéu de sol bordado a delicadezas e um espartilho que me esparte e aparte para onde mais longe conseguir ir a minha imaginação. Se a luxúria é pecado, tenho na guerra a coisa mais limpa cosmopolita e trago mas deixo o Futuro à porta, porque bem sei que aqui não se aceitam animais de estimação, vícios indesejados ou dias partidos e estilhaçados nos ses.
E hoje sou senhora de voltar, desde que não me perguntes quem sou.
sábado, 17 de maio de 2008
Hora do Conto
Querida amiga, aceita estas palavras que tentarão, de forma com certeza deficiente, retratar-te a minha vida, e o momento pelo qual estou a passar.
Levanto-me de manhã e nada tenho a fazer, já nenhum raio de sol me surpreende e quando olho pela janela há sempre nuvens a bloquear a alegria de viver, a que tive durante outros tempos. Vou à sala de estar e espero por um ruído em minha casa, que me mostre que estou acompanhada, em vão…Esqueço-me muitas vezes que o António me deixou há já sete anos. A única companhia que tenho é a da minha filha Francisca que me vem dar um beijinho, de quando em vez, quando o trabalho lhe permite, e os livros sobre o fado de antigamente, na força dos anos sessenta, nos nossos anos.
Lembro-me tantas vezes quando íamos as duas na rua a cantar, ou cantávamos a convite de cavalheiros, no barzinho que gostávamos de frequentar. Costumávamos dizer que enchíamos as noites de magia, costumávamos dizer que havia uma carreira na música à nossa espera. Mas conhecemos os nossos esposos e todo esse sonho ficou adiado. Tenho pena. Sinceramente, ainda hoje creio que teríamos sido alguém nas cantorias, talvez não muito conhecidas, mas certamente profissionais. O que é certo é que acho que, nem eu nem tu trocaríamos a vida que tivemos, apesar de tudo.
Tenho hoje setenta anos e espero nada mais que o meu último dia. Não há já nada que me faça rejuvenescer o espírito, cansado e velho, e espicaçado por tudo o que vejo hoje.
Ontem fui acompanhar o meu neto à Serenata a Lisboa. Que bonito que ele estava, todo trajadinho. Senti orgulho no orgulho que ele sentia em pavonear-se com o traje da sua faculdade, que coisa linda, que noite bonita. Já não bem como dantes, pois a tradição já não é o que era, e creio que no tempo a seguir às folhas caídas do meu neto, no seu Inverno, ainda existirá esse provérbio, pelo que ele ainda o poderá dizer relativamente à Serenata a Lisboa dos netos dele, mas isso, já eu não verei, e ainda bem.
Porque viver é isto mesmo, efemeridade, num dia somos tudo, no outro nada, num dia somos jovens e temos o sangue na guelra, no outro somos velhos e esperamos o nosso fim, e nesta vida, não há já nada que cá me prenda…
E é por isso minha querida Amália, que tenho pena de não termos cravado o nosso nome na história da música. Assim, poderíamos morrer descansadas, que sempre por cá ficávamos, para nos escutarem ao menos nas notas mais suaves das nossas belas vozes, adultos, crianças, ou idosos, porque a música é para todos, e não precisa de ser compreendida por todos, porque só a melodia separada da compreensão, já consegue tocar os mais rígidos corações. Porque a música e bela, e nós não ficámos na sua história.
Se ao menos tivéssemos tentado e lutado para cantar…
Da tua amiga que continua a adorar-te:
Simone.
Eduardo Rilhas
palavras chave:
corpo, doença, nocturno.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Janelas Opostas

quinta-feira, 15 de maio de 2008
Hora do Conto
No dia seguinte, Santiago acordou com o despertador. Era tão cedo mas a faculdade esperava-o para mais um dia de rotina que ele odiava. Tomou o pequeno-almoço a correr e saiu para o ar fresco da manhã. Antes de apanhar o eléctrico, foi-se inscrever para tirar a carta de condução. O desejo de conduzir um carro era o seu maior sonho desde que fizera os 18 anos e agora podia concretizá-lo.
Mas Santiago não sabia, nem podia saber, que aquele dia seria o último da sua vida e o primeiro de uma nova. Ninguém advinhava que assim fosse.
O dia decorreu com toda a tranquilidade que ele estava à espera. Os pais telefonaram-lhe para saber como estava (desde que tinha saído de casa para vir estudar para outra cidade, que os pais lhe telefonam todos os dias).
Durante a tarde, dado que tinha um furo de três horas, decidiu sentar-se na esplanada com o seu mp3. Acendeu um cigarro e ouviu uma voz atrás de si:
-Desculpa... Podes me emprestar o teu isqueiro?
Santiago perdeu a noção de tempo e de lugar. Uns olhos verdes dirigiam-lhe a palavra. Um cabelo longo de um castanho arruivado esvoaçava ao vento e... o tempo parára.
-Sentes-te bem?! Precisas de alguma coisa?
-Não, não! Obrigado. Foi só uma pequena distracção. Aqui tens o isqueiro.
Aquela imagem acendeu o seu cigarro e devolveu-lhe o isqueiro.
-Queres-te sentar enquanto fumas?
-Oh... Gostaria imenso mas tenho pessoas à minha espera.
-Ah ok. Não faz mal. Fica para uma próxima.
-Sim. Não irão faltar oportunidades. Bem, adeus.
-Adeus.
Já a rapariga se afastava quando Santiago se lembrou. Não lhe tinha perguntado sequer o seu nome.
-Diz-me ao menos o teu nome! - ainda gritou.
-Madalena. Chamo-me Madalena.
-Prazer... - murmurou Santiago para si.
Naquela altura sentiu que tinha ganho o euromilhões (coisa que nunca joga), sentiu que o seu coração explodia intensamente.
Durante duas ou três semanas, tudo se repetia de novo. Todos os dias, sem excepção. Madalena pedia-lhe o isqueiro emprestado mas nunca podia ficar quando Santiago a convidava a sentar-se para fumarem os dois enquanto conversavam.
Um dia, Madalena decidiu sentar-se e Santiago não se conteve e a meio de uma conversa balbuciou a medo:
-Adoro-te...
Madalena deu uma passa profunda no seu cigarro, deitou fora o fumo e apagou-o. Depois, virou-se para Santiago e quando este lhe ia dizer qualquer coisa, esta colocou o seu indicador na boca dele de maneira a que se calasse.
Depois... beijou-o.
próximas palavras chave: fado, Simone, anos 60
Diminuído
Hoje o meu ego vai caber na porta de entrada.
Hoje não quero saber de ti, hoje não quero saber de mim...
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Hora do Conto
Não era que Fábio fosse algo por aí além em termos físicos, mas era um rapaz muito bem parecido, e com um charme fabuloso que cativava muito a 'claque' feminina.
Elisa, pelo contrário, era pouco dada e não era muito encantadora, mas a sua beleza fazia corar até os príncipes encantados dos contos de fadas.
Não interessa para a nossa hora do conto fazer grandes descrições Tolkianas ou Queirosianas, porque quero que o leitor dê asas à imaginação para imaginar a cara destes personagens e o seu traço e perfil, ou ainda, se quiser, se inserir dentro da pele destes personagens.
A dada altura das suas vidas, Fábio recebeu um convite para ir trabalhar 3 anos para o estrangeiro, ganhando um dinheiro fabuloso, e teve que se despedir de Elisa. Na despedida, Fábio disse que não poderiam continuar o seu relacionamento e Elisa admitiu que, realmente as condições eram más para que o noivado se segurasse.
A nossa personagem masculina segue e viagem e rapidamente se aproxima de várias raparigas, tendo várias más experiências, inclusive uma que andou um ano a extorquir-lhe dinheiro.
No seu caso, Elisa esperou... Mas, ao saber das notícias do seu ex companheiro, decidiu que estava na hora de ter uma nova vida.
Quando Fábio voltou, estava sem dinheiro do trabalho que tinha feito, estava sem vida e teve de pedir uma grande ajuda aos pais. Decide então que ao menos redimir-se-ia com Elisa, tentando que esta voltasse para ele, estando à sua espera, fielmente. Puro engano. Elisa já estava casada e tinha agora uma família, pois estava à espera do seu primeiro bebé.
Arrependimento, foi o que Fábio teve até ao resto da sua curta vida, arrependimento por ter sido guloso e ter aceite emprego fora do país quando estava para casar com a mulher mais perfeita para ele, arrependimento por ter sido egoísta e não pensar que levava alguém a sofrer, e acima de tudo por ter deixado toda a gente ao seu redor desiludidos.
Sem nada e sem razão de se manter vivo, não esteve em Portugal mais do um ano, e partiu, para debaixo da terra, com um tiro no cérebro, de forma a estragar o que lhe tinha estragado a vida, a racionalidade...
próximas palavras chave: euro milhões, DVD, carta de condução.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Parabéns

Tenho o meu coração em tela branca
Tenho os meus lábios nas pedras da calçada
Tenho as minhas mãos na nascente daquela fonte
Tenho o sorriso perdido na tua face
Tenho o amor achado, nesse mar perdido.
Tudo é transcendente,tudo é fácil de querer
Tudo é quilograma adicionado à realidade
Tudo é uma merda de uma viragem
Tudo é uma vivacidade contornada.
Descobri hoje a finalidade
Descobri hoje a fatalidade
Descobri hoje a futilidade
Descobri hoje a funcionalidade
Descobri hoje a tua mente apaixonante.
Descobri-te.
Eduardo Coreixo
domingo, 11 de maio de 2008
Invejas e competições
Não vale a pena, eu sou o melhor. Não tenho nada e sou o melhor. Tenho confidências, tenho brincadeiras, e tenho-a a ela... E o facto de me acharem o melhor, prova que sou o melhor. Não vale a pena injuriar e escrever por cima do que eu escrevo. O que escrevo fala ao coração. Tu, as vezes nem à piada falas. Não vale a pena provocar, eu não vou responder. Não vale a pena pensares que tens uma pequena vitória um dia, que eu estrago-te o prazer. Eu ganho por cima de ti. Não vale a pena tentares agigantar a arte plástica à escrita. A escrita ganha a fúria de palavras e engole algo muito bonito. Não vale a pena... Podes ser melhor que eu em alguma coisa que seja, mas nunca o serás porque eu sou o melhor para ela, e então sou melhor em tudo. Não vale a pena, eu sou Júlio Cesar, veni vidi vici...
pronto, não mereces mais que isto.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Dar-vos-ei, Emprestar-vos-ei
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
(...)
Poeta castrado, não!
Ary dos Santos
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Novo começo
Até já.
Farto disto e daquilo

É impressionante como as pessoas se esquecem daquilo que lhes foi dado na mão.
Choca-me a facilidade com que perdem as razões pelas quais as coisas lhes foram dadas na mão, sem esforço, porque por uma razão ou outra, eu acho que tudo tem uma ponta de cinismo, um toque de falsidade.
Lembro-me quando toda a gente visitava o blogue, e dizia que era fabuloso, e isto e aquilo, e hoje acho que ou era uma forma de ter assunto de conversa, ou apenas uma forma de mostrar que tinha um pouco de integridade cultural. Desculpem-me a dureza, mas de facto, dói-me pensar que as pessoas perderam aquela característica que se chama "integridade", ou até "verdade", e não admitem que este espaço era apenas mais um...Eu acho que precisamos de uma revolução, e acho que com isto tudo dito, falta-me dizer sobre isto que desistir não é a razão, apenas a consequência.
Hoje estou negativo, raivoso, do pior mesmo, mas pessoas que marcam coisas, e depois à última da hora decidem coisas contraditórias, enfim, para mim é algo que não dá comigo. Eu acho que o compromisso já não existe, apenas há a palavra, a comum, porque a final, aquela de honra, já se foi à muito...Ui, onde ela já não vai!
Perdoem-me pois as pessoas que se identificam com o que aqui escrevo, não é nenhum ataque pessoal, é apenas uma maneira de explicar o porquê das coisas, o porquê das atitudes, ou no mínimo, apontar aquilo que está errada, entendem? Acho que todos precisamos ser chamados a atenção, porque ninguém tem a certeza do que está certo ou errado, e se um pontapé na cara demonstra o extravasar de raiva ou de defesa, pode também ser aplicado como um escape a qualquer coisa...Eu, prefiro a escrita, mas quem sou eu para julgar, hein?
Qualquer coisa que tenham a acrescentar, é só deixar comentário, que prometo responder o mais depressa possível, 'tá?
Vá, até logo.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Respirar fundo

Mudam-se os tempos, mudam-se as ventanias
Mudam-se as vontades, mudam-se os objectivos.
Nas curvas desta vida, como alguém o disse,
Ficamos com cabelos brancos de tanto esperar que aconteça aquilo
Porque mudam-se os momentos, mudam-se os mundos
Mudam-se as fotografias, mudam-se as pessoas.
Neste quadro que pintei, não vejo as manchas que planeava
Vejo a euforia de traços direitos, riscados a rigor,
Alternando com o branco da tela, aquele que não está pintado
Assim que se acabou a inspiração,
Naquela hora em que resolvi parar de sonhar, ainda ontem o foi.
Não choro, porque serei cobarde ao abandonar a seriedade,
Mas desejava saber o que fazer quando se acaba a ilusão,
E quando começa a pertinência de acreditar no real
Porque, eu, não, quero, ser, eu,
Quero, ser, a, minha, triste, imagem (penso a soluçar).
Estrada longa que tenho na palma do dedo,
Enforcada por este anel que uso com todo o orgulho
Mostra que a vida não passa de um túnel pouco iluminado,
Uma imagem fotográfica esbatida pelo tempo
Que a memória teima em não clarear aquando da sua passagem.
Sou morto inspirador, poeta de alma cara,
Arma de fogo entupida, classificação quantitativa
Folha sem ramo, relva sem verde
Amor sem desespero, escrita sem tinta.
Inspiro a vontade, não a ausência.
domingo, 4 de maio de 2008
Agradecimento
Saiu por porta fora um talento puro de enigma, mistério puro, o meu diamante de escrita favorito, peço desculpa caros escritores por esta sinceridade.
Estou de luto.
Perdeu-se hoje, nesta madrugada imunda de cheiro, aquela que foi a fundadora deste movimento quase parvo, mas que aos poucos ganhou as formas possíveis de cores pela escrita desta menina de talento gigante.
Estou de luto.
Faltam-me as palavras, e tremem-me as mãos de tanto suar, por não saber o que te escrever cara amiga. Compreendo-te, e sei que dentro em breve irás voltar para este mundo que é meu e teu principalmente, pois então desculpem-me os outros escritores, porque era ela a iniciadora.
Estou de luto.
Foram-se as palavras que ela iria escrever para nosso gáudio, todas as imagens penetrantes que acompanhavam os teus textos.
Estou de luto.
Não sei mais que dizer porque a sua escrita era um pequeno raiar. Dura e consistente, colorida e amolecida pela vontade de o ser.
Estamos de luto caros escritores. Saiu Cláudia Alves, a menina-moça do talento infinito que escreveu inúmeras linhas durante este ano bloguista...Continuaremos a ver-nos por aí, e continuarei a ler-te com toda a vontade...Mas compreende que não te ler aqui, nunca mais será o mesmo mundo que era até agora.
O meu obrigado, porque se tenho um dom como dizes, foi pela tua iniciativa que ele se espalhou.
Eduardo Coreixo, o admirador e inútil amigo.
De que cor é o teu céu?
O meu céu anda cinzento.Não me posso despedir de todos da mesma maneira. Poder até posso, mas não quero ser ingrata. Nem poética, nunca estive aqui para isso, por isso:
Até breve.
Cláudia Alves
quinta-feira, 1 de maio de 2008
As pancadas de Molière
